Eu ando pelos corredores da universidade e não vejo ninguém.
Eu tenho essa mania de viver dentro do meu mundo, da minha cabeça. Dificilmente eu olho e de fato enxergo as pessoas.
Certa manhã me perguntei quantas pessoas passavam por mim todos os dias. Estudando no mesmo bloco e restrita às mesmas áreas, possivelmente eu as via todos os dias, mas nunca as enxergava.
A única pessoa que eu enxergo é você. A única em quem eu reparo e reconheço as formas de longe. Passar por você causa um circuito em meus nervos, faz pulsar meu coração… talvez seja por isso que entre tantos só a sua presença é por mim notada.
E mesmo que eu não esteja te olhando, eu te enxergo. E mesmo assim minha necessidade em te ver, nunca me é satisfeita.
Estou sempre tendo que te olhar de relance, pelo canto do olhos, disfarçadamente… Meus olhos piscam nanosegundos sobre você e logo depois se desviam. E as vezes teimam comigo, tem vontade própria, querem te admirar mais. Lutar com eles é cansativo, as vezes eles ganham e quando os seus olhos encontram os meus, rapidamente você se esconde. É frustrante.
Mas na batalha de olhares, até ver sua sombra é o que conta. Saber que estamos no mesmo corredor é eletrizante. Saber que você pode me ver, me dá forças pra vir mais um dia pra universidade, apenas pra te ver e se eu der sorte te vejo até sorrir.