Não fale como se isso te desagradasse, loira.
Eu nunca disse que não me agradava, pelo contrário.
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choking smokers {Helski}
Sua vista não havia, à princípio, captado a beleza da mulher que pairava ante si. Ela tinha olhos perturbados e profundos, que pareciam ser capazes de envolver qualquer um em sua mescla furiosa de tons azuis; a pele era pálida e coberta por pequenas sardas; os cabelos loiros eram desajeitados e emolduravam seu rosto de uma maneira quase angelical, tão angelical quanto aquela desconhecida poderia ser. Craig podia apostar que não muito. Seus shorts curtos delatavam a selvageria que provavelmente se escondia por trás da figura bonita. O meio sorriso escapou dos lábios do rapaz levianamente. — Obrigado, ainda não cara, vou aproveitar. — Disse, pegando o isqueiro que lhe era arremessado e usando-o para acender seu baseado. A mulher se aproximou, sentando na sombra do carvalho. Ela está chapada, pensou o Leminski, enquanto tragava seu próprio baseado algumas vezes e sentava-se ao lado da mulher. Tossiu com a fumaça densa que queimava-lhe a garganta; tudo parecia arder e pequenas lágrimas brotavam em seus olhos, enquanto tossia e tossia. Odiava tossir às vezes, em meio a arte de ficar chapado, aquilo era realmente ruim, o lado bom é que a tosse potencializava os efeitos da erva. Lembrou-se de devolver, então, o isqueiro a desconhecida. Esticou o pequeno objeto de metal à ela, seguido do baseado. Eram as leis da roda, se alguém se sentasse ao seu lado, você deveria oferecer o baseado. Craig Leminski sempre achara as leis da roda muito justas, por isso as seguia. Passou o baseado, por conseguinte, para a mulher. — Quer dar um pega? — Perguntou, com o pequeno cigarro esticado em direção à ela. Podia sentir o efeito das primeiras tragadas fazendo efeito em seu cérebro. Estava lerdo e concentrava-se em seus pensamentos desconexos, tudo parecia desconexo… Era como se estivesse num ciclo, um ciclo sem fim. Por um momento, Craig Leminski quase encontrava a resposta para a questão mais importante do universo, porém ela lhe escapava, deslizando entre os pensamentos de um chapado.
Balançou a cabeça, espantando a viagem que o tomava. Estava realmente ficando chapado e tal fato lhe agradava.
— Você não me parece familiar. — Disse, voltando à si. Mexia os dedos num batuque impaciente na calça, a maconha parecia está-lo deixando com os sentidos mais aguçados, gostava da sensação do jeans contra a pele dos dedos. — Eu geralmente reconheço mulheres perturbadas e atraentes que já vi antes. — Uma risada curta escapou-lhe dos lábios, rouca. Estava divertido.
O horizonte já lhe parecia muito azul, as nuvens muito brancas, como se tudo fosse um grande desenho animado. Aquela maconha com certeza tinha algo a mais, era fisicamente impossível ficar chapada tão rápido como ela já estava. Quando virou a cabeça, pôde ver melhor a pessoa sentada ao seu lado. Era um dos meninos mais bonitos que já tinha visto, com certeza, tudo nele parecia muito errado, de seus sapatos surrados até o cabelo desarrumado, Seus olhos azuis quase encontravam a mesma cor dos dele, se não fossem por pouquíssimas diferenças. Não pode evitar deixar um sorriso provocativo enfeitar-lhe o rosto, principalmente após notar que o cigarro em sua mão tinha quase a grossura de um charuto. Negou a gentileza com a cabeça, preferia ficar com seu cigarro levemente adulterado, estava gostando da sensação de liberdade que ele a trazia.
Já não sentia as pontas dos dedos dos pés, o que a fez tirar os sapatos rapidamente, em um impulso. As unhas pintadas com um esmalte preto já descascando, combinando com as das mãos, se tinha uma coisa da qual se orgulhava era como largou rápido o vicio em roer as unhas, mas mesmo assim nunca tirava um tempo para pinta-las, ou seja, podiam ser bonitas e grandes, mas sempre carregavam um esmalte descascado nelas. Então voltou a prestar atenção na grama. Estava definitivamente chapada. Apagou o baseado no tronco da árvore, dobrando a ponta queimada e o jogando em sua bolsa. Aquele resto com certeza seria útil no futuro. Abriu um maço de cigarros normais e acendeu um com o isqueiro, que agora estava em sua perna.
Estava com sede, mas para seu azar, não tinha uma garrafa de água em sua bolsa. Se xingou mentalmente antes de ser cortada pelas palavras do menino. -Não que eu me lembre, você deve ser novo por aqui.- Resolveu levar as outras palavras do menino como elogios. -Saiba que eu só fico assim quando estou chapada, o que definitivamente é o caso. A parte do perturbada, claro.- Riu consigo mesma, era estranho o quanto sua voz soava mais engraçada. -Acho que se for assim eu sou atraente o tempo todo. É difícil.- Sorriu virando para o menino. Só a sua expressão facial fazia com que os joelhos de qualquer menininha da cidade estremecerem. Não era bem o caso dela, mas não podia deixar de notar que ele tinha seu efeito. -Sou Helders, não, eu sou Rhea, mas esse é meu sobrenome. E você?-
Ahn, eu acho que to perdido.
