Não era roubo; era um empréstimo — repetia constantemente em seus pensamentos. Não que também se importasse tanto. Bom, a única preocupação era ser pego e ter que ir parar na cadeia; logo agora que tinha encontrado a pessoa certa em sua vida, pensar em viver longe dela era simplesmente doloroso demais. Sendo assim, tomou cuidado apenas para não ser pego; ninguém usaria aquele audi no meio do madrugada, então resolvera buscar sua namorada para um breve passeio de carro e depois devolver o veículo. Era simples, fácil, e sabia que já tinha feito isso em algum momento de sua vida. Sem avisar como a buscaria, apenas pediu para que a menor lhe encontrasse na saída do hospital. O vidro fora abaixado no momento em que a vira, e ele dirigiu até aproximar-se o suficiente dela. Com um sorriso de canto nos lábios, o mais velho inclinou-se no banco para que ela lhe visse com clareza ao perguntar: "quer uma carona?" So cheesy, but who cares? Era valentine's day.
“Você tem certeza absoluta que isso não é uma bengala?”, franziu o cenho, em confusão. Para Takashi, o outro já devia ser muito velho. “Espera, espada? Por que diabos você anda com uma espada?????”
"Não é uma bengala," fitou-o com descrença. Será que realmente parecia tão idoso assim?
"Mas eu não posso te contar o motivo de eu andar com a espada anyways. Melhor não saber, kiddo."
Em minha defesa, eu sei que pareço um desvairado, mas trabalho com crianças… Então me dê um desconto, huh? Só estou com a cara toda pintada porque queria deixá-las felizes.
"tudo bem, já estou acostumado a ser confundido com um senhor de idade," ironizou em sua voz monótona, segurando o divertimento ao mostrar-lhe o que tinha em mãos. "mas isso não é uma bengala, é uma espada."
Após passar um longo tempo pesquisando por receitas veganas, o fruto de todo seu trabalho agora era cortado em cubos. Só tinha duas pessoas naquela cidade por quem seu esforço na cozinha valia à pena e Minhwan era uma delas. Porque na realidade, era péssima naquilo. Vivia de comida congelada ou simplesmente comprava qualquer coisa por aí. Era inexperiente e completamente desastrada, o que já havia resultado em muitas refeições queimadas ou simplesmente ruins, mal preparadas. Ruins pra caralho. No entanto, dessa vez, valia o esforço. “Eu espero que isso esteja pelo menos mastigável.” A garota riu, cobrindo a travessa onde os pedaços de bolo se encontravam com um guardanapo. “Se não estiver, por favor, minta.” Direcionou seu olhar a ele e se aproximou um pouco mais, rindo enquanto os dígitos alcançavam os fios esverdeados, bagunçando-os minimamente. Por algum motivo, apreciava tocar o cabelo do maior. “O bolo ainda tá um pouco quente, depois do que assistirmos podemos comer. Mas enquanto isso…”
Desligou a chama que ainda sustentava a panela da pipoca. Aquilo era o mínimo que deveria ter para assistir algo, não é? “Eu acho bom já ir pensando se vamos assistir Meninas Super Poderosas ou Rick and Morty. Eu topo qualquer um!” Disse em meio a um sorriso enquanto transferia todo o conteúdo da panela para uma tigela grande, esta localizada sobre a mesa da cozinha – o que impediria que voltassem para aquele cômodo. “E também, se vai querer refrigerante ou… Soju.” Além de ser péssima na cozinha, também era péssima em tomar decisões. Contudo, no fim sua intenção era apenas agradar uma das melhores companhias que havia naquela cidade. A única companhia que não se importava em falar sobre as meninas super poderosas por horas e que, certamente não ligaria para sua mantinha da hello kitty.
