NÃO ALCANÇAVA A COMPREENDER TAMANHA IRRITAÇÃO DE OUTREM, que haveria de ser suficiente para consistir rudeza ante olhos de qualquer outro indivíduo. Cecil, contanto, era dotado de um aparentemente infindável estoque de paciência, que terminava por poupá-lo de iniciar conflitos sem razões lógicas. Assim, ainda quando a franzir o cenho, razoavelmente confuso por situação pouco confortável na qual terminara inserido por própria conta mesmo sem tenção, não abandonara postura de quem estava a estender bandeira branca, guardando a câmera com tal calma que parecia mais tratar-se de uma arma. Não negaria: a curiosidade por compreender o que de fato estava a suceder ali era existente, e possuía certeza de estar estampando em semblante expressão bastante torpe, dada a incompreensão. Contudo, pouco inclinado a receber outra réplica exasperada, mordera a língua. ‘Não é de sua conta, Izetbegovic! Por favor, cale a boca!’, pensara. ❝——— Ok, ok. Calma. Já entendi quando expressou da primeira vez que não queria ser fotografada. Por isso mesmo é que estou respeitando sua vontade e, portanto, não estou insistindo.❞ Ante menção de modelos e publicações, esgazeara os olhos, vendo-se tomado pela gana por iniciar uma exposição à respeito de sua necessidade por trabalho versus sua gana por limitar-se à projetos artísticos e exposições versus as vagas disponibilizadas no mercado de trabalho para fotógrafos. Contanto, tornara a tragar as próprias palavras. Não tinha razão, afinal, para aborrecer ainda mais a desconhecida. ❝Tudo bem. O que é este doce aqui?❞ Questionara, gesticulando em direção à uma das tantas gulosinas do estande.
Sabia a garota que seus motivos eram incógnitas para os outros, mas pretendia mantê-las uma vez que não sentia-se a vontade abrindo sua vida para qualquer um. A não ser que estivesse embriagada ou num de seus dias mais leves, que não eram tão comuns quanto os da primeira situação. Os olhos claros da morena desceram ao chão e depois aos doces, subindo para encarar o rapaz mais uma vez quando ele retornara a falar. — Acho bom. — limitou-se a responder ainda mais daquilo que ele tinha dito, antes de voltar a irritar-se como tinha apenas alguns minutos atrás. Aborrecimento seriam evitados de ambas as partes então, pelo menos até a moça conseguir seu novo objetivo, criado pelo sutil interesse que o moreno demonstrara quanto aos doces. — Esse daí é uma trufa de mirtilo. O da direita é um docinho de leite em pó com recheio de pedaço de morango e o da direita é chocolate com banana. Meu favorito, inclusive. — finalmente sorriu na direção de Cecil, grudando os olhos mais uma vez no rapaz.