Ótimo, mas você não precisa ser grossa. Se fosse algo tão estúpido o que eu falei, que ignorasse. Vou tentar ser gentil… Eu sou o Link, e você?
Não sou a pessoa mais simpática do mundo, acredite.
Rhea Helders. É novo por aqui?
Alguém aí está afim de depredar um pouco os bens públicos depois da aula?
Alguém já te disse que você não presta?
Ahn, eu acho que to perdido.
Você realmente deveria achar quem te perguntou alguma coisa porque eu tenho certeza que não fui eu.
Something Good Can Work. | @Harders
Seu maior esforço ali era tentar não rir enquanto via as expressões da pequena rebelde. Uma explosão condensada em cabelos loiros e baixa estatura irresistíveis. Rhea era a primeira, de inúmeras meninas, que conseguiu colocar Isaac numa saia justa. O menino não sabia direito como agir ao redor dela. Qualquer coisa que fizesse parecia não ser o suficiente para agradá-la. Se fizesse aqui, levaria um bom xingamento. Se fizesse acolá. levaria outro muito pior. Essa sensação não era uma de suas favoritas, mas fazia com que o menino cada vez mais quisesse explorar a garota. Isso tomaria bastante de seu tempo, cantadas muito melhores que aquelas que costuma usar, paciência e, principalmente, ideias para manter tudo aquilo fora dos ouvidos e bocas dos fofoqueiros de plantão, tudo o que não faltava na cidade de San Diego.
Depois da delicada resposta que recebeu como um tapa bem dado no meio de sua cara, arqueou uma das sobrancelhas enquanto liberava uma prévia de um sorriso no canto da boca, mostrando o quanto aquilo não o atingia. Não era como se fosse feito de ferro, mas ele sabia que aquilo fazia parte da defensiva da menina. Assim como acontecia todas as vezes que estava na presença do pai, a única diferença é que ela parecia ser assim o tempo todo, ou então quando não estava bêbada às três horas da manhã. Ao menos descobriu que ela lembrava do que aconteceu, ou pelo menos de que estava com ele no quintal da própria casa na madrugada do último sábado. — Isso é bom. Isso é realmente muito bom. Não seria muito legal se ela soubesse que estava atracada com o capitão do time de rugby, não é mesmo? — Tirou o ombro do armário em que estava apoiado, cruzando os braços frente ao corpo, ainda olhando bem nos olhos dela, aqueles que pareciam fugir dos dele.
— É verdade. Me encheriam o saco a semana inteira, me pedindo toda a sua ficha e seu nome ficaria grudado na língua de uma boa parte das materials até descobrirem toda a sua vida. — Falou num tom sincero. Por mais que estivesse brincando, aquela era a completa verdade. Não o deixariam em paz por um mês e não era bem o que queria depois de ter de admitir que não pegou ninguém no último fim de semana. — Entretanto, podemos entrar naquela sala ali e ninguém vai desconfiar de nada. — Uma sala também conhecida como Ninguém Entra Lá. Um lugar onde era suposto para ser uma sala de aula, mas por algum problema que ninguém sabia qual era, só tinha algumas carteiras que precisavam de ajustes. Isaac costumava matar aula ali dentro, sabendo que ninguém nunca adentrava ao local e parecia o esconderijo perfeito para ele e Rhea naquele momento. — Vem comigo! — Pegou na mão da menina, que parecia não querer ser pega e foi correndo para dentro do recinto. Sentou-se em cima de uma das mesas, ficando com os pés balançando ao não alcançar o chão. — Aqui ninguém pode ver a gente. Ouvir talvez. Saiba que você é a primeira pessoa que trago para cá. — O que poderia parecer uma cantada barata, mas era a mais pura verdade.
Seu cérebro ainda tentava processar as informações do que estava acontecendo, parecia uma espécie de retardada, tendo que recapitular tudo que acontecia ali de cinco em cinco minutos. Primeiro havia passado a noite de sábado com alguém que definitivamente não deveria estar, depois encontrou o dito cujo na escola, estavam tendo uma conversa um tanto constrangedora e ele ainda fez questão de a lembrar que os dois estavam, nas suas palavras, "se atracando". Sua vontade era de socar a garganta dele, mas não tinha certeza de seu braço conseguia se esticar tanto e manter a força. E mesmo se tentasse, foi como se todo seu corpo perdesse a força quando ele ria, ou, no caso, quando pegava em sua mãe sem aviso prévio. Ela definitivamente o odiava de uma forma estranha.
