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Eu era um barco a remo
percorrendo mil voltas solares
pra encontrar o segredo ao seu lado
e a resposta no seu sorriso
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@rasurado90
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Eu era um barco a remo
percorrendo mil voltas solares
pra encontrar o segredo ao seu lado
e a resposta no seu sorriso
true love
Nirvana
As vezes se trata apenas de quanto tempo a gente suporta a vida prolixa enquanto acredita estar tudo bem. Eu começaria com essa frase uma carta para o eu do passado, talvez, inclusive isso seja mais uma carta pro eu menino do que pra você. Mas se quiser continuar lendo, ajeita a postura antes. Obrigado.
Hoje o algoritmo ignorou a informação da minha idade e meteu um Nirvana no Spotify, eu não ouvia isso fazia anos e das últimas vezes não fazia sentido algum. Eu só respeitava pela importância e atenção especial que eles me deram na adolescência melancólica e violenta, vivendo a máxima “Se te deixares se levar pelo desespero, não terá força nas horas de angustia” ou algo parecido, enfim, clichês demais meu velho Kubrick. Cá estamos 2021: Uma Odisseia no Tempo ao som frenético da guitarra distorcida e grito rasgado de mais um suicida contagiante. Smells like teen spirit. Pois bem, daqui pra frente é comigo do passado.
Eu sei que você tá com pressa e atrasado, gastou o dinheiro do ônibus pra comprar CD e agora tá indo a pé pra escola. Cara, pede pelo menos um tênis de caminhada pro seu pai, ele esconde dinheiro no banco. Um quarteirão antes de chegar você troca o tênis e põe seu vans/all star, você nunca encontrou nenhum conhecido no trajeto, vai por mim, tá sussa e sua coluna agradece. Deixa a Bruna pro Lucas, em 2011 é ela que vai te avisar que ele morreu, você nunca vai se perdoar por isso. Enfim, não é o ponto... Essa carta não chegou a você com urgência, eu tô só matando o tempo no trampo, você ainda vai gostar de escrever por muito tempo mas vai esquecer disso por uns anos. É aqui que eu queria chegar, vou pular mais de uma década porque não é mais importante e é necessário pra você. Nessa década você vai parar de ouvir Nirvana, não vai ver tanto sentido, mas hoje (aqui do futuro) eles vão reaparecer aleatoriamente. Cara, vai voltar a fazer tanto sentido, TANTO... Porque tem vibração, porque o cara se matou dizendo que a causa foi “alcancei o que queria, mas não me contagia”. E hoje (aqui do futuro) a gente tá muito contagiado e tem um motivo que cê vai ficar de cara: uma mina. Ela é cheia dos problemas, então aprende a fazer massagem e guarda uma grana pra vocês morarem na Coréia (Calma, ela vai-te explicar melhor que eu). Enfim, você vai guardar muita angústia, muitos conflitos, você vai mastigar dor por dor e não vai digerir isso nunca... COSPE! Porque depois de um tempo, você também não vai se contagiar, você vai achar que passou por tanta merda que nada mais nada te abala... mas vai ter sim. Vou te contar um segredo, você um tempo atrás (aqui do futuro) comprou carvão e uma mini churrasqueira, foi pra um hotel e pensou em morrer inalando CO2 no banheiro, assim como você tentou fazer uns anos atrás (aí do passado). Filho da puta, você chegou longe empolgando muita gente, mas e você? Fazia anos que eu não via brilho! Por aqui a casa tá em pé mas eu tô mudando as certezas de lugar. E isso é por causa de alguém que me mudou, ainda não sei ao certo como, tô esperando uma carta de 2031 pra me falar. O ponto aqui é que você vai pensar em desistir, que sua melancolia talvez