“Você não precisava ter feito tudo isso, bolinho. Mas não se preocupe, mesmo que esteja ruim, ainda vai estar bom, porque o que importa é só o amor, como já dizia a canção das meninas super poderosas,” o mais velho deixou um riso soprado escapar, ajudando-a a levar as coisas até a sala. Não podia acreditar que ela tivera tanto trabalho assim só para agradá-lo, e aquilo lhe aquecia o coração de certa forma. O tatuador não era o melhor em demonstrar o quão era agradecido pelos pequenos gestos, todavia acabara lembrando-se do que havia trazido para íris em sua mochila. “Eu não me importo, pode escolher. Sobre bebida, eu sempre vou preferir soju,” deu de ombros em meio a um sorriso de canto, as mãos erguendo-se em um gesto displicente. Porque claro, minhwan recusando álcool não era algo que existia naquela dimensão.
Após ajudá-la a trazer tudo para a sala então, o mais velho direcionou-se à mochila para retirar de lá um pacote. Estava mal embrulhado, pois ele não era acostumado a dar presentes para ninguém. Nem ao menos era aniversário da menina, mas e daí? Minhwan não vivia para datas. Acabou esperando que ela se acomodasse ao seu lado após jogar-se no sofá, sobre a mantinha da hello kitty— que não poderia ser mais adorável. “Eu trouxe isso pra ti,” ofereceu o pacote então, o riso preso na garganta, pois ali continham os mangás yaoi com os piores títulos do mundo. “Não aguentei, sei que você gosta desse tipo de coisa,” disse com sua expressão séria, a mão livre alcançando a bebida para levá-la até os lábios ao que escondia um sorriso travesso. Puro divertimento; os mangás poderiam ter um enredo terrível e serem somente sobre pxrnografia, porém já valia pelos títulos ridículos e pelos risos que arrancaria da menor.
Ser tratado como criança ou fedelho tocava fundo, e acertava gatilhos. Kino, então, transbordava. Se naturalmente já não era manso, como conseguiria manter-se em posições como aquela? O menor havia consegido que Kino mordesse o interior dos lábios e respirasse fundo.
Gostaria de dizer que reconhecia o fato de ter sido exagero de sua parto, no começo. Havia sido bobeira, nada demais. Mas não mais. O outro havia provocado, e da forma certa. Kino cuspiu um meio sorriso, breve e soprado. Os olhos fecharam quando virou a cabeça discretamente, e voltou a abrir para enxergar o tatuador à sua frente. Foi da mão de volta para a feição de traços delicados, até. Ele era bonito e parecia tão jovem quanto Kino, se não mais. Pela atitude, no entanto, Kino concluiu que ele obviamente não era tão jovem quanto, tampouco mais.
A língua queimou. O olhar engoliu o outro, mas em nenhuma forma boa ou desejosa.
“Oi, bem vindo. Você está na Coréia do Sul, onde qualquer um coloca piercing na primeira loja de brincos no meio de Hongdae. Felizmente, não é ilegal - têm até ‘piercing’ escirto na fachada. Sequer usam máscara - ou alguns, luva s-, pasme. Não tem maca, é no banquinho mesmo. Não se pergunta idade, porque ninguém liga. Porque não existe isso aqui. Coréia do Sul, onde qualquer outro tatuador escondido por trás de um instagram, não pergunta idade. Porque não existe isso aqui. Porque você pode ter idade da minha avó, continuaria sendo ilegal.” os olhos cerraram. Ele franziu o cenho e cruzou os braços sobre o peito, foi sincero quando perguntou: “Você é de fora? Veio de fora, morou tempo fora? Se for esse caso, eu compreendo. Talvez tenha aprendido esse conceito.” soltou os braços, tirando a identidade e estendendo para o menor. “Vai tranquilizar sua moral estrangeira vendo isso? Aliás, você fica ainda mais adorável com essa cara assim, sem ironias.“
Odiava adolescentes rebeldes, apesar de há muito tempo ter sido um. Talvez fosse por isso, por ter sido um deles que odiasse tanto— não sabiam quanto deveriam se calar, ou quando deveriam comprar uma briga ou discussão; era tudo uma grande bagunça impulsiva. Mesmo assim, o mais velho estava acostumado com aquele tipo de atitude; o moreno a sua frente não era o primeiro e certamente não seria o último, por isso, apenas bocejou em meio à fala alheia. Não importava o quanto o mais jovem poderia ser adorável com aqueles bambi eyes, no momento ele era somente irritante.
