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@querid-0-diario
baby, eu sou uma desordem que se prolifera em dias cansados.
Saudades de não me sentir tão só.
penso em excesso
e o excesso pesa.
As vezes eu sinto falta de quem eu já fui. Tem dias que é difícil ser grata pelos processos e saber que isso vai fazer parte de quem eu ainda vou ser
Eu tô tão, mas tão cansada dessa sensação de estar sempre só
Mas também sinto que estou tão exausta, que eu não tenho forças pra sair dessa posição
Talvez ser só não seja tão ruim...
As vezes eu não sei dizer com exatidão o que eu sinto
Parece que eu sinto tudo ao mesmo tempo.
Tristeza, felicidade, amor, raiva...
Parece que eu sou atravessada velozmente por tudo que se é possível ser sentido, mas ao mesmo tempo sinto o vazio de cada uma das minhas não partes.
Parece que eu também não sinto com exatidão
As vezes parece que o mundo é grande demais pra mim, e eu posso senti-lo me engolir aos poucos
Mas as vezes parece também, que toda essa potência minimamente cabe em mim, e por alguma razão que eu desconheço, tenta explodir meu peito em um milhão de pedacinhos.
E no fundo, é isso que eu sinto que sou, infinitos pedacinhos sem formato, tentando fazer algum sentido.
Eu não sei dizer se (em pelo menos alguns segundos) todo mundo se sente exatamente assim. Se em algum momento há um coração dançando ritmado ao tempo que meu coração grita.
E isso é o que mais me apavora. Não saber se o peso do meu peito é maior que o dos outros e se as minhas hipóteses sobre eu ser errônea, estão certas.
Normalmente nada parece ser exato!
Parece que eu vivo muito de tudo, e eu não sei dizer até que ponto isso é bom.
Será que me falta a (in)sanidade de pôr as minhas paredes abaixo, de fugir dessa torre ou eu realmente estou programada a sucumbir em algum momento em meio a todos esses pedacinhos de mim?
Parece que tudo dentro de mim tem pressa
Pressa de ser, pressa de fugir, pressa de existir
E eu não consigo lidar com a fúria que o mundo tem me atravessado
Até meu cigarro barato me lembra você
As vezes eu realmente acredito ser amaldiçoada...
Só mais um cigarro na minha boca seca
Só mais um trago, só mais um pouco
Só mais uma gaveta cheia de faltas, só mais um conto
Mas a que ponto tudo isso me leva?
Só mais um gole, só mais uma vez perdendo a cabeça
Só mais uma página em branco sendo escrita nas mesmas curtas linhas, só mais uma conjunção, por favor!
Só mais um tempo, mais uma vida
Mais um parágrafo que eu abandono a rima
Me de mais uma frase, uma pontuação
Quantas palavras ainda te couberem
Só mais um gole, mais uma garrafa quebrada
Só mais uma gota de acidez, ou mais um coração descompassado
Quantas batidas ainda te restam? Quantas batidas ainda me restam?
Só mais uma busca, mais um pedaço da gente
Me diz...
Quantas vezes mais eu correndo perdida pelas mesma rotas?
Quantas vezes ainda eu posso pingar?
Quantas vezes mais, até que alguém finalmente me ame?
Se algum dia me pedirem pra definir a felicidade
Sem hesitar, eu vou dizer o seu nome
Vou dizer que felicidade é estar deitada sobre seu peito ouvindo o compasso dos nossos corações sincronizando, fazendo todas as minhas frações sambarem ao ritmo que tu me (en)canta
Que é o silêncio enquanto tu me abraças e alinha o tempo para que ele transite na nossa própria rotação
Ou então, o teu olhar me assistindo nua sobre a tua cama, anunciando que me deseja e me penetrando antes mesmo do teu toque.
Felicidade mesmo, é sentir teus dedos traçando caminho pelo meu corpo, o teu explorar me raptando e me tirando de órbita ao se fundir com o meu desejo.
A tua respiração arfante ao pé do meu ouvido, que soa mais eufônica que quaisquer composição de Bach.
É a primeira troca de olhares do dia, nossas entrelinhas se encontrando pela primeira vez de novo, me fazendo desejar milhares de primeiras vezes junto a ti.
É o sossego que tu traz pro meu peito quando fala manso, a calmaria que me atravessa ao ver-te se aproximar.
Se um dia me pedirem pra definir a felicidade.
Sem hesitar, eu vou dizer seu nome!
Você é uma maneira especial de dizer que a vida errou comigo.
as músicas que eu te dediquei, não te dizem mais nada?
eu ainda (en)canto você?
Boa sorte com seus fantasmas, mas eu não quero mais ser o que te lembra eles.
Eu vejo no reflexo do teu olhar toda vez que você me fita, eles ainda estão aí.
os opostos se atraem, e depois, se destróem.
Você me ensinou a sofrer.
Até às minhas dores sabem teu nome de cor.
Tu estás em todas as linhas que eu transcrevo.
Eu sou amaldiçoada!
Eu tenho certeza que sou, qual outro motivo teria para que tudo que eu toque vire ruína?
Eu estou presa nesse 'looping infernal' que tem sido sobreviver nesses dias que parecem nunca ter fim.
Mas por quê? Será que eu não mereço a misericórdia de um dos muitos deuses, que seja? Eu suplico por piedade. Por conseguir tocar algo sem destruir. Por não transferir o caos com as mãos.
E mesmo que eu tente, mesmo que dentro do meu peito haja flores, eu não consigo me desfazer dos espinhos que tenho nas mão.
Infelizmente, eu não nasci pro que é belo. Eu sou amaldiçoada!