nunca acabe, que você viva em conflito existencial constante e reclame muito de café fraco do trabalho no Twitter. Mas em alguma hora ela vai aparecer, ela vai ter um sorriso que você vai saber desde a primeira vez do que se trata. Ela tem um olhar que vai te abraçar, o jeito que ela fala do mundo vai te dar paz, ela vai ter dores igual a você e outras diferentes das suas também, voce vai encontrar em alguém o que sempre buscou no espelho, você vai topar mais 80 anos se ela estiver do seu lado. Eu tô voltando a escrever e a causa é ela, tem me ajudado muito, me aliviado, então treina aí mais um pouco que eu agradeço daqui desde já. As linhas temporais bagunçaram desde que ela apareceu, eu aqui voltei a ser criança de novo aos 30, sei lá... De repente 13 (esse humorzinho de merda continua). Pois bem, talvez você não tenha alcançado a fama com sua banda punk, nem ao menos emplacou um Ana Júlia. Mas você tá bem de novo, limpo, sóbrio e ainda desajustado, talvez o último te acompanhe pra sempre, eu desisti e nem apresento mais filme e playlist pra ninguém, só pra ela. Porque ela o que vale, você fez grana e jogou no lixo, só que isso não importa, você tá bem melhor. Melhor do que jamais esteve, melhor a ponto de talvez já ter imaginado nos seus melhores sonhos. Ela vai acordar do seu lado e você vai se sentir no teto da capela Sistina, Adão tocando a mão de Deus... ou a resposta de Deus a Jó, cê que escolhe (por mais que isso ainda seja difícil). Tem mágica acontecendo nessa linha do tempo, buraco de minhoca ao som de Territorial Pissings sem razão alguma, é só empolgação por estar contagiado outra vez, vivo de novo. Eu te agradeço por ter me deixado chegar aqui. E agradeço a Maria Clara por ter feito todas nossas lágrimas e lutas não terem sido em vão. Então vive Laurito, daqui pra frente vale a pena. Let it burn você também, a luz brilha mais bonito no escuro.
Sim, eu amo dinossauros...
Sobretudo da arqueologia e de todo empenho científico em descobrir cores, hábitos e hipóteses de um passado soterrado pós um tão sonhado meteoro. E aí me pego pensando, escavando meu peito e redescobrindo a cor de tanta coisa que morreu já faz um tempo. Deve ser horrível sentir as mariposas no estômago ou as tartarugas até lá em baixo, mas eu por outro lado, tinha fósseis no coração e estava disposto a deixá-los enterrados como o homem que virou suco, até descobrir certas covinhas e decidir ir a fundo. Coloquei meu kit paleontólogo e logo de cara encontrei um certo ossinho. Tá sendo incrível e eu me odeio por não saber adjetivar, como eu queria que você soubesse que cada beijo é uma palavra que que preciso te falar, que todo sorriso que você pergunta “que foi Lauro?” é um eu te amo que travou na garganta. Hoje me perguntaram se eu tivesse mil vidas, em quantas eu gostaria de ter te encontrado, eu respondi antes da pergunta terminar “incondicionalmente, em todas que eu pudesse fazer bem pra ela”, é sobre isso. Eu te quero confortável do meu lado e não me importa como. Mesmo que fosse pra gente ser um próximo casal de Pompeia, se o mundo for acabar ou o Vesúvio meter o loco de madrugada e dizer que nossa estrela vai cair, eu me sentiria grato de ouvir você falando “fica”, porque eu fossilizaria ao seu lado no banco daquela praça, nos abraços em movimento andando pelo centro de SP, eu fossilizaria de costas pro mirante pra ficar te olhando e perguntando quantos passos de gigante eu percorri até encontrar você. Obrigado por me instigar a escavar meu peito e encontrar tanta cor. Eu te amo... E mais do que dinossauros.