Quando lhe fora estendida a identidade então é que se movera, os olhos correndo pela idade e nome do menino antes que pudesse lhe entregar de volta. "Acabou já, bambi eyes?" Um sorriso implicante lhe adornou os lábios então, os passos se distanciando do mais novo apenas para que pudesse ir em direção ao outro cômodo, o rosto movendo-se ao fitá-lo por cima dos ombros num gesto para que ele lhe seguisse. "Eu não sou estrangeiro," disse calmamente, já separando os materiais que provavelmente usaria. "Quando não há regras, é preciso criar suas próprias. Mas você é adulto o suficiente para saber disso, huh?" Usou seu tom levemente irônico, o corpo voltando-se para encará-lo mais uma vez ao que vestia uma das luvas negras sem pressa. "Aqui se usa luvas, máscara, o equipamento é esterilizado, você fica confortável na maca e só sai daqui depois de todos os cuidados necessários e da arte ser exatamente como você imaginou. Talvez com um pouco de dor, mas isso faz parte. É meu trabalho, e me dou o direito de escolher quem eu quiser atender. E agora que te escolhi, você pode escolher o que quer. Então qual vai ser a de hoje?" Independente do que kino escolhesse, seu lado sádico lhe fazia sorrir levemente, ansioso para saber a resposta. Certamente minhwan fazia muito bem seu trabalho; podia ser ilegal, mas levava a sério, porém todo tatuador e body piercer tinha um sadismo dentro de si, e o jung não era exceção.
local & data: hannabyul, 1 de janeiro.
tw: uso de substâncias ilíticas, sexo, morte.
algo estava errado, mas a sensação vinha desde que abrira os olhos na cama do hospital. estava errado desde aquele dia, talvez até mesmo antes, mas não conseguia se lembrar. por vezes acordava de sonhos estranhos, imagens rondando os cantos de seu pensamento como assombrações. sentimentos diferentes que não sabia distinguir lhe acertavam o estômago vez ou outra para lhe lembrar de que havia acontecido algo.
não era uma questão de evitar; a busca fora feita, mas algo lhe parava no meio do caminho. algo lhe fazia parar seja por falta de informações ou pelo sentimento de pânico que vinha.
naquele momento, com os olhos fechados, deitado na areia da praia, o efeito do ácido já estava quase em seu fim. minhwan nada vira, pela escuridão, nada sentira, porque talvez já estivesse vazio mesmo. o amanhecer era a única coisa que lhe cobria pouco a pouco, e a respiração pesada de sono apenas o ajudara a entrar naquela espécie de transe. como se, de alguma forma, pudesse voltar a lembrar.
havia uma tensão atípica no ar, todavia uma lembrança de um curvar dos seus lábios, quase como um sorriso bobo, se fez presente. a mão tocara o abdome feminino à sua frente, os olhos erguendo-se para encontrar os alheios marejados.
"tudo bem," puxou-a para si pela cintura, colando a lateral do rosto em sua barriga como se pudesse absorver todas as inseguranças e tristezas daquela menina, "vai ficar tudo bem. nós vamos cuidar dele também."
a porta fechou-se com força de repente, o casal encarando o espaço vazio que antes o mais jovem dos três ocupava. aquilo não era um bom sinal, mas minhwan não soltou a cintura alheia em momento algum. um ardor lhe atingindo o estômago ao encarar a porta do quarto agora fechada.
"ele não olha mais pra mim," a voz feminina soou baixinha, a silhueta encolhida próxima da janela no que parecia um fim de tarde nublado. "ele vive com eles agora... a culpa é minha."
a melodia se arrastava, ecoava pelo cômodo escurecido em meio às respirações ofegantes. ele mesmo já não guardava a própria voz; a cada novo arrepio, toque, era quase enlouquecedor. por vezes eram as unhas lhe marcando, outras seus dígitos agarrando o cabelo comprido, puxando para si; um sorriso nas feições masculinas, os dedos do outro lhe marcando pela firmeza, suas arcadas marcando os corpos despidos como seus. eles eram seus, e ele era deles.
