I Want Crazy: Ryan Tedder Mix

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AnasAbdin

★
todays bird
d e v o n
Claire Keane

⁂
RMH
Misplaced Lens Cap
🪼
DEAR READER
h
Sweet Seals For You, Always
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Sade Olutola

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YOU ARE THE REASON

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@perse-guido
I Want Crazy: Ryan Tedder Mix
Guido Tommaso + ZODIAC
APRIL 21th: Taurus Sun, Aquarius Moon and Virgo Rising
❛ — (flashback): bookworms to close friends → guido. )
proftoso:
Othelo sorriu abertamente para a fala do rapaz, sabendo que, ao que assim que tentara imitar um gesto repetitivo e totalmente estereotipado dos italianos, dera legalidade para o outro imitar qualquer russo — ou, então, tentar brincar com os costumes de seu povo. O sotaque ainda era acentuado por sua pouca prática da língua falada em Anima, portanto, Urien sabia que facilmente poderia ser identificado por alguém que possuía um mínimo conhecimento acerca de sua língua materna. Ele umedeceu os lábios, as palavras fluindo sem qualquer filtro para saber se estava falando certo ou errado. Era sua língua, afinal. ❛ Moy aktsent osudil menya? I da, ya vypil ryumku voda segodnya. ❜ Sua cabeça se moveu diante da confirmação de que havia bebido, mostrando ao outro um pequeno cantil no qual poderá ter colocado a bebida. Entretanto, não se passava de uma garrafa vazia que nada continha. Othelo sabia que não poderia beber para comparecer às aulas — assim como ele também não era um alcoólatra que precisava beber o tempo todo. ❛ Mas não conte a ninguém! Estou prestes a ser suspenso! ❜ Ele colocou o indicador nos lábios, indicando o silêncio que pedia. Lançou para o outro a garrafinha, sabendo que não deixaria cair, assim como também para que ele visse que não passava de uma piada do outro que, assim que Guido teve o objeto em mãos, deixou com que uma gargalhada saísse pelos lábios finos. ❛ Você realmente acreditou que eu tinha bebido? Tsc, tsc. Eu sou um cavalheiro. Não bebo fora das festinhas que organizamos. E nunca fiquei bêbado até cair. ❜ Dissera, deixando suas costas se repousarem na cadeira, olhando para o professor e fingindo estar prestando atenção em sua aula quando ele passara os olhos pela carteira de Urien. Até mesmo dera um tchauzinho para o outro, antes de voltar sua atenção para Tommaso. ❛ Você sabe mais sobre minha cultura do que sobre a Itália? Mi piace questo. ❜ E ele reconhecera a canção que o rapaz começou a cantarolar. Pensou em segui-lo, mas o professor já notara que nenhum dos dois estava prestando tanta atenção nas aulas. Talvez Guido por já saber do que se tratava — não precisava ser um gênio para saber que o outro era uma criatura que estudava em demasia — e Othelo por simplesmente desinteresse. Encontrara uma companhia melhor do que ouvir o professor discursar sobre uma matéria que ele não era tão dedicado, já que não era tão fã da química que envolvia o preparo de poções. Deixaria isso para Alex, outro amigo de infância. Os olhos do menino percorreram os passos do professor até sua mesa e depois para ela novamente, enquanto se afastava para pegar um bilhete que indicava que estava detido outra vez. Ele gemeu, sabendo que perderia não apenas aquela prova — que o italiano fizera questão de lembrar ao professor que não parecia se importar com o fato —, mas também o treino para a Corrida com Dragões. Pelos deuses, ele estava perdido! Iria bombar em filosofia daquela maneira, já que utilizava aquela aula como foco daquelas que poderiam cabular. ❛ Você acha que ele liga? Ele ‘tá orando pelo dia que eu nunca mais vou voltar! Faz de tudo para que eu seja expulso! ❜ Um aluno que possuía um ego tão grande quanto o topete que ostentava acima de sua cabeça e um professor que não aturava desaforos. Urien pegou suas coisas e se colocou de pé junto aos outros alunos — os engraçadinhos que ficaram rindo de todas as falas dos rapazes para o docente — e se voltou para Guido. O cenho se franziu com o que fora dito, mas não tivera tempo de questionar ao rapaz o que ele queria dizer com “passara horas com Freud”, afinal, Othelo ainda não sabia acerca dos poderes do italiano. Poderia ouvir boatos, mas não tinha certeza já que nunca vira acontecer diante de si. Empurrado pelo professor, ele saiu porta a fora, sendo colocado em uma sala escura, na qual tivera de olhar de um lado para o outro, sem poder abrir a boca para conversar com seus companheiros de classe que estavam presos naquele tormento consigo. Acabou utilizando a cadeira para apoiar suas costas, olhando na direção do zelador que os vigiaria naquelas horas enquanto mexia em uma mecha de seu cabelo.
Guido já ouvira mais de uma vez que deveria se preocupar menos com alunos que não queriam nada com a vida. No entanto, o garoto discordava veementemente. Todos queriam alguma coisa com a vida; os professores que, muitas vezes, os colocavam para baixo com comentários pessimistas e até maldosos. Alunos como Othelo geralmente eram mais do que aparentavam. Podiam tentar esconder coragem e um coração enorme por trás da faceta arrogante e atitudes esnobes - afinal, todos tinham suas qualidades e defeitos, e quem era Guido para julgar. Criação ou apenas um meio de se proteger, o loiro não sabia, mas nada daquilo era indicativo de uma pessoa ruim (muito pelo contrário; pelo que conversara com Othelo, parecia ser um menino muito inteligente e amigável, mas, infelizmente, direcionado de forma errônea). Após a saída dos meninos da aula de Poções, Guido esperou impaciente pelo fim desta, com o queixo apoiado nos punhos e os pés a bater no chão de madeira, tirando a cara de tédio que expressava por ter que prestar atenção na aula - sem conversas, sem "Os Miseráveis”, mesmo com o assunto todo em mente - para não correr o risco do próprio pegar detenção e não conseguir tirar os amigos daquela enrascada (ou pior, perder a prova!).
