EXPECTO PATRONUM — Diretamente da casa LUFA-LUFA de HOGWARTS, quem se aproxima é DOROTHY "DOTTIE" PODMORE. Com seus 17 ANOS, está cursando seu SÉTIMO ANO e faz parte de CRIATURAS MÁGICAS e MONTARIA COM PÉGASUS em sua escola. Seu status sanguíneo é PURO e dizem por aí que ela se parece muito com o trouxa INDE NAVARRETTE, mas não sabemos se é verdade.
Dons mágicos: Não possui. Quadribol: Torcida. Postos: Colunista em Hogwarts, agora tenta veicular seu jornal também em Beauxbatons.
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inspirações: Sabrina Spellman (da versão original antiga); a família Addams;
— Curioso, realmente curioso. O dia no qual o jovem casal mudou-se para Jardins Laburnum 2, Clapham, na Inglaterra, foi marcado com interesse por parte da vizinhança, desacostumada a grandes alterações na rotina. Logo notou-se que eram dotados de costumes estranhos. Estrangeiros! -- Justino Deihot, duas casas a distância, determinou com ar de quem sabia das coisas enquanto os polegares repuxavam os suspensórios de sua calça social. Fofocava com Marilda Finley, da residência à direita. Mas embora Estúrgio e Libby Podmore realmente pudessem ser classificados como estrangeiros, a estranheza inerente a ambos ia muito além de meras barreiras geográficas. Eram bruxos, afinal. E se acrescentava de alguma coisa, bruxos de puro sangue.
— Junto à primeira queda de Lord Voldemort, viera o desejo de colocar em prática um sonho antigo. Estúrgio, recém formado Auror por pressão familiar, nutria forte fascínio pelo mundo trouxa desde a época de escola. Suas habilidades com a varinha se provaram úteis durante a primeira guerra, a qual lutara ao lado da secreta Ordem da Fênix, e com a paz reestabelecida viu-se enfim capaz de realizar aquilo que lhe motivava: Queria viver em meio a trouxas, aprender sobre eles, e então publicar seus livros. Queria tornar-se pesquisador. Libby o acompanhou na empreitada. Magizoóloga, abriu uma clínica veterinária e é verdade que precisou de um tempo para se atualizar das diferenças entre a anatomia de gatos e amassos, bem como de vários outros animais não mágicos -- mas era algo que amava e, por tal motivo, tomou a tarefa com empolgação. Já Estúrgio assumiu a alcunha de escritor em início de carreira, e, carismático e empolgado, foi feliz em fazer amizade com grande parte dos vizinhos, enfim integrando a comunidade.
— Mas é claro que a atitude do casal não seria benquista por parcela da população mágica, em especial aquela que ainda acreditava nos ideais do Lord das Trevas. Cortaram laços com muitos parentes e, de quebra, tiveram seus nomes manchados por apelidos de péssimo gosto em rodinhas de conversa. Traidores do sangue, desertores, malucos. Afinal, como alguém em sã consciência renegaria toda a herança mágica para viver em meio aos trouxas? Para muitos, tal ideia era inconcebível.
— Dorothy nasceu pouco tempo depois, nomeada através de um dos livros trouxas favoritos de Estúrgio. Já seu apelido, por ironia ou destino, surgiu após a contemplação de uma marca de nascença na criança, um pequeno pontinho abaixo do olho direito. A Dottie jamais foi negado o conhecimento de sua magia, embora as regras estabelecidas desde cedo enquadrassem a prática desta às paredes da residência, graças ao risco de exposição. E mesmo que o casal tivesse se adaptado aos costumes ingleses perfeitamente mundanos -- e que as janelas encantadas, quando espiadas pelo lado de fora, sempre os mostrassem assistindo televisão --, o interior aconchegante do lar era tão cheio de elementos mágicos quanto qualquer outra casa de bruxos. De pratos que se lavavam sozinhos a espanadores que sobrevoavam cômodas em busca dos grãos de poeira. De uma lareira de pó de flu para viagens rápidas até um relógio de apetrechos esquisitos que indicava o nível de perigo (um presente dos tempos de guerra, mantido na parede por nada além de uma lembrança constante da vitória do bem sobre o mal). Até que... A seta vermelha começou a mover-se novamente.