“eu quero tentar,” a voz mais fina ecoando em sua mente, uma peça de roupa sendo jogada ao chão, “com vocês.”
os arfares haviam cessado, estava no meio da floresta agora. ajoelhou-se, os dedos sujos de terra contornando o rosto; seu próprio rosto, tão em paz, tão distante do mundo. minhwan encarava a si mesmo, a dor tornando todo seu corpo dormente. era hora de dizer adeus, mesmo que não quisesse.
quando levantou-se, vira-se de pé ao seu lado, as mãos de seu outro eu tremendo por tristeza, medo... arrependimento.
a voz rouca veio da sua garganta então, a dormência cobrindo toda a dor e raiva que tinha ao encarar seu eu arrependido. "loving you doesn't mean forgiveness."
a respiração profunda lhe fez acordar, os olhos sendo machucados pela luz da manhã, e ele piscou várias vezes até se acostumar; o corpo sentando-se sobre a areia até que ele pudesse processar o que acontecera; o que conseguia se lembrar. era uma mistura estranha de memórias que lhe doía o peito, lhe fazia tremer, querer respirar mais rápido, pois o ar lhe faltava. porém, ao olhar para seu lado, viu a garota de cabelos pretos. não ela, mas íris.
aos poucos, a respiração se acalmou, os olhos fecharam-se novamente e, em silêncio, ele buscou a mão dela com a própria.
Não que fosse chorar de verdade, achava até que aquilo fosse impossível de acontecer. Mas um pouco de charme pra fazer Minhwan chegar ali mais rápido não era nenhum crime, era? A sala era junto com a cozinha, então ficava mais fácil de trocar a música quando não lhe agrada e pegar uma garrafa de soju no balde de gelo sobre a mesa. Tirava o pó da decoração, das prateleiras dos gatos, a pior parte seria varrer tudo aquilo no chão. Coisas que não queria mais, poeira, coisas quebradas.
Tinha uma empregada que vinha de tempos em tempos, não pré usava fazer a tarefa, mas não tinha nada melhor a fazer e precisava se distrair. Estava bem distraído em cantar a música a plenos pulmões e com a vassoura de microfone que quase foi no teto pelo susto da campainha tocando repentinamente. Abaixou o volume e foi até a porta, abrindo-a para encontrar o mais novo ali. Sorriu largo, dando passagem para que ele entrasse. — Bem vindo à minha humilde residência.
"Esperava já te ver com lágrima nos olhos," brincou, assentindo em um cumprimento e pedido mudo de licença para adentrar à casa do mais velho. Aquilo era uma nova experiência para si; conhecer um pouco mais da vida do chefe sem que estivessem tratando de negócios ou debaixo dos lençóis era diferente, e lhe deixava levemente ansioso. Como lidava com o novo nível de intimidade? No fim, resolveu tratá-lo com seu tipo único de humor.
"Obrigado por chamar— ou me tirar da cama correndo," disse em meio a um sorriso, retirando os sapatos e aguardando que ele lhe guiasse pelo apartamento. Querendo ou não, o convite lhe fizera se sentir melhor; não precisava ficar sozinho. "Eu trouxe comida," avisou-o ao oferecer a sacola então, um certo receio que lhe fez lembrar dos tempos de adolescente. "Fazer faxina e comida ao mesmo tempo não dá certo, mas fique à vontade se não quiser comer agora." No fim, descobrira que era em razão de não saber tão bem sobre jaehyun— não sabia quais eram seus gostos, ou se aquele tipo de atitude era bem-vinda. Não sabia nada, mas esperava ao menos ter acertado em suas intenções.
