Em minha defesa, eu sei que pareço um desvairado, mas trabalho com crianças⊠EntĂŁo me dĂȘ um desconto, huh? SĂł estou com a cara toda pintada porque queria deixĂĄ-las felizes.
   Ser tratado como criança ou fedelho tocava fundo, e acertava gatilhos. Kino, entĂŁo, transbordava. Se naturalmente jĂĄ nĂŁo era manso, como conseguiria manter-se em posiçÔes como aquela? O menor havia consegido que Kino mordesse o interior dos lĂĄbios e respirasse fundo.Â
Odiava adolescentes rebeldes, apesar de hĂĄ muito tempo ter sido um. Talvez fosse por isso, por ter sido um deles que odiasse tantoâ nĂŁo sabiam quanto deveriam se calar, ou quando deveriam comprar uma briga ou discussĂŁo; era tudo uma grande bagunça impulsiva. Mesmo assim, o mais velho estava acostumado com aquele tipo de atitude; o moreno a sua frente nĂŁo era o primeiro e certamente nĂŁo seria o Ășltimo, por isso, apenas bocejou em meio Ă fala alheia. NĂŁo importava o quanto o mais jovem poderia ser adorĂĄvel com aqueles bambi eyes, no momento ele era somente irritante.Â
não era uma questão de evitar; a busca fora feita, mas algo lhe parava no meio do caminho. algo lhe fazia parar seja por falta de informaçÔes ou pelo sentimento de pùnico que vinha.
havia uma tensĂŁo atĂpica no ar, todavia uma lembrança de um curvar dos seus lĂĄbios, quase como um sorriso bobo, se fez presente. a mĂŁo tocara o abdome feminino Ă sua frente, os olhos erguendo-se para encontrar os alheios marejados.
a porta fechou-se com força de repente, o casal encarando o espaço vazio que antes o mais jovem dos trĂȘs ocupava. aquilo nĂŁo era um bom sinal, mas minhwan nĂŁo soltou a cintura alheia em momento algum. um ardor lhe atingindo o estĂŽmago ao encarar a porta do quarto agora fechada.
a melodia se arrastava, ecoava pelo cĂŽmodo escurecido em meio Ă s respiraçÔes ofegantes. ele mesmo jĂĄ nĂŁo guardava a prĂłpria voz; a cada novo arrepio, toque, era quase enlouquecedor. por vezes eram as unhas lhe marcando, outras seus dĂgitos agarrando o cabelo comprido, puxando para si; um sorriso nas feiçÔes masculinas, os dedos do outro lhe marcando pela firmeza, suas arcadas marcando os corpos despidos como seus. eles eram seus, e ele era deles.
âeu quero tentar,â a voz mais fina ecoando em sua mente, uma peça de roupa sendo jogada ao chĂŁo, âcom vocĂȘs.â
os arfares haviam cessado, estava no meio da floresta agora. ajoelhou-se, os dedos sujos de terra contornando o rosto; seu prĂłprio rosto, tĂŁo em paz, tĂŁo distante do mundo. minhwan encarava a si mesmo, a dor tornando todo seu corpo dormente. era hora de dizer adeus, mesmo que nĂŁo quisesse.
a voz rouca veio da sua garganta entĂŁo, a dormĂȘncia cobrindo toda a dor e raiva que tinha ao encarar seu eu arrependido. "loving you doesn't mean forgiveness."
