Lola Blanc poderia ser muitas coisas. Ela poderia ser briguenta, estressada, violenta e fechada, poderia ser vingativa, nervosa, ciumenta, sem paciência e estudiosa demais, mas se havia algo que a ravenclaw era sem sempre de duvidas era impulsiva. Poderia parecer irônico que uma garota que passava grande parte de sua vida pensando sobre o que os outros achavam dela e acreditando que todo o jeito dela era errado, fosse impulsiva ao ponto de beijar o garoto que jurava odiar desde que o conheceu. Mas a verdade era que ela era mais impulsiva do que muitas pessoas. Quase não pensava antes de fazer ou dizer alguma coisa, somente dizia e lidava com as conseqüências depois, muitas vezes até mesmo se arrependia do que havia feito. Principalmente quando o assunto se tratava de Nicholas Gaunt. Merlin, ela havia pisado nela, batido nele, gritado com ele, jogado um trem de brinquedo enfeitiçado nele, xingado até a terceira geração do slytherin, jurou para todos que poderiam ouvir que o odiava mais do que odiava o purismo e que havia o salvado no festival somente porque teria feito aquilo com qualquer pessoa que estivesse em perigo, Lola ficou com o garoto que ele odiava somente para o irritar e o afastar ainda mais, mesmo que ela não soubesse disso de fato, quase queimou todos os trabalhos que ele já havia dado para ela e não sabia ao certo quantas vezes sua mão já havia batido no garoto e agora, naquele exato momento, ela estava o beijando como e ele fosse a melhor coisa que ela já tivesse provado. E o pior era que ela estava gostando. Ignorou o fato de que o garoto demorou em corresponder seu beijo, preferiu não ligar a acabar se irritando com o menino a sua frente, talvez ter esperado por, no mínimo, cinco segundos valeu a pena pelo que veio a seguir. Sua mente não conseguia processar nada que não fosse os lábios do garoto nos seus e as mãos dele em sua cintura, não ouvia mais nada que não os barulhos que os dois faziam enquanto andavam pela biblioteca, os livros caindo, os suspiros, gemidos, os passos apressados e as costas da ravina batendo com um pouco de força na parede. Lola correspondia o beijo com toda a força, vontade e intensidade com que o menino a beijava. Poderia jurar o quanto quisesse e poderia mentir para si mesma, mas só Merlin sabia o quanto ela havia esperado por aquele beijo.
Tudo estava indo muito bem e o beijo que os dois trocavam não poderia estar melhor, porém Blanc teve que ser desperta por uma provocação do menino. A mordida em seu lábio serviu não só para atiçar ainda mais a vontade da menina como também para acordar ela para perceber o que estava fazendo.Ela estava o beijando. Pensou em se afastar, o empurrar com toda a sua força – que não era pouca- e o jogar no chão, mas não teve tempo de pensar nisso, pois os lábios de Gaunt voltaram para seu pescoço e ela não pode deixar de tombar a cabeça para o lado, com um sorriso satisfeito no rosto e de olhos fechados. Ele até que beijava bem afinal. Suas mãos se divertiam com os cabelos castanhos do garoto, os fios lisos passavam pelos dedos da garota e ela os puxava uma vez ou outra, o que fazia com que o slytherin soltasse pequenos suspiros que faziam com que ela tivesse ainda mais vontade de continuar o beijando, sua outra mão estava satisfeita nas costas finas e magras do menino que não demorou em voltar a beijar sua boca. Foi nesse momento que seu lado mais malvado – e talvez mais injusto- resolveu o que iria fazer. Sorriu outra vez entre o beijo, pois de fato tinha gostado da idéia que teve. Lola já havia feito aquilo várias vezes e com vários garotos quando fugia para suas festas nas férias, mas nada parecia igual ao que estava tendo com Nicholas, entretanto isso não mudava a vontade dela. Já desperta, Lola sentou-se em uma das mesas de estudos que tinha por lá, não ligando muito para o que o garoto faria com a mão dele, e, ainda acariciando o cabelo do outro, acelerou ainda mais o beijo apenas para provocá-lo.
Desceu sua mão até a gravata verde e prata do menino, afrouxando-o e a puxando por cima da cabeça dele, interrompendo o beijo dos dois. Olhou para o menino e sorriu, indo rapidamente beijar o pescoço quente dele, dando pequenas sugadas naquela parte exposta de pele que ele possuía por dentro da camiseta. E, por falar em camiseta, Lola sorriu ao ver que ele não ligou quando ela começou a desabotoar aquela parte especifica de seu uniforme. Um botão por vez até que ela estava completamente aberta e pronta para ser retirada, que foi exatamente o que a morena fez assim que teve a oportunidade. Pensou que ele poderia se afastar, assustado talvez, e voltou a beijá-lo, puxando a cabeça do garoto para mais perto. Não ficaria satisfeita se não colocasse seu plano em pratica. Passou a mão pelo abdômen simples e frágil do slytherin apenas para poder chegar no cós da calça dele. Sempre que ele tentava fazer algo do mesmo modo, Lola afastava as mãos dele das aberturas que havia em sua roupa. Ele poderia entender aquilo como um jogo, afinal muitas garotas faziam aquilo e ela não se importaria se fosse isso que ele entendesse, já que logo ficaria ciente da intenção verdadeira dela. Terminou por retirar a causa do menino, abaixando-a com as próprias pernas apenas para poder provocá-lo ainda mais. Lola sorriu, afastando o rosto do dele para poder respirar fundo, apoiando os braços nos ombros finos e magros do rapaz. Olhou-o por alguns segundos antes de descer da mesa, empurrá-lo para a parede, beijá-lo novamente, pegar a varinha e o prender nas prateleiras com um simples feitiço. Afastou-se de verdade dessa vez, parando na frente dele e ajeitando os fios negros que saiam de sua cabeça. Tinha certeza que seus lábios estavam vermelhos e inchados, ela não ligava, havia gostado de beijar ele por alguns momentos. Pegou novamente a gravata, passando-a pela cabeça do menino novamente. – Você sabe, gracinha, eu realmente acho que você deveria comer mais carboidratos.– ela riu, brincando com ele e aproximando-se, roubando um beijo e um selinho dele, antes de virar de costas, pegar as roupas dele e rumar para fora daquela parte da biblioteca.
