Violet só continuou ali, parada no mesmo lugar em que estava, olhando para ele. Mas não era mais um olhar de raiva, ou qualquer coisa que pudesse descrever o que estava sentindo. Era um olhar triste, os olhos levemente irrigados, e a respiração mais profunda do que nunca antes. Comprimiu os lábios ao ouvir as primeiras sentenças do menino, pensando em algo para dizer também, mas nada lhe vinha em mente. Ela poderia desejar qualquer tipo de sentença de morte para ele, assim como havia feito, mas todas as palavras paravam no meio do caminho, afinal, ela já tinha tido a oportunidade de deixá-lo morrer, mas não fez isso — Foi a melhor coisa que disse a noite toda — disse baixinho, antes de ouvir o que ele disse em seguida. Cada vez mais, ela parecia se encolher em algum tipo de aconchego imaginário, porque aquelas palavras - de uma fora bem estranha - a faziam se sentir cada vez menor. Nada naquele mundo a fazia querer mais que aquele sentimento do menino sumisse. Não havia nada mais estranho do que sentir vontade de matar alguém que te amava. Por mais que essa palavra nem existisse no seu vocabulário, Violet quase se sentia culpada. Mas aí, ela sempre lembrava de todas as coisas que o garoto fazia antes desse sentimento surgir. Todas as chantagens, ofensas, humilhações. E parecia certo, ser quem era. Não importava o que o menino dizia, ela sempre o enxergaria como aquele garoto que faria de tudo para que a sua vida fosse um inferno, a troco de nada. Pelo menos naquele momento, ele era visto assim. Não era há uns meses — Eu não mereço isso, não é? Eu salvei a droga da sua vida. Eu aturei a sua presença contra a minha vontade por muito tempo, até eu finalmente considerar, bem dentro de mim, que você pudesse ser alguma pessoa boa. E agora, eu fui obrigada a ver essa cena que, por mais que eu queira, não vai nunca mais sair da minha cabeça. E você pode tirar todas as conclusões que quiser. Você realmente me ama? — ela perguntou, dando um passo a frente — Então some da minha vida.
Por mais estranho que fosse, Augustus não estava fazendo aquilo para arrancar algum tipo de consideração da menina porque primeiro que ele sabia que aquilo nunca iria acontecer e segundo que que estivesse um pouco mais sóbrio ele não estaria dizendo nada daquilo, só esperava que o teor do álcool em seu sangue fosse o bastante para que quando ele finalmente dormisse tudo aquilo saísse de sua mente, como se tivesse tido uma amnesia e não se lembrar, caso contrário odiaria a si mesmo por um longo tempo. Teve vontade de rir quando ouviu a menina falando sobre salvar sua vida e nada mais fazia sentido de verdade na sua cabeça. -- Eu tenho certeza de que salvar a minha vida vai ser o seu pior arrependimento até o final dos seus dias. -- disse, entre dentes, já que os mesmos estavam trincados e duvidaria muito que alguma hora aquilo fosse parar. Quando ouviu as palavras seguintes da garota conseguiu respirar fundo, mesmo que o ar não parecesse mais saudável para o garoto, como se tudo o que puxasse para dentro de si fossem farpas que machucavam ainda mais o seu interior, mas Augustus tinha plena consciência de que deveria continuar forte, afinal uma coisa era estar desarmado e outra completamente diferente era deixar qualquer lágrima cair na frente dela. -- Não. Eu não vou sumir porque eu amo você. Eu vou sumir da sua vida porque eu preciso fazer isso por mim mesmo. Você pode ter o troféu que quiser, mas o meu coração não, Hone. Eu não vou te dar esse prazer. -- lançou um sorriso seco e nada verdadeiro na direção da menina antes de se virar novamente, com intenção de chegar a porta dessa vez, mas parou de novo, virando apenas o rosto para fitá-la -- Só espero que você fique feliz com essa decisão. -- murmurou, quase como se não fosse para ela ouvir e então abriu a porta, saindo do apartamento, mais decidido do que quando entrará ali.