O que foram vinte minutos, para Guido, pareceu duas horas. Quando o sinal tocou, O Bertolli abriu os olhos de sobressalto, agarrou a mochila e, sem pensar muito, saiu as pressas na direção a sala 13 (conhecida como sala da Detenção). Mal notou o olhar do professor de Poções para ele; conhecia Guido o suficiente para saber que o garoto já havia livrado seus amigos da detenção mais de uma vez, mas, por falta de provas, nunca o conseguira entregar. “Senhor Bertolli...” A voz rouca e arrastada fez Guido perceber o quão estava sendo obvio com seus atos. Diminuiu o passo, se virou para o professor e tentou abrir seu melhor sorriso. “Sim senhor?” O professor o olhou de cima a baixo, e, ironicamente, imitou seu sorriso com os dentes amarelados. “Estou de olho em você. Tenha plena consciência disso.” Iria precisar de muito mais para fazer o garoto engolir em seco.
A sala 13 não ficava muito longe dali. Após deixar sua mochila em seus aposentos, decidiu que filaria a hora do almoço e se limitaria a comer um lanche na hora da prova. Passou pela sala da Fada Madrinha, depois pela sala onde o professor mais enfadonho e entediante de toda Ethereal ensinava - ou tentava ensinar - Introdução aos Contos de Fadas. Quanto desperdício! A melhor matéria sendo aplicada com livros empoeirados e uma voz preguiçosa; não havia um aluno que nunca tivesse dormido na aula daquele coitado. Poucos metros depois, reconheceu a porta vermelha da sala de detenção. Antes que pudesse agir, Guido entreolhou pela fresta de vidro para ficar a parte do que estava acontecendo, e como sempre: alunos zumbis fazendo exercícios e um professor tão ruim quanto o de poções fiscalizando tudo - a sorte do Bertolli é que aquele ainda não conhecia suas artimanhas para com a detenção. Então o italiano respirou fundo, abriu seu sorriso mais simpático e entrou na sala: “Professor!”
❛ — once upon a time → guido. )
magiceve:
{FLASHBACK}
Em sua vida, sempre imaginara como sua mãe seria. Ao olhar para seu pai, ela completava mentalmente as características da mulher, sabendo que herdara os fios dourados da outra, já que os fios de seu pai eram um tanto mais escuros, saindo do loiro e chegando ao castanho. De onde herdara os lábios fartos que se viam maiores ainda quando os pintava em tons escuros? De onde herdara seu nariz pontudo e arrebitado que lhe dava a sensação de estar sempre acima dos outros — embora Maeve não fosse uma criatura essencialmente egocêntrica para se considerar em um patamar que a levava além dos demais — e que, enquanto crescia, incomodava-a por acreditar que era grande demais? E aquele tom dócil em seu olhar? O brilho que não era característico de Rumpelstiltskin que possuía a malícia natural por pertencer às trevas, entretanto, era visível em sua cria quando ela se via entre amigos ou conversando sobre o livro que fora instruída a ler e gostara; ou os sapatos novos que saíra e Isobel lhe apresentara; ou quando simplesmente se via encarando o céu noturno, sendo o tapete estrelado que cobria a terra sua paisagem favorita. O dócil olhar de Maeve indicava que ela possuía diferenças com relação ao seu pai, herdando do homem o mesmo instinto vingativo e a mente que sempre iria considerar possibilidades cruéis, mas que, rapidamente, eram estancadas pela beleza que era via nas coisas — sendo esta outra característica que não herdara do mago, portanto, o questionamento se intensificava: de onde herdara tudo aquilo?
O anseio para conhecer sua progenitora também acarretava questionamentos, desejando saber se ela realmente a deixara com Rumpelstiltskin por simplesmente não querê-la ou se o mago fizera algo para a mulher — sabendo que a última opção era um tanto quanto mais fácil de ser considerada. Será que ainda vivia? Ou ela possuía uma família? O termo, em sua mente, fizera com que Maeve sentisse um aperto em seu peito. Na ilha, muitos possuíam aquilo; uma família. Mas ela… O que ela tinha para si eram abusos que, caso fossem apenas físicos, ela ainda se sentiria melhor. Em sua infância costumava se questionar o porquê aquele que deveriam amá-la não o fazia e com o tempo compreendeu que Rumple não era amor. Sua essência não era amar. E ela partilhava um pouco daquele sentimento ao simplesmente não saber o que era aquilo. Desconhecia-a completamente, assim como, ao ver os efeitos nos mocinhos, acreditava que estava melhor longe. Os devaneios de Maeve cessaram com a voz de Guido se fazendo mais alta que qualquer outro pensamento que a bruxa estivesse projetando e a íris azulada percorreu o ambiente até recair novamente na face do professor. Ainda era estranho olhá-lo, pois sua semelhança com seu pai era gritante — e, deve-se dizer, um tanto aterrorizante.
Ela abriu um sorriso, imaginando que deveria responder assim ao outro por querer ajudá-la, mas não se sentia alegre. Em verdade, estava nervosa. Poucas foram as vezes que enfrentara qualquer nervosismo, pois, longe de Forsaken, experimentara a autoconfiança e gostara daquilo. Muitas vezes poderia ser taxada de ser sem noção, mas estava tentando ser confiante. ❛ Temos? ❜ Questionou, confusa; ele disponibilizava seus poderes daquela forma? Sem cobrar? Maeve poderia fazer poções ou feitiços para arrumar alguma coisa, mas ela raramente o fazia de graça. Apenas seus amigos possuíam a chance de receber seus favores gratuitamente. ❛ Mas também não seria demais você recusar. Rumpelstiltskin sempre me disse que eu deveria cobrar algo pelos meus poderes. Ele sempre dizia que um favor era mais útil porque as pessoas sempre acham que vamos pedir coisas poucas, mas depois… ❜ Ela encolheu os ombros. Depois poderia acabar sendo um gato, como Salem, que outrora se chamara John, um pirata, que agora era apenas um gatinho de trinta anos de idade — ou três, quando ela resolvia omitir a verdade.
