↦ ON THE EDGE WITH YOU | SELENE & AEGIR [FLASHBACK]
Os olhos estavam fechados, sentindo a brisa fresca balançar os cabelos ondulados escuros. Quem lhe dera poder permanecer naquele lugar por mais do que poucas horas, fugir dos deveres e responsabilidades temporariamente. Sabia que poucas eram as pessoas que sentiriam sua falta, então não era uma ideia ruim ao todo fugir um pouco do peso e pressão da coroa.
Abriu os olhos quando percebeu uma aproximação, entretanto o ato fora tarde demais e à sua frente havia um homem desconhecido, a lâmina dele em seu pescoço. Imediatamente arrependeu-se de não ter levado consigo alguma arma. Naquele momento, qualquer arma seria de utilidade. Entretanto, para alguém que nunca precisava se defender sozinha, havia sido um erro comum. Selene vivia cercada de guardas, dispostas a darem a vida por ela. Quem imaginaria que em uma das raras vezes em que estava sozinha seria atacada? Nos segundos que tensão que se seguiam, a rainha refletiu a respeito do que aconteceria caso aquele desconhecido a matasse. Encontrariam seu corpo? Quem cuidaria do relutante povo de Clonmel? Estava tão assustada que levou alguns segundos até que processasse a indagação feita.
— Er… — não, não seria nada sensato dizer quem realmente era, afinal, desconhecia aquele homem e o caráter dele. Então, Selene fez o que deveria ser feito: mentiu. — Eu sou Margareth. Uma lady do reino de Clonmel. — E eu ficaria muito agradecida se o senhor tirasse esta lâmina de meu pescoço. Completo mentalmente, porém não fora necessário verbalizar tal pensamento, pois poucos segundos após a pergunta, a adaga já estava a uma distância segura. Ainda assustada, Selene manteve o olhar fixo no dele. Além de amedrontada, também estava brava. Como uma rainha, estava acostumada a ter as pessoas subordinada a ela. Ninguém poderia invadir seu espaço pessoal e ameaçar sua vida e seu reinado. Manteve o olhar fixo no homem, analisando-o por completo a e a ameaça que representava.
— Está tudo bem, só não confunda novamente. — respondeu, a voz rígida, em seguida pegado o fruto oferecido pelo moreno e abaixando-se para ajudá-lo também. Depois de alguns segundos de silêncio, Selene indagou: — Você está bem? — algo naquele homem parecia estranho. Diferente. Ele parecia ligeiramente assustada, e isso na refletia na maneria em como ele havia atacado um completa desconhecia, uma mulher desarmada.
Quando a pergunta chegou aos seus ouvidos, Aegir retesou a postura. Um ligeiro porém marcante arrepio cruzou sua espinha e pode ouvir novamente o sussurrar macabro que havia presenciado em meio à floresta desconhecida. Engoliu seco e deu de ombros, os olhos eram tempestuosos demais para deixarem transparecer qualquer emoção além de surpresa. - Estou. Foi só um momento. - A voz rouca, porém, entregou a angústia que rasgava a garganta. Por um momento aproveitou o silêncio, antes de voltar a falar. - A Floresta, ela nos afeta. Corpórea e mentalmente. - Deu de ombros novamente, deixando que as palavras confusas vagassem pelo ar, com um sentido incompleto.
Sentou-se confortavelmente sobre a relva, debaixo da sombra de uma frondosa árvore. Os olhos verdes dançaram brincalhões, absorvendo os detalhes do rosto feminino ante si. Deu uma longa mordida no fruto em suas mãos, sem afastar os olhos da mulher, e sentiu o sumo molhar seus lábios e escorrer em direção ao queixo. Passou a língua suavemente pelos rastros da seiva em seus lábios e sorriu um tanto libertinamente, como se a companhia o agradasse mais do que deveria. Desviou o olhar, então, e deixou que uma risada breve escapasse por sua garganta. - Damas não perambulam sozinhas por estas redondezas. - Olhou-a de soslaio, com um divertimento quase corrosivo. - Então eu presumo que você seja uma dama selvagem, Margareth.
Levantou-se abruptamente, como um felino faria, e limpou a poeira imaginária que havia em suas roupas. Fitou a companhia com os olhos semicerrados, como se avaliasse a situação na qual se encontrava. Deu de ombros, pondo ponto final ao conflito que se passava na sua mente, e sacudiu ligeiramente a cabeça. - Temos que ir rápido ou vamos perder o pôr do sol. Conheço um lugar majestoso que fica a pouca distância. Tem um lago e peixes que brilham também. - Tornou a dar de ombros, como fazia muito. - Mas não podemos ficar até o anoitecer, não é seguro. - E, com isso, pegou a mão da mulher e olhou diretamente nos seus olhos, aproximando-se um pouco. Pôde sentir a respiração fria da outra acariciar sua tez gentilmente. - Se você se sentir ameaçada, pode me matar. - E, com isso, colocou nas mãos femininas a única arma que possuía: aquela adaga. Então virou-se e caminhou em direção à lagoa.













