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↦ ON THE EDGE WITH YOU | SELENE & AEGIR [FLASHBACK]
Os olhos esmeraldas de Aegir Rumancek nunca pareceram tão brilhantes. Ali, nas redondezas da Floresta de C’vuc, as árvores verdes refletiam seu brilho nos orbes do rapaz que, sempre muito silencioso, inspirava fundo e expirava logo depois, absorvendo todo o oxigênio que aquelas plantas poderiam lhe oferecer. Estava apenas no início da perversa floresta, sentado em uma grande pedra de frente para o campo do qual viera. Uma cesta pairava em suas mãos, repleta de frutos suculentos que o rapaz havia singelamente furtado do lugar onde trabalhava.
Pegou um pêssego e mordeu-o, sentido a seiva escorrer por seus lábios avermelhados e bem definidos. Passou suavemente a língua por eles, retirando com ela o sumo da fruta que ali se instalara. Engoliu e repetiu o procedimento, até que nada mais houvesse além do caroço avermelhado e azedo. Limpou a boca com a manga da blusa e colocou-se de pé, decidindo por fim adentrar na floresta.
Foi caminhar para depois da pedra e o efeito da floresta recaiu de imediato sobre si. A escuridão verde engoliu-o e o medo o preencheu. O perfume da morte pairava sob seu nariz, doce e atraente como uma mulher misteriosa. Os olhos aguçados procuraram por algum sinal de perigo, mas nada pareceu ameaçador. Foi quando a voz sutil surgiu, chamando-lhe o nome. “Aegir”, um sussurro feminino que soou deveras delicioso aos seus ouvidos. Caminhou adiante. “Aegir Rumancek, venha a mim”. Outro passo e mais outro e outro. Algo úmido e frio tocou-lhe o pescoço. Não sabia mais onde estava, a escuridão o engolira. Sentiu o peito arfar, havia medo em seus olhos. Tateou as árvores ao seu redor e caminhou em direção ao local por onde viera. A voz em sua cabeça agora gritava, demoníaca, seu nome. Então, o homem correu.
Saiu arfando de entre as árvores. Encostou-se contra uma delas, deixando que a cesta caísse no chão. Cerrou os olhos, o susto tomava conta de si e o medo preenchia-lhe as entranhas. E foi devido a essa péssima sensação que, ao ouvir um farfalhar de tecido, Aegir avançou em direção ao som, com o punhal já em mãos. Os olhos verdes cravaram-se numa figura inocente, enquanto o corpo pressionava a pequena mulher contra a árvore. Seu punhal encontrou lugar no pescoço alvo e quente da bela moça. - Quem é você? - A voz era trêmula e a certeza de outrora agora vacilava, enquanto o olhar assimilava o rosto angelical. Aegir abaixou a arma, sentindo-se estúpido e, assim que notou a pressão que seu corpo fazia contra o da mulher, afastou-se constrangido. - Perdão, eu a confundi. - Os olhos desviaram-se para o chão e o Rumancek apanhou uma das frutas que havia caído. Esta era púrpura e o rapaz, que poucas vezes havia tido o prazer de comer frutos, não sabia seu nome. Estendeu-a em direção a mulher, numa oferta silenciosa de paz e depois abaixou-se, recolhendo os alimentos que estavam espalhados pelo chão.
Os olhos estavam fechados, sentindo a brisa fresca balançar os cabelos ondulados escuros. Quem lhe dera poder permanecer naquele lugar por mais do que poucas horas, fugir dos deveres e responsabilidades temporariamente. Sabia que poucas eram as pessoas que sentiriam sua falta, então não era uma ideia ruim ao todo fugir um pouco do peso e pressão da coroa.
