Isso quem vai falar se é o que ta rolando ou não é a polícia, você tem que relaxar a cabeça quanto a isso, não tá te fazendo bem e me deixa mal de certa forma te ver assim… As investigações estão encaminhando, profissionais que você deveria confiar mais no trabalho deles, e vocês ainda tem o Mike que é muito bom no que faz e com toda certeza está pressionando as pessoas certas para ter as respostas certas.
E você não precisa me agradecer, eu sei que você faria ou pelo menos tentaria fazer o mesmo por mim e acho que é isso que importa no fim do dia. E ainda mais se os seus irmãos estiverem por lá vai ser um lugar com várias pessoas que te amam, pode ter acontecido algo trágico assim, mas ainda, é sua casa com pessoas que fazem parte da sua vida, don’t be so hard on yourself.
Eu sei...Eu sei...Eu só...Enfim, você tem razão. O Mike tem lidado com muita coisa. Na verdade, todos nós temos e é estranho porque...A sensação que eu tenho é que temos feito isso separados, o que me parece errado mas...Sinceramente, não sei se eu quero ser a pessoa tentando consertar isso. Novamente, você tem razão...Digo, quantas vezes eu vou acabar dizendo isso hoje?
Você sabe...talvez daqui há um tempo, quando tudo estiver mais tranquilo...talvez nós pudêssemos viajar. Nós dois. E aí eu poderia tentar compensar a bagunça que tudo anda sendo...
O Mike é juiz, ele com toda certeza deve estar mais maluco sobre tudo isso do que você e o resto dos seus irmãos juntos, eu to falando sério, você precisa parar de pirar com isso tudo ou pelo menos tentar… O que aconteceu, infelizmente aconteceu e a gente tem que deixar nas mãos de quem é treinado pra isso pra descobrir.
E claro que eu vou com você, eu trabalho sexta em casa mesmo então eu consigo ir a hora que você tiver em mente… Pode ter sido uma casa de um crime mas ainda assim, eu espero que você um dia consiga tirar essa ideia porque afinal de tudo, ela é a sua casa e é isso que importa.
Eu sei que isso me faz soar meio paranoica. Na verdade, eu acredito que de fato, eu esteja ficando um pouco. Mas, é no mínimo estranho...E, quer dizer que que poderia ser alguém de dentro de casa e a bala, você sabe...Só ser algo para atrasar e despistar nas investigações.
Se ficar complicado para ti, eu entendo perfeitamente. Digo...Você sabe, não quero atrapalhar suas obrigações ou não do tipo. E ei...Kend, obrigada por estar sendo tão compreensiva em relação a...Você sabe, tudo.
Você precisa relaxar mais e deixar isso nas mãos da polícia ou de algum grupo que saiba lidar com isso e não se sobrecarregar assim - ela falou colocando as mãos nos ombros do homem, massageando o lugar - Eu só te chamei pra passar o final de semana em casa, se você não for trabalhar é claro, mas mesmo assim se for você pode ficar por lá.
Eu sei...É só...É estranho. Digo...Tinham doses altas de narcoticos no corpo dele. Meu pai não usava esse tipo de coisa. Kendall...Se a bala não tivesse matado ele, isso teria. Céus...Eu preciso contar isso ao Mike é...Céus...
Eu...Eu me livrei dos plantões do fim de semana para ir aos Hamptons. Na verdade...Todos nós combinamos de ir. Eu não sei se você ficaria confortável em uma casa cenário de um recém assassinato, lotada de pessoas de luto mas...Eu realmente apreciaria a companhia.
- Desculpa...Você disse algo? Eu...Desculpa, K. Eu estou completamente distraído. A autopsia do meu pai finalmente foi concluída e...eu não sei, tem uns achados estranhos.
Ela deixou o abraço do homem por um tempo, colocando a cabeça em um dos braços dele e no outro os dedos dela passeavam fazendo carinho - Relaxa, eu to bem, é o que importa é que eu to bem. Épocas como essas sempre mandam ficar na gente, em casa, pra nossa segurança… Pelo menos você sabe que eu to aqui você, pra o que você precisar, seja o que for.