Seguiu o menino sem mais protestos até a sala onde a levara, se sentando em uma das poucas carteiras encostadas na parede, de frente para Isaac, abraçando as pernas e apoiando o queixo nos joelhos finos. Soltou um riso abafado com as palavras do menino, se perguntando mentalmente a quem ele queria enganar, era óbvio que não poderia conhecer aquele locar e nunca ter levado absolutamente ninguém para lá. -Se isso foi uma tentativa de cantada, você vai ter que trabalhar um pouco mais, Harper.- Cessou o sorriso que tinha nos lábios, encarando a janela, trinta, quarenta, quantos minutos a mais teria que passar naquela sala, presa com uma pessoa cuja qual tinha sentimentos confusos demais, a única que trazia a sua cabeça pensamentos estranhos, como se talvez aquilo fosse mesmo como fogos de artificio, os mesmos que brilham muito, mas apagam rápido demais.
Sua maior preocupação era se não fosse nada do que pensava, se começara a nutrir qualquer tipo de sentimentos que não fossem negativos, ou de indiferença quanto a ele. Era estranho o quanto ela queria que aquilo acontecesse, pelo menos teria certeza de alguma coisa em relação a eles. Foi quando voltou a encara-lo, seus olhos claros e cabelos loiros no sol, não era algo que lhe impressionava facilmente, já que no geral, tinham as mesmas características, mas alguma coisa com ele mudava tudo, talvez somente o fato de ele ser quem era, e o quanto aquilo era ótimo e terrível ao mesmo tempo. -Então...- Se levantou, sentando novamente na cadeira ao lado do menino, um pouco mais perto. -Nós vamos conversar sobre o que houve sábado ou podemos fingir a partir de agora que nada aconteceu?- Rhea realmente não se importava em falar, mas ao mesmo tempo, temia a resposta que viria a seguir, pois pela primeira vez, não tinha ideia de qual ela poderia ser.
choking smokers {Helski}
Usava seus coturnos desamarrados e os cadarços zanzavam para lá e para cá enquanto caminhava; isso, porém, ao contrário de incomodá-lo, fazia com que se sentisse confortável, talvez a possibilidade de tropeçar e cair de fuça no chão o agradasse, talvez apenas quisesse parecer o mais rebelde possível. O cabelo não tinha um penteado punk, todo colorido e para cima. Não, Craig usava-o num topete que combinava terrivelmente com a jaqueta de couro, russa e desgastada. A ideologia anarquista manifestava-se através da camiseta, negra com o logotipo de uma banda anarco-punk qualquer. Nas costas, uma mochila pairava; com o que dentro, era impossível dizer.
Sentou-se à sombra de um extenso carvalho, entre as raízes da árvore, e apoiou suas costas contra o tronco. Tirou o dichavador da mochila, a erva e a seda. Colocou-se a bolar, tomando o cuidado de não desperdiçar nem um pouco do chá. Fez um baseado extremamente grande pra uma pessoa só.
Tateou os bolsos a procura de um elemento crucial da arte de ficar chapado: o isqueiro. Não achou. Tateou novamente, e nada. Suspirou e abriu a mochila, fuçando em meio as latas de tinta spray e papéis amassados com ideias geniais de um chapado. Não encontrou. Suspirou novamente, dessa vez soltando todo o maldito ar do pulmão numa bufada violenta. Levantou-se e tentou encontrar uma alma viva no lugar; seus olhos focalizaram um rosto.
- Ei, cara, me empresta um isqueiro?
O parque da cidade era um lugar agradável, na verdade, para quem conhecia os diversos cantos do lugar era, pois se algum desavisado errasse seu caminho poderia muito bem dar de cara com uma árvore lotada de drogas escondidas, ou nem tão escondidas assim. Gostava de caminhar por lá as vezes depois da escola, os mais esnobes a olhavam com uma expressão que misturava pena e decepção, como podia uma menina com feições tão femininas, cabelos loiros como os que toda menina deseja, olhos claros e profundos, se comportar tão mal, se vestir como um menino e ainda sim não se incomodar com isso. Era simples, sempre gostou de ser assim, um pouco mais desleixada, um pouco menos desejada aos olhos alheios, mas nunca ligou, ainda tinha os olhos que lhe importavam a encarando, e essa era a única coisa que importava.
Pelo menos não estava em um de seus piores dias, vestia um short jeans rasgado e um tanto apertado que com certeza não era dela, uma blusa simples branca sem mangas e uma camisa aberta e um tanto maior que seu tamanho habitual, o suficiente para ultrapassar a altura que o short terminava em suas pernas. Sua bolsa da escola pendia pesada em um de seus ombros, enquanto tirava um isqueiro e um cigarro já pronto de dentro dela e o acendia, sem ligar para quem poderia estar lhe observando, não devia nada aquelas pessoas. Segurou o cigarro entre os dedos, liberando a fumaça da primeira tragada, uma bela sensação de paz que um cigarro ilegal poderia trazer para uma tarde entediante.
