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@r-roseswiththorns
i know people think i don't care but i'm not a monster | lola; harriet | póspt
Lola nunca foi uma garota que tentava se apegar as pessoas, orgulhava-se em dizer que conseguia ficar longe de todo aquele sentimentalismo que parecia estar sempre cercando as pessoas ao redor dela. A verdade era que ela não tinha muita paciência para tentar manter relações com pessoas que simplesmente não chamavam sua atenção, nunca havia sido boa em relacionamentos fossem eles a mais pura amizade ou algo que acabasse se tornando algo amoroso. Preferia manter distancia a ficar se incomodando com coisas que ela nunca iria entender ou se quer ligar, entretanto Lola não era de todo mal. Ela conseguia ser incrivelmente leal aqueles poucos que conquistavam sua simpatia e, automaticamente, sua confiança, quando ela decidia que seria amiga de alguém não havia volta, jogava-se de cabeça no meio do relacionamento e faria tudo que estivesse ao seu alcance para poder deixar a pessoa bem, salva e feliz. Era o que fazia com Damon, com Ada, até mesmo com Marissa e com Harriet desde o sexto ano. O primeiro não era exatamente considerado um amigo pela ravina, ele estava mais para aquele que a entendia mais do que ela mesma e simplesmente não a julgava, a relação que ela e Damon partilhavam era incrivelmente complicada, pois havia muitas coisas que ele fazia que ela própria não concordava, enquanto isso ele parecia compreender muito bem seus problemas de personalidade e sempre vinha com comentários malucos sobre esse tipo de coisa. Já a segunda, Ada, ganhou o coração de Lola logo que elas se conheceram. Dona de uma personalidade calma e bondosa, a ravenclaw não só se impressionou como adorou quando viu a verdadeira força da hufflepuff, o quanto ela era persistente, inteligente e incrivelmente teimosa, partilhavam poucas coisas em comum, mas mesmo assim ela já não se via sem outra. Quanto a Marissa, Lola não sabia exatamente o que elas tinham, entendia o que a garota passava ao ter que mentir sobre quem era ou como queria fazer as coisas, eram colegas de quarto, mas não sabia se poderia se referia a outra como sua amiga exatamente, entretanto para Lola isso não importava, pois ela sabia que ajudaria a garota caso ela precisasse. E então tinha Harriet, Blanc nunca havia reparado nela até que juntaram a hufflepuff e a ravenclaw em uma aula de trato das criaturas mágicas. Matéria essa, que ela não gostava muito por não saber lidar com animais, ao lado de Ada ela avistou a loira de longe brigando com algum garoto que havia sido violento demais na domesticação de um hipogrifo e desde então ela passou a entender melhor a personalidade da outra, a admira-la por quem era e considerá-la uma de suas amigas mais próximas.
Fora isso tudo, ainda havia Nicholas Gaunt que não era exatamente amigo de Blanc, nem namorado, nem colega, nem admirador, mas que era mais próximo da garota do que ela poderia de fato imaginar. Era uma garota que gostava de passar algum tempo sozinha, pensando em si mesma e estudando coisas do mundo mágico, só que desde o trabalho de história da Magia era como se ele soubesse os momentos em que ela estaria sozinha e simplesmente aparecia lá pra importuná-la. Passava mais tempo com ele do que com seus amigos reais, sentia-se próxima dele por mais que tentasse o afastar a todo mundo, Nicholas simplesmente não ia embora como todos os outros haviam ido. Damon dizia que Lola tinha apenas insegurança de ter um relacionamento sério devido a sua infância trágica, ela não concordava, mas deixava-se pensar nisso quando olhava para Nicholas com mais atenção. Não achava que eles dariam juntos, e a simples idéia de isso algum dia acontecer fazia com que ela quisesse rir, mas após o beijo deles era como se todo o ódio que ele já havia sentido por ele algum dia se suavizasse e deixasse espaço para um pouco de compreensão e até mesmo carinho. A relação deles parecia estar como sempre: comentários ácidos, risadas bobas, provocações e xingamentos, mas agora ao invés de algo que levava-os a quase briga, era divertido e era como se eles se divertissem fazendo aquilo quase todos os dias.
Naquele momento, Lola estava com a cabeça apoiada nas mãos, rezando mentalmente para que Deus lhe desse paciência ou ela acabaria matando o slytherin que estava ao seu lado. Estavam na aula de história da magia, única matéria na qual eles eram uma dupla, e como uma amante da matéria, ela pretendia prestar atenção e tomar nota, mas Gaunt preferia ficar falando e falando ao seu lado, cantando músicas e tentando adivinhar seu nome de verdade. Desde que ele leu o começo da carta que sua mãe havia lhe mandado, estava ficando impossível ficar ao lado do moreno sem querer arremessá-lo por uma janela do sétimo andar. – Você pode calar a boca? Eu to tentando prestar atenção na aula, gracinha. – ele sorriu aquele sorriso que fazia com que ela sentisse raiva e que fazia com que ela quisesse sorrir ao mesmo tempo. Virou o rosto, tornando a copiar o que estava na lousa assim como ele voltou a falar. Ignorou-o pelo resto da aula, nunca teve muita paciência nem mesmo para as brigas dos dois e sabia que teria um horário livre depois, portanto se irritar não era algo que ela pretendia. Quando o professor dispensou os alunos, Nicholas se inclinou e beijou a bochecha de Lola, indo embora logo depois, deixando-a sentada com uma expressão de desprezo no rosto, mas com uma vontade absurda de sorrir. Ao terminar de guardar suas coisas, saiu da sala indo em direção ao salão principal pela segunda vez naquele dia. Sozinha, permitiu-se pensar sobre como as coisas pareciam boas e ruins ao mesmo tempo. Lola sabia o quanto tudo poderia se tornar complicado, doentio e doloroso, por isso assim que melhorou dos ferimentos sofridos no festival ela tratou de esquecer aquilo o mais rápido possível. Enquanto Anabelle continuava trancada em sua mente, Lola andava livremente pela escola pensando em como nada parecia mais os mesmo. As pessoas pareciam receosas, assustadas, quietas e ela percebia aquilo quando estava sozinha, olhando para eles de longe como quase sempre fazia. O pior de tudo é que ela entendia o medo dos outros alunos, pois ela mesma o possuía. Salvar Nicholas no festival e ser torturada foi uma escolha muito fácil, o problema estava em viver com os resultados que isso trouxe.