❛ Você pode ir agora? ❜ O brilho em seus olhos se intensificou. Curiosidade, talvez; ou ansiedade. Qualquer que fosse a interpretação, não seria capaz de explicar o que ocorria no interior de Maeve. ❛ Não, não… ❜ Suas mãos começaram a soltar faíscas, indicando o sentimento enclausurado em seu âmago enquanto tentava explicar o que ela queria. ❛ Eu estou esperando há dezoito anos para saber o que aconteceu. Sendo sincera? Ele nunca me disse nada sobre ela. Nome ou como ela era. Só me ignorou e disse para nunca mais perguntar. ❜ O último detalhe era a verdade. ❛ Então, sim, eu estou com medo, porque eu não sei o que aconteceu a ela. Mas eu preciso saber. Eu preciso saber quem eu sou e se eu tenho alguma coisa me esperando fora de Forsaken. ❜ Sabia que, quando livrasse o mago de sua prisão, ele a descartaria; era uma verdade que Maeve até se afeiçoara nos últimos dias. Talvez fosse melhor se afastar do homem, mas, sendo ele tudo que ela tinha e tudo que conhecia, como poderia se afastar de Rumple sem ao menos saber se algo esperava do outro lado? ❛ Eu posso ir! Eu posso ir agora ❜ — e, após uma pequena pausa para controlar as faíscas que saíam de suas mãos, ela concluiu: ❛ Vamos? ❜
O sorriso de Maeve preocupou Guido. Parecia que a garota queria transmitir simpatia, mas seus olhos gritavam nervosismo. Se perguntava se a filha de Rumpelstiltskin não estaria com as mãos trêmulas e, sinceramente, o docente esperava que não. Mas aí estava o problema: como teria vivido uma menina tão jovem, criada pelo vilão mais cruel que Guido já conhecera? Se fosse seguir por essa lógica, Maeve era mais forte psicologicamente do que muita gente teria sido em sua situação. “Tem.” Repetiu, assentindo com a cabeça. Se aproximaria de Maeve para se comunicar melhor com a garota, mas não sabia de que forma ela agiria a tal ato, então preferiu ficar estável e deixar que a loira decidisse até onde ela dava liberdade para ele se aproximar. O questionamento da outra fez o loiro querer levantar uma sobrancelha. Cobrar? Para coisa tão simplória? Não, era um direito dos alunos, ele jamais poderia, e se pudesse, não iria querer. “Tudo bem, não vou cobrar Maeve. Vamos considerar que está incluído no meu salário, ok?” Para Guido, o dinheiro necessário era para pagar suas contas e comprar seus livros e ingredientes de culinária. O que ganhava a mais, gostava de dar para aqueles que precisavam de alguns trocados; aprendera isso com o Bispo de Digne e Jean Valjean, e nunca mais esquecera. Aliás, Guido apoiava a teoria de que se tivesse um Bispo de Digne a cada cem pessoas, todos os problemas do mundo teriam acabado.
“Você é quem manda.” Disse com um sorriso sereno, ao mesmo tempo que tirava seu relógio de bolso dourado da casaca. Não precisava necessariamente dele para viajar no tempo, mas geralmente, quando o utilizava, as coisas andavam mais rápido. Ao se virar e notar que as mãos de Maeve faiscavam, Guido lançou um olhar um pouco alarmante; a sala era de madeira, não sabia se as faíscas podiam causas estragos feios, mas concluiu que a sala não corria perigo; pelo menos, as faíscas não eram muitas. De qualquer forma, aquilo era o mínimo a se preocupar agora: o que realmente importava era o que Maeve sentia e pensava. Estava procurando ajuda! Aquilo era mais do que bom; na verdade, era excelente. Para Guido, todos os alunos que se sentissem incomodados com algo em sua história deveriam procurar algum tipo de ajuda, mas aparentemente para eles aquilo era motivo de vergonha. “Eu conheço seu pai, Maeve.” O olhar de Guido pretendia transmitir confiança. “E... Eu te garanto que você é a cara da sua mãe.” Não sabia se aquilo desencadearia uma reação muito emocional na menina, e por um momento, se arrependeu de ter dito. Porém, não deixava de ser uma verdade. “Enfim, perdoe a intromissão. Eu não deveria mexido nesse assunto...” E, após esperar a loira se acalmar, estendeu uma parte da corrente do relógio para ela segurar, enquanto ele mantinha a outra em mãos. E, sem nem precisar se movimentar - apenas numa piscada de olhos - lá estavam eles: a floresta escura, a noite pouco estrelada e o vento fraco movimentando as folhas das árvores e arbustos. Que venha Rumpelstiltskin.
❛ Eu vou acabar tendo de tirar ele dali, não vou? ❜ Ele encarava o rapaz que estava pendurado no alto da torre. Ele sabia que, eventualmente, alguém teria de subir para tirar o garoto que se debatia. Mas o que ficava em sua mente era o questionamento de como ele havia parado naquele lugar.
