I’m freezing cold, all the time. | sp1
asherowenceo:
As palavras de Rose quase abriram um buraco no peito de Asher. Ele não estava fazendo aquilo como o Ryan, sabia que o melhor amigo teria mais cuidado, mais paciência, não se sentiria afetado da forma como ele se sentia perto da morena. Ah não, Rosalie estava tão enganada em pensar que ele estava fazendo como Ryan. O homem engoliu em seco, umedecendo os lábios enquanto caminhava um passo de distância dela. A medida que ela continuava falando, seu peito se contorcia ainda mais. Cada palavra, era equivalente a um soco em seu rosto e quando ela parou de frente a o espelho, ele ficou sem saber o que fazer. Como diria para ela que não tinha nada haver com Ryan? Que o motivo de ele largar seu livro e vir até ela, foi por se preocupar com ela, independente de Ryan, independente de ninguém. A vontade de abraçar Rose aumentou, e ele respirou fundo, cruzando os braços e ficando o mais distante dela possível. “Isso não tem nada haver com o Ryan. Me importo com você, me importo com sua saúde e seu bem estar. Quero te ver feliz. Só não posso aplaudir as decisões erradas que faz. Vai contra eu sou, Rosalie. Eu estar aqui vai muito além do seu irmão, mas isso não quer dizer que vou fechar os olhos para os erros que comete. Sei que você pensa que é por ele, mas não é. É por você”, suas palavras eram sussurradas, não tinha certeza se ela estava o ouvindo.
Ele respirou fundo quando o elevador alcançou o térreo, virando-se para Rose. “Eu sei. Sei o que é viver sobre a sombra de alguém, de alguém que sequer existiu. É ruim, mas você aprende a lidar com isso. Aparecem pessoas na sua vida que estão dispostas a verem além dessa sombra. A verem você”, disse com firmeza, olhando nos olhos dela, querendo limpar suas lágrimas, porém apenas se virou, saindo do cubículo antes que fizesse algo que iria se arrepender.
Se sentia a pessoa mais egoísta por estar dizendo aquelas coisas, mas era a verdade. Seu irmão havia se tornado o centro de seu mundo, era a ele que tinha de agradar, era a ele quem tinha de pedir permissão, e aquilo era sufocante. Saber que o destino da sua vida estava nas mãos de outra pessoa era surreal. Ter de sempre voltar a cabeça para trás para ter a aceitação de uma pessoa era revoltante. Mas como quebrar um ciclo? Como mudar tudo aquilo que virara rotina? Como dar a volta por cima? Como confiar nas próprias pernas? Seu mundo não seria nada, se não tivesse Ryan, não teria Asher, se não dependesse de Ryan, poderia ficar com Asher. Não havia escolha certa. Em qualquer uma delas, Rosalie perdia. As palavras do mais velho calaram Lockhart por alguns segundos. “Se quer me ver feliz, porque não colabora com a minha felicidade?” Engoliu em seco, sabendo que a sua pergunta não se encaixava com o momento em que estavam. Não podia cobrar nada dele, não podia mesmo. Mas era difícil não fazer isso quando ele afirmava coisas que poderiam significar um futuro brilhante e feliz. “Você disse certo, as minhas decisões. Eu não quero que faça nada disso. Eu não aprovo seu comportamento antissocial, porque isso é quem você é. E isso..” Calou-se, porque de alguma forma durante aquele momento entendeu o que ele queria dizer. Aquela não era ela, aquelas atitudes não a pertenciam, sendo assim, não poderia afirmar que havia tomado tais atitudes porque eram equivalentes a quem ela era. Sentia mais do que normalmente o peso das palavras de Owen, a carga emocional que elas carregavam, e a simplicidade delas. Como não se apegar aquilo? Como não desejar escutar aquilo todos os dias?
“Algumas pessoas foram feitas para permanecerem nas sombras de alguem. Não é algo que se escolhe. Porque eu realmente não tenho escolha. Eu não posso erguer minha voz. Eu perco em qualquer uma das opções. Eu sempre vou perder algo.. mas o que está em jogo eu não posso escolher..” Tudo estava confuso, e sabia muito bem que sua afirmação podia ser ignorada pelo mais velho. Não o culpava. Sua cabeça ainda insistia em pensar sobre suas escolhas, sobre o que perderia. Algo doentio dentro de si ria daquilo, se alimentava das tormentas e das perdas. “Tem que ter muito amor para combater tal escuridão. E eu não posso cobrar um amor que não sou capaz de dar.. é injusto.” As palavras escapavam pelos seus lábios, sem pedir por permissão. Ela nem mesmo se recordava de ter pensado sobre aquilo. Encolheu os ombros, e apenas acatou o obvio. Focou-se nas palavras que percorriam pela sua cabeça, e seguiu caminhando. Um pé na frente do outro, seria fácil. Aquilo seria a coisa mais fácil da noite. Parou bruscamente ao perceber o reflexo de si mesma contra o vidro do carro. Ela parecia uma grande confusão. Meu Deus. Fechou os olhos, e respondeu a pergunta silenciosa que o moreno estava fazendo. Se ajeitou sobre o banco do passageiro, e tentou o máximo que pode se manter bem longe do homem do outro lado do automóvel. Já se sentia sobrecarregada consigo mesma, não precisava enxergar a decepção nos olhos dele mais uma vez.

