"Como não tem mais sorvete de pistache?" Aquilo era um crime com certeza, principalmente porque ambos ali tinham vindo com a intenção de comer o tal sorvete. "É inverno, e a cidade toda resolve comer sorvete de pistache mesmo assim?" Deu de ombros em um suspiro ao final. Era decepcionante, mas não era o fim do mundo. O mais velho encarou a menor então, as sobrancelhas erguidas e o canto dos lábios levemente repuxado. "Quer tentar achar outra coisa pra comer?" O evento era enorme, então com certeza achariam algo que agradasse a ambos. Além disso, não era como se o mais velho tivesse a oportunidade de sempre explorar eventos como aquele; normalmente tinha preguiça de sair de casa e se enfiar no meio de multidão, porém acompanhado pela mais jovem aquilo não lhe parecia um problema agora.
"Eu não acredito nisso," o mais velho disse enquanto fitava todo aquele cenário colorido e alegre como se todos os bons adjetivos pudessem lhe dar alergia. Não que o tatuador não gostasse de se divertir, mas ir para outra cidade só para ir num dos melhores parques de diversão do país? Too much. Talvez daniel fosse realmente too much— o próprio príncipe encantado como gostava de lhe sacanear. "Você gosta desse tipo de coisa?" perguntou, fitando-o com certo julgamento antes que pudesse tirar o celular do bolso da jaqueta preta para tirar uma foto do local. Bem, no final das contas, era uma competição, certo? Julgou então ser importante ter registro daquele dia. "Bom, pelo menos não é um restaurante caro e chato com música de elevador," comentou com certa diversão implícita na fala ao que guardava o celular e lhe oferecia uma das mãos. Esse último ato, no entanto, veio com a expressão que lembraria o tédio se não fosse pelo pequeno sorriso sacana que lhe adornava a boca. "Vamos, jagiyah. Vamos comprar os acessórios de casal e tirar fotos igual a um casal feliz que não somos," a ironia veio logo. Apesar daquilo ser incrivelmente esquisito, e também apesar de todos os comentários ácidos do mais velho, não era como se minhwan odiasse aquela ideia; ele só achava graça. E aquilo já era o suficiente para lhe distrair por um dia.
Não que ele acreditasse naquela chantagem. "Vou chorar" não combinava muito bem com seu chefe, todavia adiantara perfeitamente para que o mais jovem fosse ao encontro do mesmo. Não estava no melhor dos humores, e a ressaca piorava tudo, portanto preferia distrair-se. Nada melhor do que ver jaehyun faxinar então ao som de evanescence; podia ser uma surpresa boa pro seu dia, algo divertido— de uma maneira ou de outra, sempre se divertia e surpreendia com o mais velho.
No caminho, no entanto, parou para comprar comida típica para ambos— não era do seu feitio chegar de mãos vazias, e álcool só seria uma opção depois de algumas horas de recuperação. Minutos depois, anunciou sua chegada e esperou ser recebido pelo outro em sua casa enquanto segurava cuidadosamente a sacola que tinha nas mãos.
o aperto no peito tinha um nome e, como um pai ausente, ele nunca assumiria. preferia afundar-se no que era mais lascivo e perder-se em sua própria ira e miséria do que deixar sua cabeça aceitar que tinha medo da solidão. teria muito pela frente e muito atrás, nas suas costas, para dar-se o luxo de sentir algo como aquilo. era muito mais fácil se disponibilizar - e com disponibilizar, seria realmente pôr o corpo nas mãos de quem tivesse a intenção de acolher - do que ser aquele quem necessita. se o perguntassem, não precisava das visitas que recebia e apenas estava com o corpo sempre disposto a suprir algum desejo mas no fundo daquela alma, existia o incômodo. estar sozinho pesava, sua própria presença apertava o nó na garganta e era quase como enforcar-se. por isso, ao se ver em sua companhia, tratava de ocupar com alguém e minhwan parecia ser quem melhor entendia. não precisa de muito motivo para pedir para que o outro fosse lhe ver e ele parecia sempre atender - ou quase sempre - por um motivo que nem