“Foge comigo pra Campos? Que tal este final de semana inteiro?! A gente aluga um chalé em meio a floresta, bem no alto de uma montanha afastado de tudo. Jogamos um colchão no chão da sala, acendemos a lareira, abrimos um vinho de fina safra ou aquele baratinho mesmo que a gente gosta. Não importa! O que importa é estarmos juntos, nossos corpos abraçados: Eu sentindo o calor da sua pele encostada na minha. Você de lingerie, eu de cueca. Eu cheirando seu cabelo, beijando seu pescoço e mordiscando sua orelha, você ri, se encolhe e se sente arrepiada enquanto tenta me contar a história da sua vida. Não precisamos ter pressa, nem hora pra dormir, pois aqui é nosso mundo, nosso lugar e, tudo é como a gente sempre quis… Perdidos nos braços um do outro, nossos toques tem fome ternura e calor… La fora, a chuva fina e o frio, pedem mais um pouco de chocolate quente. Xícaras coloridas, conversas sem fim, abraços apertados, beijos sem ar… Não deixarei você abrir o livro que trouxe, hoje, sou eu quem quer ler. Quero ler teus olhos, teus lábios, teu rosto; Decorar cada detalhe das linhas do teu corpo memorizando tudo para depois te reescrever nas paginas em branco dos meus sonhos. Ficamos assim o dia todo, ou a noite toda, não sei, não sabemos… Pois o tempo parou pra nós, velando nosso encontro já predestinado pelo universo. E depois de um sono bom, quando sentirmos a brisa morna da manhã, sentaremos no banco da varanda. Você com cara de sono, vestida com minha camisa xadrez, sentada em meu colo. Sinto teu perfume se misturar com o cheiro da grama molhada criando uma fragrância única no mundo. Eu me perco no infinito dos teus olhos e em teu sorriso, encontro minha paz… Eu me levanto. Você não quer. Eu te puxo. Você resiste. Eu insisto. Cê tem preguiça. Te faço cócegas. Cê fica brava. Seguro suas mãos. Você me aceita… Nossos lábios se tocam, nossos corpos se tornam um só. No jardim, em meio à canteiros de rosas e flores do campo, dançamos aquela que um dia você chamou de “nossa música”. E o mundo não mais nos pertence, nem nós pertencemos a ele. E a natureza a nossa volta é cúmplice de nossos momentos que duram tão pouco, mas se eternizam nas raízes destes campos verdes, onde faço morada e pra sempre quero estar. Quem levou você pra longe da minha terra ?…”