Ao chegar ao salão comunal avistou Harriet sentada sozinha na mesa da hufflepuff. Não haviam se falado desde os ataques – não fazia tanto tempo que ela havia saído da ala hospitalar- e por um momento a ravenclaw imaginou a amiga machucada, caída em algum lugar, cercada por sangue, gritando ou sendo atacada por algum tipo de bicho, com os cabelos loiros manchados de vermelho. Sentiu um enorme aperto no coração ao ter essa cena em sua mente, por isso praticamente correu para o lado da menina. Sempre havia sido incrivelmente leal aqueles que ganhavam seu amor e sua compreensão, Harriet não poderia estar longe disso para Lola. Olhando para a garota a sua frente, com os olhos tão claros quanto os seus próprios, ela respirou fundo e se odiou mentalmente por ser tão ruim daquela forma quando se tratava de pessoas que eram importantes para ela. Anabelle gritava para sair da mente se Lola, ela saberia lidar com a situação muito melhor, mas da ultima vez que ela havia saído à boca de Nicholas e a dela haviam se beijado, não ia ser uma boa ideia. Lutando para que a outra não tomasse seu lugar – não era como se ela conseguisse segurar isso na realidade – Lola respirou fundo, jogando sua bolsa no chão e apoiando o antebraço na mesa. – Como você está? – não era comum ver a ravenclaw perguntando esse tipo de coisa, preferia muito mais ler a pessoa a sua frente e deduzir que ela estava bem, entretanto aquilo não era apenas um problema tolo de adolescente, era um ataque de verdade, uma guerra de verdade e ela estava de fato preocupada com a outra.
likeasirnic:
Tudo em você é uma ofensa direta, Lola, vamos ser sinceros aqui. Bem, essa interpretação é um pouco ambígua gracinha, então não é muito inteligente usar isso como um argumento. Fascinante o mundo trouxa, de fato. Como se você se importasse se eu vou ou não gostar de algum lugar, please. Desculpas não é algo existente no seu vocabulário, Lola, nós sabemos disso. Você voltou aos xingamentos, não me meta nisso. Yep, e neles você vive em um mundo onde realmente consegue ser uma boa pessoas. Loevely, huh? E nem eu pretendia falar sobre isso, gracinha, está voltando a ser egocêntrica, uma pena. Eu sei fazer, só não quero realmente. Tem uma notável diferença nisso. No, of course not.
Muito obrigada, Nicholas. Okay, então eu não uso o meu sarcasmo como argumento se você admitir que só foi pegar a carta porque realmente achou que eram cartas indecentes minha com o Damon. O que, cá entre nós, ainda não te dá nenhuma liberdade para mexer nas minhas coisas sem a minha permissão, gracinha. Eu juntaria dinheiro e pagaria para os policiais te baterem. Isso acontece muito por lá. Vai que quando você for solto fique um pouco mais interessante. Algumas tatuagens, um pouco mais de músculo, parar de parecer um menino de doze anos e sua voz pode ficar mais grossa também. Eu vou estar de fazendo um bem, gracinha. Deveria me agradecer de joelhos. Não, não é. Você me fez voltar aos xingamentos. Sua ideia de pegar uma carta minha e ler mesmo quando eu disse que não era pra fazer isso é o motivo da minha raiva por você ter, eu não sei, duplicado? Triplicado? Hm. Eu deveria me sentir mal por você me achar ruim? Porque eu me sinto muito bem. Ah então você não queria falar dos seus sonhos comigo e ai agora eu virei egocêntrica de novo? Ih, Nicholas, acho que está falando mais do que gostaria de falar e mais do que eu gostaria de ouvir. Cale a boca e deixe seus sonhos comigo só na sua cabeça, eles não vão acontecer de qualquer forma. Porque você é um inútil, claro. Ainda não sei porque o Slughor decidiu mudar as duplas hoje. Vai me dizer que pediu pra ele te colocar comigo? Deus está me testando.
likeasirnic:
Well, surprise! Yay. Obviamente, porque se fosse o caso você já teria parado de me ofender, but here we are. Disso eu não tenho realmente dúvidas, mas infelizmente hoje não será o dia em que terá o bel prazer de me ver sofrendo, uma pena, de fato. Invadir a sua privacidade, sério? Porque, até onde eu sei, foi você que me ofereceu o pergaminho pra ler, então nem comece com seu discurso de ódio ao Gaunt, por favor. Believe me, Blanc, if there’s a thing that I don’t understand, that thing is you. Oh please, meus sonhos com você seriam mais maduros, me economize. Hm nope, I think I’ll pass.
Ou eu estaria rindo, o que também é uma forma de te ofender, huh? Sério. Desde quando você passou a não entender o sarcasmo? A carta era minha, eu falei para você devolver, coisa que você não fez, e isso é sim invadir a privacidade de alguém. Na verdade, no mundo trouxa isso da cadeia, sabia? Talvez você goste de lá. Eu deveria pedir desculpas por você não entender? A culpa é sua de termos voltado aos xingamentos, mas não que isso me importe de verdade. Maduro? Oh, então você tem sonhos comigo? E isso eu posso chamar de evolução. Fomos de “você é sendo egocêntrica, Blanc” para “meus sonhos com você são mais maduros”. Por favor, Gaunt, se contenha. Eu não quero ter que ficar ouvindo você falando dos seus sonhos comigo. Eu tenho uma poção para fazer e passar mal hoje não é minha intenção. Merlin, você não sabe fazer nada? É só mexer uma poção, gracinha. Entretanto, não posso dizer que estou surpresa.
likeasirnic:
“Ensinar” é uma palavra muito forte, Lolitta. Veja bem, eu só estava tentando ajudar você a perceber que era o ingrediente errado, só isso. Yeah yeah, keep lying to yourself, Blanc, é assim mesmo que lidamos com as coisas. Hey, o que aconteceu com a fase “eu não preciso xingar o Nicholas, na verdade posso até rir das coisas que ele diz”? Ay, I thought we were in “good” terms.