- Eu adoro como você é sempre estupendamente compreensiva, sabe? Isso é...Céus...Isso é fantástico. Na verdade, Kendall...Você é fantástica. - Disse, ainda sem soltar da mulher.
No way - ela negou com a cabeça logo depois da ultima frase dele - Eu já passei por isso, minha irmã já foi sequestrada e etc, não é me afastando que você vai me proteger, e inclusive eu real não preciso dessa proteção, me afastar só vai trazer infelicidade em vez de proteção ou segurança…
Mas você que sabe, eu só acho que medidas assim não vão resolver, eu já falei que você pode contar comigo sempre que precisar não importa se é pra coisa boa ou ruim, e esses estão sendo tempos dificeis, and i’ll be here, always.
Raphael soltou o ar pela boca e se aproximou da mulher a abraçando quase como quem se livra de um peso. Beijou a testa da mulher e fitou a mesma. - Eu sei...Desculpa. Olha, eu estou só preocupado, okay? Preocupado que você se machuque de alguma forma e que isso seja por minha culpa. Eu odiaria assistir e saber disso. Eu nunca me perdoaria.
Oh shit… Ela está bem? Meu deus, essa perseguição toda com vocês está começando a ficar pior do que rolou com a minha família uns anos atrás… Espero que você fique bem, que tudo fique bem na verdade, é tenso demais isso e vocês realmente não precisam de mais preocupação agora.
E claro… - ela falou entrando na casa do homem, deixando o casaco leve pendurado perto da porta e o abraçando em seguida - Se precisar de qualquer coisa, sabe que pode contar comigo né?
- Sim...Ela estava no trabalho na hora, por sorte. Foi mais o susto... De qualquer forma, ela está na casa do Mikael, por via das dúvidas. Ainda assim...A situação anda meio complicada e deve continuar, pelo menos até acharem o responsável. Eu sei...E... olha, era sobre isso que eu queria falar...Eu não quero que isso soe de maneira errada mas, talvez não seja uma boa ideia você ficar vindo muito aqui, pelo menos por hora. Me preocupo de alguma coisa te acontecer. Como você pode ver, a situação não anda das melhores. Acredite em mim, eu odeio...Odeio mesmo dizer isso mas, talvez devessemos nos afastar, por hora.
Passei no hospital e me disseram que você não foi hoje, então eu resolvi ser a pessoa mais chata do mundo e vim atrás de você aqui, eu trouxe comida e cerveja, talvez assim eu não seja tão chata.
- Hey...Hm...Não, Kendall...Você não é chata. Na verdade, você está sendo ótima. Só...Tem sido ligeiramente complicado. Nos últimos tempos. A casa da Uriel foi invadida. Por isso eu não apareci no hospital hoje. Passamos o dia na delegacia e, reforçando a segurança...Enfim...Você não acha melhor entrar?
Acompanhar a vida do homem nos últimos tempos estava difícil, sabia que a perca do pai não tinha sido e não estava sendo nada fácil para ele e por isso gostava de estar presente sempre que pudesse - Hey - ela falou sorrindo quando ele abriu a porta - Trouxe pizza e uma lista de filmes pra gente assistir, o que acha?
Raph abriu a porta um tanto descrente que seu dia poderia melhorar. Os ultimos tempos não haviam sido os melhores. Mas, ele ficou praticamente feliz por ver Kendall ali. - Ei...Eu acho uma boa ideia não sei se sou uma boa companhia, no entanto.
The Masterpiece Is Broken - Part II [Or: The proactive can always be paralyzed]
Dizem por aí, inclusive com uma frequência irritante, que a vida tem das suas peças. Raphael Hounsfield sempre soube disso. No entanto, havia algo sobre fé, que sua amada mãe passara a vida ensinando, geralmente o fazia esperar pelo melhor.
Os trinta minutos que se sucederam durante a ressuscitação cardíaca do marinheiro David Turner foram as piores. A nítida apreensão no rosto da equipe provava que na medicina, às vezes precisa-se torcer pelo melhor mas, sempre esperar pelo pior. Olhou para o relógio, segurou a expressão de frustração e anunciou a hora da morte. Em algum lugar dentro dele, chorava. Mas, não havia tempo para desmoronar, não agora. Frequentemente, quando estava sozinho, o cardiologista se questionava se aquilo ficaria mais fácil em algum momento. Para ele, seus míseros 7 anos na área médica ainda pareciam pouco para se acostumar com pessoas indo embora bem na sua frente. Na verdade, acreditava que ninguém de fato se acostuma com a morte, com a perda, ou se quer, com a possibilidade dela. Teve certeza disso quando não conseguiu tirar os olhos sem vida da cabeça, mesmo por todos os longos 152 km de Nova York até a mansão de seus pais nos Hamptons.
