Valentine corria pelos corredores da residência da família Valtherion em busca de algum adulto que pudesse levá-lo novamente para seu quarto e seus brinquedos. Ele não estava acostumado com uma casa gigantesca.
Até pouco tempo atrás, ele e seu pai moravam no Chipre e vivenciavam o luto pela morte de sua mãe. Eram apenas os dois em uma vida pacífica e sem holofotes.
Porém, um dia receberam a visita do primo de seu pai.
Valentine ficou impressionado com a imponência do homem. Ele era alto, com cabelos loiros perfeitamente alinhados e olhos firmes, mas que os encaravam com ternura e saudade.
Os dois adultos trocaram palavras que o pequeno não compreendia, mas, na semana seguinte, já estavam em um avião a caminho da Inglaterra.
A família e os empregados os receberam com alegria, porém o ruivinho se sentia tímido com aqueles novos rostos o encarando.
— Ele é parecido com você, mas também é muito semelhante ao nosso tataravô — comentou outro primo de seu pai.
— Os genes da família são fortes — brincou seu pai.
Valentine foi relaxando ao notar seu pai tranquilo naquele novo ambiente, mas ainda se mantinha alerta à aproximação das pessoas.
Um dos empregados ofereceu alguns biscoitos e chocolates. O pequeno olhou para seu pai em busca de confirmação se era adequado pegar alguns, ao que recebeu um leve aceno com a cabeça.
— Ele é muito adorável. Vejo que você o educou muito bem. Nada menos do que eu esperaria de você — comentou o tio de seu pai. — A casa ficará mais alegre com outra criança para fazer companhia a Radamanthys.
A menção ao nome de outra criança atraiu imediatamente a atenção do ruivinho.
— Em breve você o conhecerá, Val — explicou seu tio. — Não fique intimidado com ele, pois já está acostumado a ser o único dessa casa.
Valentine respondeu com as bochechas rosadas:
— Eu também sou o único da minha casa.
Os adultos riram com carinho e o chamaram de fofo. Envergonhado, Valentine escondeu o rosto na lateral do corpo de seu pai, que o acolheu prontamente, tal qual uma harpia estendendo suas majestosas asas sobre seu filhote.
A cena chamou a atenção de todos. Naquele gesto, podiam enxergar o antigo duque, Magnus Valtherion — pai de Kaelis e avô de Valentine.
— Will, chame Radamanthys, por favor — pediu a senhora Octavia, mãe do garoto.
Poucos instantes depois, o mordomo retornou e, ao seu lado, estava um menino de aproximadamente nove anos.
Valentine se encantou imediatamente com os cabelos loiros e, principalmente, com os olhos de um dourado tão intenso quanto os de seu pai.
— Kaelis, este é Radamanthys, o primeiro jovem mestre e herdeiro de nossa família — apresentou o tio de seu pai.
— Muito prazer em conhecê-lo, Radamanthys — disse Kaelis, estendendo a mão.
A mão do garoto foi prontamente agarrada.
— Fico feliz em conhecê-lo também, tio Kaelis.
O pai de Valentine riu, admirado com a maturidade de alguém tão jovem.
— Vocês são tio e sobrinho, mas possuem a mesma energia e os mesmos trejeitos — comentou Alistair, o atual duque. — Acho que em todas as gerações temos alguém com esse olhar perigoso.
— Radamanthys, querido, diga “olá” para seu priminho Valentine — incentivou sua mãe.
Foi então que o menino mais velho notou o pequeno ruivo observando tudo atentamente enquanto tentava se esconder atrás do pai.
A aproximação foi estranha.
Por algum motivo, Radamanthys sentiu uma vontade repentina de apertar e cuidar de Valentine.
Enquanto isso, o pequeno cipriota estava encantado com a aparência do outro garoto, embora ainda um pouco intimidado por sua presença.
Tudo se resolveu quando o próprio Radamanthys o convidou para brincar com seus carrinhos colecionáveis.
Aquilo já era algo extraordinário, pois o loiro detestava dividir qualquer uma de suas coisas. Mesmo assim, já estava convidando Valentine para dormir em seu quarto.
Uma bela amizade parecia nascer ali.
Voltando ao cenário atual, Valentine começava a sentir seus olhos lacrimejarem.
Talvez ficasse perdido por horas… ou talvez levasse uma bronca por estar no lugar errado.
O garotinho se encolheu no meio do corredor, choramingando baixinho.
— Val?
Uma voz familiar o chamou.
Para a alegria do ruivinho, Radamanthys havia vindo em seu socorro.
O pequeno correu e se jogou nos braços do mais velho, deixando as lágrimas saírem livremente.
Radamanthys o abraçou com cuidado.
— Você se machucou?
Valentine apenas balançou a cabeça em negação.
O loiro continuou abraçando o menor até que o choro cessasse completamente.
— Melhorou? — perguntou.
— S-Sim… — confirmou o ruivo, com as bochechas rosadas e o rosto ainda inchado.
— Ficou com medo?
Valentine assentiu timidamente.
Radamanthys então sorriu e segurou suas mãos pequenas.
— Não precisa ter medo. Vou ficar sempre com você, tá bom?
Valentine ergueu os olhos ainda úmidos.
— Promete?
— Prometo.
















