{Flashback} Unbroken Road || Felicity & Darius
Aquela situação já não parecia que iria lhe custar a vida, ou algo que realmente fosse perigoso, tanto quanto para ela temer. Ela não temia mais, deixou de temer no exato momento em que percebeu, que o pirata não havia feições sanguinárias em seu rosto, feições de que quebraria seu pescoço em três partes, como a maioria carregava e fazia questão de deixar a mostra. Mesmo que o tal fosse capitão deste mesmo navio que minutos anterior havia invadido. Felicity não tinha tempo para os julgamentos do mesmo, sua paciência quase esvaecendo. — Eu estava sendo perseguida! — disse impacientemente, como se quisesse provar o quanto logo para aquele homem de que em circunstância alguma estava com más intenções, e que não representaria-lhe ameaças.
Estava caída sob o chão de madeira frio, com a cesta em seu colo, e a expressão emburrada como a de uma criança quando lhe é negado algo. Olhou cautelosamente para a mão que o mesmo lhe estendera, pensando se seria apropriado aceitar tal ato, relutante de início, mas no segundo seguinte, aceitou a oferta de ajuda, segurando com a sua mão livre a dele, e com a outra, passou a segurar a cesta, pondo-se de pé, e mais uma vez face à face com o pirata, largando a mão do mesmo e começando a passar as suas próprias no vestido amassado. — Me chamo Felicity Benoist. — Fitou profundamente os olhos azuis como o oceano do homem, imaginando se ele diria o próprio nome, ou se não o fizesse, por pura cautela. — E o senhor vai dizer-me o teu nome? — Perguntou. — Não que isso me importe, mas creio que seria justo, já que sabes o meu. — Ergueu uma sobrancelha e correu os olhos ao redor do navio pirata, à procura de mais tripulantes.
Quando em um estalo, uma ideia lhe floresceu em sua mente. — Que tal se eu lhe oferecer essa pequena oferta de paz… — Disse, passando a revirar a cesta cheia de mantimentos que carregava em seus braços, à procura de algo que pudesse lhe ofertar, até que seus dedos passaram por uma maçã, não era a melhor oferta que havia feito na vida, mas precisava voltar de imediato ao lar que pertencia, e tudo o que tinha eram estes alimentos que havia gasto todas as moedas lhe dadas para que assim as comprassem. — …A troco da minha liberdade? — Estendeu então a mão esquerda segurando a maçã vermelha na direção do pirata, não podendo esconder o sorriso um tanto quanto zombeteiro em seus lábios.
Eu estava sendo perseguida. Bem, minha querida, poderia ter se escondido em qualquer lugar, porque no meu navio? Darius pensou de maneira rude, um pensamento leviano e suspirou. - E sua melhor ideia foi se esconder em um navio cheio de homens? - A sua típica sobrancelha arqueada estava ali, cheia de sarcasmo. - Não pensou que poderia ser muito mais perigoso que seu perseguidor? - Sua intenção não era de fato assustá-la, mas fazer com que não invadisse navios alheios. O capitão não dissera nada sobre ser uma navio pirata, a moça não aparentava possuir conhecimento algum sobre o Jolly Roger que ondulava no mastro do navio, então nem deveria pensar que aquele era um navio cheio de piratas. Ela não parecia muito mais velha, apesar de ser durona aos olhos do pirata que a encarava curioso. Não eram todas as mulheres que mostravam tal coragem, assim, ele não a deixaria ir tão cedo já que pretendia conhecê-la. Era admirável que se ela se mantivesse com o orgulho em pé mesmo com uma espada apontada ameaçadoramente na garganta, sabendo que o homem que a empunhava podia facilmente enfiar o aço na garganta dela.
Felicity. Era um belo nome, pensou. Combinava com a beleza da moça, coisa que ele próprio não deixaria de passar desapercebido. Até mesmo pegou-se encarando o decote da moça, mas desviou o olhar no último segundo. Ela tinha traços delicados, que não combinavam com a expressão durona, mas ainda assim era esperta. Não era nobre, percebeu de última instância, porque nobre algum deveria possuir tamanha petulância e também esperteza. Segurou a mão dela, e a puxou para ajudar a moça a ficar em pé. Poderia ter acabado com ela, certamente, ou a amarrado e fazê-la de refém por ter invadido o Sutton Hoo. No entanto, ela havia o cativado de certa maneira. Quando ela pediu seu nome, ele deu de ombros. - E essa é minha vantagem, love. Não saberás o meu nome... - Fez uma pequena pausa. - Ainda. - Apesar de tudo, Darius ultimamente estava mais cauteloso. Após a morte do pai, havia decidido ir atrás do dragão que esse dissera ser de seu direito, e como o seu nome era conhecido em portos e baías, achou melhor omiti-lo. Mesmo que a criatura obviamente não encontrava-se no reino dos lobos.
Quando ela começou a falar, inclinou a cabeça, apenas para escutar o que a jovem moça tinha em mente. Não havia embainhado a espada, mantendo o aço livre de maneira ameaçadora, mas não apontava para ela agora. E esperava não ser necessário fazê-lo novamente. Foi quando ela de maneira singela, lhe ofereceu uma maçã. O pirata riu, de maneira sarcástica ou irônica ou até mesmo por achar o ato 'engraçado'. Darius passou a mão na maçã, e a envolveu em sua mão dando uma mordida na fruta. - Não tão doce. - Comentou, girando o fruto entre os dedos enquanto mastigava, e então engoliu. - Troco sua liberdade, mi lady, se me conceder um minuto de seu tempo para beber rum naquele bar aqui perto comigo. - Disse arqueando a sobrancelha, e colocou a maçã de volta na mão dela, dessa vez Darius possuía o sorriso zombeteiro esperando a resposta da bela moça de cabelos negros.