Quando percebeu, já caminhava sem rumo pelo lugar, apenas levantando a cabeça quando sentia que algo atrapalharia sua trilha pela grama verde e agradável do local, quando viu uma pedra que a fez desviar a atenção de seus coturnos, uma pedra em frente a uma arvore, onde um menino aparentemente pedia seu isqueiro. Achou estranho, era cedo demais para já estar chapada, mas em poucos segundos notou que de fato, um menino estava pedindo seu isqueiro. Passou a mão pelos bolsos, segurando o pequeno retângulo de metal e o arremessando na direção do menino. -Ainda não sou um cara, mas aproveite.- Continuou seu caminho, soltando arcos de fumaça e se sentando na raiz da árvore, um pouco mais perto do vulto sem rosto que apareceu do nada.
isaacharper replied to your post: fmk stoners e jocks
Essa implicância só pode significar uma coisa…
Talvez signifique que eu realmente não gosto de você.
top 3: jocks, materials
Sério? Não, obrigada
fmk stoners e jocks
f- Casperm- Jasonk- Isaac
certeza disso? não é o que andam falando por aí... você sabe, notícias correm rapido
Não necessariamente as notícias são verdadeiras...
tá na hora de pegar um bronzeado, hein?
Gosto do meu tom albino e seu namorado não reclama dele :)
COMO VAI ISAAC
Pergunta isso a ele, não tenho nada com a vida alheia ok a gente nem se fala, nossa.
Something Good Can Work. | @Harders
Nada poderia descrever o quão confuso Isaac estava, com certeza, mais que o normal. Não sabia se ela lembrava, não lembrava, lembrava apenas de algumas partes, talvez as mais importantes, talvez as menos. Tudo o que queria era responder algo a altura, algo que pudesse fazê-la falar e não fazê-la lembrar se tivesse esquecido. Tudo aquilo era muito para os humildes fios loiros do menino. Não poderia pensar em alguma coisa por muito tempo, senão ficaria ali por algumas horas até encontrar alguma coisa que coubesse no contexto. Enquanto falava com a garota, tudo que passou rolava em sua mente. Cada frase, cada beijo, cada risada. A adrenalina de estar num lugar onde não deveria, fazendo alguma coisa que não poderia. O garoto sempre fora daqueles que gosta de fazer as coisas erradas sem medo das consequências, já que pais para encher o saco ele não tinha. O maior medo que lhe rondava era do fantasma que poderia rodear Rhea. Preocupava-se mais com ela do que com ele mesmo. Era algo novo, já que as únicas pessoas que sempre se importou era ele mesmo, ele mesmo, ele mesmo, Chris e Gabi. Talvez seus sentimentos estavam já mais sérios que deveriam.
Desencostou seu ombro do armário de metal que estava assim que ela saiu de seu esconderijo. Também não estava certo se aquilo tivera sido uma tentativa de esconder-se. Fez-lhe pensar se devia sair dali logo, mas sua vontade de ficar perto dela, principalmente no vazio da escola, era muito maior. Na verdade, sua vontade era de pegá-la pela cintura, envolvendo seu corpo em seus braços, deixando apenas o vácuo preencher o espaço entre eles. Sabia que aquele movimento com certeza não seria bem vindo. Era perigoso até levar alguns tapas bem ardidos com as pequenas mãos da menina. Piores que socos dos meninos musculosos como ele, eram os tapas ardentes de meninas nervosas. Já tinha experimentado vários deles, inclusive no rosto. Na verdade, estava quase que acostumado, eram tantas meninas que gostavam de dar um tapa na cara que até sabia quando um estava para vir.
Se refletisse por mais alguns segundos poderia ficar louco. Não era bom na organização, muito menos quando se tratava em organização mental. Normalmente isso não te incomodava, mas aquele momento era uma bela de uma exceção. Os pensamentos rápidos, todos ao mesmo tempo passaram pela sua cabeça fazendo-o ficar num estado de desespero, resolveu soltar a primeira coisa que veio à sua cabeça. Resolveu ligar o foda-se e poderia se virar com a resposta que a menina desse. — Sua avó desconfiou de alguma coisa? — Era quase que uma pergunta generalizada. Tudo bem que se ela não considerasse o fato de que ele não sabia qualquer coisa sobre ela antes do acontecido, poderia estar falando apenas sobre chegar tarde em casa. Claro que ela era muito mais inteligente que isso, mas não descartava a tal possibilidade. Seu rosto não conseguia demonstrar nada mais nada menos que um sorriso frouxo. Não era aquele seu de costume que ocupava metade de seu rosto, mas sim uma tentativa de ficar sério, mas sem sucesso todas as vezes que percebia não conseguir tirar seus olhos dela.
Queria desaparecer, uma mistura de arrependimento falso e vergonha percorriam seu corpo enquanto encarava o loiro a sua frente, mas ao mesmo tempo sabia bem que se dependesse dos dois, principalmente se eliminassem os sistemas sociais por um dia apenas, não teriam nenhuma conversa constrangedora, nenhum segredo ou discrição, mas infelizmente, não é sempre que se pode ter o que quer. Quanto mais tempo gastava ali, maior era a vontade de dar um soco na cara de Isaac, ele parecia mesmo achar que ela não lembrava de nada, e isso a dava mais raiva ainda; não era óbvio o suficiente? Aparentemente não para ele. Chegou a se perguntar se estava fazendo isso de propósito ou sua capacidade mental era realmente limitada, então lembrou que seu maior talento envolvia correr de um lado para o outro com uma bola nas mãos, e a segunda opção parecia mais coerente.
