Visconde de Sabugosa:
Visconde é um sábio todo atrapalhado, com um espírito aventureiro e com grande criatividade para criação de novas invenções.
O interesse do personagem pelo conhecimento surge após passar algumas semanas esquecido pelas crianças atrás da estante de livros de Dona Benta.
Seu interesse pela ciência aparece timidamente na obra Reinações de Narizinho 1930, onde é visto pelos outros personagens como uma figura “que acha que sabe muito, só porque leu nos livros”. Porém, já em outras obras o personagem ganha grande relevância, sendo considerado um sábio de verdade, Visconde representa uma crítica de Lobato a todos intelectuais da época que detinham conhecimento mas permaneciam de braços cruzados frente a todos os problemas que o país enfrentava, sem propor alternativas de solução.
Vemos em outras obras, como O Poço de Visconde que o personagem passa a ser uma figura de ação, ele quem dá as diretrizes para a construção do primeiro poço de verdade no Brasil, ainda que a ação prática parta das crianças ele que transmite o conhecimento necessário para execução do projeto, ele é o personagem responsável pela ação prática.
O POÇO DE VISCONDE – 1937:
O Poço de Visconde é uma obra de literatura pedagógica e de engajamento. A narrativa trata da exploração do primeiro poço de petróleo no Brasil. Fica evidente neste livro do autor sua crítica ao descaso do governo que não investia na exploração de recursos naturais em território nacional, bem como uma crítica aos intelectuais da época.
Lobato acreditava em um progresso do Brasil baseado na industrialização e modernização do país. Criticava o modelo econômico pautado na agricultura, e insistia em um projeto de nação onde deveria haver um planejamento científico considerava que o petróleo seria o agente transformador, que levaria o Brasil a se tornar uma grande potência. Diversos países da América produziam petróleo, menos o Brasil, e por isso Lobato considerava que o país estava atrasado perante outras nações.
Nesta obra, é possível verificar a preocupação do autor com a questão da desigualdade social. Após a abertura do poço, o dinheiro arrecadado por Dona Benta é usado para garantir melhorias para população em diversos setores: transporte, educação, saúde, habitação.
O Visconde de Sabugosa está presente na maioria das histórias e a investigação desse personagem revela suas variadas facetas, bem como o movimento da ciência no Sítio do Picapau Amarelo. À medida que a obra é estudada, é possível estabelecer relações entre as várias concepções científicas do autor e a construção do personagem, reflexos do contexto histórico da época.
Monteiro Lobato foi um dos percursores da exploração de petróleo no país, tendo inclusive autorização para abertura de um poço em Sergipe. Chegou a ser preso em 1941 por emitir severas críticas ao governo em relação ao assunto, sendo acusado de tentativa de desmoralizar o Conselho Nacional do Petróleo, órgão que estabelecia regulamentações quanto às práticas relacionadas ao setor de extração de minérios no país. Lobato foi grande influenciador da Campanha “O Petróleo é Nosso”, que culminou na criação da Petrobras.
A obra é considerada como uma literatura pedagógica e de engajamento, é possível perceber na narrativa uma conscientização social por parte do autor, a fim de impulsionar um projeto de progresso para nação.