jinhwan entedia. somente se sentia bem e isso era bem claro com o bater irregular do coração quando ouvia a voz do outro. — hm… — suspirou, deixando um sorriso ser o enfeite do rosto antes mesmo do mais velho aparecer e continuar o sermão que conhecia bem mais do que qualquer outro discurso. esperava que ele acabasse para então falar alguma coisa e pouco tinha vontade de se defender. — me diz que graça teria ‘pra você se eu não fosse o sem noção, pequeno…? — sabia que não deveria brincar com aquilo e que provavelmente iria deixá-lo mais irritado, porém, seu rosto ficava tão fofo quando preocupado. sabia que era, tinha a certeza, mesmo que o outro negasse com todas as forças. vê-lo sentar na cama fez o sorriso se alargar, deixando os olhos bem miúdos mas ainda sem mostrar os dentes. — deixa de ser o velho rabugento, minhwan, vem cá. — abriu os braços, chamando com os dedos e chegando a fazer um bico fofo com os lábios. — claro que eu quero mais alguma coisa. não te chamei ‘pra ser meu garçom, idiota. — foi quando levantou a coberta, revelando o espaço ao seu lado e indicando com o olhar para que o outro se juntasse. — estou com saudade de você…
"Pequeno," repetiu com amargor na boca, os olhos semicerrando-se pelo incômodo daquela palavra. Claro que jinhwan já fazia de propósito, e por isso mesmo o mais velho retirou a jaqueta e jogou na direção dele sem qualquer delicadeza, "já disse pra me chamar de hyung." Agiu como um velho rabugento de fato, tentando ignorar o chamado do outro em um rolar dos olhos, todavia assim que voltara a encará-lo acabou suspirando. "Não duvidaria que chamasse só pra isso também," é claro, pois duvidar do que o mais novo era capaz de pedir não seria condizente quando o conhecia tão bem. Tão bem em sua maneira de ser, mas nunca havia perguntado sobre sua história— o fazia também para que não gerasse qualquer pergunta sobre a própria.
Mesmo assim, ainda que estivesse levemente irritado pela maneira que fora chamado, encarar aquela situação — aquele biquinho — não lhe dava outra alternativa que não fosse ceder. Minhwan estaria mentindo se dissesse não ter ficado com vontade de ficar com o mais alto em meio às trocas de mensagem daquela manhã. Por isso, após um leve torcer dos lábios, moveu o corpo para que pudesse se aproximar dele, os joelhos e palmas dando suporte ao próprio peso quando colocara-se por cima do ruivo. "De mim?" Lhe parecia uma farsa aquele dito, mas no fundo o mais velho adorou ouvir a tal "confissão", mesmo que talvez a mesma não fosse verdadeira. "Eu to sempre com você," disse com certo tom suspeito, uma das sobrancelhas se erguendo ao tempo em que não hesitou em tocar-lhe a lateral do rosto com uma das mãos. Os dígitos levemente lhe acariciaram a tez, enquanto o tatuador sustentava um sorriso pequeno e sugestivo em seus lábios. "Fala o que mais você quer então."
Billy não era a pessoa mais extrovertida e desinibida que existia, isso era fato, e quando encontrou a garota na sala sentiu seu corpo começar a travar, pois não a conhecia o suficiente para soltar as asinhas. Pelo menos a reação dela foi bastante simpática e sua vergonha de estar naquela situação possivelmente divertida para Jinhwan diminuiu… não sabia até quando.— Estou bem, sim… — respondeu antes do amigo acomodado no sofá soltar uma gracinha.— Olha, não é nada disso do que ele está falando, okay? — tentou se defender virando na direção feminina, mas rapidamente suspirou colocando uma das mãos no próprio rosto. — Será que o Jinhwan tem algum botão para deixá-lo mudo? — brincou um tanto sério, porque, no fundo, queria que fosse a verdade. O pouco do nervosismo que sentia só piorou quando foi anunciado que mais outra pessoa estava por vir; na verdade, tudo pareceu tão ensaiado que não deu nem dez minutos para que o último rostinho da noite aparecesse. Não sabia ao certo como cumprimentá-lo já que foi diretamente para mesa de centro deixar a sobremesa. — Eu fui o único que não trouxe nada?