Respirou fundo antes de revirar os olhos enquanto mais uma pergunta idiota parecia sair dos lábios do menino. Ainda queria bater nele, mas a sua inocência, mesmo que fosse falsa, quanto aquele assunto chegou a amolecer um pouco seu coração duro. -Não seja estúpido.- Se virou para se encostar na parede dos armários, desviando o olhar do rapaz. -Eu a disse que estava com uma amiga no quintal e ela voltou a dormir.- Se aquilo não deixasse as coisas óbvias para ele, nada mais deixaria. Olhou para o rosto dele novamente, e foi como se tudo que havia acontecido a apenas duas noites atrás voltasse, ou pelo menos era o que desejava, voltar aquele lugar longe de tudo e todos, e não se lembrar daquilo como apenas um momento de sorte que tiveram, que provavelmente não aconteceria de novo; o pensamento também a magoava um pouco, não tinha ideia de como ele se sentia sobre aquilo, muito menos de como ela mesma havia se sentido, mesmo se tivesse sido a melhor noite de sua vida, toda a coragem que tinha não eram o suficiente para a fazer pronunciar aquilo em voz alta. Todas aquelas incertezas estavam a matando.
Quando achou que finalmente estavam atrasados o suficiente para não entrar em nenhuma aula, passos foram dados no corredor aparentemente vazio. Os monitores de corredor eram quase inexistentes na escola, normalmente alunos aplicados e queridinhos dos professores, o suficiente para serem confiados com a tarefa de entregar os que tentavam matar as aulas. Apesar de serem vistos raramente, Rhea já havia sido vitima de muitos deles, tendo como resultado inúmeras advertências e conversas com o diretor, o que irritava bastante a sua avó, mas não o suficiente para tirar a paz da casa. Ao mesmo tempo que os passos se tornavam mais audíveis, segurou o menino pelo pulso instintivamente e caminhou rapidamente até as escadas que davam para o andar de cima, onde normalmente haviam muitas salas vazias, ocasionalmente ocupadas pela menina e seus amigos, que tinham o péssimo costume de não aparecer em algumas aulas. Caminhou silenciosamente pelas escadas e o corredor extenso até achar uma sala vazia, o que não era muito difícil naquele andar. Empurrou o menino para dentro e trancou a porta, se certificando de que ninguém veria os dois ali. -Não seria bom pra sua reputação ser pego matando aula não é?- Soltou a respiração, já aliviada, enquanto se sentava em uma das cadeiras. -Principalmente comigo.- Sorriu cinicamente enquanto tirava a bolsa dos ombros e a apoiava em seu colo. Ótimo, além de ser forçada a conversar com o menino, ainda teria que passar pelo menos mais quarenta minutos presa com ele em uma sala, não tinha como seu dia ficar melhor, definitivamente,
We don't care about the young folks. | @Rheter
Seu corpo doía. Não, mais do que isso. Dor era pouco para o que estava sentindo. Todos os músculos gritavam com cada passo que dava, implorando para que ele parasse e lhes desse algum descanso. O mundo à sua volta parecia rodar ligeiramente, provavelmente efeito de todas aquelas doses de Jack Daniel’s que o tinham feito tomar. Quase que jurava que podia sentir o líquido balançar de um lado para o outro no seu estômago. Okay, talvez ninguém o tivesse obrigado. Mas era rude recusar uma bebida quando alguém lhe oferecia. Nem acreditava que estava voltando a pé para casa. Mas era mais seguro do que pegar boleia com algum de seus amigos, todos eles num estado bastante pior que o próprio Peter e, sem dúvida, nenhum deles em condições para guiar um carro… Pelo menos, sem o espetar na primeira árvore que aparecesse no caminho deles.
Tinha saído, como fazia em qualquer sexta feira à noite. Era apenas uma rotina que não falhava. Sextas eram o seu dia de liberdade total, em que não havia absolutamente nada para se preocupar. Afinal, se seguiam dois dias em que poderia dormir vinte e quatro horas, sem que ninguém o incomodasse. Mas aquela noite tinha sido… Diferente. Tinha acabado por sair com alguns amigos mais velhos, um convite que começava se arrependendo de ter aceite. Tinham ido para um descampado, longe de tudo, onde ninguém os podia achar. E tinham se divertido, não podia negar. Tinham bebido o suficiente para anestesiar um pequeno elefante. E Peter, em particular, tinha sido simpático o suficiente para dar para uma loira aleatória a melhor noite da vida dela. Não estava sendo convencido, essas palavras tinham saído realmente da boca dela. Infelizmente, quando a madrugada chegou, a história mudou de rumo. Todo mundo parecia se ter descontrolado um pouco e Peter parecia um dos únicos que ainda tinha a cabeça no lugar certo. Então fez o que qualquer pessoa sã faria: saiu dali o mais rápido possível. Ele não era pai de ninguém para ficar cuidando de pessoas bêbedas. E, se fosse esperar que sua boleia ficasse sóbria, era bem capaz de ficar umas dez horas sem fazer porra nenhuma. Claro que isso começava a parecer uma ideia terrível, agora que já estava caminhando fazia uma hora. Mas, pelo menos, já estava chegando a casa.
