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@ref-ugio
ampulheta
ouvi dizer que o tempo cura tudo, só não cura a si próprio.
E a noite, toda escura é cega, surda e omissa, não vê a dor, não ouve o choro, não abriga ninguém. Ser linda infinita e misteriosa, é o preço eterno por nunca ser conquistada.
Leila
Somos inspiração, iluminamos o mundo quando abrimos nossa mente e alma pra sonhar. Então, sonhe. Seja, transforme-se. Coexista, enlouqueça. Sinta-se bem, chore. Erre e acerte, sem culpa, sem medo. Pois a felicidade engrandece, mas a dor, ela nos aprimora. Você é inexplicavelmente maior que aquilo que te limita. Permita-se. O mundo pertence aos que se arriscam. Aos loucos incompreendidos. Aos que buscam. Aos que acreditam. Aos que simplesmente vivem.
Medíocre é o ato de existir
São coisas grandes e pequenas que se juntam e se tornam monstruosas, não há como explicar, é realmente impossível, posso apenas assegurar que nada está bem, nunca esteve e nunca estará.
Não sou aquilo, não me sinto como aquilo, muito menos vejo o que aquilo vê. Há um ponto cego em meus olhos, talvez ponto não seja uma descrição fiel, assemelha-se mais a um buraco negro. Um pequeno e fraco pensamento que estava prestes a morrer devorou tudo o que havia em mim e tornou-se forte, tornou-se um buraco negro. A luz que deveria entrar em minhas pupilas é consumida por ele, e nunca mais devolvida, por isso não sei o que há ali. O buraco apenas consome, nunca alimenta.
Apesar de saber o motivo de sua existência e de onde se originou, não sei ao certo quando surgiu. Sei que existe há bastante tempo, porque teve tempo suficiente para consumir tudo o que havia em mim.
Tive um sonho e nele pude colocar as pontas dos dedos no buraco negro, meus dedos não foram somente capazes de sentir, mas de ver e ouvir. Não posso dizer o que encontrei, porque não saberia descrever, posso apenas assegurar que nada nada está bem, nunca esteve e nunca estará.
É frustante não saber o motivo de algo estar em mim, mais revoltante ainda descobrir que esse algo é tudo o que tenho, tudo o que sou. Sou ignorante e talvez não seja capaz de ser outra coisa, mas enquanto eu viver usarei a ponta dos dedos para tentar compreender porque morri tão cedo.
-Adelaide J.
ERNEST TROVA - UNTITLED (RICHARD PRINCE) - 2006
gavettario
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