"Esperava jĂĄ te ver com lĂĄgrima nos olhos," brincou, assentindo em um cumprimento e pedido mudo de licença para adentrar Ă casa do mais velho. Aquilo era uma nova experiĂȘncia para si; conhecer um pouco mais da vida do chefe sem que estivessem tratando de negĂłcios ou debaixo dos lençóis era diferente, e lhe deixava levemente ansioso. Como lidava com o novo nĂvel de intimidade? No fim, resolveu tratĂĄ-lo com seu tipo Ășnico de humor.Â
"Obrigado por chamarâ ou me tirar da cama correndo," disse em meio a um sorriso, retirando os sapatos e aguardando que ele lhe guiasse pelo apartamento. Querendo ou nĂŁo, o convite lhe fizera se sentir melhor; nĂŁo precisava ficar sozinho. "Eu trouxe comida," avisou-o ao oferecer a sacola entĂŁo, um certo receio que lhe fez lembrar dos tempos de adolescente. "Fazer faxina e comida ao mesmo tempo nĂŁo dĂĄ certo, mas fique Ă vontade se nĂŁo quiser comer agora." No fim, descobrira que era em razĂŁo de nĂŁo saber tĂŁo bem sobre jaehyunâ nĂŁo sabia quais eram seus gostos, ou se aquele tipo de atitude era bem-vinda. NĂŁo sabia nada, mas esperava ao menos ter acertado em suas intençÔes.Â
NĂŁo que ele acreditasse naquela chantagem. "Vou chorar" nĂŁo combinava muito bem com seu chefe, todavia adiantara perfeitamente para que o mais jovem fosse ao encontro do mesmo. NĂŁo estava no melhor dos humores, e a ressaca piorava tudo, portanto preferia distrair-se. Nada melhor do que ver jaehyun faxinar entĂŁo ao som de evanescence; podia ser uma surpresa boa pro seu dia, algo divertidoâ de uma maneira ou de outra, sempre se divertia e surpreendia com o mais velho.Â
No caminho, no entanto, parou para comprar comida tĂpica para ambosâ nĂŁo era do seu feitio chegar de mĂŁos vazias, e ĂĄlcool sĂł seria uma opção depois de algumas horas de recuperação. Minutos depois, anunciou sua chegada e esperou ser recebido pelo outro em sua casa enquanto segurava cuidadosamente a sacola que tinha nas mĂŁos.
Mesmo assim, ainda que estivesse levemente irritado pela maneira que fora chamado, encarar aquela situação â aquele biquinho â nĂŁo lhe dava outra alternativa que nĂŁo fosse ceder. Minhwan estaria mentindo se dissesse nĂŁo ter ficado com vontade de ficar com o mais alto em meio Ă s trocas de mensagem daquela manhĂŁ. Por isso, apĂłs um leve torcer dos lĂĄbios, moveu o corpo para que pudesse se aproximar dele, os joelhos e palmas dando suporte ao prĂłprio peso quando colocara-se por cima do ruivo. "De mim?" Lhe parecia uma farsa aquele dito, mas no fundo o mais velho adorou ouvir a tal "confissĂŁo", mesmo que talvez a mesma nĂŁo fosse verdadeira. "Eu to sempre com vocĂȘ," disse com certo tom suspeito, uma das sobrancelhas se erguendo ao tempo em que nĂŁo hesitou em tocar-lhe a lateral do rosto com uma das mĂŁos. Os dĂgitos levemente lhe acariciaram a tez, enquanto o tatuador sustentava um sorriso pequeno e sugestivo em seus lĂĄbios. "Fala o que mais vocĂȘ quer entĂŁo."
A cena que se formava na sua frente, no entanto, era no mĂnimo adorĂĄvel, por isso ele permaneceu quieto e fora para um dos espaços livres na sala apĂłs pegar seu pote e os chopsticks. "Aqui tem carne?"
â Eu juro que nĂŁo estava morrendo no banheiro, sĂł parei para assistir um vĂdeo no youtube e levei um tempinho a mais. â explicou-se, aproximando-se de @pr-jinhwan e@pr-summer, que surgiu enquanto estava âocupadoâ com coisas inĂșteis. NĂŁo a conhecia muito bem e nĂŁo podia negar que se sentia um tanto acanhado em falar com ela. â Tudo bem, Ăris? â abaixou a cabeça brevemente para cumprimentĂĄ-la. â NĂŁo sabia que viria para cĂĄ.
{ em breve @pr-minhwan }
NĂŁo evitou uma gargalhada assim que o ouviu, negando breve com o rosto. Como se fosse um âdeixa pra lĂĄâ nĂŁo verbal. âRelaxa, eu conheço essa peça chamada JinhwanâŠâ Cumprimentou-o igualmente com o rosto, as mĂŁos segurando uma sacola onde trouxera a janta em potes de ramen. âTudo Ăłtimo e vocĂȘ? Rapaz, nem eu sabia que vocĂȘ estava aqui. Se eu soubesse, teria trazido mais ramen. Espero que dĂȘ pra todo mundo. Mas qualquer coisa a gente pede um delivery.â A garota disse com um sorriso nos lĂĄbios, mas o olhar logo se voltou ao seu redor, como se procurasse o dono da casa. âGaara-san, sua janta chegou!â