Lollita? Mesmo? E eu que achava que você não podia ser pior. Bem, o ingrediente não estava errado, gracinha. Viu? Se ele estivesse essa coisa ridícula que você chama de cara estaria toda coberta de um liquido verde ácido e, por mais que eu fosse amar ver você com dor, esse não é o caso. Aconteceu a sua ideia de invadir a minha privacidade e ficar fazendo piadinhas ridículas sobre uma coisa que você não entende e acha que entende. E, eu nunca disse essa frase, deve ter sonhado com isso em alguma noite onde você se convenceu que eu gostava de você. Agora, mexe isso pra mim.
A não ser que queira explodir seu caldeirão, eu não colocaria isso ai não, Blanc. Ou devo dizer… Desculpe, como é mesmo? Alguma coisa com “a”…
Você está querendo me ensinar a fazer uma poção? Sério, Gaunt? O que aconteceu? Bateu a cabeça hoje e agora está se sentindo um gênio? Eu não sei sobre o que você está falando, Nicholas. Na verdade, preferia nem estar ouvindo você falar, então cale a boca.
She's addicted to feeling of letting go | blaunt | smallpara
likeasirnic:
A fumaça era espessa, um pouco mais clara que o normal, mas contínua e com conteúdo demais para ser desconsiderada de qualquer forma que fosse. A boca do garoto estava ressecada, e havia pouco prazer em exalar a fumaça do que haveria em um dia comum. Seus dedos finos e esguios seguravam o cigarro sem muita precisão, mantendo-o sob seu indicador e o dedão, como era sempre um costume fazer. Talvez ele devesse estar em alguma aula específica, mas uma pequena parte de sua mente lhe dizia que aquele horário era livre, e era nisso que o sonserino se agarrava para se manter ali, num corredor vazio, com um cigarro em mãos e uma sensação estranha sob suas entranhas. Não que quisesse estar em outro lugar, não era isso, mas parecia ao mesmo tempo estranho e familiar a vontade de não estar ali, como se fosse um estranho na casa alheia. Pensou em voltar para o dormitório, passar o resto do dia ali com a desculpa de não estar se sentindo bem. Mas não parecia viável e seu cigarro já estava no fim, o que saciava ao menos uma parte de seus desejos.
Decidiu, por fim, prosseguir por seu caminho e quem sabe, assistir alguma das aulas que ainda teria, se seu tédio fosse realmente virar algo monstruoso. Viu a garota antes mesmo que ela o ouvisse através de seus passos preguiçosos. A ravina lia algum pergaminho e por um instante, Nicholas teve vontade de dar meia volta e simplesmente não encarar aquilo naquele dia, mas honestamente, que tudo fosse pro ar, Lola estava bonita demais sentada naquele corredor e ele, entediado demais e simplesmente cansado de fingir que não precisava dela. Com um andar despreocupado, revirou os olhos ao ouvir que ela falava com ele e, sem muita cerimônia, se postou do lado dela, enfiando três balas de morango em sua boca e olhando pra Lola com interesse. - Fico feliz de ver o quanto minha presença é estimada, Blanc. - sorriu e, antes que a morena pudesse responder alguma coisa, depositou um beijo estalado na bochecha da mesma, rindo baixo e tomando o livro que ela lia. - Então, aquele pergaminho está aqui dentro ou você só estava o usando de enfeite? É sua família que escreve pra você? Nunca fala deles, o que é uma pena. - encolheu as pernas e passou a mão pelos cabelos castanhos desgrenhados. Em um piscar de olhos, engoliu as balas que possuía na boca e logo colocou mais três no lugar. - C’mon, Blanc, talk to me. Estou tentando não ser tão inconveniente assim. -
- Sua presença nunca é estimada, Gaunt. - respondeu, olhando para ele no mesmo momento em que ele beijava sua bochecha. Revirou os olhos e, com uma cara de completo nojo, ela limpou o lugar onde ele tinha beijado. Se não tivesse virado o rosto, ele teria a beijado nos lábios e a simples ideia disso acontecer novamente fez com que um arrepio subisse pela espinha de Lola. - Ei! - protestou, tornando a pegar o livro das mãos finas do garoto.- Por favor, não quero que estrague esse também. - disse, referindo-se ao festival onde ele tinha sugado todo o livro dela com cerveja amanteigada e, como responta, Lola jogou um copo todo da bebida na cabeça dele. - E quem foi que te disse que eu preciso falar da minha família para você, Nicholas? Esqueceu que você não passa de um parceiro indesejado em um trabalho de história da magia, gracinha? - fugindo do assunto da carta, Lola prendeu os cabelos em um coque desajeitado com a varinha e guardou o livro na bolsa. Sabia que tentar ler iria ser pior do que dar a atenção que o slytherin tanto queria.
Lola poderia falar o quisesse, mas não poderia negar a beleza que Nicholas possuía. Com os olhos azuis pousados no garoto, ela teve que reprimir um suspiro quando ele passou a mão pelos cabelos castanhos e, o que antes a deixaria com uma raiva inexplicável, fez com que ela se mexesse incomodada. Blanc nunca havia sido boa com aquelas coisas. Demonstrações de afeto, flertes, cantadas e todo aquele jogo de paquera, Lola não sabia nada daquilo e acabava ficando incomodada sempre que algo do tipo acontecia, como era o momento. Respirou fundo, sentiu pela primeira vez no dia o cheiro de cigarro vindo da roupa do rapaz e não de seus lábios, revirou os olhos por isso. - Belo jeito de morrer, Nicholas. Eu agradeço, assim eu não viro uma assassina. - vendo ele pegar mais balas para colocar na boca, a ravenclaw aproveitou e pegou duas para si, piscando para ele. - Você é sempre inconveniente. Diga-me, o que te interessa tanto, hein? E se a carta não for da minha família e sim do meu namorado secreto e cheia de coisas improprias? - ajeitou-se, podendo agora olhar melhor para o garoto ao seu lado. Com as costas encostadas na bolsa, o peso dela fez com que a mochila tombasse pra trás, derrubando tanto o livro e a carta no chão. Lola não percebeu e por isso cruzou os braços. - Ainda quer ler?