“Mas como uma pessoa é capaz de chegar a tal ponto?” Guido observava o sujeito, se perguntando se aquilo tinha sido obra da bebida ou de alguma brincadeira de mal gosto. “Um de nós vai ter que subir para tirar aquele pobre coitado dali.”
dxmmief:
F L A S H B A C K
E aquela possibilidade fez o rapaz encarar seu professor, evidenciando o óbvio. Ora, ele não desejava a morte! O fato do outro considerar que ele poderia morrer eventualmente, portanto, não era importante o modo como aconteceria. ❛ Eu acho que eu ser morto por um jacaré seja mais interessante do que por uma espada. Minhas probabilidades seria dor em um lugar e dor menor em outra. ❜ Era um fato que, caso fosse colocado frente a morte, escolheria aquela que fosse mais rápida e menos dolorosa. Não acreditava que um ataque animalesco era o sinônimo de confortabilidade para morrer. ❛ Eu deveria agradecer ao Peter Pan por isso? Já que ele fez o pobre coitado do capitão ter a mão comida. ❜ Peter não era um vilão, claro. Mas uma criatura dócil, com certeza não era. ❛ E ela me salvou porque eu estou devendo ela um presente, ou teria me deixado morrer. Ninguém dá nada de graça por aqui. ❜ Poderia ter sido salvo porque era querido pela outra — uma possibilidade enorme, visto que a fadinha o considerava um grande amigo —, entretanto, o fato dele dever a ela algo era grande. Claro que Domhnall era culpado por sua sorte, afinal, que ser humano esperto o bastante iria enfrentar o Capitão Gancho!? Ele não deveria ter tentado ser o herói daquela história que não era a sua, mas, bem, estava diante de uma oportunidade de ouro! Enquanto sua espada batia contra a do pirada, considerava como voltaria para o presente e contaria para todos que ele derrotara o capitão… Ops, caiu no lago à mercê de um jacaré. Uma história de glória que rapidamente virou uma história vergonhosa e que ele não contaria a ninguém. ❛ Eu não provoquei ninguém, professor. Ele só estava lá na minha frente e eu achei que poderia tirar uma casquinha! Quem não quer enfrentar o Capitão Gancho? E eu poderia ter vencido, mas me distrai. ❜ A verdade era que ele não possuía habilidades para lidar com o pirata, mas não iria dizer que perdera pela falta de habilidades.
“Se não fosse o jacaré você não estaria aqui agora, Dommie.” Por pouco a espada do Gancho não perfurou os pulmões e Domhnall naquela aula, e o crocodilo aparentemente estava mais interessado em devorar o resto do Capitão do que atacar um aluno. Os gritos de preocupação dos seus colegas foram coléricos, e o desespero no olhar de muitos fez o docente ficar mais preocupado do que geralmente ficaria numa aula. Mas Domhnall estava bem agora, e na volta a sala tinha esquecido a quase morte do colega e focado na parte cômica da situação. Se a Fada Madrinha sonhasse com aquilo, Guido já podia dizer adeus ao seu trabalho em Ethereal. Por sorte os alunos eram bom confidentes e pareciam gostar das aulas. “Indiretamente, sim. O crocodilo parecia bem concentrado no Gancho.” Guido sempre gostara de alunos como Domhnall: interessados e empolgados, mesmo que um pouco impulsivos. Eram os que davam graça as aulas - ou ajudavam nisso. Não viravam piada da turma, afinal, era mais frequente do que parecia algum aluno se meter em uma cilada com os vilões: teve Dommie e Gancho, Isobel e a Rainha Má - nunca mais vira a filha de Aurora depois daquilo - a ruiva nas cruzadas - essa não fora exatamente engraçada - e construção das Barricadas em Os Miseráveis - que todo mundo se divertiu. Alem disso, a eficiência das aulas não iam embora com as piadas, e a maioria saia sabendo o conto de trás para frente. “Agora você pode dizer que enfrentou o Gancho. A gente não conta o final pra ninguém.”
❛ — once upon a time → guido. )
magiceve:
O belo vestido que fora confeccionado para a aula daquele dia estava completamente sujo e, em seu caminhar para se aproximar de seu professor, Maeve se via amaldiçoando a quantidade de lama que grudara em suas botas durante a aula que havia tido seu fim naquele exato momento. Assim como os outros alunos e alunas daquela classe, ela possuía consigo um doce que acabou fazendo com que seu humor tivesse uma pequena melhora, tal como a guerra de lama criada pelos estudantes mais infantis daquela classe. Ah, claro que ela participara! Em Forsaken era quase impossível ter um dia chuvoso que iria acarretar na formação da massinha de modelar nojenta — o modo mais gentil que a filha de Rumpelstiltskin poderia falar acerca daquilo —, portanto, ela aproveitara. Agora, seus fios dourados estavam completamente sujos e ela precisava urgentemente de um banho de horas para limpar tudo aquilo. E, ainda que fosse necessário que ambos se limpassem, a jovem ignorou o sentimento negativo para sua própria aparência, caminhando na direção do docente e esperando eu ele respondesse ao seu questionamento anterior. Ela também não saberia dizer o porquê caminhara na sua direção, completamente incerta do que deveria fazer a partir daquele ponto. Não deveria procurar aquilo que o mago deixara envolto ao ignorar qualquer pergunta feita pela boca da pequena criatura — tendo recebido sua primeira lição do que não deveria perguntar aos três anos, quando, inocentemente, questionara “onde está a mamãe?” e recebera como resposta uma surra —, entretanto, era sua história que estava sendo colocada diante de todos os outros alunos. Possuía o direito de saber antes dos outros, não possuía?
Não soube, porém, como começar. O que deveria dizer para o homem? Ela raramente se via sem palavras — rapidamente substituindo a surpresa de ser incapaz de falar algo pela língua afiada, entretanto, ali, ela possuía nada para ser dito. Considerou sair pela porta, pedindo ao professor que ignorasse sua pergunta, mas desistir? Se havia algo decente que fora ensinado por Rumpelstiltskin àquela criatura fora que desistência era pior do que nem ter começado o percurso. ❛ Eu quero saber. ❜ Apressou-se em dizer para que a interpretação do outro não fosse errônea. Diferentemente do que poderia deixar transparecer, o respeito para com aqueles que lecionavam em Ethereal era maior do que o costumeiro por aqueles que eram ensinados na academia para descendentes. Repuxou sua face até que mostrou ao outro um sorriso um tanto nervoso, imaginando o que poderia haver naquela história que nem sequer era contada nos livros. ❛ Eu procurei quando cheguei a Ethereal, mas não encontrei muita coisa nos livros. Acho que eu só posso saber alguma coisa se eu for para o momento que alguma coisa começou. Eu posso fazer um pedido? ❜ E, antes que o outro dissesse sim ou não, ela rapidamente tratou de explicar o que desejava e o porquê de desejá-lo. ❛ Eu quero voltar para quando eu nasci. O momento que nasci. Nunca soube nada da mulher que me deu a luz. Você pode deixar tudo que meu p—Rumpelstiltskin fez para a aula de amanhã, mas eu quero começar desse ponto. Do ponto em que nasci. Seria possível? ❜ A correção natural de “pai” para o nome do mago a impedia até mesmo de utilizar a palavra, tamanho era seu temor em abrir a boca. O desejo não era conhecer a história daquele que criara e alimentara, mas sim quem era aquela que sequer quisera lhe dar um sobrenome.
