i want to be able to open up but my feelings are fatal | hugin
Nunca havia sido um homem muito vaidoso, e nos últimos dias não faltaram comentários sobre seus cabelos compridos - que agora estava curtos e bem aparados- e ele havia passado horas em sua casa andando para baixo e para cima para ver se estava bem. Implorou para Edgar o ajudar, e até mesmo foi até Amelia para certificar que se ele estava bem. Dentro do bolso estava o broche que havia comprado, e ele ficava se perguntando se era aquilo mesmo. Ou se era muito simples, mas não tinha mais o que fazer. Recorreu a sua mãe pedindo a benção e um beijo na testa. E firmou a mão com a do pai prometendo encontrá-lo mais tarde. Não sabia se os irmãos tirariam mais sarro dele ou de seu nervosismo, então se apressou para aparatar para casa de Robin. Mesmo tendo mais de trinta anos, ele estava morrendo de medo, de abrir seu coração aquela noite. Ao mesmo tempo, estava com uma ansiedade tão grande, pois ele queria aquilo a vida inteira. Não tinha um momento em sua vida que ele não lembrava de não gostar de Robin desde que a conheceu em Hogwarts. Mesmo que fosse somente como uma amiga. Tantas coisas passavam por sua mente, e ele poderia falar que poderia até vomitar de tanta ansiedade.
Chegando lá ele andando um pouco para frente e para trás antes de bater na porta. Estava pronto? O que era estar pronto? E se ele estivesse certo? E se ela merecesse algo melhor? Mesmo que não tivesse ninguém no momento. Não. Ele prometeu a si mesmo que não faria isso. Que não deixaria a insegurança ganhar de novo. Haviam sido separadas pelas escolhas erradas. Aquela noite era a noite para se acertarem. Para conversarem. Para rirem, para dançarem. E então ele se declararia. Ele pediria ela em namoro. Compensariam todo o tempo perdido. Ele conseguia imaginar indo buscá-la todo dia no hospital. Indo comer juntos. Tomando sorvete em dias de folga. Dividir a cama com ela e ir dormir vendo ela ler. Tinha a imagem perfeita dela lendo antes de dormir, e ele a encarando com um sorriso de um canto a outro da boca. Ou pedindo para ela ler para ele igual faziam quando estavam em Hogwarts. Só que dessa vez ele colocaria a cabeça no colo dela, e pediria para que ela fizesse carinho nele. Ele poderia estar exagerando e tendo sonhos muito longes, mas ele queria aquilo. Uma vida inteira com ela pela vida que perderam pelas inseguranças.
Reuniu a coragem para bater na porta, e foi arrebatado pela beleza da mulher. Ele estava errado quando havia falado que eles não haviam mudado. Eles mudaram. Haviam mudado tanto. Ela agora era uma mulher com beleza e charme adultos. Ele olhou para ela por toda a roupa e terminou pelo sapatos. “Tem certeza que vai querer usar isso aí? Você sabe que eu não ligo se você for descalça, não é? Ou com algo que seja no mínimo confortável, mas se você gostar de usar eles são lindos. Só estou dizendo o que diria para a Mia. Essas coisas parecem apertar, e não quero que você tenha nenhuma desculpa para não aproveitar a noite.” E então abriu um sorriso para ela. “Você está deslumbrante, Robin. Se as doações e lances do leilão forem em base aos funcionários vai arrecadar muito dinheiro essa noite.” Tentou elogiar de maneira que não soasse tão atropelado e nervoso como estava.
Robin sorriu diante a fala apressada do melhor amigo, que mal colocou os olhos nela e já estava tentando lhe deixar mais confortável. Ele realmente tinha mudado muito pouco, pelo menos no que dizia respeito a personalidade e jeito. — Olá, boa noite para você também, Hugh. — Respondeu, brincando com o homem que estava claramente nervoso. Não o culpava; ela também lutava para manter sua ansiedade e sua preocupação sob controle. Não passava tanto tempo com Hugh há anos e, mesmo depois de ter decidido dar uma nova chance para o amigo, Robin ainda se sentia um pouco estranha. Durante toda a adolescência, tinham sido peças de quebra-cabeça feitas para encaixar uma na outra, mas de alguma forma a mulher agora sentia que precisava fazer alguma força para caber ao lado do melhor amigo. Dizia para si mesma que era só questão de tempo, que as coisas voltariam ao normal e seria como se nunca tivessem se afastado, e era precisamente por isso que tinha aceitado acompanhá-lo ao leilão. — Eu não quero chamar atenção, Hugh. Já basta eu ser uma nascida-trouxa no meio de algumas das famílias bruxas puristas mais influentes da Grã-Bretanha. Se eu aparecesse descalça ou vestindo qualquer coisa diferente, tenho certeza que as pessoas notariam. — Disse, enquanto se virava para trancar a porta da frente a ativar os feitiços de proteção com um aceno de varinha.
O comentário de Hugh sobre sua aparência fez as bochechas de Robin corarem. Ela mesma não estava acostumada a se ver tão arrumada daquela forma e estava nervosa demais por estar fora da sua zona de conforto, mas o elogio do homem lhe acalmou. Talvez ela não se sentisse um peixe fora d'água naquela noite, no fim das contas. — Que bom que as pessoas vão estar pagando pelos artefatos leiloados. Assim minha beleza fica toda para você, meu bom amigo. — Era um comentário ousado demais para o feito de Robin, mas ela estava com Hugh e achava que ele não levaria aquilo como algo além de uma brincadeira. Fora de casa, a mulher finalmente deu uma boa olhada no seu acompanhante. — Olhe só para você! Todo crescido e elegante de terno e gravata. — O Bones definitivamente ficava mais bonito com os cabelos curtos e Robin se lembrou de como o amigo tinha enfatizado que os tinha cortado por conta dela. Ela não estava acostumada com a imagem do melhor amigo como um homem e sempre era pega de surpresa ao vê-lo. — Você está muito bonito, Hugh. Pronto para quebrar vários corações, tenho certeza. — Era novamente uma brincadeira, pois Robin gostava de acreditar que seu melhor amigo jamais seria capaz de quebrar o coração de alguém. Pensava que ele era melhor do que todos os ex-namorados que tinham lhe machucado e feito com que ela perdesse a esperança no amor. Enlaçou seu braço no dele, buscando algum apoio para se equilibrar naqueles saltos e se dirigiu a um lugar onde pudessem aparatar sem serem vistos. — Eu não faço ideia de onde estamos indo, então mostre o caminho. — Disse, deixando que Hugh assumisse a aparatação. A costumeira sensação desconfortável pareceu ainda pior e Robin pensou que talvez colocasse sua última refeição para a fora assim que seus pés tocaram o chão novamente. Respirou fundo algumas vezes, tentando controlar novamente seu nervosismo. — Por favor, não me deixe sozinha. — Sussurrou em súplica para o homem que lhe guiava pelas portas de entrada do evento.