a gente conhece uma pessoa pelo modo como ela vai embora
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@relicario
a gente conhece uma pessoa pelo modo como ela vai embora
a doença do século
é a saudade.
quero te arrastar pro meu caos
A cigana de olhos oblíquos e dissimulados
Ela me parou subitamente no corredor, anunciava um debate sobre um livro no qual eu já ouvira falar no Ensino Médio. Fingi interesse, quando só realmente notava que os olhos dela refletiam o mundo ao redor de um jeito diferente, e o sorriso era capaz de salvar qualquer um de qualquer coisa, até um ser meio casmurro, como eu, desse vazio em que sempre vivi.
O mundo todo virou as costas e eu continuei de pé. Dei um tapinha amigo no ombro da vida e continuei. Ilesa. Com o tempo, fui aprendendo a não me importar. O coração da menina que acreditava em contos de fadas hoje vive gélido e sem cor. Alice finalmente acordou. E parece que o mundo de fora do espelho não é tão confortante quanto o que ela encontrou por lá.
Relicário
tua falta de interesse corrói as beiradas da minha força de vontade e me faz acreditar que de nada vale sentir tanto.
Quem diz que não quer amar mais ninguém, com certeza já amou alguém como nunca.
400.
Nenhum poema mais faz sentido. Que lindo, me livrei de você.
Eu me chamo Antonio.
Não deixe as pessoas serem seu alicerce, elas são uma aposta ruim, a pior aposta que você pode fazer.
Charles Bukowski.
não quebre os outros para juntar seus pedaços.
ad.
Eu chorei porque precisava de colo, porque precisava te mostrar a minha fragilidade escondida no meu mau-humor.
Tati Bernardi.
E apesar de rir e fingir que não me importo, eu me importo sim. Tem dias que gostaria de ser diferente, mas isso é impossível. Estou presa ao caráter com qual nasci, e mesmo assim tenho certeza de que não sou má pessoa. Faço o máximo para agradar a todos, mais do que eles suspeitariam num milhão de anos.
O Diário de Anne Frank.
Desculpa a falta de jeito, precisamos falar sobre nós.
Depois de horas ao telefone, em meio a conversas distraídas e provocações acidentais, o velho discurso vem à tona. Afinal, precisamos falar sobre nós. O medo de sentir falou mais alto. Pigarreei de forma insonora. Desculpa por chegar assim sem jeito, como quem não quer nada, e acabar me tornando tudo (ou quase tudo). Dessa vez a conversa é diferente. Eu disse. Ele não ouviu. Ele nunca ouve. Eu não sou de voltar atrás. Você está encrencado. Mas não tanto quanto eu estou. Ouvi um barulho ao fundo; a ligação havia caído (ou pelo menos espero que sim). Tua voz meio sem jeito fará falta por aqui. Teu cheiro grudou nos travesseiros, não sei o que fazer. Precisamos conversar sobre isso. Disquei novamente o número que já sei de cor. Ninguém atendeu. E agora? Acabou? Eu não sei. Ainda precisamos falar sobre nós. Mas nós nunca falamos sobre nós. Eu falo. Eu sempre falei. No fundo, nós dois sabíamos que eu sempre só falava sobre mim. Então, desculpe o transtorno (e o egoísmo), mas precisamos falar sobre mim. E sobre a falta que teu jeito gentil faz por aqui.
Eu nem mesmo acreditava no amor quando te amei. Desfiz todas as minhas crenças (e a falta delas) por você e, hoje percebo, foi em vão. Em vão porque, de todas as decepções do mundo, você foi a mais cruel, a mais devastadora e, de longe, a mais massacrante. Sorte a sua conseguir se esconder atrás desses grandes e lindos olhos castanhos e desse cheiro de tarde de chuva que só você sabe ter. É injusto comigo, não? Conseguir lembrar de cada passo em falso que demos é uma das formas mais torturantes de tentar seguir em frente. É insano imaginar que aquilo que, antes, era um relicário tenha se transformado em um fúnebre mausoléu, que guarda todas aquelas promessas e recordações que, um dia, fizeram parte da nossa realidade.
Relicário
Eu odiava a palavra adeus. Até conhecer pessoas que foram embora sem ao menos dar tchau. E se você acha que dói ouvi-lo, não ouvi-lo dói bem mais.
Juliana Ribeiro.