Tudo que aconteceu dali pra frente foi rápido demais e se Sloane tivesse sido um pouco mais humilde, um pouco menos orgulhosa, tudo poderia ter sido evitado. Mas não. Ela quis uma batalha de egos, uma briga entre duas pessoas com uma falta de auto percepção era absurda. Uma combinação de onde nada de bom sairia -- Não se atreva a gritar comigo! -- Sloane berrou, tentando sobrepor seu tom ao de Cameron, fazendo com que sua voz ecoasse na sala e além dela. Sloane era mandona, era dura demais, era rude. Se a olhassem de fora, ela parecia ser a filha amada de algum casal que a mimava com tudo que ela queria, e que não sabia ouvir um não. O que era exatamente o que Cameron pensava dela, e Sloane nunca o contrariava. Se ele soubesse quem ela era de verdade e de onde tinha vindo, seria muito pior, muito mais vergonhoso. Então finalmente haviam atingido um beco sem saída na discussão. Sloane não tinha como contrariar Cameron, já que se recusava a olhar nos olhos dele e dizer "você não sabe nada sobre mim". Ela engoliu em seco, andando lentamente para trás, tentando se afastar dele. Mas Cameron era mais rápido e se sobrepunha e logo os dois estariam encostados na parede se continuassem andando para trás naquele ritmo.
Exceto que antes que a parede chegasse, Cameron enroscou seu pé no de Sloane, e os ombros se chocaram, e foi como se um furacão tivesse passado naquela sala. Sloane tentou se equilibrar, esticou os braços para segurar no próprio idiota com quem estava brigando, mas já era tarde demais. Caiu no chão e caiu feio, ralando seus braços na superfície áspera, e na tentativa de evitar mais danos, virou seu tornozelo e caiu sentada bem em cima dele. 1 segundo. 2. 3 -- Ai! -- Ela gritou, cerrando os dentes e tentando se ajeitar no chão -- Ai, ai, ai -- Gemeu com a boca fechada, se recusando a demonstrar o quão infernal era aquela dor. Em dez anos dançando ballet, Sloane nunca havia torcido, luxado, quebrado ou sequer machucado qualquer membro de seu corpo. Ela queria gritar pra Cameron ajudá-la, gritar pra ele fazer alguma coisa, gritar pra ele fazer aquela dor parar. Mas Sloane só sabia fazer as coisas sozinha. Tentou se levantar, e sentiu uma pontada de dor que apenas a fez cair no chão novamente. Ela não fazia a menor ideia do que tinha lhe acontecido, e isso causava ainda mais desespero. Ela se lembrava de todas as histórias, de jovens que tiveram seus sonhos destruídos por um pé quebrado, um joelho machucado, um tornozelo torcido.
-- Tá tudo bem -- Disse para si mesma, com a voz tremendo. A dor continuava e parecia irradiar cada vez mais. Fez uma careta, sentindo o suor gelado em seu rosto -- Cameron, me dá a sua mão, agora -- Sloane frisou a última palavra, sem a menor paciência para demonstrar mais fraqueza. Precisava levantar, mostrar que estava bem, feliz e contente e poderia continuar dançando. Mas a pergunta em sua cabeça era: O quanto aquela queda iria custar para o resto de sua vida como bailarina?