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Com um sorriso ela dizia: “Não ligo”, e seu coração palpitando gritava:”Não aguento”.
Cartas dos Derrotados. (via romeuemcrise)
A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.
Fernando Pessoa. (via oeulirico)
Não sou atrativo para os olhos, meu cheiro não é aroma que hipnotiza, minhas palavras tolas não encantam e nem deslumbram, minha voz quase muda não se propaga no mundo que a mim deu morada. Não acredito na sorte, nem no destino, se eles existem, são seres injustos, que agraciam aleatoriamente quem encontram pela frente. Não sou mestre, sou aprendiz eterno, da vida, da dor, da solidão, do tempo; sou mais do que esperava, menos do que já sonhei ser. O céu tem a cor que quero, eu vejo como quero, o que quero, da forma que quero. Não devo nada a ninguém, a menos que esse ninguém trabalhe no banco. Faço poesia como quem prepara o almoço, não para receber a família, mas sim para não morrer de fome. Ontem fui quem não queria, hoje sou quem espero ser, amanhã serei quem um dia só em sonho existiu. Entre a razão e a loucura existe uma linha tênue, entre o que penso e o que vejo existe um abismo, abismo onde mergulho todos os dias, na esperança de aprender a voar, poder conhecer outros lugares além da senzala que a vida me impôs. Sou mais menino do que homem, mais velho de alma do que de corpo, tenho uma mente lúcida mergulhada na embriaguez de meu âmago poético, que não me deixa ser apenas um humano, que não me permite ser mais um homem. A poesia é a morfina que aquieta minha alma, a proteína que me dá vida, a dádiva transcendental que derrama brilho sobre um homem que não tem luz. Eu me calo, deixo que a mão se encha de calos, é preferível dedos que sangram, do que uma língua que jorra veneno. O silêncio é o palco que a poesia precisa para atuar, ela se delicia com as palavras não ditas, se alimenta dos devaneios que o universo nos serve todos dias. Do pó eu vim, ao pó eu voltarei, mas enquanto a terra não me engolir e os deuses não tiverem direito sobre minha alma, eu me deleitarei sobre o pó divino, o pó do encanto, a pó esia.
AZEVEDO, Otávio L. “Eu e a pó esia” (via velhocaos)
tem gente que dá vontade de chegar pertinho, olhar no fundo dos olhos e perguntar ''você tem problema mental?''
Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar.
Carlos Drummond. (via percebida)
Não julgue as pessoas pelo o que ouviu falar delas.
Cidade dos Anjos. (via oeulirico)
Vivo em uma multidão de vazios. Tudo me parece triste.
Prestigiador. (via senti-mentalizar)
Muitas vezes as reviravoltas servem para nos sacudir, para nos fazer acordar. Para mostrar que a gente merece mais, muito mais. Não vale a pena se desgastar com ignorância, fofoca e falsidade. Não faz bem para a saúde conviver com mesquinharia. Ambientes carregados não fazem bem para a alma de ninguém.
Caio Fernando Abreu. (via verseando)
Mas eu tenho um carinho infinito por você. Isso eu vou ter sempre, pro resto da vida.
Azul é a cor mais quente. (via transcurar)
Eu admito que é difícil. Eu, que por vezes sou mais dura que uma parede de concreto, que de vez em quando me sinto mais fria que um Polo Norte inteiro, reconheço que é muito difícil. É tão doído abrir mão de quem a gente ama. Tão triste admitir que não dá mais pra ficar e aguentar o tranco. Mas as vezes a vida não nos deixa alternativa. Ou a gente vai e se afoga na dor de ser inteiro e não suportar ser gostado pela metade, ou a gente fica e seca feito flor quando não é regada. Não dá pra fugir, não tem pra onde correr, se torna necessário procurar quem nos transborda e não quem nos esgote. Quem suga nossas forças e esperanças não tem o direito de ficar. Quem pinta a nossa vida de preto e branco, não merece nossos lápis aquarela. Quem vive de migalhas, não merece a nossa intensidade. Não dá pra se deixar doer de graça. É difícil deixar as pessoas voarem e é exaustivo pensar que esse ciclo de partidas não vai ter fim, mas eu fecho os olhos e deixo ir, sinto cada pessoa escorrer pelos meus dedos e é ai que eu encontro o meu lado pequeno, frágil e quebradiço. É ai que eu vejo minha parede de concreto ruir e meu Polo Norte derreter. Eu sinto meu peito tão miserável, tão escasso e diminuto a ponto de caber na palma da minha mão. As pessoas vão, mas os meus cacos ficam e é cansativo demais me reconstruir sozinha sempre. Mais difícil ainda é se encontrar, depois que você já se perdeu nas dores do mundo. Mais difícil ainda é se salvar, depois que o mundo já te deixou morrer tantas vezes.
B.C (via and-fix-you)