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A ravina encarava a carta com um medo que não costumava ser seu. Lola não era covarde, nunca havia sido, mas aquele único papel a sua frente parecia conter coisas o suficiente para deixa a garota nervosa da cabeça aos pés. Sua família sempre havia sido um de seus pontos fracos, e ela não gostava de admitir isso, a verdade era que Lola tentava a todo custo afasta-los. Sendo uma nascida-trouxa, a ravenclaw sabia muito bem o quão ruim as coisas poderiam se tornar e sua família era grande demais para correr o risco. Dez irmãos, fora seus pais. Já havia perdido a conta de quantas vezes já havia estado naquela mesma situação: encarando uma carta, já sabendo seu conteúdo e sem coragem de abrir e ler. Normalmente não ligava para o que diziam, Lola era fechada, fria, fazia comentários secos, revira os olhos e passava o ano todo longe, mas sabia que, apesar desse ser seu jeito, era o melhor modo que os manter afastados de tudo aquilo. Ela já havia perdido uma família uma vez, se é que pudesse chamar aquilo de família, e não pretendia perder outra vez. Ela estava sentada no chão em um corredor, tinha uma aula vaga e não havia tantas pessoas para fora das salas por conta do frio que fazia naquele dia. Quando a carta chegou, Blanc só foi para o corredor mais deserto que encontrou e ficou encarando o papel.
Decidiu abrir, sabia que não iria responder, mas ler não faria tão mal assim. A primeira coisa que leu foi o “Queria Annie...” escrito com a letra miúda e redonda de sua mãe, Sarah, que adorava o nome de registro da família. Anabelle. Lola odiava aquele nome com todas as suas forças, fazia ela se recordar da fraca criança que havia sido, a menina que foi vendida por drogas, aquela pré adolescente que havia sofrido na mão dos pai adotivos, que tinha uma cicatriz na perna, a garota assustada. Não. Ela era Lola. A garota que não sentia medo algum, que possuía a resposta na ponta da língua, aquela que não precisava de ninguém para ser feliz. Essa era quem ela era e não Anabelle, mas sua mãe ainda a chamava assim e cada vez que Lola abria uma carta escrita por ela, tinha que encarar tudo aquilo de novo. Ouviu alguém virar o corredor, olhou para a pessoa antes de guardar a carta e não pode deixar de revirar os olhos ao ver Nicholas indo em sua direção. Mais do que depressa, a garota guardou o pergaminho dentro de sua bolsa e se pegou um livro qualquer para tentar disfarçar, coisa que não deu muito certo. - Vá embora, Gaunt.
Blaunt {Lola Blanc + Nicholas Gaunt} moodboard: development
Would you let me see beneath your beautiful? Would you let me see beneath your perfect? | Blaunt
O moreno continuava sorrindo como o grande idiota que era. Seus cabelos, que sempre andavam um tanto fora do lugar, estavam mais desgrenhados ainda e ele ria baixo com as lufadas de ar que tinha que tomar para conseguir manter sua respiração estável. Mesmo com a carranca de Blanc a sua frente, era quase não impossível sorrir com a situação toda. Se tivesse prestado atenção nas aulas de etiqueta que sua mãe tentara lhe impor quando mais jovem, Nicholas provavelmente já teria se afastado de Lola, afinal um cavalheiro não deveria se portar daquela forma. Porém a ravina não parecia realmente disposta a se afastar dele, e no fim das contas, de cavalheiro Gaunt não tinha nada. - Olha, não sei. Talvez essa tensão sexual tão forte que nós temos juntos. Vai dizer, gracinha, que é tão inocente ao ponto de não perceber? Ou que nunca ouviu nenhum comentário acerca disso pelo castelo? Além disso, eu não tinha nada de ridículo pra você enquanto me beijava de volta, huh? Diria até que você gostou. - ele riu mais uma vez, seus lábios inchados formando o sorriso debochado que era quase uma marca do garoto, ele tinha que provocar Blanc e sentia prazer em fazê-lo, mesmo recebendo olhares feios, tapas e qualquer reação negativa que ela fosse ter perto dele, era inevitável. - Oras, não posso mais piscar agora? Não seja tão carrancuda, Blanc, nem parece que acabou de beijar alguém… Age como se um ser humano não pudesse fazer esse tipo de coisa. Você é uma garota peculiar, Lola. -Nicholas não finalizou seu pensamento, não iria dizer nada que pudesse magoar a ravina e muito menos algo que fosse motivo de irritação por parte da mesma. O sonserino percebeu que ela gostaria de empurrá-lo, então só sorriu presunçosamente ao notar que na verdade, pareciam mais próximos. - Mas você não acha nada rude, hein gracinha? Irônico. - respondeu da mesma forma e manteve uma cara passiva ao sentir as unhas da garota em seus ombros, era o mínimo de violência que ela havia feito a ele.