Uma tarde de domingo em Verona, o cheiro de macarronada inundando a casinha no topo da colina, bem próxima a vila onde os Bertolli faziam absolutamente tudo. Na cozinha, as mulheres riam alto e conversavam sobre as famílias, o trabalho, os maridos e “como o signor Bartollini estava alegre depois de ter finalmente encontrado sua tão amada Giulietta” enquanto preparavam o molho de tomate com as frutas colhidas diretamente da horta do fundo da casa. No quintal, pelo menos seis crianças gargalhavam alegremente brincando de pique e depois de esconde esconde - e impunham o terrível castigo de ser o primeiro a tomar banho para aquele que perdesse. Já na sala, os adolescentes conversavam tranqüilamente sobre situações do cotidiano enquanto um deles dedilhava uma melodia simples, porém harmoniosa, nas cordas de nylon do antigo violão da família - que só Deus sabe como ainda estava tão afinado. A brisa quente do inicio do verão, a alegria e paz rondando o ambiente e o prazer de ter encontrado a felicidade nas coisas mais simples ali consigo; Guido tinha um nome para aquilo: la casa. Nunca desfrutara de luxo nenhum, sempre usando as roupas mais simples e dormindo no colchão feito com as penas mais comuns, mas sempre fora inclinado a encontrar a felicidade nas coisas mais simples da vida. Um vinho com os amigos, cozinhar um bolo de chocolate para partilhar entre seus alunos ou simplesmente cantar uma música antiga em voz e violão. Precisava mais de que?
Todavia, Guido tinha noção que a maioria dos alunos de Ethereal não conheciam esse sentimento. Ou achavam que precisavam de coisas demais, ou tiveram pais abusivos que acabaram por destruir parte da crença em uma vida pacífica, ou... Bem, ou simplesmente não queriam ou não ligavam. Nesse caso, o docente não podia fazer nada; cada um com sua filosofia de vida. Mas tentava ao máximo trazer a mesma sensação da sua antiga casa para a sala de aula: famiglia, serenità, pace, gioia. “Vai ser um prazer ajudar, Maeve.” Ele tinha um grande exemplo na sua frente. Maeve nunca tinha se aberto com ele como outros alunos já fizeram, mas o italiano tinha experiência o suficiente com alunos para saber que o relacionamento abusivo gritava na historia de vida dela. Filha de Rumpelstiltskin... Poverina. Um dos vilões mais desagradáveis que Guido já tivera o desprazer de conhecer - inclusive, teria que ditar mais algumas regras em sala quando o visitassem semana que vem, para ninguém sair com pacto selado. “Vocês sempre tem esse direito comigo, Maeve. Sempre que quiserem, podem me solicitar a voltar para sua história. A história é de vocês, nada mais justo, não?” Sorriu para a loira, tirando os óculos de leitura e fechando o caderno de anotações para coloca-lo de volta na gaveta. Aquela frase era uma confirmação. “E por sorte eu não tenho nenhum compromisso agora.” Ele podia muito bem adiar a leitura de Macbeth por mais um dia. “Mas se preferir outra hora, não estiver pronta ou qualquer contratempo, não tenha vergonha de falar, Maeve.” Não eram poucos que tentavam ao máximo esconder inseguranças. Estar inseguro ou assustado com algo do passado era totalmente normal, mas a criação de muitos ali discordava. “Estou aqui para ser seu amigo, não para te julgar.” Sorriu com o canto da boca para a loira. Ela tentava esconder, mas sua voz e seu olhar relutavam, apesar de também se mostrarem curiosos e sedentos por conhecimento. Cada aluno tinha seu tempo, e Guido esperaria cada um sem ressentimentos. “Mas se quiser ir agora, para sua sorte já esta caracterizada para o contexto.”
Barco para Forsaken
Apesar de ainda ser novo no instituto e não ter muitos amigos, Alexei ficou seriamente irritado com os recentes acontecimentos. O jovem duque não gostava desse tipo de segregação que tentavam impor e estava disposto a se unir com os demais alunos que buscavam justiça para que seus colegas fossem trazido de volta. Por isso não pensou duas vezes antes de se esgueirar para fora do castelo e entrar no barco que rumava para Forsaken, com o intuito de ajudar no que suas habilidades pudessem ser úteis. Agitado, não conseguia ficar parado por muito tempo em um único lugar sem fazer nada, então foi procurar uma tarefa. Encontrou, porém, uma pessoa afastada dos demais tripulantes, então se aproximou lentamente para ver se a pessoa estava precisando de algo. “ Hey… tudo bem com você?”
Guido se lembrava da visita ao Capitão Ahab. Era um homem amargurado demais para seu próprio bem - e para o bem dos presentes do navio também - e sua obsessão em encontrar Moby Dick tinha colocado uma tripulação inteira em perigo. Nesses casos, é sempre bom que os tripulantes de um navio saibam bem coordenar os seus postos, e para a felicidade dos tripulantes de Ahab, eles sabiam bem. Assim, Guido conseguiu conversar bem com aqueles que compreendiam um pouco mais afundo as coordenadas marítimas, e ele e mais três alunos aprenderam a ler mapas. Era o que estava fazendo agora, um pouco afastado dos outros tripulantes, a cabeça concentrada nos números. Uns estavam no leme, outros nas cordas, mas ele preferira ficar no mapa; era no que seria mais eficiente. Desviou os olhos dali quando notou a aproximação de um aluno. O havia visto há pouco tempo em Ethereal, então tinha consciência que era um aluno novo; Alexei, se não lhe falhava a memória, filho da Anastasia. “Tudo bem , Alex.” Assentiu com o sorriso caloroso que lançava aos seus alunos. “E com você? Precisa de ajuda em algo?”