Nós
Eu não queria te ver partir, mesmo que pra tão perto e ainda que eu estivesse tão distante há um tempo. Talvez seja sobre o almoço inesperado, ter a chave da sua casa no chaveiro da minha, ligações as 6h da manhã pra me dizer: -fiz pão, passa aqui e leva pro trampo. É sobre minha mãe dizer que minha amiga maluca tá a dez minutos com o cachorro sentada na porta de casa esperando eu chegar. É sobre pedir pra você falar de só um assunto porque não acompanho seu fluxo mental. Eu tô dando conta que você tá indo embora e levando parte mim, parte do que me faz feliz e grato. Vai faltar minha amizade do cotidiano, sair pra comprar roupa ou sentar na calçada e ver quem cospe semente mais alto. E é aí que os fios embaralham, quando a ponta do que eu sinto dança com a ponta do que você precisa, dando um nó. Sem sincronia alguma na música esquisita do tempo, eu fico aqui com tristezas miúdas, noite a fio e a mente em nós.
Pra chegar do outro lado
Volto à margem do precipício que fugi, inclino meu corpo e não vejo um fundo senão eu. No último suspiro de sanidade: o impulso. Não existe lapso suficiente na queda pra lembrar da minha vida e nem da Ilíada. Eu fraturei o tempo e sorri no meu último instante lembrando da piada do porquê a galinha atravessou a rua
Sobre o vício em pamonha a partir da cerveja
O nosso desabafo na varanda, a desculpa em cada toque e a certeza em todo trago. Parece que as vezes o mundo esquece de girar e só chacoalha, é nessas horas que quem não tá abraçado vai cada um pra um canto. A gente foi refém dessa epilepsia, esse fenômeno natural das relações que também convulsionam. Mas nossa rota se cruzou novamente, cá estamos conversando como se fosse ontem e nada tivesse acontecido. Obrigado pela lucidez, por estar de volta, pela pizza pro porteiro e ter cuspido água em mim. Que Deus abençoe a multa do condomínio... Será que custa caro gargalhar?
O tempo objeto: uma carta ao devaneio matinal
Meus olhos fitando o redor, imóvel observo receoso enquanto grito em silêncio. Cansado da perfumaria e de tudo que me engole, eu sou outro porco na gaiola de antibióticos. É como se eu nunca tivesse queimado meus fantasmas, talvez eu colecione chamadas não atendidas, então onde mais eu poderia estar? Tudo isso me estraga lentamente, o relógio esconde quantas décadas envelheci nos últimos dois anos. Eu vou olhar o mundo bonito pela janela e caminhar em círculos ao redor da cama? Porque nunca adiantou desenrolar sem cortar o fio, nunca se tratou de como eu caminho observando meus sapatos. Me dediquei demais a desconfiança, então eu preciso de um tempo das paredes, atirar no relógio e aproveitar que agora o ar não está me sufocando.
Respiro desequilibrado
Cadê minha chave? Tô atrasado e ainda preciso de um tempo.
Os dias como sutura: um fleumático em desencanto
Certa manhã acordei de sonhos intranquilos, eis o processo de desconstrução do escombro. Assisto sua catarse e deixo rolar porque você não é confusa, tá mais do que ciente e disposta. Eu gosto de te dar incentivo como quem acende o cigarro de alguém, não importa que te mate contanto que antes te satisfaça. Let it burn. Você quer o controle das coisas porque não tem controle de si, então eu amo seus impulsos. Compra as passagens sim, se tá com vontade então transa com eles mesmo que não estejam nem aí, grita fora do travesseiro. É experiência e aprendizado, quando o mundo for cruel, se te acalmar então descansa do meu lado. Até lá, se deixa arder.
Eu tô lidando legal, não vai me machucar. Te amo o suficiente pra te deixar viver. A gente nem tem tanta coisa em comum, convenhamos. Nem sei o que eu posso te oferecer... quer pixar um muro? Posso te fazer um oral no cinema? Você é madura, eu sou moleque. Eu não faço planos pra gente, eu tô aproveitando o momento e tô feliz pela sua companhia. Mas eu não sofro, o tempo me afiou, fica tranquila. Eu te amo e não preciso de nada em troca.