O sonserino continuou observando a morena, sua cabeça pendia para o lado e ele se segurava para não acabar bocejando com a cara de tédio que fazia. Além disso, o impulso de mexer no cabelo de Lola estava tão grande que o garoto tentava o máximo prestar atenção em qualquer coisa que não aquela linda garota em sua frente. Mesmo assim, franziu o nariz e arqueou uma das sobrancelhas ao ouvir todo o discurso programado de Lola. Bloody hell, that girl was dramatic. Nicholas continuou quieto, ouvindo o sermão da ravina e assentindo nos momentos certos, sua expressão de puro tédio ainda presente em sua face. “É ridículo, é baixo. E não pense que essa droga que você chama de beijo significa alguma coisa.” Ah, lá estavam eles de novo, na mesma familiaridade que era tão chata na cabeça do rapaz. Lola reclamava, e xingava, fazia todo aquele discurso que ela sempre precisava fazer porque Merlin, ela só podia achar que ele um grande idiota.Depois, xingaria ele mais um pouco e continuaria com aquela carraca dela e o ar de superioridade e beleza porque, afinal, Lolatinha que ser a rainha do gelo e do desprezo. Bollocks. Ao fim da fala da morena, Nicholas finalmente se permitiu sorrir e olhou melhor para a outra, achando divertido o fato dela ainda estar ali, segurando seus ombros e parecendo satisfeita na presença dele. - Okay, gracinha. Já acabou de despejar seu discurso moralista pra cima de mim ou vou ter que te beijar de novo pra você calar essa sua boca tão linda? - ele sorriu, e não temeu por levar outro tapa, estava falando sério afinal.
O ato era tão impulsivo, e a surpresa era tão grande que foi quase como se o moreno tivesse levado um belo de um tapa na cara. Tudo bem, a comparação era péssima, mas Nicholas sentia como se nunca tivesse ficado tão chocado em toda sua curta vida de adolescente medíocre. E olha que, por alto, o garoto já havia vivido diversas experiências chocantes. Mesmo assim, ao sentir a mão de Lola em sua gravata e ao ver o enorme sorriso que ela lhe dava, o sonserino teve a absoluta certeza de que ele deveria estar morto. Só podia ser isso, afinal. Lola devia ter lhe dado um tapa tão forte que agora ele se encontrava morto, e não só isso, estava vivendo em um lugar onde ela estava o beijando. Lola Blanc estava o beijando, e ele realmente devia estar morto no fim das contas.Nicholas ainda demorou três segundos pra reagir, suas pernas pareciam feitas de gelatina e seus braços magros não queriam realmente fazer o que seu cérebro mandava. Lola Blanc estava o beijando e parecia que seu corpo todo havia sofrido uma pane.Perfect time, mate. Mas assim que ele conseguiu finalmente processar todas as informações confusas de sua cabeça, Nicholas segurou Lola pela cintura e correspondeu o beijo com toda a vontade que estava guardando desde o dia que colocara os olhos naquela garota tão linda e fechada. O beijo era diferente dessa vez, era rápido ofegante e Nicholas sentia que seus lábios poderiam sangrar de tanta vontade que tinha naquele beijo. Sem nem perceber, o rapaz andava junto com a garota e logo as costas da morena batiam na parede da biblioteca. As mãos do garoto se dividiam entre as costas da garota e seu cabelo. Uma delas logo se emaranhou pelos fios castanhos de Lola, o que fazia com o que o rosto dos dois ficassem ainda mais próximos e o beijo se intensificasse ainda mais. Sentindo que Lola, sorria, Nicholas sorriu também e mordiscou o lábio da garota em resposta, como se dissesse que ela tinha cedido no fim das contas. O ar não era realmente importante pra nenhum dos dois, e o sonserino sentia que podia morrer ali mesmo, porque Merlin aquela garota beijava bem. Quando nenhum dos dois parecia mais ficar sem oxigênio, Nicholas se afastou um pouco, somente para beijar o pescoço da garota porque bem, ele não queria se afastar e nem podia evitar. Enquanto se entretia com o pescoço de Lola, suas mãos a puxavam mais pra perto e acariciavam suas costas por cima do uniforme, supirando uma vez ou outra. Quando Nicholas percebeu que a garota poderia se afastar, rapidamente afastou sua boca da pele gelada dela e voltou a beijá-la de forma mais intensa ainda, mordendo seus lábios no meio do processo. Damn, this girl would be his end.
Lola Blanc poderia ser muitas coisas. Ela poderia ser briguenta, estressada, violenta e fechada, poderia ser vingativa, nervosa, ciumenta, sem paciência e estudiosa demais, mas se havia algo que a ravenclaw era sem sempre de duvidas era impulsiva. Poderia parecer irônico que uma garota que passava grande parte de sua vida pensando sobre o que os outros achavam dela e acreditando que todo o jeito dela era errado, fosse impulsiva ao ponto de beijar o garoto que jurava odiar desde que o conheceu. Mas a verdade era que ela era mais impulsiva do que muitas pessoas. Quase não pensava antes de fazer ou dizer alguma coisa, somente dizia e lidava com as conseqüências depois, muitas vezes até mesmo se arrependia do que havia feito. Principalmente quando o assunto se tratava de Nicholas Gaunt. Merlin, ela havia pisado nela, batido nele, gritado com ele, jogado um trem de brinquedo enfeitiçado nele, xingado até a terceira geração do slytherin, jurou para todos que poderiam ouvir que o odiava mais do que odiava o purismo e que havia o salvado no festival somente porque teria feito aquilo com qualquer pessoa que estivesse em perigo, Lola ficou com o garoto que ele odiava somente para o irritar e o afastar ainda mais, mesmo que ela não soubesse disso de fato, quase queimou todos os trabalhos que ele já havia dado para ela e não sabia ao certo quantas vezes sua mão já havia batido no garoto e agora, naquele exato momento, ela estava o beijando como e ele fosse a melhor coisa que ela já tivesse provado. E o pior era que ela estava gostando. Ignorou o fato de que o garoto demorou em corresponder seu beijo, preferiu não ligar a acabar se irritando com o menino a sua frente, talvez ter esperado por, no mínimo, cinco segundos valeu a pena pelo que veio a seguir. Sua mente não conseguia processar nada que não fosse os lábios do garoto nos seus e as mãos dele em sua cintura, não ouvia mais nada que não os barulhos que os dois faziam enquanto andavam pela biblioteca, os livros caindo, os suspiros, gemidos, os passos apressados e as costas da ravina batendo com um pouco de força na parede. Lola correspondia o beijo com toda a força, vontade e intensidade com que o menino a beijava. Poderia jurar o quanto quisesse e poderia mentir para si mesma, mas só Merlin sabia o quanto ela havia esperado por aquele beijo.