No entanto, como bom médico e filho, Raphael se obrigou a absorver o impacto de seus sentimentos, tomando fôlego para encarar a longa fileira de dentes perfeitamente brancos que seus pais certamente ofereciam aos convidados do leilão beneficente que os Hounsfield promoviam todos os anos.
Raphael nunca fora o maior fã dos Hamptons, apesar da tranquilidade do local, todo o ambiente lhe parecia muito fútil. Contudo, a insistência de sua adorada mãe para que o homem comparecesse no evento fizera com que o homem, mesmo abalado por toda a situação que passara no hospital, seguisse em seu audi rumo a cidade.
Não demorou estacionar o veículo na garagem da mansão. De longe, já conseguia ver as luzes da festa, ou seriam de sirenes?
Arrumando a gravata azul marinho, o médico desceu do carro, tentando distinguir o som que escutava. Mais próximo à porta da casa, conseguiu identificar os carros de polícia em frente à residência e isso foi o que bastou para seu simpático ser novamente ativado e ele correr em direção ao local. O tumulto de policiais e civis logo tomou a visão de Rapha, o deixando atordoado e preocupado. Os olhos azuis buscavam qualquer rosto conhecido que pudesse lhe dar a informação mais rápida sobre o que aconteceu.
Sentiu-se puxado. A grande mão em seu ombro fez um movimento rápido, fazendo o Hounsfield se virar e dar de cara com Siegfried, que lhe informou do ocorrido: Griffin Hounsfield havia acabado de ser esfaqueado. Raphael não discutiu, não perguntou mais nada, não conseguiu. Simplesmente girou os calcanhares e retornou para o seu carro, dirigindo o mais rápido possível para o hospital.
Dizem por aí, inclusive com uma frequência irritante, que a vida tem das suas peças. Mas, dizem também que com o tempo, você aprende a lidar com muitas delas. No entanto, essa afirmação não se mostra muito válida quando você vê uma das pessoas que mais ama no mundo, machucada. Ninguém se acostuma com a possibilidade de perder alguém importante. Nem o médico mais experiente. Talvez tenha sido por isso que Raphael Hounsfield, pela primeira vez em diversos anos de profissão, o que o jovem cardiologista mais temia aconteceu: Ele simplesmente congelou.
A cerimônia foi realmente linda. Se bem que, acho que ninguém esperava diferente. A Kylie é toda detalhista com as coisas dela. Aliás, falando em realmente linda. Eu não sei se já mencionei vezes o suficiente mas...Você está linda.
Você poderia reformar a sua casa, fazer uma parte dela a sua casa de verdade o resto alugar, colocar no airbnb pra nunca estar sozinho, ou até mesmo uma reforma de verdade e separar ela fazer mais de uma casa e alugar a outra parte, mas tudo bem eu só fico maluca quando tenho chances de trabalhar com casas ainda mais uma tão bonita quanto a sua. Quanto a espaço eu te entendo, eu moro em um apartamento estúdio por não gostar de ocupar muito espaço, não por falta de dinheiro é só que eu acho um desperdício de espaço eu sozinha morar em algo grande sabe.
Rapha acabou fazendo uma careta ao ouvir. - Eu passo tão pouco tempo em casa que fazer uma reforma seria quase totalmente inútil, na verdade, só me serviria para ter mais uma desculpa ao falar contigo. Mas...Se as coisas continuarem indo bem assim... - ele entrelaçou os dedos dela com os seus. - Quem sabe você não acaba podendo mudar minha casa do jeito que você quiser... - Disse, com um sorriso de canto. - Talvez seja até melhor, porque você sabe...Fica mais fácil de achar tudo.