Chegou a casa sem nem se aperceber, correndo para o andar de cima, sem qualquer cuidado. Não se importava se ia acordar alguém, tudo o que queria era sua cama e umas boas horas de sono. Mal fechou os olhos, apagou, sem sequer ter tempo para que um único pensamento se formasse. Foi acordado com uma voz abafada que não fazia ideia de onde estava vindo e alguém batendo na sua janela. Olhou em sua volta, absolutamente confuso por uns segundos. Demorou a colocar suas ideias no lugar e perceber que tinha conseguido chegar a casa e cair na sua cama, em vez de ter simplesmente desmaiado na metade do caminho. Olhou para o relógio. Seis e cinquenta. Pelo menos, ninguém tinha tido a ideia genial de o acordar num sábado. Levantou-se, demorando o seu tempo a esticar os músculos ainda doridos do seu corpo. Quem quer que fosse podia esperar mais uns segundos. Quando, finalmente, se sentiu seguro que podia dar uns passos sem cair para o lado, caminhou até a janela, abrindo-a. Rhea. Um sorriso imediatamente preencheu seus lábios. Se havia alguém que não se importava que o acordasse era ela. "Você sabe que nós temos uma porta, certo?" Arqueou sua sobrancelha, abanando a cabeça de leve, enquanto ria, se afastando e dando espaço o suficiente para que ela entrasse no seu quarto. Se sentiu momentaneamente mal por não a ter chamado para sair na noite anterior, mas sabia que ela entenderia. "Preciso de mudar de roupa." Murmurou, enquanto puxava sua camiseta para o alcance do seu nariz. Yep. Cheirava como uma destilaria barata, com uma mistura acentuada de cigarro. Agradável. Arrancou-a, sem qualquer hesitação. Afinal, eles já se conheciam fazia tempo. Não era como ela nunca o tivesse visto sem roupa. Agarrou alguma coisa da sua gaveta, sem sequer olhar duas vezes. Caminhou até o seu banheiro pessoal, se olhando no espelho por uns segundos. Ainda irresistível. Colocou um pouco de aftershave e começou lavando os dentes, nem sequer se preocupando se a garota o tinha seguido. "Okay, sou todo seu agora." Disse, sorrindo, enquanto se inclinava para dar um beijo estalado na sua bochecha. “O que você tem em mente, minha querida Rhea? Espero que seja divertido. Não me desiluda.”
Estava começando a sentir seu estômago embrulhar. Nunca foi fã de alturas, mas também era o tipo de pessoa que fazia tudo sem pensar, como subir mais de dois metros em uma estrutura instável e ficar sentada esperando seu amigo abrir a porta sem nenhuma proteção contra sua queda e quando percebesse sua situação, sentisse vontade de chorar. Ai, para todos que diziam que Rhea Helders era corajosa e não tinha medos, completamente errados, só tinha uma coisa que lhe apavoravam mais do que carros em alta velocidade e essa coisa era a altura. O tempo que pareceram horas até ter uma resposta de Peter não passavam de poucos minutos, mas ainda sim, era como se o menino estivesse morto ali dentro e nunca fosse a responder para que saísse daquelas telhas geladas e empoeiradas que lhe davam a sensação de vertigem que tanto temia, em sua mente, estava rezando para um deus que não acreditava para que mantivesse aquele telhado bem ali onde deveria estar, sem uma falha que a pudesse fazer cair dali. Só o pensamento já lhe dava calafrios.
O momento de alivio veio quando escutou a voz do amigo saindo de seu quarto, abrindo a janela para que ela pudesse entrar. Nem se preocupou em responder sua pergunta irônica de inicio, se limitou a botar as pernas para dentro do quarto, finalmente se acalmando ao sentir o piso firme em seus pés, uma garantia bem grande de que não iria morrer caindo dali. -Você sabe que eu nunca gostei de nada muito normal.- Sorriu para o menino, se sentando na cama desfeita próxima a janela, não sabia se devia falar que ele cheirava a cigarro e vodka barata, mas por sorte ele percebeu isso antes que ela se manifestasse. Era estranho como os dois sempre ficavam muito a vontade quando estavam juntos, como por exemplo, ele tinha a liberdade de tirar a camisa na sua frente sem nenhuma segunda intenção, por mais que seu físico fosse impecável, ela também já havia tirado alguma peça de roupa na frente do menino, sem maldades, mas também não podia garantir que ele não olhasse nada, afinal, era apenas a natureza humana, não? Mas era obvio que eles não sentiam atracão um pelo outro, não daquela maneira. Eram amigos demais para qualquer coisa do gênero, seria como uma espécie mais leve de incesto, o que não soava muito bem.
