As vezes ela é pequenininha, quase não aparece. As vezes vem gradualmente. Outros tempos ela esteve sempre aqui. Outrora ela nem aparece. Mas, quando vem pra ficar, me derruba com tudo, como um abraço apertado que me prende no chão, me imobiliza e tira minhas forças. E eu fico ali, imobilizada. Na cabeça continua rodando o discurso "você consegue" "seja forte" "você consegue" "seja forte" mas, as vezes, tudo bem não conseguir, tudo bem não ser forte. Eu preciso me perdoar de vez em quando. Tudo bem se eu não consigo entregar um relatório no dia ou um trabalho no tempo certo, porque eu fiquei uma semana penando "tenho que fazer o trabalho, tenho que fazer o trabalho, tenho que fazer o trabalho, tenho que fazer o trabalho" e a pressão era tanta que eu só não conseguir fazer. Tá tudo bem se eu não consegui responder todo mundo, ou fazer todas as refeições do dia. Eu preciso me perdoar, porque ela não me perdoa. Ela tem o poder de me destroçar de dentro pra fora, de abrir feridas e me fazer sangrar silenciosamente. Ela me sufoca, tira minhas forças e eu nem entendo o porquê. Tem dias que os dias são normais e eu até esqueço. Tem dias que ela me faz ter pensamentos ruins. Entre essa minha insistência de tentar ser estável, ela me vem com sua estrondosa instabilidade. Ela me faz chorar. Eu preciso me perdoar.
Pungiste


