Hadrían não se incomodava em fazer o trabalho manual. Na verdade, estava grato em ter algo o que pensar que não fosse a sua extrema impotência para fazer mais. Cada minuto que eles passavam comendo, conversando, debatendo, era um em que seus amigos estavam em perigo. Ter as cordas nas mãos faziam com que ele se sentisse um pouco menos mal consigo mesmo, ainda que fosse uma distração ruim para a dimensão de seus problemas. “Valeu..” Ele agradeceu, ainda que não tivesse se incomodando com o peso. “Eu estou acostumado..” Ele riu, lembrando das pescarias em sua terra natal. Hadrían passou mais algumas cordas pelo braço, sentindo o clima estranho do silêncio entre ele e o professor. “Você vai se meter em problemas por nos ajudar?” Ele imaginava que sim, porém, mesmo que fosse egoísta era bom saber que ele não era o único encrencado por ali.
Guido sempre trabalhara melhor com a velocidade do que com a força. Quando ainda era aluno, lembrava que ele, Othelo e mais outros amigos de vez em quando gostavam de sair da monotonia da forma que os meninos de 15 anos fazem: perturbando o juízo dos outros, Um dos meninos mantinha a guarda e ele corria para avisar de alguém chegando para os outros. Mas por Guido ser do tipo que vivia com um livro na cara e tinha notas excelentes, alem de sempre ajudar os colegas na véspera de prova e gostar de fazer amizade com professores, raramente recebia algo alem de uma bronca da Fada Madrinha. Porém, trabalhar melhor com a velocidade não queria dizer que não tivesse força física. Não era muita, como a de Othelo ou até mesmo a de Hadrían, mas podia ser eficiente com aquelas cordas. Com a constatação do outro, o loiro deu um sorriso de canto e levantou os ombros. “Prefiro ser demitido por vir ajudar do que manter o emprego e ficar sentado em Ethereal como se nada tivesse acontecido.”
Barco para Forsaken 23:45
As mãos enrolavam a corda com habilidade ao redor dos braços e do ombro, criando um montante de tecido pesado, ainda que o avalor não notasse o peso já que estava ansioso demais para notar qualquer coisa. O rosto escoriado pela briga com os guardas, e o fato de ter ajudado o Beast a organizar a missão de resgata indicava o estado pouco são do príncipe. Ele estava preocupado com seus amigos… Imaginar Allyah, Miranda, Amara e até Maeve na ilha causava uma sensação ruim na boca do seu estomago, e ele sabia que só passaria quando tivesse todos elas em segurança no castelo. Ele sentiu as cordas resistir ao empuxe, e então seguiu com os olhos, até notar a presença de x por perto. “Desculpe, não te vi aí!”
Norte... Seguiriam para o norte por algum tempo antes de mudarem de rumo. Era o que Guido pensava enquanto analisava minuciosamente o mapa que tinha em mãos, uma das relíquias trazidas por ele de uma de suas aulas. Quando era mais jovem, tinha aprendido a se guiar pelas estrelas - não era tão difícil quanto parecia - mas o céu diurno não ajudava, e o sol não era um guia tão bom quanto as estrelas, apesar de também ser eficiente. Desviou seus olhos do mapa por um instante para abrir o relógio de bolso e verificar se ali estava o que tinha buscado fazia algumas horas. Todos os alunos precisavam de ajuda, mas tinha uma em particular que parecia ter uma relação um pouco mais conturbada com o pai, e que provavelmente estava nas mãos dele na ilha. “Não foi nada.” Desviou o olhar para o aluno para assentiu com a cabeça, quando percebeu a situação do rosto do rapaz, e se lembrou da briga que tinha acontecido pouco antes. “Deixe eu te ajudar com isso, Hadrian.” Se aproximou do aluno para ajuda-lo com as cordas. “’E demais para uma pessoa só se encarregar.”
nclvkaterina:
Ao ouvir que a Fada estava se aproximou mais, determinada a falar com a mulher. “Então talvez se eu bater com você ela finalmente escute.” falou, alto o suficiente para que a diretora ouvisse. Quanto mais incomodasse, melhor, e ela sabia como incomodar alguém. “Pois você está muito certo, professor. Se ela simplesmente decidiu exilar muitos alunos, deveria ao menos falar com os restantes.” em seguida, ela diminuiu o seu tom de voz para que apenas Guido a escutasse. “Mas se quiser manter seu emprego, eu posso bater enquanto você observa, observar não é errado, afinal.” ela piscou para ele e sorriu, elevando a voz novamente para mais uma provocativa. “Afinal, o que ela poderia fazer comigo? Me expulsar para eu importunar mais meus pais? Ou me mandaria pra Ilha de Forsaken?”
