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@pr-dean-blog
antes da adolescência, não podia dizer que havia comemorado o natal da melhor forma, visto que toda a essência romântica do feriado em seu país de origem não fazia tanto sentido assim no canadá. lá entretanto, embora tivesse estranhado no primeiro ano, havia conseguido entender um sentido mais profundo além de algo para duas pessoas, portanto, costumava ficar animado com pequenas coisas como comprar enfeites, ainda que, na realidade, talvez nem passasse o natal com alguém além de beeth, seu petauro do açúcar, já que o pai decidiu que iria se isolar do único filho e não tinha mais família nenhuma. mas, naquele ano em específico, talvez as coisas fossem diferentes, a começar pela companhia de @pr-jihyo para as compras. adentrando a loja gigante junto desta, fez uma careta quando notou a quantidade de pessoas perto das prateleiras e perambulando entre os núcleos. "mas que estranho, desde quando as pessoas fazem compras natalinas tão cedo? você acha que ainda vai sobrar alguma coisa legal no meio de tanta gente?"
como era bem comum em sua vida, estava na cozinha terminando de ajeitar um dos pratos simples que dissera a @pr-jangmi que prepararia, para depois dar continuidade à noite de ambos, fosse pra assistir algum filme na TV, ou passar o tempo com jogos de tabuleiro clichês, tal como costumava fazer já que era bastante doméstico. contudo, entre os gritos de "já vou!" e as olhadas rápidas no celular, o barulho do alarme apareceu de repente na tela, não só assustando a pobre criatura como tornando-o um tanto desengonçado para pegar os comprimidos e evitar que a mais velha visse. fato este que ocasionou no pequeno acidente envolvendo a comida: um comprimido que caiu ali no meio e ficou lá escondidinho. tão escondidinho que dean até esqueceu; só se recordou mesmo depois que ela reclamou do gosto estranho, e aí seu coração tratou de acelerar. "meu deus!" exclamou, apertando as bochechas alheias atrás de vestígios de comida, mas ela já havia engolido. mordeu a bochecha e soltou um suspiro deveras pesado. "tá tudo bem? você tá sentindo alguma coisa diferente?" os olhos fixaram-se nos alheios, claramente preocupado. "você... engoliu um remédio meu. precisamos ir pro hospital!"
estava a mais completa escuridão, até que pequenas faíscas brancas começaram a surgir no meio da paisagem enegrecida, seguida por uma luz estranha que marcou a volta da consciência. foi na forma brusca de se levantar e respirando com dificuldade que escapou definitivamente do estado inconsciente, e num instinto, a mão foi até a parte detrás da cabeça que estava dolorida. aí por fim os olhos escuros focaram na presença feminina, levando alguns segundos para se lembrar quem ela era. ele não se recordava de toda a situação, mas a julgar pelas mãos ensanguentadas, não era difícil de entender o que deveria ter se seguido da sua tentativa de ajudá-la, porque viu que @pr-kyung seria assaltada. e, no meio da descoberta, mordeu os lábios com força, chateado pela própria postura e tão frustrado, que simplesmente deitou de novo, piorando o latejar com o baque da cabeça. “você chamou a polícia?” perguntou, propositalmente tentando desviar de quaisquer indagações acerca de seu comportamento anterior.
a voz e o relógio; 001 pov.
(tw: menção a uso de remédios controlados, TEI e sei lá tá meio deprê)
Tique-taque. Tique-taque. Tique-taque. A essa altura o tiquetaquear do relógio mais parece seu melhor amigo, não é? Sob as paredes listradas com tons claros de azul, esse objeto na parede mais incorpora uma representação recorrente da sua miséria. Seria o tempo realmente tão dócil quanto seu sorriso de canto demonstra? Você sabe que não. Sabe exatamente o que ele significa. Aí, nessa sala de espera, seus dedos não sossegam, porque sabe que chegou a hora de falar. E você odeia falar, eu sei.