Tudo estava indo muito bem e o beijo que os dois trocavam não poderia estar melhor, porém Blanc teve que ser desperta por uma provocação do menino. A mordida em seu lábio serviu não só para atiçar ainda mais a vontade da menina como também para acordar ela para perceber o que estava fazendo. Ela estava o beijando. Pensou em se afastar, o empurrar com toda a sua força – que não era pouca- e o jogar no chão, mas não teve tempo de pensar nisso, pois os lábios de Gaunt voltaram para seu pescoço e ela não pode deixar de tombar a cabeça para o lado, com um sorriso satisfeito no rosto e de olhos fechados. Ele até que beijava bem afinal. Suas mãos se divertiam com os cabelos castanhos do garoto, os fios lisos passavam pelos dedos da garota e ela os puxava uma vez ou outra, o que fazia com que o slytherin soltasse pequenos suspiros que faziam com que ela tivesse ainda mais vontade de continuar o beijando, sua outra mão estava satisfeita nas costas finas e magras do menino que não demorou em voltar a beijar sua boca. Foi nesse momento que seu lado mais malvado – e talvez mais injusto- resolveu o que iria fazer. Sorriu outra vez entre o beijo, pois de fato tinha gostado da idéia que teve. Lola já havia feito aquilo várias vezes e com vários garotos quando fugia para suas festas nas férias, mas nada parecia igual ao que estava tendo com Nicholas, entretanto isso não mudava a vontade dela. Já desperta, Lola sentou-se em uma das mesas de estudos que tinha por lá, não ligando muito para o que o garoto faria com a mão dele, e, ainda acariciando o cabelo do outro, acelerou ainda mais o beijo apenas para provocá-lo.
Desceu sua mão até a gravata verde e prata do menino, afrouxando-o e a puxando por cima da cabeça dele, interrompendo o beijo dos dois. Olhou para o menino e sorriu, indo rapidamente beijar o pescoço quente dele, dando pequenas sugadas naquela parte exposta de pele que ele possuía por dentro da camiseta. E, por falar em camiseta, Lola sorriu ao ver que ele não ligou quando ela começou a desabotoar aquela parte especifica de seu uniforme. Um botão por vez até que ela estava completamente aberta e pronta para ser retirada, que foi exatamente o que a morena fez assim que teve a oportunidade. Pensou que ele poderia se afastar, assustado talvez, e voltou a beijá-lo, puxando a cabeça do garoto para mais perto. Não ficaria satisfeita se não colocasse seu plano em pratica. Passou a mão pelo abdômen simples e frágil do slytherin apenas para poder chegar no cós da calça dele. Sempre que ele tentava fazer algo do mesmo modo, Lola afastava as mãos dele das aberturas que havia em sua roupa. Ele poderia entender aquilo como um jogo, afinal muitas garotas faziam aquilo e ela não se importaria se fosse isso que ele entendesse, já que logo ficaria ciente da intenção verdadeira dela. Terminou por retirar a causa do menino, abaixando-a com as próprias pernas apenas para poder provocá-lo ainda mais. Lola sorriu, afastando o rosto do dele para poder respirar fundo, apoiando os braços nos ombros finos e magros do rapaz. Olhou-o por alguns segundos antes de descer da mesa, empurrá-lo para a parede, beijá-lo novamente, pegar a varinha e o prender nas prateleiras com um simples feitiço. Afastou-se de verdade dessa vez, parando na frente dele e ajeitando os fios negros que saiam de sua cabeça. Tinha certeza que seus lábios estavam vermelhos e inchados, ela não ligava, havia gostado de beijar ele por alguns momentos. Pegou novamente a gravata, passando-a pela cabeça do menino novamente. – Você sabe, gracinha, eu realmente acho que você deveria comer mais carboidratos. – ela riu, brincando com ele e aproximando-se, roubando um beijo e um selinho dele, antes de virar de costas, pegar as roupas dele e rumar para fora daquela parte da biblioteca.
complexidades:
roleplay meme: someone else’s muse + meaning of names
You always bring to completion anything you start. You are generous but like to see returns from your giving. You have an executive ability, you are a leader. You are moral, balanced, honest and intellectual, and you may attain spirituality. You are wise and practical with an appreciation of beauty. You always think before you act.You are frank, methodical and believe in law, system and order.
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It's the moment of truth and the moment to lie | Lola; Ada | Pós-PT
-Hey, me deixa sair daqui! – Lola já estava cansada de ficar deitada em uma maca por tanto tempo. Uma parte de si sabia que era necessário e que os machucados juntamente com a tortura tinham tido certo efeito sobre ela, mas a garota já estava ficando entediada na enfermaria. Já se faziam dias desde a última vez que ela tinha dormido direito, passava as noites acordadas até que Madame Pomfrey dava alguma poção para ela dormir. Tinha medo de que quando fechasse os olhos visse tudo aquilo de novo. Por mais que estivesse acostumada com a gritaria, o sangue e o ódio, o que perturbava os sonhos da ravenclaw não era a tortura e nem os comensais, mas sim a suposta ideia de que Nicholas pudesse ser torturado em seu lugar. Ela havia o salvado naquele dia, tinha sido torturada no seu lugar e agüentado tudo quieta, mas após derrotar os dois comensais ela simplesmente desabou. Recordava-se de sua cabeça latejando, ardendo e de querer chegar até o menino para poder ver se ele estava bem, mas não conseguiu. Ela caiu no chão e desmaiou. Cansada, com dor e incrivelmente machucada, Lola só caiu e acordou dias depois na enfermaria. Ainda estava ali e já se faziam uma semana. – Ei, sério! Eu já estou bem! – seu corpo repousou novamente na cama. Ela ouviu os barulhos dos passos, ergueu os olhos azuis para ver quem chegava. Senhorita Blanc, se ficar gritando assim eu seria obrigada a te prender. De novo. Ficará assim até eu saber que está bem, pelo menos mais uma semana. Bateu a cabeça com muita força e fora isso foi torturada. A garota cruzou os braços e bufou. – Eu já estou bem! Eu não tenho dor nenhuma. Não agüento ficar deitada nessa droga de cama ouvindo as pessoas reclamaram sobre como estão com medo. Eu quero sair daqui e voltar a viver minha vida. Não foi nada demais. – a mulher ergueu a sobrancelha, e deu a volta como se a garota não tivesse falado nada. – Velha idiota. – resmungou a ravina. Eu ouvi isso, Blanc.