O docente não pode não sorrir com a vontade de ajudar de Katerina. Um sorriso agradecido, mas ao mesmo tempo um pouco pessimista, característica que raramente fazia parte dos seus dias. “Infelizmente, teríamos que incomodar os reis e rainhas, Kat. Essa decisão foi deles. Aurora e Phillip, Belle e Adam, e por aí vai. Teríamos que colocar um trio elétrico na frente dos castelos e não deixa-los dormir.” Suspirou, passando a mão nos cabelos loiros na tentativa de ajeita-los pelo menos um pouco. “Mas apoiar é tão ruim quando coloca-las em prática, e pelo visto é isso que a Fada Madrinha e os resto da direção daqui está fazendo.” Seguir ordens. Era o que ele e os outros docentes deveriam estar fazendo, teoricamente. Mas tinham momentos em que as regras eram tão ridículas que ultrapassavam o bom senso de qualquer um. Nem ele e nem nenhum professor daquele lugar iriam apoiar o banimento de alunos inocentes, isso era fato.
goddessxtheia:
Na realidade o que Aletheia gostaria de conversar com a diretora não era relacionado ao banimento dos demais alunos, todavia não existia nada nos terrenos da escola que não estivesse intrinsecamente ligado a isso. Fora até a sala da Fada Madrinha no período da manhã, dispensara o café da manhã, afinal não conseguia segurar nada no estomago de qualquer forma. Os passos eram decididos enquanto caminhava pelo corredor, mas fora necessário apenas ver a figura do professor para que a dona dos fios claríssimos meia volta de súbito, não queria ter que explicar o que fazia ali naquele horário. Antes que um pé se colocasse na frente do outro a compreensão de que fugir dali pareceria ainda pior a atingiu, fazendo com que os orbes verdes fitassem o teto. Novamente se virou, dessa vez na direção do docente e caminhou até ele. ——— Acha que ela vai em algum momento abrir a porta pra pelo menos dizer pra gente sair daqui? O corpo fora acomodado de modo confortável no banco de madeira ao lado da porta, não era segredo para ninguém que a patinha já havia sentado ali inúmeras vezes esperando para receber alguma bronca da fada.
Ao ouvir o tilintar de uma vez feminina, Guido virou-se para reconhecer sua aluna, Aletheia, filha do Patinho Feio. Lançou-lhe um olhar triste e preocupado. “Ela deveria, Theia. ‘E o mínimo que pode fazer pela gente.” Lembrava-se dos alunos que tinham ido pedir conselhos para Guido. Filhos de vilões que não sabiam lidar com a forma que eram tratados, outros que tinham problemas com os pais e outros que só precisavam de palavras reconfortantes. Agora eles tinham sido mandados para uma ilha onde corriam todo o perigo. Isso preocupava muito o docente. “Sei que a decisão não foi tomada por ela, mas apoiar uma causa dessas é tão ruim quanto aplicá-la, não?” Sentou-se ao lado da aluna, e lançou-lhe um sorriso triste de canto de lábio. “Os alunos estão se mobilizando, os professores estão em greve e Ethereal parou, mas talvez isso não seja o suficiente.” O certo mesmo era bater nas portas daqueles reis e rainhas. Importunar a vida deles, não deixa-los dormir. Talvez isso só aumentasse a ira deles, mas qualquer tentativa era válida. Mas a distância dos reinos era absurda. Demorariam semanas para viajar de um para o outro, imagina com vários adolescentes, a eficácia seria mínima. Infelizmente, possibilidade descartada.
rxwenna:
A fala alheia lhe parecia coerente com o que se ouvia da Fada Madrinha naquele momento. Todas as pessoas de Ethereal possuíam um porquê para xingar a diretora da academia, fazendo com que a descoberta do fato da outra ser uma bruxa não fosse uma surpresa para a filha de Rapunzel. Rowenna deixou os ombros caírem, fazendo um bico gigante. ❛ Eu achava que ela era a pessoa responsável por dar todo mundo uma vida boa. Ela não deu o vestido pra tia Cinderela? E não deu pra tia Aurora o sono da beleza? ❜ Começou a enumerar o que a outra fizera em favor dos contos de Iraz. Era decepcionante saber que não se via mais tamanho altruísmo! Para uma criança que começava a aprender sobre o mundo, talvez a fada fosse um bom exemplo… Agora se tornava um péssimo. ❛ Ela mandou a Amara embora também… Ela não podia ter feito isso, professor. Eu gosto da Amara. ❜ Seus joelhos se ergueram e ela apoiou os cotovelos nos mesmo, em seguida colocando sua cabeça em uma das mãos. ❛ O senhor pode ser demitido por falar com ela? Isso é errado! O Lance sempre diz que a gente tem liberdade de expressão! Ele disse que isso quer dizer que eu posso falar o que eu quiser. ❜
Guido não se sentia no direito de dizer a Rowenna que ninguém é totalmente bom ou totalmente mau. Fosse a Fada Madrinha ou os vilões mais temíveis, ambos tiveram boas atitudes ao longo de suas vidas, mas as dos vilões acabaram por ser apagadas dos livros de história. Uma completa ignorância, e um dos motivos por que o loiro gostava de ir alem dos livros nas suas aulas. “Sabe o que eu acho, Row? Acho que a Fada Madrinha está seguindo ordens de pessoas que não estão sendo muito boas. Pessoas que não gostam dos filhos dos vilões. Mas apoiar essa causa é tão ruim quanto aplicá-la.” Fez sinal para Rowenna sentar ao seu lado. de dentro da mochila, tirou uma barra de chocolate que havia trazido de casa. Chocolate caseiro que Guido e Milena compravam quase toda semana na mão de um dos vizinhos, que vendia chocolate e biscoitos para várias pessoas dos arredores. Para o italiano, era o melhor chocolate que já comera. “Pode comer, Row. Cioccolato sempre melhora o humor da gente.” E tirou um pedaço para ele também. Ele queria continuar batendo na porta, gritando do lado de fora e fazer greve de sono - porque as de aula já estavam estabelecida entre os professores.
xbeaxtx:
Era no mínimo infeliz ver um professor como Guido daquela maneira. Phil sempre o admirou por ser um homem inteligente e estar a par de tudo, o admirava ainda mais por sua habilidade que tornava as aulas muito mais interessantes. Ver como ele estava sendo ignorado pela fada-madrinha era no mínimo revoltante, mas até mesmo ele tinha o sido. “ — A situação atual pediu medidas drásticas.” Repetiu com escarnio o que seus pais tinha dito a ele quando questionados sobre a decisão tomada. “ — Quem são os alunos perto de reis e rainhas de cada reino, professor? Eles estão focados em assegurar o melhor para seus filhos.” O deboche ao proferir as últimas palavras deixava claro como tudo aquilo o enojava.