Retorceu os lábios, com o intuito de segurar o riso em uma forma de não deixar Billy mais desconfortável do que já estava. “Certo, eu… Acredito. Mas não tem problema nenhum em ter problemas desse tipo, sabe?” O que não deu muito certo, pois deixou um riso escapar enquanto ia até a mesa de centro, colocando a sacola sobre a superfície. “Acho que não, ele é ligado no 220. Pode ver que nem com a perna machucada ele para. E não se preocupe, Billy. Você trouxe… Você.” Distribuía o ramen em potes menores - os quais havia conseguido por ter feito o pedido “para viagem”. Tal sua surpresa quando ouviu outra voz masculina, virando o rosto para que observasse quem havia chegado. “É sempre bom ter mais gente, Minhwan. Eu até me esqueci desse detalhe, foi inteligente da sua parte.” Ao terminar, entregou os potinhos de ramen aos rapazes presentes, deixando Jinhwan por último propositalmente ao se aproximar mais dele. “Já você, Gaarinha, com essa perna ferrada vai ter um mimo hoje, ok? Abre a boquinha.”
se havia uma coisa que jinhwan nunca conseguiria fazer era ficar quieto. fazia parte de sua personalidade; uma delas. por isso, o rosto se tornou um sinal claro de sua reprovação quanto ao comentário de haebi. mas mesmo aquela pose não durava muito, tinha o mundo inteiro girando em sua cabeça para se manter muito tempo com a mesma face séria e a é tão repentina que faz-se imperceptível. “billy-ssi, eu só para quando eu to exausto e eu só fico exausto depois de uma coisa.” travesso, como o moleque que era, deixou até a piscadela escapar para o mais novo e teria provocado mais caso minhwan não tivesse cruzado a porta da maneira que fez. “aish, você já chega me dando esporro! onde está o carinho, minhwan?” e mais uma vez o corpo acidentado se tornava inquieto, se remexendo no estofado e cruzando os braços na frente do baixo que segurava no colo. olhou curioso para tudo o que era colocado em potes e em cima da mesa, esticando o pescoço por mais que mantivesse a pose emburrada com um bico nos lábios. “huh…?” ele estranhou quando iris se aproximou. “seria essa a glória finalmente chegando para mim?”
"Oi, pequena, obrigado. Trouxe os doces pensando na fome comunitária pra sobremesa," cumprimentou a única menina dali, depois dirigiu-se para o outro desconhecido que havia escutado do nome da boca alheia, "Bil— billy? Não se preocupe, como ela disse, sua presença já é o suficiente," Enquanto isso, ignorou o anfitrião propositalmente até que lhe oferecesse um pequeno sorriso e um dar de ombros como quem dizia para jinhwan "carinho? I don't know her".
A cena que se formava na sua frente, no entanto, era no mínimo adorável, por isso ele permaneceu quieto e fora para um dos espaços livres na sala após pegar seu pote e os chopsticks. "Aqui tem carne?"
Apesar de já estar escuro, Jongin não hesitou em pegar sua mochila, acomodando seu coelho nela juntamente com seus pijamas e uma muda de roupas. Estava sozinho, triste, e cansado, e a companhia de Minhwan parecia a melhor opção para que não passasse a noite em claro, pensando em inúmeros cenários que apenas o encaminhariam na direção de maior desespero. Portanto, chamou um táxi e, em minutos, chegou na porta do garoto que há muito considerava adorável. Sentia-se levemente embaraçado pela decisão impulsiva: sabia que não estava em seu melhor estado, rosto levemente pálido e inchado, enquanto seu humor havia despencado terrivelmente. Após ligar para o número de Minhwan, esperou que ele viesse até à porta, Waddles já em seu colo, curioso pelo novo local em que estava.
