FLASHBACK
A medida que o caos se espalhava pela cidade, Elora se tornava cada vez mais incrédula com o que via: mutantes, que supostamente deveriam lutar de um só lado contra o governo, atacavam uns aos outros como animais selvagens. “Não dá pra acreditar nisso… E-Eles… Estão se matando!” Elora murmurou, apontando o trêmulo dedo indicador para um mutante que impiedosamente assassinava um jovem no meio da calçada próximo de onde a mesma se localizava. Temendo por sua vida, a ruiva correu sigilosamente de seu refúgio improvisado, espreitando-se por entre as paredes de um beco abandonado próximo. Chegando lá, a jovem suspirou de alívio, levando as mãos até a cabeça. O que ela faria a seguir? A garota estava completamente sozinha, uma vez que Phoebe tinha desaparecido há algum tempo depois de anunciar que iria na farmácia buscar alguns antibióticos. “Urgh. Péssima ideia.” Encolheu-se, analisando as possíveis alternativas para sair ilesa daquela situação. Sua primeira opção consistia basicamente em usufruir de sua habilidade de encolher: passando despercebida, poderia chegar sem danos em um ambiente suficientemente seguro para manter-se viva. Essa alternativa, porém, não lhe daria acesso aos poderes caso fosse vista por algum mutante atencioso. Se isso acontecesse, ela certamente seria pega desprevenida. Sua segunda opção era bastante ousada: assumir sua forma normal e enfrentar o que estava porvir sem medir esforços para neutralizar quaisquer inimigos. Após muito pensar, a segunda alternativa lhe pareceu a mais razoável naquele instante: ela precisa lutar e ajudar o máximo de inocentes que pudesse antes que toda a cidade fosse dizimada, afinal. Assim sendo, a garota não tardou em transformar-se, sentindo-se mais determinada do que nunca. Suas asas rapidamente levantaram voo, e, por sorte, a área em que a garota deixara já não tinha mais nenhum resquício de hostilidade. Uma longa sobrevoada pela cidade e Elora, enfim, localizara sua amiga. A morena, entretanto, parecia estar ferida. “Phoebe!” A ruiva gritou, mergulhando até o beco em que a mesma se encontrava. Ao seu lado, uma outra mutante aparentemente tentava ajudá-la, o que a tranquilizou um pouco. “Como isso aconteceu?! Você está bem?” Sua inquietação era refletida no bater das asas, que só se acalmaram por completo após Elora ter ciência que a amiga estava sendo gradualmente curada pela mulher ao seu lado. “Minha nossa, Erin… Sabe se isso vai funcionar? Eu… Quero dizer… Posso tentar ajudar se for necessário.”
— Não exatamente para reconstruir células… — Erin explicou, soltando um riso abafado. — Eu controlo a luz no geral. Essa habilidade da cura é algo que nunca treinei, então não sei se está funcionando… — As feições preocupadas voltaram enquanto a mais velha se concentrava no machucado. Obviamente, não seria capaz de curar uma ferida tão grave quanto aquela, mas conseguiria acelerar o processo de regeneração. Estava tão focada que não notou a presença alheia, só identificando que ela e Phoebe não estavam mais sozinhas quando ouviu o nome da outra ser chamado. O susto foi tão grande que a luz que emanava de seus dedos na mordida formou uma esfera, que explodiu segundos depois em centenas de cintilações pequenas — My goodness! — Gallagher exclamou, só aí reconhecendo Elora e as asas em suas costas. Agradeceu mentalmente a Deus por não ser ninguém mal intencionado. — Não sei… Espero que pelo menos faça com que ela se cure mais rápido, mas eu poderia usar uma ajudinha aqui…
O alívio e tranquilidade retornaram mais uma vez ao estado de espírito de Phoebe ao ver Elora chegando, na mesma velocidade que antes foram embora. Incrível como as emoções poderiam se manifestar, indo e voltando, sem qualquer descanso, principalmente numa situação como aquela. De forma boba, ao fitar o rosto da ruiva, lembrou-se que não conseguira chegar até a farmácia para pegar os malditos medicamentos. “Um idiota me mordeu...” tentou explicar, sem sucesso, já que nem sabia direito como havia acontecido. Ela nem sequer reconheceu o mutante que a jogou para longe sem motivo algum! Só sabia que seu mimetismo poderia ser semelhante ao dela, o de um animal com dentes afiados até demais. Com a distração repentina de Erin, Phoebe sentiu uma pontada maior no local do ferimento, indicando que sim, ele ainda estava alí. Limitou-se a fazer uma careta. Foi uma ilusão pensar que Erin poderia curá-lo num piscar de olhos, já sabia. “Não, Elora...” Gostou da ideia de receber uma ajuda extra com aquilo, mas estava mais preocupada em tirá-las e a si mesma daquela exposição toda. Qualquer um poderia aparecer; já tiveram sorte antes, pela aproximação ter sido de Elora. Sendo assim, ela suspirou e fez menção de levantar-se. “Estou bem. Eu posso andar. Deveríamos ir embora daqui, antes que algo pior aconteça” ela apoiou a mão na parede suja do beco e dispensou qualquer ajuda para pôr-se de pé, teimosa como era.

