Lola encostou a cabeça no travesseiro de novo, bateu as mãos nas pernas e olhando em volta. Já se faziam dois dias desde o ataque e as coisas ainda estavam confusas, apressadas, pessoas entravam e saiam da enfermaria. Ela ouvia os gritos, choros e rezas de algumas pessoas de noite. Estava todo mundo tão assustado, estava tudo tão frio, escuro e Lola só queria poder voltar a sua vida normal. Poder ficar lendo por horas na biblioteca, poder reclamar para Ada sobre Nicholas e brigar com o mesmo. Era em momentos como esse que ela se recordava de que apesar de tudo eles estavam em guerra e que cada momento poderia ser o último, ela tinha que manter sua família afastada de tudo isso. Eles eram bons demais para entenderem o quanto o mundo de Lola era perigoso. Seus irmãos e irmãs poderiam não gostar dela, poderiam reclamar e afirmar que seus pais deveriam ter deixado ela no orfanato, mas ela deixava tudo isso para lá ao pensar que estava protegendo deles de tudo aquilo. Não conseguiriam lutar, não como ela ou qualquer bruxo que conhecia, não era juto os arrastar para tudo aquilo. Preferia que eles a odiassem do que perde-los. Olhou em volta para pode ver seu livro de história da magia na cabeceira. Esticou-se e o pegou, começando a folheá-lo. Vejo que arrumou algo para fazer, Lola. – Ainda quero ir embora, Madame Pomfrey. – respondeu a agora. Ela não ergueu os olhos, mas pela voz e pela quantidade de passos ela pode perceber que tinha alguém entrando na enfermaria e que o comentário foi somente para acalmar aquela que a acompanhava. Tentou não pensar muito nisso, pois sempre que imaginava quantas pessoas poderiam ter morrido ou machucadas nesse ataque, uma raiva imensa tomava conta dela. Sentia ódio e nojo de qualquer pessoa que achava que era tão melhor do que os outros somente por causa do sangue que tinham nas veias.
Ainda estava na segunda pagina de seu livro quanto ouviu passos se aproximarem de sua cama, ergueu os olhos para ver Adhara e um sorriso surgiu em seu rosto. – Ada, Ada, fala pra ela que eu já posso sair e que estou bem. Não agüento ficar aqui. – implorou ela. Lola sabia que não estava bem, ainda tinha dores de cabeça que não a deixavam dormir e nem ao menos queria imaginar como estava sua aparência, pois sabia que não deveria ser das melhores. A verdade era que Lola queria fazer o que ela fazia de melhor: fingir que nada tinha acontecido. Guardou o livro e colocou-o na cabeceira de novo. – Como você está? Alguém te machucou? Onde você estava quando o ataque estava? Eu não te vi. – sua voz emanava preocupação. Não fazia ideia do que faria caso alguém tivesse machucado Ada, mas uma parte de si sabia que ela provavelmente estava bem,pois caso ao contrario ela estaria ali na enfermaria como Lola. – Está tudo mundo bem? Nicholas, Chris, Marissa. Eles são bem?
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O que te ajudar a dormir melhor de noite, gracinha. Yeah, yeah, always the tone of surprise. Você tem um método estranho de assustar as pessoas, mas até que funciona viu, só deveria renovar o estoque das ameaças e tudo mais, é um pouco enfadonho ouvir sempre as mesmas coisas. E isso não é exatamente minha culpa, huh? Talvez eu realmente queira que você se jogue de uma janela e encontre ai o seu Deus, já pensou nisso? Você tem realmente muito amor reprimido por mim pra perder o tempo desse cara ai só pra saber porque raios ele inventou de me fazer. Se é que ele existe né. Sim, eu tenho um espelho pra isso. Não sei porque se incomoda tanto, você é quem repara demais na minha falta de gordura.
Só tinha lugar vago ao seu lado, I don’t make the rules, sweetie. Sabe, meu primo é realmente um cara muito bacana e a única coisa que faz você não gostar dele, sou eu. E eu aqui achando que você era a madura dessa relação hein. Ah poxa, você realmente me descobriu. Eu realmente não sei o que é. Se é aquele cabelo seboso e mau cortado dele ou a cara de bosta que ele faz toda vida que olha pra mim. Lovely.
Ah eu já falei que ia fazer suas mãos irem parar nos pés? Sorry. Acho que deveria parar de duvidar de mim, gracinha. Lembra da última vez que isso aconteceu? Talvez dessa vez eu não faça o trem parar e ai eu resolvo todos os meus problemas. Fantástico. Oh, você quer que eu morra. Vir falar comigo todos os dias de manhã, de tarde e de noite são um modo meio estranho de demonstrar isso. Deixe-me adivinhar, você é algum tipo de psicopata maluco e me seguir por ai é uma das suas táticas? Ou você pode estar tentando me matar com tanta chatice e estupidez. Acho que a segunda é melhor. Não é tão inteligente para a primeira, certo? Não acredita em Deus, gracinha? Porque é estranho. Nunca se perguntou o porquê de eu não encostar em você? Querido, se eu quisesse ficar encostando em ossos todos os dias poderia facilmente comer frango com as mãos no jantar.
