Existe essa ideia de que não se ilude, pois não se pronunciam palavras, mas a ilusão vai muito além de um punhado delas. Ilusão vem de atitudes, seja um tom diferente na voz ou uma piscada diferente dos olhos. Peguei-me a certo tempo atrás passando por uma dessas ilusões em que a gente quase cai, mas logo abre bem os olhos. Relacionamentos nunca foram o meu forte, eu sou sincero - até demais, não sei esconder nada, meu olhar me entrega e minha voz falha entregando-me mesmo que não saiam palavras da minha boca. Relacionamentos não são bobos, mentirosos ou cheios de ilusão, mas as pessoas, sim. Sempre ouvi dizerem “não iludo ninguém”, mas você se esquivar de uma pergunta ou ensaiar uma resposta, não é uma mentira? “Uma mentira bobinha”, já ouvi falarem, mas desde quando mentiras são bobinhas? Relacionamentos não acabam por uma bomba, mas sim por um alfinete perdido no chão. Uma mentira pode não ser nada, mas ela acaba estragando alguma coisa, ela estraga a confiança. Somos enrolados pelas mentiras “bobinhas”: “Eu fui ao mercado”, mas se foi ao mercado porque demorou uma noite inteira?