Abriu os olhos quando percebeu uma aproximação, entretanto o ato fora tarde demais e à sua frente havia um homem desconhecido, a lâmina dele em seu pescoço. Imediatamente arrependeu-se de não ter levado consigo alguma arma. Naquele momento, qualquer arma seria de utilidade. Entretanto, para alguém que nunca precisava se defender sozinha, havia sido um erro comum. Selene vivia cercada de guardas, dispostas a darem a vida por ela. Quem imaginaria que em uma das raras vezes em que estava sozinha seria atacada? Nos segundos que tensão que se seguiam, a rainha refletiu a respeito do que aconteceria caso aquele desconhecido a matasse. Encontrariam seu corpo? Quem cuidaria do relutante povo de Clonmel? Estava tão assustada que levou alguns segundos até que processasse a indagação feita.
— Er... — não, não seria nada sensato dizer quem realmente era, afinal, desconhecia aquele homem e o caráter dele. Então, Selene fez o que deveria ser feito: mentiu. — Eu sou Margareth. Uma lady do reino de Clonmel. — E eu ficaria muito agradecida se o senhor tirasse esta lâmina de meu pescoço. Completo mentalmente, porém não fora necessário verbalizar tal pensamento, pois poucos segundos após a pergunta, a adaga já estava a uma distância segura. Ainda assustada, Selene manteve o olhar fixo no dele. Além de amedrontada, também estava brava. Como uma rainha, estava acostumada a ter as pessoas subordinada a ela. Ninguém poderia invadir seu espaço pessoal e ameaçar sua vida e seu reinado. Manteve o olhar fixo no homem, analisando-o por completo a e a ameaça que representava.
— Está tudo bem, só não confunda novamente. — respondeu, a voz rígida, em seguida pegado o fruto oferecido pelo moreno e abaixando-se para ajudá-lo também. Depois de alguns segundos de silêncio, Selene indagou: — Você está bem? — algo naquele homem parecia estranho. Diferente. Ele parecia ligeiramente assustada, e isso na refletia na maneria em como ele havia atacado um completa desconhecia, uma mulher desarmada.
e o irmão?
O que tem ele?
fmk henry, darius e thomas
Mas que absurdo. Me recuso a escolher.
O que o Darius significa para você?
Ele é… importante. Significa muito.
We can't fight these bad intentions @Pirate Queen
De certa maneira, foi pego de surpresa quando ela correspondeu ao beijo. Não que Darius duvidasse de si mesmo, mas porque Selene apesar dos pequenos flertes entre ambos, não parecia ser tão acessível quanto as outras mulheres. Assim que ela aprofundou o beijo, ele apertou a pequena cintura entre suas mãos fortes e ásperas com mais força, quebrando o espaço pequeno que havia entre ambos os corpos. A única coisa que atrapalhava era o fino robe de seda da rainha e as roupas que ele próprio vestia. Ele não sabia exatamente qual a proporção do que sentia por ela, se era realmente um sentimento. Por que para todos os efeitos, era o pirata que não sentia nada por ninguém além de si mesmo. O que era dito cujo, uma mentira. Um falso boato que ele não se importava em alimentar. Ali, os olhos azuis escureceram com o desejo de tê-la. Era mais do que a luxúria ou do que a satisfação de ter uma rainha em seus braços. Quando ela não passava de uma adolescente, já era visto que Darius enxergara algo nos olhos azuis e serenos dela, agora, ele via uma mulher, mais que isso, uma rainha. E ele não podia mentir, que era atraído pelo que ela havia se tornado. E por todo o perigo que existia caso se envolvesse com uma rainha. Mas ele era imprudente, apesar de ser um capitão, era um capitão pirata. E mais do que tudo, o perigo o excitava.
Selene quebrou o beijo, e ele inspirou uma quantidade de ar sem soltá-la um centímetro enquanto sentia a respiração doce da rainha em sua face. Os olhos dela lhe lembravam o céu, enquanto os dele eram tempestuosos e inconstantes como o oceano. Um belo contraste, afinal, o mar e o céu eram belos amantes. No entanto, algo mais aconteceu ali, e ele podia enxergar através daqueles olhos azuis, com um sorriso cheio de malícia nos lábios.
