Eu amei teus pequenos machucados e as cicatrizes que ficaram depois de alguns arranhões nos teus braços. Eu amei tua febre e o teu corpo cansado. Eu amei tua parte do avesso, que ninguém se interessa. E amei teus detalhes, que ninguém mais foi capaz de perceber. Eu amei tuas noites de insônia e quis te levar pra fora e contar todas as estrelas do céu com você, pra passar o tempo ou, talvez, quem sabe, fazer você querer ficar um pouco mais. E depois muito. E depois sempre. Eu amei tuas fugas diárias do peso do mundo e, agora, de mim. Eu amei, até mesmo, tua falta de tempo e cada uma das tuas desculpas seguidas de explicações fajutas. Eu amei tuas falhas, tuas faltas, teus traumas, tuas dores, teus fardos com pesos difíceis de serem suportados. Eu amei, em algum momento, ter sido pra você a estrela que mais brilha em toda a constelação de Orion - apesar de não ter mais certeza se, hoje, você ainda perde alguns minutos pra me procurar. Eu amei tua cara amassada e teu cabelo bagunçado logo de manhã. Eu amei teus olhos tristes na nossa despedida que se tornou um adeus que nós, definitivamente, nunca soubemos dizer. Eu amei tuas perdas e quis te mostrar que eu continuo aqui no mesmo lugar que você deixou, no meio de toda essa confusão que é sentir. Eu amei tuas idas e vindas, nem sempre inesperadas. Eu amei tuas desistências, tuas fraquezas, tuas dúvidas e todo teu medo acompanhado da incerteza do amanhã. Eu amei tuas angústias, teus questionamentos, tuas confissões mais absurdas e vi teus sonhos sendo deixados de lado. Eu amei os teus vazios e quis me moldar em cada um deles pra ver se preenchia cada um dos espaços em branco existentes. Eu amei teu choro abafado e tua esperança curta em dias que pareciam não ter fim. Eu amei você, baby. E tudo o que te forma, tudo o que te desfaz e depois refaz, tudo o que você traz, tudo que você carrega. Eu amo você.