E ai você tem que falar comigo? Se eu estava sozinha é porque tem um motivo e talvez eu queria continuar assim. E eu lá disse que não gostei do seu primo, Nicholas? Credo, está ficando paranoico. Seu primo parece ser muito legal, mas ele ter vindo falar comigo meio “hey, você é a namorada no Nich, certo? Sabe onde ele está?” fez com que eu quisesse jogar ele da escada. Coisa que eu não fiz por sinal. Acho que deveria aprender a ser legal junto com ele. Seu primo é um amor e eu consigo lidar. Você? Faz minha cabeça doer e meu estomago revirar. Eu sou. Não sou eu que estou tão deprimido a ponto de correr atrás de uma garota que não gosta de mim. Eu sabia que você era gay. Isso explica o cabelo cheio de gel e a voz fina. Mas você sabe, Nate é hétero demais pra você, gracinha.
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É uma ideia tentadora, mas não, aqui está confortável e tudo mais. Hm, deixa eu ver… Espera, desde quando você… ah esquece, não faz diferença mesmo. Ah é, eu aposto que você realmente bate muita coisa quando pensa em mim, huh? It’s okay, não vou contar pra ninguém o seu segredo. Paciência não é uma coisa que exista no seu mundo cor de cinza gótico, gracinha. Eu não entendo metade do que você fala às vezes mulher, francamente… Se você está dizendo, não é mesmo? Deve ser porque realmente tem razão. Você tem um sério problema com a minha magreza, hein? E é porque sou eu que convivo com ela há 18 anos. Supere, gracinha.
Porque talvez e só talvez, aqui seja a mesa do café da manhã e por mais impossível que isso possa parecer, eu realmente tenho dois primos que apreciam minha companhia? O clubinho de ódio ao Gaunt só gira em torno de você e do Nathaniel, Lola. Move on.
Você está confortável comigo brigando com você? Pelo amor de Deus você é mais estranho do que eu imaginava. Você não disse isso, não disse. Eu vou fingir que você não abriu sua boca pra falar isso ou eu vou acabar te batendo até suas mãos trocarem de lugar com os seus pés. É, eu não tenho paciência e você faz questão de comprovar isso todos os dias. Ainda não entendo o motivo de vir falar comigo quase sempre sendo que eu já deixei muito claro o quanto sua companhia faz com que eu queria me jogar de uma janela e ir encontrar Deus só pra perguntar o que ele tava pensando quando te faz. Eu tenho. Você tem ideia de como é prestar atenção nas coisas que você fala sendo que dá pra ver os ossos da sua mandíbula? Sério, algumas vezes eu sinto que é como se fosse um esqueleto mandado a terra para acabar com meus dias. Até branco igual um. Credo.
Então você veio aqui pra falar com seus primos, mas está falando comigo? Faz muito sentido, realmente. Seu primo é muito esquisito e ele tem uma expressão de susto no rosto que me irritou bastante, mas é bem melhor que você. Algumas vezes eu acho que você tem uma queda pelo Nate pra falar tanto dele assim.
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Oh yes, indeed. Vejo que você melhorou a sua percepção de mundo, huh? Você sabe o que dizem, gracinha. “As coisas boas da vida são de graça e aparecem várias vezes.” Ou seja: Eu. Talvez eu tenha inventado a última parte, mas sempre achei esses ditados trouxas tão sem graças. Eu não tento cantar, eu canto, tem uma diferença considerável nisso. Você bem sabe, huh? Só se você for na frente.
Nah, isso ia requerer muita disposição da minha parte and I’m not here for this shit. Ei, respeite um pouco mais a Evans, sim? Ela não dá bola nem pro Potter quanto mais pra lula gigante, as if.
Posso melhorar ainda mais se você for embora. Tchau! E desde quando você é uma coisa boa na minha vida, Nicholas? Eu diria que você é mais como um teste divino para ver quantas vezes eu posso bater em alguém sem me cansar. Ou um teste sobre como eu posso ser paciente. Nós dois sabemos que eu estou falhando lindamente caso seja a segunda opção. Uh, olha quem está com a auto-estima lá em cima hoje. O que foi gracinha conseguiu uma menina do segundo ano que está te achando o máximo? Você tenta cantar. ´Não canta tão bem assim. Quer que eu bata sua cabeça na parede por você? Imagino que seja bem complicado ter forças para se mexer quando se é tão magro.
Jesus Cristo, só vai embora. Sério, você veio aqui pra que exatamente? Porque não faz muito sentido você querer ficar me ouvindo brigar com você. Se não te conhecesse diria que está completamente apaixonado por mim, mas eu não consigo nem pronunciar as palavras sem querer rir. Tive uma ideia. Por que você vai parabenizar a Evans por isso e me deixa em paz? Eu sei, genial.
Ah não, não. Por que Deus? Por que? Você. De novo. Sério, Gaunt, você não tem absolutamente nada pra fazer da vida além de ficar me enchendo? Tipo nada mesmo? Nem um livro pra ler, algum trabalho pra fazer, uma música pra tentar cantar? Nada? Merlin, você pode ficar batendo sua cabeça na parede. Dizem que é maravilhoso. O que acha, huh?
Esse castelo é enorme, sabe? Por que não vai se exercitar pra ver se para de parecer uma folha de papel? Corra por ai, pule de uma janela, se trance em uma sala e esqueça a varinha pra fora, pule no lago e seja devorado pela lula gigante que tem um caso com a Evans. Qualquer coisa.
Ei, você! Sim, você. Você poderia entregar essas roupas para o seu amiguinho Nicholas? Ele deixou elas comigo e eu até estava pensando em esconder ou em pendurar em algum lugar, mas estou começando a ficar com medo de contrair alguma doença que faça com que eu fique incrivelmente magra e parecendo um vara de pescar trouxa por ter ficado com elas por tanto tempo, então pode levar antes que eu queime ou acabe ficando igual uma criança subnutrida.