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↦ On the edge with you | Selene & Aegir [FLASHBACK]
Em sua própria sala, Selene suspirava com a cabeça entre as mãos. Mais uma reunião frustrada. Mais uma reunião à qual não chegavam a lugar algum. Apesar de ser a autoridade máxima de Clonmel e de supostamente ter poder, a jovem Selene não conseguia fazer com que o parlamento aceitasse suas idéias. Claro, ela poderia forçá-los a aceitar, possuía autoridade suficiente para isso, entretanto ela não queria ser esse tipo de monarca. Estava sentindo-se tão cansada, mas não se tratava de um cansaço físico. Estava cansada mentalmente, sua cabeça doía. Precisa sair um pouco do castelo, se livrar da sensação de nunca ser o suficiente e se esquecer um pouco dos deveras estressantes deveres de rainha, pelo menos temporariamente.
Pegou um grande sobretudo de veludo, tirou suas jóias, coroa e colocou um vestido mais simples. Usaria uma das muitas passagens secretas do castelo. Selene sabia que era extremamente imprudente sair do castelo sem acompanhamento, ainda mais com as tensões entre o povo e a monarquia sempre presentes, mas a jovem não se importava. Não naquele momento. O povo mal conhecia sua aparência física, pois a rainha raramente fazia algum pronunciamento público. Geralmente, para sua própria segurança, os pronunciamentos reais eram feitos através de algum conselheiro.
Caminhar pelas ruas e sentir a brisa fresca que trazia consigo o cheiro das frutas cultivadas nas proximidades era agradável. Ou pelo menos foi agradável até que um senhor conservador gritar “É a rainha!” e começar a perseguir Selene, que logo correu, sem se importar para onde estava indo. Era uma vergonha que a própria rainha não conhecesse muito bem seu reino. Chegou a um lugar desconhecido e aparentemente desabitado que julgou ser o limite de seu reino. Encostou em uma enorme árvore, arfando e rindo. Apesar de um pouco perigoso, fora divertido. Há quanto tempo não corria como uma criança? Sentia falta desse tipo de coisa em sua vida. Era entediante ser séria e autoritária o tempo todo.
Selene Yargaryen, queen from Kingdom of Clonmel, is 20 years old and looks like Sarah Bolger.
"The more we rise, the smaller we seem in the eyes of those who can not fly.”
Selene Yargaryen is currently CLOSED for auditions.
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We can't fight these bad intentions @Pirate Queen
E o tiro fora dado, a rainha o olhou com a cara mais incrédula do mundo. Ele poderia ter rido do espanto dela, se não estivesse concentrado no único pano que a cobria. E muito mal, por sinal. Conseguia enxergar cada curva da mulher à sua frente, o que o fez dar um de seus típicos sorriso maliciosos. Ela gaguejando era uma coisa completamente hilária. Moveu suas mãos, fazendo sua melhor cara de indiferença, observando-a. - Você sabe, o usual. - Falou dando de ombros, como se invadir aposentos reais fosse o que ele fazia quase todos os dias. Não abaixou a voz como ela fizera. Achava até mesmo um tanto atrativo o modo como ela tentava esconder seus verdadeiros sentimentos. Se lembrava da Selene antiga que conhecera, a jovem garota que não teve vergonha de expôr o que sentia para Darius. E podia ver que ela ainda tinha a essência de sua jovialidade guardada dentro de si, com a máscara frívola e régia de uma rainha que deveria ser. Não sabia qual das duas lhe atraía mais. Talvez fosse o conjunto do que ela era e o que se tornou depois que a deixou naquela floresta fria e úmida.
Darius ainda se lembrava do beijo de Selene, diferente das outras jovens e mulheres que já havia beijado em sua vida. Algo dentro dele queria lhe avisar que estava se aproximando demais do proibido, mas ignorou seus instintos. Tinha certeza, não passava de atração. A mais pura e desejável atração carnal. E ela não o negaria. Conseguia enxergar dentro daqueles olhos azuis intensos que ela o queria tanto quanto ele a desejava. Seus olhos percorreram toda a extensão do corpo feminino da rainha, e então parou encarando-a diretamente nos olhos que tanto o intrigavam. Mordeu o lábio inferior, e passou a língua pelos lábios, levantando-se da cama e dando alguns passos na direção dela. Parou quando ficou alguns centímetros do corpo dela. Seus olhos mostravam o que ele estava fazendo ali, assim como cada movimento que o pirata fazia. Colocou sua mão no pescoço alvo e nu de Selene, sentindo a maciez da pele dela, e afagando com leveza a região.