Relações, fossem ela românticas ou não, nunca haviam sido realmente o forte do menino de cabelos castanhos. Por mais que tivesse facilidade em falar com as pessoas, coisa que ele agradecia ao tio dele, não era como se conseguisse realmente entender essas relações ou mantê-las a um longo prazo. E com exceção de seus primos, Chris e Amber - e talvez até mesmo Mina - Nicholas não podia afirmar saber daquilo. E, francamente, Lola Blanc não ajudava mesmo naquele aspecto. Desde o primeiro momento que teve algum tipo de interação com a ravina, facilmente notou que aquilo não seria nada fácil. A irritou mais do que faria normalmente com alguém que acabou de conhecer, mas havia algo no jeito daquela garota que parecia instigá-lo a fazer coisas que ele nunca pensaria antes. E beijá-la na biblioteca certamente estava incluída em uma dessas coisas, embora honestamente, ela realmente tenha pensado em beijar Lola Blanc mais vezes do que gostaria de admitir. Mas não era como se esse pensamento fosse um dia se tornar realidade, e talvez por isso, era tão inacreditável assim os dois estarem se beijando daquela forma na biblioteca. Ainda mais dado o fato de quem havia de fato começado o beijo, ser Lola e não ele, mesmo que de certa forma, tenha sido o próprio sonserino que começara com a provocação. Mas não, nada daquilo importava naquele momento, pois ele estava beijando a ravina de modo quase desesperador, era como se a única coisa viva e boa em todo aquele lugar fosse ela e sua boca, ou as mãos em seus cabelos, sua gravata, seus braços finos e até sua cintura que nunca fora lá essas coisas todas. Lola Blanc seria sua ruína e naquele momento em específico, Nicholas teve a leve impressão de que ela realmente sabia disso.
A apreensão de Lola ficou notável, do nada ela ficara tensa e o sonserino conseguia imaginar as mil coisas que estariam passado pela cabeça da morena naquele exato momento. Estava prestes a falar alguma coisa pouco compreensiva no meio do beijo, quando ela o surpreendeu - não pela primeira vez no dia - sentando em uma das mesas ali perto e o puxando como se não conseguisse desgrudar os lábios dos dele - não que ele estivesse a julgando, pois ele mesmo não tinha certeza se conseguia - mas aquilo não era só surpreendente, como quase cômico. Nicholas teve que segurar alguns suspiros ao sentir as mãos de Lola em seu cabelo, piscando surpreso ao sentir sua gravata ir embora e quase falando algo se não fosse pela sensação dos lábios da ravina sob os seus novamente, selando um beijo ainda mais faminto que o outro e fazendo com o que o castanho se aproximasse ainda mais de Lola. Ao sentir sua camisa ser desabotoada, o menino quis se afastar, mas novamente a morena estava lá para impedi-lo e, de forma convicta, o rapaz decidiu que não ligaria e deixaria que Lola fizesse o que estava querendo fazer, pois no fim das não era como se fosse ruim.
Se fosse para ser sincero, Nicholas deveria ter percebido desde o momento em que Lola o beijou que tinha algo muito errado ali, mas era tanta surpresa, tanta felicidade e tanto desejo reprimido que ele não ligou, só deixou que aquilo seguisse do jeito que a menina queria. Mas ali, amarrado em uma prateleira qualquer da biblioteca, somente de cueca e gravata e com o olhar gélido em cima de Lola, tudo que Nicholas conseguia sentir era que, de novo, havia sido feito de idiota pela mesma merda de garota. Mas era claro que ela nunca queria ter o beijado ou feito qualquer coisa do gênero com ele. Desde o início era tudo aquilo que ela queria: humilhá-lo. De novo e de novo e de novo. Aparentemente a menina realmente não cansava de o fazer de besta, como se ele não passasse de uma marionete na mão dela. E mesmo assim, ele simplesmente não conseguia deixar de sentir que se importava com ela, por mais que não devesse e que ela não parecesse ligar, e ele odiava tanto o fato de não odiá-la, ou melhor, de tentar com todas as suas forças e não conseguir. Estava preso com aquela sensação de se importar com alguém que não poderia ligar menos, porque gostar de Lola Blanc era como se jogar em um abismo sabendo que não havia volta, e infelizmente para ele, o fim do abismo já estava perto demais para se desistir.