Ouvi um sussurro baixinho vindo da alma, senti o corpo arrepiar e os olhos lacrimejarem de um jeito dolorido. O chão se abriu diante dos meus pés. Era assustador estar em queda livre, não como voar como um pássaro em liberdade, entende? Era mais como cair para uma prisão, repleta de grades, correntes que seguram firme seus pulsos e tornozelos.
Paredes vazias, a umidade no ar, um cheiro que arde as narinas... não se consegue mais ver o sol. Vem logo outro suspiro, esse mais pesado, profundo, cheio de perguntas não ditas e de respostas não ouvidas. Um silêncio ensurdecedor faz o coração sangrar, já não bate mais cheio de vida, mas bate cheio de cicatrizes, de cortes profundos, assim aos poucos tudo vai se esvaindo. Sua casa desmorona, seus sonhos se perdem, a dor mais uma vez sufoca, mais uma vez te faz chorar...Se olha em volta, a única coisa que se consegue ver é a escuridão de um lugar vazio, a falta de luz, falta do calor, da chama....
E por um momento, você pensa que seu fim chegou, mais um minuto se passa e nada acontece. O choro já não consegue mais estar preso nas amarras do orgulho. Você chora como uma criança presa em um sonho ruim. A eternidade parece não ter fim, mas um dia a eternidade teve outro saber, outro peso.
Passa um filme longo em sua mente, momentos que existiram, mentiras vestidas de verdade, palavras que foram só palavras. Tudo parece que está chegando ao fim. Mas no final da noite, você descobre que ainda está vivo, ainda tem forças, ainda tem um coração, ainda possui uma alma (...)
Você descobre que sobreviver é prioridade. Descobre que ser forte não é fácil, mas é perfeitamente possível. Você é mais do que os olhos podem ver e mais do que possam imaginar.









