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CONCEITO
Híbrido de dança e vídeo sem consenso definido sobre o próprio nome ou gênero, podendo ser tratado, entre as muitas possibilidades, como vídeodança, vídeo-dança, dança para câmera, filme de dança, screendance etc.
O PROBLEMA COMEÇA NO VÍDEO
Utilizado mais frequentemente como complemento nominal, como prefixo ou sufixo, mas não como raiz ou centro gerador de conceito;
Natureza ambígua, associando-se a técnica e linguagem; processo e obra; mídia e arte.
Contudo, faz-se referência ao vídeo apenas como uma simples ferramenta/suporte, insistindo na ideia de que a dança ainda é a parte principal do híbrido.
ENQUANTO A DANÇA
Segundo a Grande Enciclopédia Larousse Cultura, arte de se expressar interpretando composições coreográficas; sequência ritmada e harmoniosa de gestos e passos; sequencia de gestos e de passos definidos pelo ritmo musical executado etc;
É uma arte efêmera, que deixa de existir no momento em que sua apresentação se finaliza. (GREINER, 2002)
A VIDEODANÇA
Enfim, “enquanto a linguagem da dança costuma explorar os corpos em seu volume e profundidade, a linguagem cinematográfica lida essencialmente com cortes, planos, enquadramentos. “Filmar é recortar espaços”, dizem vários teóricos do cinema.” (FEITOSA, 2005). Assim, a Videodança é a combinação de todas essas possibilidades de criação, o que é bastante amplo e fugido.
COMPLICANDO AINDA MAIS...
Embora pareça um contrassenso, existe videodança ‘sem vídeo’ e ‘sem dança’. Muitas peças são filmadas com apoio cinematográfico, ou são realizadas sem vídeo, mas com um idioma estritamente fílmico. Em outras, ninguém ‘dança’, e não existe nenhum movimento que possamos identificar como sendo ‘dança’. Às vezes, é a edição o que gera uma coreografia a partir de imagens estáticas; em outros casos, é o foco no olhar em determinados movimentos o que os transforma em ‘dança’ .(ALONSO, 2007)
ABERTURA DA NOVELA A FAVORITA (2008)
ENTÃO, O QUE PODE SER VIDEODANÇA?
Pode ser um filme narrativo com dança? Sim. Pode ser uma animação abstrata? Pode. Pode ser um documentário sobre métodos coreográficos? Pode. Pode ser a adaptação de uma coreografia de palco? Claro. Pode ser um filme etnográfico sobre uma dança tribal? Também pode. Afinal, pode tudo? [...] Na prática, as instâncias de legitimação precisam de parâmetros e acabam por criá-los. (NUNES, 2009)
DOIS EXEMPLOS DE PARÂMETROS
I Festival Internacional de Video-danza de Buenos Aires (1995)
· Documentários e registros de espetáculo;
· Coreografias feitas especialmente para a câmera;
· Dança multimídia.
Maíra Spanghero, em seu livro A dança dos Encéfalos Acesos (2003)
· O registro em estúdio ou palco;
· A adaptação de coreografia preexistente para o audiovisual;
· As danças pensadas diretamente para tela.
HISTÓRICO
1895 – A Dança da Borboleta (Thomas A. Edison)
Thomas Edison grava, com uma câmera fixa, a breve performance da famosa dançarina Annabela Moore, “reproduzindo a experiência da bailarina Loïe Fuller, com duas varas de bambu nos braços cobertos por um figurino que lhe permitiu brincar com o movimento, criando formas no espaço sob cores pintadas diretamente na película”. (NUNES, 2009)
1924 – Entreato (René Clair) e Balé Mecânico (Fernand Léger)
Filmes franceses, realizações do cinema abstrato que tangenciam a dança.
1945 – A study in choreografy for câmera (Maya Deren)
“Curta silencioso de cerca de 2 minutos, onde corpo e câmera estão tão intimamente conectados, que gestos, tempos e geografias normalmente impossíveis se tornam repentinamente visíveis”. (FEITOSA, 2010)
1964 – Totem (Ed Emshwiller)
Realização com a companhia de dança de Alwin Nikolais, usando uma edição que expressava o movimento da dança através dos cortes.
1968 – Pas de deux (Norman McLaren)
Compõe uma nova coreografia cinematográfica a partir da dança de um casal real, multiplicando e dissolvendo as imagens, alterando o tempo e o peso dos movimentos.
Início dos anos 70 – Surgimento da nomenclatura e linguagem videodança
2000 – Birds (David Hinton)
Causou polêmica entre os agentes do campo da videodança, ao ganhar o prêmio de melhor videodança no Festival Dance Screen 2000, nos EUA, sem ter sequer um bailarino, apenas pássaros.
REFERÊNCIAS
Grande enciclopédia Larousse Cultural. São Paulo, Círculo do Livro, 1988.
FEITOSA, Charles. Traduções do Corpo na Dança e no Cinema. In: Dossiê: Artes Cênicas e Filosofia - Corpo e Imagem. Vol 2. 2010. Disponível em < http://www.seer.unirio.br/index.php/opercevejoonline/article/view/1367/1139> Acesso em: 10 mai. 2013.
GREINER, Christine. O registro da dança como pensamento que dança. In: Revista D'Art. São Paulo, número especial, nov. 2002.
NUNES, Ana Paula. Cinema, dança, videodança (entre-linguagens). Niterói, 2009. 134f. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Instituto de Artes e Comunicação Social, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2009.
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Cultura mashup from Samuel Levi
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