Olha eu também espero - ela falou dando um suspiro mais profundo, aquele tipo de coisa lhe frustrava horrores mas não se deixaria ser levada ou vencida por aquele sentimento, tinham coisas importantes demais acontecendo para ela se deixar levar por aquilo - Mas fora isso, acho que ta tudo certo, tudo perfeito, e eu to esperando quando você vai me chamar pra fazer algum trabalho pra você.
Rapha olhou para baixo por alguns segundos, infelizmente era o tipo de situação onde ele não podia fazer nada a respeito para mudar, inclusive, talvez tentar usar de sua posição para tentar mudar, fosse em si, uma falta de respeito. Logo, lhe cabia apenas fazer a sua parte e esperar pelo melhor. Tornou os olhos para ela, assim que ouviu a voz da moça novamente. - Então...No momento, eu não tenho pensado em nada para casa, na verdade, eu sou bastante desligado com isso. Só moro sozinho por uma questão de espaço mesmo mas, estou louco para alugar quartos porque fico com aquela casa enorme e praticamente vazia.
Kendall brincava com os dedos do rapaz sem nem ao menos perceber, era como algo automático que ela fazia, ela riu com a resposta dele e assentiu, não esperava resposta diferente ou até melhor que aquela dele, e aquilo lhe trazia uma certa alegria e conforto - É meio chato porque eu tenho que reagendar quase tudo por causa das demandas, é um cliente grande mas eu to dando conta, parece que ele dificulta 30 vezes o trabalho por eu ser mulher e não confiar em mim por isso, mas eu supero.
Raphael olhou discreto para sua mão por alguns segundos e, tornou a olhar para a mulher, abrindo um sorriso de canto ao visualizar e escutar a resposta dela. - Isso é terrível, eu sinto muito, mesmo. Espero que algum dia o ser humano evolua a ponto de parar com esse tipo de coisa e parar de colocar vocês mulheres nessa posição.
Acho que sim, pelo menos é o que eu espero que eu seja pelo menos - falou dando de ombros - Pode ter certeza que você precisaria de muito mais do que me falar sobre o hospital pra me fazer levantar e ir embora, acho que só se você me falasse que é casado, que é algum maluco e tals, mas falar sobre algo que gosta tanto? Nah, jamais. E eu já me acostumei, quando o cliente é exigente demais as vezes a gente se encontra todos os dias da semana pra arrumar algumas coisas do projeto, e esse é extremamente perfeccionista.
Raphael abriu um sorriso, segurando a mão da mulher, como se assentisse para lhe dizer que ela era sim. - Bem, eu definitivamente não estou casado por hora. E, até então...O Balder não fez nenhuma contestação a minha saúde mental. - Disse, soltando uma risada divertida, fitando a mulher a sua frente. - Sério? Mas, de uma jeito chato?
Olha, uma vai ficar sem saber o que responder, a outra cheia de si, eu acho que como eu estou agora é a melhor versão pra se socializar - respondeu rindo pegando o cardápio do lugar - Eu gosto de ouvir você falando sobre sua profissão, você gosta dela o bastante pra passar esse sentimento pra frente… E foi tranquilo, eu fiquei no escritório em reunião o dia toda, mas to viva.
O meio termo é a melhor versão? - Disse, erguendo uma das sobrancelhas e abrindo um sorriso de canto. - Tudo bem, eu parei, ou vou tentar parar, eu prometo. Sim, mas, eu passo o dia inteiro no hospital, não quero estar no jantar, enchendo os ouvidos de uma moça bonita com minhas histórias do hospital, não quero correr o risco dela levantar e me deixar falando sozinho por eu ser um chato. Ih...Eu odeio reuniões, então...Meus pêsames, de verdade.
Falando desse jeito você ou vai me deixar convencida ou vai me deixar sem jeito, e dai vai ter que lidar com uma das duas versões - respondeu rindo, se ajeitando no lugar e logo em seguida voltando a atenção para ele - Mas me conta, como foi o seu dia?
Bem, eu tenho a leve sensação que vou acabar gostando das duas versões. - Disse, abrindo um sorriso. - Hm...Meu dia foi cheio, mas, vou bom e eu juro, não vou ficar te enchendo com os termos tecnicos. E o seu?
Raphael Hounsfield @raph-hounsfield - Tumblr Blog | Tumgag