Sua boca foi parar na orelha da rainha, sem se importar se ela o empurraria depois disso, ou não. Ele teria o que queria, e ela também. - Vossa graça sabe porque eu estou aqui. - Sussurrou devagar e lentamente, saboreando cada palavra que saia de sua garganta. - Isso é uma despedida, minha rainha. - Fez outra pausa, enquanto sua outra mão pousava no ombro dela. - E espero que lembre-se dela. - E então tocou seus lábios na pele exposta do maxilar de Selene, antes de finalmente, chegar aos lábios entreabertos da rainha. - Não negue. Ambos queremos que isso aconteça. - E então tocou seus lábios nos dela, com suas mãos agarrando a cintura da rainha e puxando seu corpo magro contra o dele, a apertando contra si mesmo.
O olhar que Darius dirigia à rainha a fazia corar completamente, mais ainda do que já estava. Selene queria esconder-se dele e se livrar daquele olhar íntimo e invasor, como se o pirata conhecesse os piores e mais vergonhosos desejos da rainha, o pior era aqueles olhos azuis e observadores a faziam querer realizá-los. Observou os gestos de Darius, minimamente se afastando dele. Usual? a rainha não pôde evitar uma leve expressão de desdém e desprezo que cruzou seu rosto. Não gostava quando ele falava de suas demais aventuras, principalmente com membros da realeza, o quê a fazia se lembrar do dia em que o vira acompanhado de Johanna. Lembrar-se do momento fez com uma onda de ciúmes a invadisse. Era estranho o sentimento de posse que sentia com relação a um homem que jamais poderia ter. Novamente, Selene percebeu o outro olhar do capitão, seguido por uma mordida nos lábios. Segurou-se para não soltar um gemido de prazer, mesmo a distância. Nunca havia conhecido nada mais lindo e sensual. Darius despertava nela seu lado menos nobre a excitava completamente. Quando ele se aproximou, Selene não se moveu. Estava cansa de fugir. Se ela o queria, o teria, nem que fosse por uma noite, ao menos.
O toque dele despertou na morena lembranças que pareciam pertencer a outra vida. Uma floresta. Um beijo. Uma lembrança que jamais fora esquecida apesar de tudo. Nunca havia provado tal desejo antes, e mais do que tudo, queria sentir o gosto de seus lábios novamente. A proximidade do capitão a deixava quente. Ouviu com cuidado as palavras dele, sentindo-se triste por ouvir a palavra "despedida", entretanto, sabia que precisava ser assim. E ele teria o que queria. Ela também. Finalmente, os lábios deles chegaram ao seus e a rainha saboreou o gosto deles, e seu cheiro, uma mistura estranha e mar, homem, colônia e chuva. Concentrou-se em gravar em sua mente aquele cheiro e gosto, pois sabia que os levaria para sempre. Sua boca se tornou mais voraz e através daquele beijo, Selene transmitia tudo a urgência que sentia dele. Os lábios macios e quentes do pirata era tudo o que ela precisava e queria no momento. Nada mais existia, a não ser os dois naquele quarto.
Da lista gigantesca das pessoas que desejam o corpo do capitão, seu nome é o primeiro que eu sei
Você poderia me passar esta lista, por favor?
Eu vi ciumes aqui? hmmmmmmmmmm
Creio que você esteja vendo coisas demais.
SLEEPING HOOK + LIES, requested by ichababecrane
You’re too proud to say that you made a mistake, You’re a coward to the end, I don’t wanna admit that we’re not gonna fit.
Dexa de ser difícil mulier e pega logo esse capitão! Olha q ele é desejado viu
Ele é desejado? Por quem?
