O reformador escocês John Knox tem uma frase conhecida que é um apelo a Deus: "Dá-me a Escócia, senão eu morro". Isso expressa seu desejo profundo por almas. Seu apelo não poderia ser direcionado a outra pessoa senão o Deus Trino, pois Ele é o autor da salvação.
Knox era um homem que temia a Deus e buscava ser sincero diante Dele. Sua compreensão sobre o papel que possuía diante dos homens como ministro do evangelho nos dá clareza de como esses gigantes impactaram o mundo.
Existe outra frase dele que diz: "Na causa do evangelho de Cristo, tu deves ser encontrado simples, sincero, fervoroso, sem fingimento".
Knox sabia da sua responsabilidade e do peso das palavras que sairiam de sua boca. Como palavras de Deus, poderiam ter o poder na vida de uma pessoa, tanto para salvar quanto para condenar. Ele sabia que "a quem muito é dado, muito será cobrado" (Lucas 12:42-48).
Quando me deparo com homens do passado como John Knox, vejo o quanto nossas igrejas perderam em simplicidade e temor diante de Deus, permitindo que homens e mulheres despreparados assumissem a fala sem levar em consideração a responsabilidade que possuem.
Certa vez, um irmão me disse: "Tu nunca sabes a situação de quem entra na igreja. Ela pode estar ali no culto se dando uma última chance, com a alma dilacerada e ansiando por esperança. E dependendo, pensa em tirar a própria vida logo mais quando chegar em casa. Nunca esqueça disso quando for pregar."
Imagina um jovem ouvindo isso! Eu sei, é drástico! Sério demais! Mas do que estamos falando aqui?
Sei que quando pregamos demais, somos tentados a perder a expectativa do que Deus pode fazer. Se torna uma rotina. É como se começássemos a dominar a retórica e a teologia, e olhássemos para a nave da igreja esquecendo que ali estão aqueles que foram chamados por Jesus e que anseiam ouvir Sua voz.
Ao personificarmos as mensagens e assumirmos a prerrogativa de "bons pregadores", também trazemos para nós uma glória que não nos pertence e, com isso, um juízo que é justo diante de Deus e dos homens.
Esse post não é para o pregador autoconfiante, mas para o público que alimenta esse tipo de cultura em suas igrejas.