“Os reis e rainhas disseram isso?” Guido ergueu uma das sobrancelhas para Philippe. Entendia que muitos ainda tinha um pensamento ultrapassado, afinal, eram de uma geração diferente dos seus filhos, mas uma coisa era pensar diferente, e outra era fazer com que pessoas inocentes fossem punidas por causa desses pensamentos. “Infelizmente, é assim que as coisas vem funcionando, Phil.” Ele sempre tentava compreender. Quando visitou Malévola e a muito custo conseguiu ter uma conversa com ela, concluiu que suas atitudes não eram justificáveis, mas, de certo modo, compreensíveis. Já essa, ele não conseguia encontrar nada que os defendesse. Não fazia o menor sentido. Eram crianças e adolescentes. “Você chegou a argumentar mais com seus pais ou eles não quiseram mais falar?”
xbeaxtx:
Era mais uma das tentativas tolas de conversar com a diretora a respeito da atitude tomada. Ele não poderia ficar calado vendo metade da escola isolado em uma ilha apenas por ser filho de um vilão. Ele sabia que havia descendentes que eram diferentes dos progenitores e, portanto, estigmatizarem todos dessa forma apenas servia como uma demonstração de preconceito contra aquelas pessoas. Estava se aproximando quando viu o professor batendo incessantemente na porta e suspirou exasperado notando que a fada-madrinha simplesmente não queria ouvir. “ — Não adianta insistir, professor… ela não vai te ouvir.”
Ao ouvir a voz de um aluno falando atrás de si, Guido se virou para reconhecer Phill, o filho da Bela e a Fera. Lançou um olhar triste com as palavras dele, e depois de deixou cair no banco de madeira ao lado da porta. “Isso não está certo. Em todo tempo que estive aqui um absurdo desses nunca aconteceu.” A Fada Madrinha tinha basicamente implantado uma ditadura em Ethereal, e Guido já havia visitado inúmeras vezes várias ditaduras para saber que nenhuma delas acabavam bem. “Estabelecer uma coisa e depois nem querer ouvir os alunos sobre? Isso não vai durar muito tempo. É só não ficarmos calados" Eles podiam reunir os alunos, levantar cartazes e gritar tão alto que a Fada Madrinha não conseguiria dormir.
rxwenna:
Após o chororó depois do discurso acalorado de alguns estudantes, Rowenna estava mais calma — e, consequentemente, pensativa. Ora, não eram todos os seres que viviam em Forsaken que ela gostaria de ter de volta em Ethereal — em verdade, a necessidade se via apenas em Amara Khan e, talvez, o filho de Gaston, mas algo que ela poderia conversar consigo mesma mais tarde —, portanto, imaginou que uma conversa com a Fada Madrinha para pedir que trouxesse de volta sua amiga e irmã, quando foi confrontada com o desinteresse da diretora em ouvi-la. Pequena como era, Dolores não possuía qualquer voz e, sentada diante da sala da fada, ela observou o vai e vem, mas ninguém parecia disposto a ouvir-te. Outra pessoa se foi e ela ficou sentadinha, esperando que algum adulto fosse ouvido pela fada e, consequentemente, ela adentraria a sala da diretora e iria ser ouvida. Quando o professor que viajava no tempo apareceu, Rowenna imaginou que sua chance chegaria e, com os olhos curiosíssimos, ela observou esperançosa, mas a Fada Madrinha nunca abria a porta. ❛ Ela ‘tá ignorando você também, professor? Por que ela tá fazendo isso, professor? ❜
Ainda com o copo de café - este já frio - nas mãos e com a cabeça encostada na porta, Guido ouviu uma voz infantil atrás de si. Ora, só tinha uma criança em Ethereal, então ele não precisou se virar para reconhecer que era Rowenna falando com ele. “Porque essa coordenação que tem mais bruxa do que fada não quer nos dar uma explicação boa, Row.” Guido virou os olhos azuis para Rowenna. “Eu tenho alunos filhos de vilões que precisam de ajuda, aí Ethereal me vem com uma dessas…” Guido estava sempre a um fio de ser demitido. Sua sorte é que seus alunos eram bons confidentes, e não contavam das aulas “perigosas” para quem não podia saber; mas daquela vez ele estava batendo de frente com a autoridade, coisa que não gostava de fazer - preferia comer pelas beiradas com uma conversa ali e outra cá - mas esse método não havia funcionado, então tinha que partir para outro meio. “Tomara que eu não seja demitido por encher a paciência da Fada Madrinha.” Essa frase fora dita com um quê de brincadeira, mas Guido sabia que no fundo era mais uma verdade do que qualquer outra coisa.
khione-dearendelle:
-Não adianta, acredite, eu tentei. -foi o que a loira dissera ao passar pela porta da diretoria e ver o professor tentando falar com a fada madrinha; a verdade era que aquela sala nunca fora tão requisitada quanto estava sendo durante esses dias. Talvez apenas com exceção de quando os alunos foram interrogados. “Bem pensado, Khione, agora são duas coisas absurdas que esse lugar fez” foi o que pensou. Já tinha mandado uma carta aos seus pais, pedindo por ajuda entre a nobreza, pois sabia que isso era obra de gente acima da diretoria. Apesar de ter certeza que Elsa e Jack fariam seu máximo, seu pai não tinha sangue nobre e Elsa não seria tão ouvida, já que seus filhos só estavam no castelo como professores, não alunos despreparados.
Guido logo reconheceu a voz de Khione, e se virou para a loira para dar um sorriso triste para ela. “Então o que vai adiantar, Khione? Os alunos não podem ficar a vida toda em Forsaken.” Pensara em reunir todos os alunos que fossem contra aquela decisão para ficar a madrugada inteira na porta dos superiores protestando, e os impedindo de ter uma noite de sono, porém não sabia se aquilo seria o mais inteligente a se fazer, apesar de certo. “Mesmo se não for obra da Fada Madrinha, alguém deve satisfação para a gente. Tem filhos de vilões lá mais indefesos do que muitos de heróis por aqui.”