A moça de jaleco chama, os dentes alinhados e o cabelo brilhoso atraem a sua atenção de imediato. E por um momento, um breve momento, você se recorda das feições Dela. Mas sabe que a associação de uma figura tão crucial em sua história àquela breve conhecida é só mais um dos seus tantos pecados. Estes que, conforme você fala, não se sente menos pesado, pelo contrário, os olhos escuros da moça apenas contribuem para que seus ombros comecem a arder de novo, porque existem muitos espinhos te sufocando e te puxando para baixo. “Ser humano imundo que não deveria estar vivo.” você pensa sem querer. Mas lá no fundo, sabe que está tão desesperado para viver que até sente vergonha.
Lá dentro da sala branca também tem um relógio. E seus olhos enchem d’água quando você se lembra que é um menino amaldiçoado. Um mau presságio. Uma maldita bomba-relógio mediada pelo efeito de remédios controlados. Porque, a vida inteira, você precisou de controle. Porque essa raiva é maior que você. E você poderia pensar nisso por horas se uma pergunta específica não lhe chamasse a atenção.
“Quantos anos ele tinha?” “Quatro.” “Igual o menino?” “É. Igual o menino.”
Igual o menino. O órfão. O filho. Seu filho secreto. O filho que você quis que vivesse tanto quanto quer viver, mas que não pode ser seu. Porque você é a bomba-relógio medicada. E ele? As crianças o chamam de “Espertinho”, não é? Já é muito inteligente. Tem um sorriso bonito que puxou da mãe, mas os olhos e o formato do rosto são seus. Eu lamento, do fundo do meu coração, que você não possa cuidar dele. Mas é melhor crescer como um órfão do que com um pai problemático. Igual o seu. E você nem é bom com crianças. Tem medo de ficar perto delas por causa do seu irmão. Não foi ele o primeiro a descobrir que você tem um monstro aí dentro, dormindo com um sono imprevisível? Por causa dele a morte nunca deixa sua sombra.
“Foi minha culpa?” Essa pergunta é injusta com todos os envolvidos. Porque você sabe que a moça vai dizer que não. Igual você sabe que pensa o contrário. E é um círculo vicioso, já que a culpa continua te consumindo mesmo quando as pessoas ao redor te inocentam.
E o tiquetaquear continua ao fim da sessão.
Na sala de espera. No ônibus pra casa. Na sua cabeça.
Tiquetaqueia o tempo todo. Porque você quer ter tempo de viver. De ser pai. De amar. Mas esse barulho infernal é só a contagem regressiva para a próxima explosão.
˚ —— eu sei que parece cedo, mas eu sempre procuro os presentes de natal no começo do mês, depois o restaurante fica uma correria e as lojas também. mas o mais difícil é esconder os presentes. e você?
“eu entendo, mais ou menos, porque o snackbar byul também fica muito agitado nessa época do ano e o tempo diminui naturalmente. esconder os presentes é difícil, mas deve ser legal também já que é a parte criativa, né?”
Olha, se eu fosse você eu não me desafiaria. Eu posso ter essa cara de patricinha, mas eu não perco uma aposta.
“mas então quer dizer que você aguenta comida muito picante? pouca gente come esse prato até o fim. preciso saber se as aparências enganam mesmo.”
comente “sanduíche iche” para um starter aleatório (up to 5)
(ou só dá like pra gente plotar. inclusive eu deveria ter chamado vocês já, mas são mais de 60 chars mano eu não sei nem por onde começar ou por onde chamar?????? então chamo primeiro quem der like aaaaaaa,,,, but parabéns pelo sucesso @ mods)
[...] na verdade nada é uma palavra esperando tradução. toda vez que falta luz, toda vez que algo nos falta, o invisível nos salta aos olhos. o fogo ilumina muito, por muito pouco tempo, e muito pouco tempo, o fogo apaga tudo, tudo um dia vira luz. e toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos. ontem à noite, a noite tava fria. tudo queimava, nada aquecia. ela apareceu, parecia tão sozinha. parecia que era minha aquela solidão.
“RESUMO” ABAIXO DO READ MORE + PÁGINA DE CONEXÕES.