ABISMO IRREAL
Despertei-me sobressaltado
Pelo alerta da misantropia
Não queria estar próximo de qualquer humano ou com quem se parecia
O cheiro do ar agonizava-me
Juntei os cachorros e escalamos o morro dos ventos uivantes
Pulamos no abismo
Sem saber para onde ir
Caimos no lixão de Nova Delhi
Me assustei
Imaginei que tudo aquilo só existia
No ‘Made Bolliwood Filmes'
Fugi desembestado
E meu GPS jogou-me no Haiti
As gangues disputavam na porrada
Os meus rins e fígado
E os cachorros berravam desesperados
Pois não queriam virar banquete
Seria o nosso epílogo?
Um choque de realidade
Bateu com a força de um porrete
Meu Deus, não sei rezar
Perdoe-me, por favor
‘help a need somebody'
Quando me dei conta
Os cães barulhentos arranhavam a porta da cozinha
Não entendi, porra nenhuma e gritei: “ONDE ESTOU?"
Confesso que nem sei.
Então, vamos à ração.
“Acalmem-se, estou indo!
Guararema Matos.
















