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O poema não era meu Pertencia ao meu papel E ao meu morro, Era do garoto que foi morto Os versos não eram para mim Nunca foram Os versos eram para a mãe Às palavras enxugavam Suas lágrimas que enxarcavam às calçadas O poema em tinta negra e em cada estrofe um vermelho de dor Eu não era o poeta, Os autores eram outros Suas palavras de grito e ordem Fazia parte do momento mais triste desse poema Quebrando toda a sonoridade poética e o riso das crianças O poema não era meu, Mas a minha favela era e ainda é pertencente a mim e outros mil Esse poema é meu é nosso! Laerte
“Românticos são poucos Românticos são loucos desvairados Que querem ser o outro Que pensam que o outro é o paraíso Românticos são lindos Românticos são limpos e pirados Que choram com baladas Que amam sem vergonha e sem juízo São tipos populares Que vivem pelos bares E mesmo certos vão pedir perdão Que passam a noite em claro Conhecem o gosto raro De amar sem medo de outra desilusão Romântico é uma espécie em extinção”
— Eu sou romântica
Queria te dar um poema
Aaah como eu queria ser um poeta Te mandar um poema bem romântico que você lesse E no final me quisesse Mais Mas não sou capaz Queria que o meu poema falasse do aperto Do nó Quando você não está Do ruim estar só Os versos seriam o convite para a dança E que se encerraria Com nós na cama Queria ser um poeta Por mais bobo e medíocre que seja Minha escrita iria abrir os seus olhos E quem sabe só assim você veja O quanto te quero Por perto No afeto Num teto Mas não sou porra nenhuma Não sou o cara da novela O que tem uma banda Ou o que canta Não sou o popular Não sou o poeta Mas posso ser o cara que te leva pra comer pastel na feira Te pagar uma cerveja E faz tudo parecer um jantar cinco estrelas.
Deram um tiro Fizeram operação Derramaram sangue Nas calçadas Marcas Portas fechadas Que foram arrombadas Mães em lágrimas pelas suas crianças que foram levadas Enquanto o estarrecedor som fazia com que ficassemos no chão Lá fora era Afeganistão A criança com medo A mãe tampando o ouvido dos filhos Para abafar o grito dos tiros "calma, vai passar!" Aplaudam seus heróis! Enalteçam seus heróis! Glorifiquem seus heróis! Aqui eles não lutam por nós Mas sim contra Defender bandido? Não, não é isso! Eu defendo o direito de ir e vir Eu defendo que os pequenos Possam ir para escola sem um tiro ouvir Eu defendo que a bala dita perdida Não deixe mais um morador cair Eu defendo que a minha porta não seja arrombada e a minha casa bagunçada A guerra não é contra às drogas É contra o negro Os cacetetes são os açoites Derramam dor dias e noites Há um contraste, um choque de diferença O jovem daqui estuda e trabalha Enquanto o de lá tem sua mesada A criança daqui fica sem aula por causa do grito que o fuzil deu Mas a de lá aprende desde cedo a falar europeu Hahahabahaha sabe de que eu tô rindo? Da casa grande surtando, não aceitando A filha da empregada roubando a vaga de quem antes só recebia mesada E que sensazala grite Que a senzala resista Que a senzala lute Que a senzala reconstrua os tijolos Que tentam derrubar Que sensazala faça a casa grande Surtar
Laerte, poeta marginal.
você não precisa fazer de tudo pra ser sol tem muita gente neste mundo que admira a lua.
Contudo, todos nós precisamos de fuga. As horas são longas e têm de ser preenchidas de algum modo até nossa morte. E simplesmente não há muita glória e sensação para ajudar. Tudo logo se torna chato e mortal. Acordamos pela manhã, jogamos o pé para fora da cama, colocamo-los no chão e pensamos ‘ah, merda, e agora?
Charles Bukowski (via poetologia)
Acostumei com idas e vindas. Isso pode até ser triste para alguém, mas pra mim, infelizmente não me afeta mais.
João Fontinelly. (via irrigar-me)
A vida não tem sido muito boa. Na verdade, nem sei mais o que é sentir bem.
Para onde vão todas as palavras que não registramos em algum lugar e acabam sumindo da nossa memória?
Não te enviei mensagens, não mandei recados, nem disse o que eu queria, é por isso que escrevo. E, meu Deus, como escrevo. E se você ler por aí e pensar que é pra você, amor, é tudo pra você.
Back at her, stupid. (via meueuperdido)
O amor é isso. Não prende, não aperta, não sufoca. Porque quando vira nó, já deixou de ser laço.
Mário Quintana. (via inverbos)