mingli:
mingli estava passando por uma semana horrível, e isso qualquer um podia ver. sua vida estava se resumindo em pequenos picos de alegria, pequenas luzes no fim do túnel, mas uma predominância de recaídas ao fundo do poço. ele não poderia afirmar, nem se fosse obrigado, que estava feliz. seus amigos eram esses tais picos de felicidades, eles eram a certeza de que ele tinha uma chance na vida e esse era o mesmo sentimento que myungho lhe trazia. era algo bom, mas desesperador pois ele sentia que a qualquer momento poderia agir como um babaca e estragar tudo. era o que ele fazia. era o que ele fez. havia convidado @pr-niccolo para sair, pois além de amar a companhia do amigo, ele sentia que devia um pedido de desculpas mais formal para o italiano. deitou myungho depois de fazê-lo jantar e se apressou para tomar um banho rápido e vestir uma roupa mais apresentável do que o pijama e pantufas que usava no momento. viu que seu pai havia deixado a metade do seu salário em um envelope no balcão da cozinha e logo abriu para checar os seus tão suados 80 mil ₩, que provavelmente não seriam suficientes nem pra manter ele por dois dias, mas que já eram suficientes para alguém tão humilde quanto mingli. pegou as chaves no carro e saiu da casa sem fazer um mísero barulho, sem mostrar um sinal de vida para a casa que nessa altura da noite já estava morta. sabia se cor e salteado o endereço do amigo, apenas chegou lá a enviou uma mensagem para o mesmo. “estou aqui, nini”, escreveu.
Mingli havia combinado de sair para beber com Niccolo e, depois do dia anterior, precisava beber um pouco e espairecer. Depois de tomar um banho e se arrumar, passou perfume, despediu-se da família e desceu, ficando no hall do prédio enquanto esperava o amigo chegar. Quando recebeu a mensagem, nem sequer respondeu-a, simplesmente colocou seu casaco e saiu, portaria afora, até que pudesse chegar no carro dele. Abriu a porta do carona, na cara dura e sem vergonha e sentou-se ali, mas não antes de dar um beijo na bochecha do outro.
“Oi, amorzinho da minha vida. Vamos encher a cara?” A forma que Niccolo tratava Mingli era como se fossem um casal, mas, na verdade, ele era seu melhor amigo e não sabia tratá-lo de outra forma. Sabia que a relação dos dois estava meio abalada há alguns dias porque ambos os dois estavam passando por momentos complicados e acabavam sendo meio grossos, mas, mesmo assim, Mingli ainda era seu melhor amigo.