Boatos que vc vai ter um bastardo
Um bastardo? Não, não posso.
bonitos, quem quer jogo de ask, like aqui
We can't fight these bad intentions @Pirate Queen
Mesmo com o final do evento em Clonmel, o Capitão não havia navegado de volta para o reino de Araluen. Na verdade ele era um pirata, e piratas não tinha um local fixo para se instalarem. Ficavam aonde lhe convinham pelo tempo que quisessem. Noite passada, Darius bebera além da conta e se lembrava de que havia passado a noite com uma mulher, só não se lembrava dos detalhes. Andava pelas docas do reino pensando no que ainda o mantinha ali em Clonmel. Não teria nada melhor para fazer em Araluen, na verdade. Na verdade, treinar com seu dragão, Kraken para adquirir mais poder, mas somente isso. Darius havia encontrado o dragão na proa de Sutton Hoo, quando Hector havia partido com Saphira. Não demorou muito para ele perceber que o dragão era assim como ele. Era uma criatura marítima, feita das águas escuras do mar, mas com o fogo incandescente de um dragão em seu interior. Criou uma conexão com a criatura, mas seria impossível não criar tal, afinal eram ambas as partes de um só como sempre ouvia e agora tinha noção disto.
Gouldigger, no entanto ia seguir com suas ideias impulsivas e que provavelmente o colocariam em risco. Não que o pirata não tivesse amor a sua vida, porque eu que ele mais prezava além de seu navio, e agora de Kraken, era sua vida. Mas precisava vê-la mais uma vez, a dança no baile não fora suficiente. O pirata sentia que havia uma ligação entre os dois e a atração entre ambos era inegável. Era somente isso, entretanto. Nada mais que desejo carnal, e ele a teria para si nem que fosse por uma noite. Já escurecia nas docas, e percebera que ficara demasiado tempo imerso em seus próprios dilemas. Caminhara dali, indo em direção ao grande castelo, não tão grande como da realeza de Araluen, mas mais majestoso que este.
O caminho não era tão comprido, o castelo encontrava-se perto das docas na região dos portos. Era óbvio que estaria cercado de guardas que não deixariam qualquer um - ainda mais um pirata - entrar sem qualquer motivo na corte. Só teria que descobrir qual seria a janela do quarto da rainha. Esperava que ela estivesse sozinha, não seria uma surpresa agradável encontrar um guarda, afinal seria preso instantaneamente, claramente não ficaria preso por muito tempo graças ás lições da pirataria adquiridas. Tentou adivinhar qual janela seria o provável aposento real dela, não tardou, no entanto ao ver cabelos castanhos ondulados. A pele da rainha estava exposta mostrando todo o contorno de suas costas. Talvez não fosse Selene, poderia ser uma lady qualquer, mas se fosse não poderia deixar de aproveitar-se.
Julgou então que aquela janela era de Selene, Na verdade, estava torcendo para sê-lo apesar de não acreditar em sorte e nem nada do tipo. Havia um fosso ao redor do castelo, mas um impedimento para o pirata. O que de fato não iria o parar. Na verdade, estava com essa ideia há dias, só precisava colocá-la em prática e por isso possuía um gancho e uma corda necessária para pode subir lá. Retirou o gancho de um bolso do casaco e a corda que estava amarrada em sua cintura. Fez um nó na ponta do objeto, e olhou para a corda com uma sobrancelha arqueada. Ele realmente estava muito bêbado para fazer aquilo.
Atirou ao longe o gancho, esperando que segurasse na janela. Puxou com o seu peso para ver se não escorregaria e não o fez. Já havia feito proezas piores que essa, então não se sentia tão temeroso, além que sabia nada caso caísse no fosso. Segurou com as duas mãos na corda, e ergueu-se do chão, deixando a corda ir em direção à parede, aonde apoiou os pés e começou a subir. Foi devagar já que a corda parecia não estar tão firme, não tardou, no entanto a chegar ao topo da janela, passando uma perna e depois outra sentindo o chão sob seus pés.
Um sorriso confiante trespassou os lábios do capitão, ao ver que aquele se tratava do quarto de Selene exatamente por causa do perfume doce que ela sempre tivera, além que a coroa sob a cômoda estava apitando o local onde ele havia escalado. Percebera que não estava sozinho no quarto ao deparar-se com a morena sentada escovando seus cabelos. Ela parecia não tê-lo notado, bem, não ainda. Cruzou os braços, e jogou-se na cama de dossel de Selene e seria impossível que ela não o notasse agora.