Nini mais lhe parecia um anjinho que havia caído do céu— não. Too much. Porém, ele havia deixado um soft spot no meio do falso vazio que o tatuador tinha. Não queria nada além de lhe fazer companhia então; sabia que às vezes era difícil lidar com os próprios problemas e dificuldades sozinho. Sendo assim, o aguardou chegar em sua casa, expulsando os dois gatos para a cozinha pequenina antes que pudesse recebê-lo— já que ele viria com um outro bichinho. Idiota como era, assim que abrira a porta, ao invés de um cumprimento normal, os olhos logo recaíram para o coelho no colo do mais jovem. Segredo: minhwan amava coisas fofas. "Oh," as mãos chegaram a ficar inquietas, querendo tocar o coelho, todavia não o fez ao lembrar-se de que deveria parar de agir de forma abobada por causa de um animal adorável. "Oi, nini. Entra," lhe ofereceu um pequeno sorriso então, deixando espaço o suficiente para que o outro entrasse e ficasse à vontade. Nisso, não pôde deixar de reparar nas feições alheias, e como elas indicavam que estava passando por momentos ruins, sendo assim tentou ser o mais positivo possível— minhwan não era muito bom nisso. "Você quer comer alguma coisa? Eu não fiz nada, mas tem um monte de porcaria na dispensa," deu de ombros divertidamente, "daquelas que são necessárias quando vem a bad." Não sabia, nem lhe perguntaria tão diretamente a causa de sua tristeza, porém o trouxe até o sofá velho no meio da sala, esperando que ele se sentasse ao seu lado e pudesse se sentir um pouco mais acolhido ali ao lhe oferecer a manta. "Ou a gente pode só conversar e ver algo até dormir também. O que você quiser, huh?"
— Eu juro que não estava morrendo no banheiro, só parei para assistir um vídeo no youtube e levei um tempinho a mais. — explicou-se, aproximando-se de @pr-jinhwan e@pr-summer, que surgiu enquanto estava “ocupado” com coisas inúteis. Não a conhecia muito bem e não podia negar que se sentia um tanto acanhado em falar com ela. — Tudo bem, Íris? — abaixou a cabeça brevemente para cumprimentá-la. — Não sabia que viria para cá.
{ em breve @pr-minhwan }
Não evitou uma gargalhada assim que o ouviu, negando breve com o rosto. Como se fosse um “deixa pra lá” não verbal. “Relaxa, eu conheço essa peça chamada Jinhwan…” Cumprimentou-o igualmente com o rosto, as mãos segurando uma sacola onde trouxera a janta em potes de ramen. “Tudo ótimo e você? Rapaz, nem eu sabia que você estava aqui. Se eu soubesse, teria trazido mais ramen. Espero que dê pra todo mundo. Mas qualquer coisa a gente pede um delivery.” A garota disse com um sorriso nos lábios, mas o olhar logo se voltou ao seu redor, como se procurasse o dono da casa. “Gaara-san, sua janta chegou!”
ver os amigos se apresentando trazia um riso bobo ao rosto de jinhwan que estava no sofá apenas os observando, sua perna machucada suspensa em cima do móvel de centro. “agora que já se conheceram, pode falar para ela que você tem problemas com o estômago, billie jean. ninguém vai te julgar.” brincou. a atenção voltada para o celular tinha o objetivo de juntar mais um naquela farra e depois de muito fazer bico involuntariamente, seus esforços valeram à pena. “espero que tenham muito dinheiro.” seu anúncio veio junto com o levantar sem jeito do corpo, quase caindo. “vai ter mais visita em breve, minhwan tá vindo!”
Fora convidado de última hora para o tal “jantar”; tudo porque havia sido um folgado ao pedir comida para jinhwan, mas quem se importava? Disse que ia pensar, mas não demorou tanto para ir à casa do outro, sabendo que também teria oportunidade de conhecer pessoas novas. Sei lá, era melhor do que ficar sozinho. No caminho, porém, parou numa loja de conveniências para comprar duas caixas de choco pie — sobremesa era importante. E assim que chegou na frente da porta da casa alheia, notou a fresta antes de empurrar a madeira num suspiro. “Você não sabe trancar a porta, jinhwan?” Anúnciou sua chegada, os olhos correndo pelo ambiente para identificar os outros possíveis meliantes— amigo nenhum do ruivo podia ser normal. “Eu trouxe choco pie,” foi o que disse num cumprimento, indo deixar os doces no centro da mesa.