Com a prancha enterrada na areia ao seu lado, apenas aguardando o início da competição, a cabeça de Caleb estava fazendo mil e uma ginásticas mentais, os pensamentos correndo a mil quilômetros: equilíbrio. Aquele truque que conseguiu fazer na semana passada era incrível, poderia tentar de novo. O tamanho das ondas tá perfeito, certeza que vai dar boa. Primeira parte é fácil, mas não dá pra bobear… Algumas partes até repetia para si mesmo, parecendo maluco. Então veio o som da voz conhecida, e tudo se dissipou. Virou o rápido o rosto para a tarka que corria na sua direção, sentindo o sorriso crescer no rosto ao identificar Dilara. O que não esperava era o beijo de boa sorte que receberia em seguida. Aí sim, não tinha problema mais para se focar: não precisava se preocupar com confusão de ideias se o cérebro havia parado de funcionar! ─ Eu… É!! ─ ele respondeu, todo bobo, o sorriso crescendo ainda mais, se é que era possível. ─ Agora não vai ter nem competição pra ninguém, haha! ─ estufou o peito, orgulhoso. Se alguém o coroasse rei do mundo ali mesmo, ele nem desconfiaria. Era como se sentia, mesmo. E era por estar tão confiante no próprio taco que já aproveitou para dar um gancho: ─ Ow, depois disso, quer ir dar um rolê junto, te pagar alguma coisa pra comer? Preciso te repagar toda essa sorte boa. ─
O semblante feminino iluminou-se em reflexo ao dele, deixando escapar uma risada divertida frente a confiança alheia. “Eu tenho certeza disso! E eu aposto que todo mundo já deve saber que você é o melhor. Afinal, eu cheguei a poucos meses e não tenho dúvida disso, então imagina quem está aqui há anos!” O orgulho impresso na voz da tarka deixava evidente o quanto o admirava por suas habilidades. Especialmente quando ela própria julgava-se isenta de qualquer talento. “Sim, claro! Não que você precise me repagar já que eu não fiz nada demais, mas... Pode ser uma comemoração pela sua vitória! Sim! Algo doce como o sabor de ser vencedor! É isso que dizem, não é? Sobre o doce sabor da vitória? Eu acho que pede um bolo! Ou uma torta. Azul! De mirtilos.” A empolgação de Dilara evidenciava o quanto estava convicta do fato de que ele ganharia o primeiro prêmio. “Então ganha logo para irmos comer, ok? Estou ficando com fome.” Ela disse com um sorriso, franzindo ligeiramente o nariz. “E pode ficar tranquilo porque eu vou ser a que vai gritar o seu nome mais alto!”