I’m freezing cold, all the time. | sp1
ros-elockhart:
Mordeu o canto interno dos lábios, numa tentativa quieta de conter toda a sua raiva. Ser indiferente era mesmo difícil quando palavras afiadas era atiradas por alguém que se tem algum tipo de carinho. “Chega!” Falou simplesmente, não aumentou sem tom de voz, estava realmente farta daquilo. Aquilo já era humilhante o suficiente sem os sermões. Amar era frustrante afinal, gostar de alguem era complicado. Como um sentimento tão puro podia causar tanto dano? Fingir ser indiferente não funcionava mais, aquele beijo havia mudado muitas coisas que no fundo Rose não queria que mudassem. Gostar de alguem em segredo, se apegar as minusculas coisas era bem mais fácil, mas agora as pequenas coisas não eram o suficiente, queria mais, queria ele, não só para ela, queria que ele fizesse parte de sua vida de maneiras extraordinárias. Finalmente havia encontrado alguém que havia de alguma forma iluminado um lado seu, que se importava. Então Asher assumiu uma postura que não lhe pertencia. Não estava nas mãos dele me reerguer, me guiar, não mesmo. Espantou aqueles pensamentos novamente, não queria mais tirar conclusões, queria tira-lo de seu sistema, queria empurra-lo para fora de seu coração, para fora de sua cabeça, para fora de suas vidas, mas era impossível.
Se sentia pressionada, como se a pressão do ar ao seu redor estivesse fazendo tudo zumbir. Talvez fosse a mistura de bebida alcoólica com maconha, ou talvez fosse Owen, talvez os dois. “Eu aprendi a me virar, se não concorda com isso, a porta tá bem ali.” Sussurrou enquanto calcava um par de sapatilhas e seguia o moreno até a porta. Havia concordado como uma idiota a segui-lo, e não tinha noção do porque. Agarrou a bolsa contra o corpo, se sentindo muito exposta, abaixou o rosto, pronta para passar rapidamente por aquela porta quando a voz dele a impediu. Ergueu os olhos em direção a ele, prendeu a respiração, porque para aquela afirmação não havia uma resposta certa. Queria soca-lo por tornar as coisas mais difíceis. Sabia lidar com sua postura rígida, mas com aquilo? Como ela deveria resistir, ou se desintoxicar dele ouvindo aquelas coisas? Ele queria cuidar dela, mas e então? “Tudo bem.” Respondeu secamente. Não queria admitir que parte da sua felicidade havia se congelado depois daquele beijo, não queria ser a garota sem amor proprio. “Você pode cuidar de mim hoje, como o Ryan faz.” Deu um sorriso seco, passando uma das mãos na bochecha. Por mais que se esforçasse as palavras não faziam sentido, provavelmente se arrependeria delas. “Porque é isso que você quer. Não é? Só cuidar de mim para que o Ryan possa prosseguir calmamente com a vida dele.” Seu peito doía, doía por saber que algumas coisas na sua vida sempre seriam limitadas por conta de seu irmão. “Porque é ele quem realmente importa.. porque a felicidade e a satisfação dele são importantes. Mas as minhas.. não.” Devagar ela se arrastou em direção ao elevador. Não pretendia derramar lagrimas, mas não conseguia realmente controlar sua reação. Apoiou a testa contra o espelho do elevador, e deixou algumas lagrimas finalmente saírem de seus olhos. Não queria ver seu reflexo, mas do que isso, não queria ver o que havia se tornado perto de Asher. “Você já viveu a sombra de alguem? É horrível.. É ainda pior saber que talvez você nunca pode ter o que realmente quer.”
As palavras de Rose quase abriram um buraco no peito de Asher. Ele não estava fazendo aquilo como o Ryan, sabia que o melhor amigo teria mais cuidado, mais paciência, não se sentiria afetado da forma como ele se sentia perto da morena. Ah não, Rosalie estava tão enganada em pensar que ele estava fazendo como Ryan. O homem engoliu em seco, umedecendo os lábios enquanto caminhava um passo de distância dela. A medida que ela continuava falando, seu peito se contorcia ainda mais. Cada palavra, era equivalente a um soco em seu rosto e quando ela parou de frente a o espelho, ele ficou sem saber o que fazer. Como diria para ela que não tinha nada haver com Ryan? Que o motivo de ele largar seu livro e vir até ela, foi por se preocupar com ela, independente de Ryan, independente de ninguém. A vontade de abraçar Rose aumentou, e ele respirou fundo, cruzando os braços e ficando o mais distante dela possível. “Isso não tem nada haver com o Ryan. Me importo com você, me importo com sua saúde e seu bem estar. Quero te ver feliz. Só não posso aplaudir as decisões erradas que faz. Vai contra eu sou, Rosalie. Eu estar aqui vai muito além do seu irmão, mas isso não quer dizer que vou fechar os olhos para os erros que comete. Sei que você pensa que é por ele, mas não é. É por você”, suas palavras eram sussurradas, não tinha certeza se ela estava o ouvindo.
Ele respirou fundo quando o elevador alcançou o térreo, virando-se para Rose. “Eu sei. Sei o que é viver sobre a sombra de alguém, de alguém que sequer existiu. É ruim, mas você aprende a lidar com isso. Aparecem pessoas na sua vida que estão dispostas a verem além dessa sombra. A verem você”, disse com firmeza, olhando nos olhos dela, querendo limpar suas lágrimas, porém apenas se virou, saindo do cubículo antes que fizesse algo que iria se arrepender.













