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@rendas-e-rosas
Queria ela poder sentir outra vez a alegria interior que outrora dominara seu ser e dormira ao seu lado na cama, queria ela acordar de manhã e apreciar os raios do sol que vinham da janela e acariciavam diretamente seu rosto, queria ela sorrir verdadeiramente após uma daquelas trocas de olhares apaixonados, queria ela sentir a dor muscular no abdômen depois de uma crise interminável de gargalhadas sinceras como fizera tantas outras vezes, quando ainda ela, pobre garota de alma pura, não havia experimentado o amargo sabor das desilusões da vida.
O amargo gosto do realismo, Rosas Mudas.
Pôs-se na janela, observou a chuva. Era como se o céu chorasse as dores dela.
Rosas Mudas.
Minhas olheiras me entregam. Gritam a qualquer um o quanto eu penso em ti.
Madrugadas, Ruana Lacerda
Você ri das minhas feições de velha por não saber que cada ruga é morada de um pedaço de dor. Caçoa de minhas mãos calejadas, que por muito já suportaram o peso do mundo. Me olha com olhos vívidos e faz os meus, secos e sem vigor, sentirem-se pouco. Nunca entenderá o porquê minha alma é fadigada, e não tenho forças para explicar: o movimento constante dos lábios na fala me causa agonia. Nunca saberá que é por isso que aprecio o silêncio. Constantemente me deparo com ele, e o abraço de braços cruzados, pois ele já habita em meu íntimo. Aprecio as coisas mudas, mas principalmente as que não mudam. Não sou de me adaptar, sou antiquada, saturada e velha. Note bem minhas mãos. Tenho poucos invernos de vida, mas os que vivi foram os mais rigorosos, e até mesmo no ardente verão sinto frio dentro de mim.
Severinar
Quando eu acordei encontrei panquecas e calda de chocolate ao meu lado na cama, também havia suco de acerola e uma flor feita do guardanapo de papel. Suspirei e percebi que queria isso por todas as minhas manhãs, não estou falando das panquecas ou do suco, mas da tua presença.
Luara Quaresma
De repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento, Que dos olhos desfez a última chama, E da paixão fez-se o pressentimento, E do momento imóvel fez-se o drama. De repente não mais que de repente, Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho que se fez contente.
Vinícius de Moraes
Se você ainda não desistiu é porque, de alguma forma, você ainda quer acreditar.
Renato Russo
Eu não quero voltar para casa. Quero perder o rumo e rir da minha própria desgraça. Não quero encarar o velho cinzeiro e ver os restos dos meus vícios. É nauseante deitar a cabeça todos os dias no mesmo travesseiro úmido de lágrimas e sentir o odor de minhas noites mal dormidas e amadas. As lembranças do lar têm cheiro de mofo. O velho portão range quando tento abrir, e esse barulho enfadonho me causa repulsa. Mudei de endereço, e agora não tenho um número fixo. Caso queira me encontrar olhe para o céu, siga o rastro de uma estrela qualquer e tente me seguir pelo horizonte. E se me encontrar, não terei um café ou chá para oferecer, mas tenho uma xícara de destino incerto e escolhas a fazer. Não vou voltar para casa, não vou me submeter a um telhado frio se posso ter todo o céu iluminando meu caminho. Um bom filho ao lar retorna? Neste caso, sou ovelha perdida, a procura de um pasto que me satisfaça.
Severinar
Ah, esta existência precisa parar de zombrar desta pobre esfarrapada, precisa parar de gargalhar na minha cara e gritar que eu nunca, jamais vou alcançar a felicidade. Tudo bem, eu sou pequena, apática, estrábica, torta desde o meu nascimento, mas não precisa me ceifar os sonhos desta forma. não precisa me jogar novamente no chão a cada vez que consigo me levantar, não precisa me matar tão lenta e dolorosamente. Eu já estou no chão, já estou arruinada e sinto em minha boca o gosto amargo do fracasso. A fellicidade já está tão distante que nem passa por minha cabeça tentar alcançá-la, eu quero apenas morrer em paz, ou apenas morrer.
Ana Favorin, A existência que me pesa. (via velhacigana)
Você diz que é humilde, mas se exibe quando compra uma roupa de maior valor. Você diz que não liga pra beleza, mas passa maquiagem para se sentir bem. Você adora o frio, mas sempre põe um moletom pra ficar quente. Você acha estranho pessoas que cheiram mal, mas tem preguiça de tomar banho. Você odeia gente melosa, mas não cansa de dizer que ama alguém. Você adora o calor das praias, mas liga o ventilador pra não suar. Você se sente um lixo quando começa a chorar, mas se chateia com qualquer coisinha. Você se acha melhor que todas as pessoas, mas sempre comete o mesmo erro.
William Shakespeare do Séc. XXI.
Enquanto você está maravilhado com o teu umbigo arredondado, Teus olhos não estão vendo, Nem teus ouvidos sabendo, Que teu coração está morrendo.
Ana Favorin, Status social. O novo mal, do novo século. (via velhacigana)
Quando se vê já perdemos o amor da nossa vida. E se me fosse dado um dia, uma oportunidade, eu nem olhava os relógios. Eu seguiria sempre e em frente, eu seguraria todos os meus amigos, que já não sei onde e como estão e diria: vocês, vocês são extremamente importantes para mim. Eu seguraria o meu amor e diria “eu te amo”. Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, não deixe de ter alguém ao seu lado ou fazer algo por puro medo de ser feliz. A única falta que será, será desse tempo que, infelizmente, não voltará mais.
Mario Quintana, “A vida são os deveres que trouxemos para fazer em casa”. (via shadow-y)
você não sabe o quanto eu caminhei, pra chegar até aqui percorri milhas e milhas antes de dormir eu nem cochilei, os mais belos montes, escalei nas noite escuras de frio chorei ei ei ei… ei, ei , ei..