Assim que o menino saiu do banheiro, parecia outra pessoa, ou pelo menos uma versão do mesmo Peter, com um cheiro mais agradável. Sorriu novamente quando recebeu um beijo na bochecha do menino, eram nessas horas que Rhea reparava que gostava bastante de ter amigos homens, ela se entendia muito mais com eles. - Bem, desculpa te decepcionar, mas não tenho nenhuma festa ou algo do gênero que te interessaria, mas aparentemente a cidade está parada demais, e é sábado.- Se levantou da cama, sentando na madeira da janela. -Isso não está certo e eu não aguento mais ficar em casa, que tal ir até algum lugar e simplesmente comprar alguma garrafa de alguma coisa pra conversar ou sei lá, sair de casa?- Se desencostou por alguns segundos, pegando o maço fechado de cigarros que tinha no bolso e jogando na direção de Peter. -E como você estava em casa, o que convenhamos, é quase um milagre, resolvi te eleger como o homem da noite.- As palavras agora saiam em um tom de brincadeira. - E isso basicamente é o que eu tenho, deprimente, sei, mas e ai, topa?-
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Isaac não sabia exatamente se queria esquecer ou lembrar do que acontecera na última madrugada de domingo. Seus sentimentos afloravam borboletas em seu estômago toda vez que lembrava a conversa e seus benefícios. Um sorriso estampava seu rosto, fazendo-o parecer uma criança boba. Era tudo involuntário, já que não sabia o que acontecia com ele naquele momento. O mais próximo que chegou disso foi Lina, que fora sua namorada por um tempo considerável para um menino como ele, mas ela não conseguia despertar tais sensações como Rhea. Pensou que poderia ter dado a iniciativa, pensou que poderia ter aproveitado mais, pensou que poderia ter falado mais ou ter falado menos, mas pensando bem, tudo fora perfeito. Não era bom quando queria organizar sua cabeça, tudo o que fazia era confundir-se ainda mais. Sua vontade era de sair gritando, contando para tudo e todos que conseguiu ficar com Rhea. Nem tinha certeza se saberiam quem era Rhea, mas seu instinto lhe fazia querer segurar a loira em seus braços com um cartaz escrito que ela fora dele por uma noite. O grande problema era: não queria que aquilo fosse só por uma noite, o que lhe deixou ainda mais confuso. Isaac Harper querendo alguém por mais de uma noite, e ainda mais, pensando nela durante o tempo em que ficaram separados, não era possível. Não podia ser possível.
Não estava com vontade de ir à escola, como de costume. Não seria o mesmo se estivesse com vontade de ter aulas de astronomia, não sabia nem porque tinha escolhido essa aula para a sua grade. O despertador tocou às sete, mas era tão eficiente que não desligava com o simples toque, fazendo o garoto ter de levantar para poder tirá-lo da tomada, logo lhe fazendo ficar de pé de uma vez. A pior parte já havia passado — acordar cedo. As olheiras estavam incrivelmente sumidas. No dia anterior olhou no espelho e parecia que não sairiam nem com algum milagre, mas por sorte tinha uma pele com extremo bom humor. Olheiras não lhe importavam, mas se o treinador visse as manchas escuras debaixo de seus olhos, mal queria saber qual seria a punição da vez. Fez o café mais forte que poderia para compensar a noite mal dormida. Era uma negação na cozinha, mas sua avó pelo menos lhe ensinou a fazer um café suficientemente decente. Colocou seu uniforme de jock — jeans, camiseta e jaqueta. Uma das vantagens de ser do grupo era poder usar a mesma roupa todos os dias e ainda ser elogiado por isso, absurdamente prático.
Encarar as primeiras aulas foi um tanto quanto fácil quando os professores estavam nem aí para a sua presença, ainda bem. Naquele dia, mais que os outros, não era capaz de ficar cinquenta minutos concentrado em alguma coisa que não estava interessado. Seus olhos fitavam as árvores de fora do prédio que balançavam com o vento enquanto tentava colocar sua mente em ordem, o que não estava sendo tão fácil. Por mais que fugisse desse tipo de pensamento, daquela vez, não tinha como escapar. Além de tudo, não tinha aula de química, não tinha como falar com Gabrielle, que provavelmente perceberia e conseguiria arrancar tudo dele, o que seria uma coisa não muito boa, já que prometeu contar para absolutamente ninguém o que tinha ocorrido. Ainda assim pensava que Gabrielle era Gabrielle e seria a única capaz de colocar as coisas em seus devidos lugares. Era incrível pensar que conseguia fazer nada sem ajuda. As três primeiras aulas passaram como um flash, passando logo para o horário de almoço, que tentou parecer o mais normal que conseguia. Brincou com tudo e todos que passavam por si, empurrou alguns esportistas que lhe empurraram de volta, roubou a comida de alguns aqui e outros ali para não precisar se dar ao trabalho de enfrentar a fila do refeitório. Nem sabia qual seria a próxima aula depois do intervalo e provavelmente não saberia esse tipo de informação sem consulta até o fim do ano letivo, então a melhor coisa a fazer era procurar algum papel que falava sobre o assunto em seu armário. Não seria uma tarefa fácil considerando que organização não era uma característica sua. Fuçou por todos os lados, buscando por qualquer coisa do gênero, mas tudo que achava eram bilhetes de Materials que jogavam em seu armário e desenhos de bolas de rugby que fazia durante as aulas entediantes. Cinco, sete, dez minutos se passaram e nada de encontrar o papel, o jeito era passar pela secretaria que com certeza teria esse tipo de informação. Assim que fechou seu armário no corredor vazio, bem, não tão vazio assim, percebeu alguém próxima com a cabeça enfiada no pequeno paralelepípedo de metal. Um sorriso apareceu em seu rosto, obviamente Rhea, com seu corpo mais que reconhecível. Aproximou-se, feliz porque os corredores estavam vazios e encostou-se no armário mais próximo ao dela — Como passou o fim de semana? — exclamou com um tom de ironia. Tinha certeza de que ela não lembrava do acontecido, bem, quase certeza. Ela ainda não o via se permanecesse onde estava, mas o problema seria facilmente resolvido se ela fechasse a porta de seu armário.