A rainha estava exausta. Claro, ser uma rainha exigia trabalho, ainda mais quando o povo governado não estava muito disposto a acatar as ordens da jovem governante. A cada dia que se passava, Selene sentia-se mais cansada e triste. Recebia constantemente ameaças e mensagens rudes, o conselho a pressionada para se casar novamente e gerar um herdeiro forte que pudesse preservar o nome da família. Era pressionada por todos os lados, e certamente era pressão demais para uma jovem de apenas vinte anos. Ela dispensou seus servos, sempre ávidos para servi-la e entrou em seu quarto, trancando a porta. Só queria ficar sozinha com seus problemas e dores de cabeça. Com um suspiro pesado, silenciosamente agradecendo por estar sozinha, ela sentou-se na beirada e sua enorme cama. Tirou a bela coroa de seus cabelos, colocou-a em um móvel próximo e habilidosamente desfez seu penteado. Fora um alívio sentir seus cabelos ondulando por suas costas. Levantou-se de novo e tirou seu vestido luxuoso e apertado, dando graças aos deuses por conseguir respirar livremente. Então, percebeu que estava próxima a janela. Rapidamente se afastou, porém não estava preocupada se alguém a teria visto. Duvidava que daquela distância seu quarto pudesse ser revelador demais.
Separou seu roupão favorito, de seda e macio e deixou-o em cima de sua cama enquanto direcionava-se para o cômodo ligado a seu quarto onde a tina cheia de água morna a aguardava, água que provavelmente acalmariam seus nervos e músculos. Entretanto, não demorou em demasia em seu banho. Enxugou-se e rapidamente vestiu seu roupão, sentindo-se renovada, quase pronta para mais um dia cheio de problemas. Se sentou em sua penteadeira e começou a pentear seus cabelos, cuidadosamente desfazendo cada nó e tomando ainda mais cuidado para não puxar demais, afinal, não queria que sua terrível dor de cabeça retornasse. Enquanto olhava para seu reflexo no espelho, perdeu-se em pensamentos, voltando ao dia em que vira o pirata junto da rainha de Gorlan. Apenas de lembrar, sentiu o ciume a invadir como uma onde gigante, arrastando toda a racionalidade para os cantos esquecidos da mente da rainha. Era horrível sentir-se assim por alguém como ele, e além de tudo, ele era um pirata e ela, uma rainha. Uma paixão muito mais do que improvável, era impossível. Selene também sabia que no momento em que aceitara a coroa, renunciara à seus próprios desejos. Balançou a cabeça minimamente, como se o pequeno gesto pudesse expulsar a consternação que tomava conta de si.
Então, como se saísse diretamente de seus pensamentos, Selene o viu refletido no espelho. Com os olhos arregalados de surpresa e as bochechas rubras por ele a ver daquele jeito, levantou-se com o pente ainda na mão. Depois dos segundos de surpresa, diversos sentimentos a invadiram novamente. Selene não estava acostumada e nem preparada para tal profusão sentimentos, o que a fazer se sentir confusa com a presença dele. Estava gostando? Queria que ele fosse embora? Não, ela sabia que não queria que ele fosse embora, mas também não queria que ele ficasse. Principalmente por estar um pouco descabelada e com uma roupa que revelava muito mais do que deveria. E principalmente, por causa do que aconteceria se alguém o visse ali. — O O-ooo... quê... — Tentou falar, mas aparentemente as palavras ficaram agarradas no fundo de sua garganta. Não entendia como conseguia discursar em frente a centenas de pessoas enfurecidas, mas ficava muda na presença de um homem. Respirou fundo e tentou novamente. — O que faz aqui?! — Sussurrou numa voz entrecortada. Os guardas não poderia sequer imaginar que havia alguém ali. E a rainha tentava tirar de sua cabeça todas as imagem inapropriadas que tinha ao ver aquele homem em sua cama.