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@reluzei
“Eu gosto de você. Eu posso sentir isso. Então, por favor, não estrague e capriche e dê valor. Porque não é sempre e quase nunca. Então, por favor, olha só, eu g.o.s.t.o de você.”
— Tati Bernardi.
- Fa Zhou (Mulan)
Our little baby’s all grown up and savin’ China!
— Alô? — Lisbela? Sou eu, Diego. — Diego? O Diego? Eu ri. — Seu Diego. — Não acredito… Quanto tempo, cara. — Senti sua falta. — Faz muito tempo. — Vai desculpando eu ligar tão tarde. — Não tem problema. — Eu quis beber um pouco antes de ligar. A garrafa continua cheia. — Talvez eu esteja um pouco bêbada… — Agora você bebe? — Às vezes é preciso criar um novo vício para se livrar de um vício antigo. — E qual tu supriu? — Um aí. — Esse teu “um aí” ainda me irrita. Ela riu. — Que bom. — Escuta, a prosa ta boa, mas tenho algumas coisas pra te falar. — Estou casada. — Como? — Estou casada agora. Farei um ano de casada amanhã. Exitei. — Seu marido não se incomoda de você estar no telefone uma hora dessas? — Ele é do exército. Está a serviço durante toda essa semana. — Entendi. — O que você ia dizendo? — Ah, nada muito importante. Esqueça. — Não me mande esquecer, abre logo essa boca e faz o que ela foi feita pra fazer. — Eu deveria ter bebido um pouco antes de ter te ligado. — Mas não bebeu. — Talvez eu me case amanhã. — Como? — Há uma mulher. Há alguém que talvez me tire um vício. — Quer me convidar para o casamento ou o que? — Está brava? — Estou casada. — Escute, eu amo você. — Você deveria ter lutado um pouco mais. Deveria ter… Interrompi. — Deveria ter te cuidado mais. Ter feito valer a pena. Deveria ter puxado você pelas costas quando você as deu pra mim. Deveria ter feito o nosso amor crescer, ou seja lá o que tínhamos. Mas eu fui covarde demais e orgulhoso demais pra te procurar depois da briga que tivemos naquela pizzaria. Eu olhei pra outra mulher, você viu, eu quis pedir o número dela bem na sua frente, eu sei que fui terrível. — Você foi mesmo terrível. — Eu não sabia, Lisbela. Eu não sabia o valor que você tinha até que você decidiu tocar sua vida. Eu juro que não pensei que você era eu, e que quando fosse levaria tanto de mim contigo. Eu não sabia, mulher, não sabia que tu ocupava tanto espaço em mim até que tu saiu. E se tu soubesse do arrependimento que falo, teria pena de mim. — Eu tenho pena de mim. — Talvez eu não case amanhã. — E por que não? — Tenho uma coisa que me impede. Um daqueles vícios que não tem como suprir. — Talvez meu marido não volte pra casa amanhã. — Talvez você devesse se casar comigo. — Tem certeza de que a garrafa ainda está cheia? — Só tenho certeza de que te quero comigo. — Preciso desligar. — Por favor, fica comigo. — Não quer mais se casar comigo? — Claro que eu quero. — Preciso ligar pro advogado. Você sabe, esse lance de separação e tudo mais. — Você fala sério? — Você fala sério sobre não se casar amanhã? — Pareço estar brincando? — Parece um bom marido. — Vai mesmo largar tudo pra ficar comigo? — Que tudo, Diego? Para de ser besta. Eu sei, você sabe, nós sabemos: meu tudo tá contigo e teu tudo tá comigo.
Luna, casebre. Trecho de Diego e Lisbela.
A gente aprende. Se não for ouvindo, é vivendo, na marra.
Caio Augusto Leite.
Eu chorei porque eu te amo mas eu não sei amar. Eu chorei porque eu sempre canso de tudo e tudo sempre cansa de mim. Chorei de cansaço profundo de sempre cansar de tudo e tudo sempre cansar de mim. Chorei de apego ao cheiro do novo e principalmente de melancolia pelo cheiro do velho. E chorei porque tudo envelhece com novos cheiros e a vida nunca volta. Eu chorei de pavor da rotina, de pavor do fim, de pavor de sair da rotina e começar outros fins.
Tati Bernardi.