Depois de alguns segundos de desespero total, abriu o grande cadeado que trancava seu armário, enfiando a cabeça ali instintivamente. Apenas quando abriu os olhos e deu de cara com o fundo de metal coberto com fotos e recortes de revistas, percebeu o quão aquilo tinha feito tudo pior e o quanto parecia uma retardada com a cabeça literalmente dentro do armário. Não tinha ideia do porque aquele tinha sido seu reflexo instantâneo, ao invés de talvez correr para a sala, o que com certeza soaria muito mais sensato do que ter o trabalho de botar sua senha, abrir o cadeado e abrir o maldito cubículo de ferro que enfiou a cabeça dentro. Perguntava-se se ele estava rindo muito ou pouco daquela situação do lado de fora, pois se fosse ela em seu lugar, provavelmente estaria gargalhando daquele exemplo de derrota parada na sua frente. O mais deprimente disso tudo era que o tal exemplo de derrota era ela e a pessoa que observava tudo de fora era a última que queria que visse aquilo, ou melhor, a última que queria encontrar naquele momento, naquele dia, naquela semana ou talvez naquela vida.
Um baque ao seu lado fez com que um resmungo saísse de sua boca inconscientemente. Ele não podia se contentar em gargalhar daquela situação, tinha que chegar mais perto para conversar? Não era possível tanto azar em um dia só. Levantou o pescoço o mais lentamente possível, finalmente levantando a cabeça e voltando a respirar um ar mais puro, ainda sem coragem de olhar para os lados. Não queria olhar, na verdade, já que tinha certeza de que rumo aquela possível conversa iria tomar, não acreditava que Isaac fosse burro o suficiente para achar que ela não lembrava de nada, apesar do menino ser um pouco lento, ele não poderia ser tão ingênuo. Pensou nas respostas que poderia dar a qualquer pergunta que ele pudesse fazer, falaria que não tinha controle de seus atos, estava bêbada demais para pensar, até tinha a opção de partir para a agressão alegando que ele a persuadiu a fazer aquilo em um momento que estava vulnerável, mas aquilo não era verdade, nenhuma das alternativas era. Ok, ela estava bêbada, mas tinha perfeita noção do que estava fazendo, pela primeira vez, o álcool apenas a ajudou a ser um pouco mais desinibida e fazer o que bem queria sem ao menos ter a oportunidade de parar para pensar, e sim, ela tinha perfeita noção de que queria ter acabado a noite de sábado deitada na grama com Isaac Harper, e não importava o quanto quisesse, jamais admitiria aquilo.
Ouvir a voz do menino fez com que um frio anormal percorresse seu corpo, por mais que estivesse usando uma calça jeans consideravelmente apertada, uma blusa branca sem mangas e uma jaqueta de couro que normalmente a aquecia demais, parecia que estava em uma nevasca de pijamas, um arrepio subiu a sua espinha de uma maneira que não queria mesmo que acontecesse, pois qualquer um sabia que era mau sinal. Fechou a porta do armário, a trancando novamente e virando para o lado do qual a voz veio. Isaac era irritantemente atraente mesmo com a maldita jaqueta de jock, que era basicamente o que simbolizava o quanto os dois eram diferentes, socialmente falando; Rhea sempre detestou essas jaquetas, principalmente as pessoas que as usavam, e não sabia como podia ter sentimentos tão confusos por um menino que as usava com tanto orgulho. Quando deu por si, encarava o menino diretamente nos olhos, fazendo força para não esboçar um sorriso, o que era muito difícil naquele momento. –Bem, um pouco de ressaca, minha avó quase me matou por entrar em casa de manhã, mas tudo ok. - Respirou fundo antes de falar qualquer coisa, não tinha ideia do porque estava tão nervosa. –E você?- Agora sim queria abrir o armário novamente e não botar só a sua cabeça, mas seu corpo inteiro lá dentro com medo do que viria a seguir. Estava confusa demais consigo mesma para decidir o que faria agora, mas rezava para que um dos inspetores surgisse no corredor e os mandassem ir para as respectivas salas, mas duvidava que isso acontecesse de verdade, então se limitou a continuar ali, parada.