CASTELO DURMSTRANG; ENFERMARIA; 18:42;
A enfermaria era um lugar calmo, ou pelo menos Emelisse estava tão dentro da própria mente que não percebia os sons do lugar, faziam alguns dias desde o baile e a loira continuava na mesma maca a qual tinha sido designada quando chegara ao castelo após o ‘incidente’. Seus cabelos estavam molhados e ela cheirava a rosas, no entanto a loira mal se lembrava de mover-se da posição em que se encontrava - sentada com as costas na cama e os joelhos abraçados contra o peito - muito menos se lembrava de tomar banho, vagamente se recordava de uma voz conhecida dizendo-a que iria lhe ajudar com o vestido, mas não se lembrava quando havia sido isso ou o que tinha acontecido naqueles dias em que ficara ali naquele estado de confusão e medo. O cheiro diferente atingiu suas narinas antes que a voz chegasse a seus ouvidos, mas nenhum movimento foi feito, isso até sentir alguém lhe tocar levemente no ombro, nesse momento um grito foi dado enquanto Emelisse se encolhia mais contra a parede batendo as costas com certa força, as mãos agarrando os lençóis da maca. ❝ ⇁ Eu sinto muito, eu sinto muito. ❞ A frase continuava sendo repetida pela mestiça intercalando entre o russo e o inglês, Emelisse não sabia pelo que se desculpava, sequer havia encarado a pessoa a qual tinha supostamente feito algo, porém sentia que era a coisa certa a se fazer. ❝ ⇁ Eu não queria gritar, eu juro. ❞
。✧◂ Culpado. Foi exatamente como se sentiu desde o momento em que os fios loiros de Emelisse foram vistos invadindo a floresta, na noite do baile. Foi como se sentiu, pouco tempo depois, quando deu às costas à ela, rindo, conforme voltava para o castelo. Foi como se sentiu, principalmente, quando se responsabilizou por cuidar da mestiça no retorno alheio ao castelo, horas mais tarde, naquela mesma noite. E talvez, somente por culpa, tenha ficado ao lado da garota após encontrá-la em tão penoso estado. A pena o invadia, preenchendo sua mente com culpabilidade e sussurros de encorajamento. Não poderia simplesmente escondê-la naquela noite, e em sua frágil defesa, não era planejado que a brincadeira acabasse como de fato acabou. Naquele dia frio e cinzento, por primeira vez, havia saído da porta da enfermaria. Não para fugir. Bem na verdade, o garoto finalmente havia sido autorizado à adentrar o local para uma pequena visita, e era totalmente compreensível seu aproximar receoso. Ao arrancar reação da loira com o simples toque, não se surpreendeu. Era como se esperasse por aquilo desde os primeiros momentos após a volta de Emelisse, que parecia em choque desde sua chegada à Durmstrang naquela fatídica noite. ❝ Está tudo bem. ❞ As palavras saíram baixas de seus lábios, as mãos estendidas para ela em um sinal de rendição, enquanto se permitia a aproximação. Uma das pernas fora apoiada na maca, conforme se sentava na mesma, ignorando o fato de que estava invadindo o espaço pessoal da mestiça. ❝ Eu vim saber como você está. ❞ Era óbvio que ela não estava bem, tal como era óbvio que aquilo era apenas um pretexto para puxar assunto. ❝ Eu estou preocupado com você, Lise. ❞