— O ano era 1995 e Dottie não tinha mais de oito quando Libby soube, através do Profeta Diário, que seu marido havia sido sentenciado a seis meses em Azkaban pelos crimes de invasão ao Ministério da Magia e tentativa de roubo. Semanas mais cedo, Estúrgio havia se despedido para juntar-se à Ordem da Fenix uma segunda vez. Soltara palavras vagas sobre uma escolta a Harry Potter, que se encontrava sob ameaça, e Libby conhecia o caráter do marido o suficiente para saber que havia de ter sido injustiçado. Se a reputação da família já não era das melhores, aquele artigo tratou de jogá-la na lama. Daquele dia em diante -- um setembro pavorosamente sombrio -- iniciou-se seus esforços para provar-lhe a inocência. Entrou em contato com colegas de Hogwarts, amigos da Ordem, e engajou-se de vez na guerra que voltava a se desdobrar. E nesse meio tempo, Dottie ficou sob os cuidados de uma amiga de confiança.
— Ao fim dos seis meses de sentença, Estúrgio voltou para casa. Mas ele estava... Diferente. Já não era mais o homem de sorriso frouxo e olhares calorosos, cheio de ânsia pela vida. Havia entrado em contato com dementadores por muito mais vezes do que conseguira contar nos dedos e, em consequência, adquiriu quadro depressivo-melancólico, além de terrores noturnos. Dottie se lembrava de como o pai era, e foi doloroso demais vê-lo naquele estado. Numa tentativa de animá-lo e tê-lo mais próximo novamente, passou a se interessar pelos seus gostos, em especial a literatura e a escrita. Enquanto buscava inconscientemente transformar-se numa espécie de feitiço do patrono para evocar boas memórias no pai, ia descobrindo mais sobre suas batalhas e causas, o lado que lutavam naquela guerra, e adquiria para si aflorados sensos de justiça, certo e errado. Quando enfim iniciou seus estudos em Hogwarts, já era uma mocinha de bastante opinião. Esta que não se conteve guardada na mente por muito tempo.
— Quem vê o amarelo de sua gravatinha listrada por vezes se assusta com a fervorosidade nos monólogos da Podmore enquanto panfleta os periódicos de sua gazeta de notícias, em especial aqueles acostumados aos Lufanos mais dóceis e pacientes. Mas as características inerentes aos texugos ainda estão lá, basta olhar com carinho. É leal, honesta (talvez até mais do que deveria), determinada e guiada por um nobre senso de dever. Talvez seja ingenuidade, mas Dottie acredita de verdade que o diálogo e o debate respeitoso são capazes de criar um mundo melhor -- e é isso que tenta alcançar com seus jornais e a incessante tentativa de enfiar empatia goela abaixo daqueles que a rodeiam. Ter o nome da família jogado na sarjeta para então, anos mais tarde, ser exaltado por heroísmo em face à guerra deu-lhe uma noção bastante clara de que há sempre dois lados de uma história, e buscar pela verdade é essencial.
— Embora soubesse que era bruxa desde muito jovem, nada a havia preparado para a enxurrada de informações que fora seu primeiro dia em Hogwarts. Dorothy se viu extasiada, deslumbrada, encantada, e todos os sinônimos que possam descrever a sensação de um universo completamente novo se descortinando à altura dos olhos -- algo semelhante ao que o próprio pai sentira quanto tomou conhecimento do mundo não mágico. Seu interesse já aflorado por animais graças ao trabalho da mãe tomou proporções exponenciais à medida que avançava nas aulas de Trato das Criaturas Mágicas. É um elo íntimo, e por vezes prefere estar na companhia destes que lhe parecem tão livres de maldade. Está, inclusive, estudando arduamente para se tornar uma Animaga registrada pelo ministério.
— Se desejava participar do Torneio Tribruxo? Sim, por justiça ao Diggory -- sua morte precoce fortemente ressentida por quase todo lufano. Mas não nega estar aliviada de não ter sido escolhida, ciente de que seu potencial está mais nas palavras do que nos feitiços ofensivos. Estar na França é uma oportunidade de conhecer mais outras vertentes mágicas, além das criaturas típicas daquela região. De um modo ou de outro, o torneio será uma ótima fonte de matérias para sua gazeta.














