Por mais estranho que fosse, Augustus não estava fazendo aquilo para arrancar algum tipo de consideração da menina porque primeiro que ele sabia que aquilo nunca iria acontecer e segundo que que estivesse um pouco mais sóbrio ele não estaria dizendo nada daquilo, só esperava que o teor do álcool em seu sangue fosse o bastante para que quando ele finalmente dormisse tudo aquilo saísse de sua mente, como se tivesse tido uma amnesia e não se lembrar, caso contrário odiaria a si mesmo por um longo tempo. Teve vontade de rir quando ouviu a menina falando sobre salvar sua vida e nada mais fazia sentido de verdade na sua cabeça. — Eu tenho certeza de que salvar a minha vida vai ser o seu pior arrependimento até o final dos seus dias. — disse, entre dentes, já que os mesmos estavam trincados e duvidaria muito que alguma hora aquilo fosse parar. Quando ouviu as palavras seguintes da garota conseguiu respirar fundo, mesmo que o ar não parecesse mais saudável para o garoto, como se tudo o que puxasse para dentro de si fossem farpas que machucavam ainda mais o seu interior, mas Augustus tinha plena consciência de que deveria continuar forte, afinal uma coisa era estar desarmado e outra completamente diferente era deixar qualquer lágrima cair na frente dela. — Não. Eu não vou sumir porque eu amo você. Eu vou sumir da sua vida porque eu preciso fazer isso por mim mesmo. Você pode ter o troféu que quiser, mas o meu coração não, Hone. Eu não vou te dar esse prazer. — lançou um sorriso seco e nada verdadeiro na direção da menina antes de se virar novamente, com intenção de chegar a porta dessa vez, mas parou de novo, virando apenas o rosto para fitá-la — Só espero que você fique feliz com essa decisão. — murmurou, quase como se não fosse para ela ouvir e então abriu a porta, saindo do apartamento, mais decidido do que quando entrará ali.
Engoliu em seco quando ouviu a primeira coisa que o menino tinha falado, e aquilo ficou por algum tempo na sua cabeça. De fato, aquilo parecia ser a maior verdade naquele momento, mas sabia que era algo que tinha prazo para acabar. Ela nunca esqueceria daquela cena, todo o sangue escorrendo sobre o chão, e os médicos que pareciam apenas piorar as coisas. Em seu estado normal, Violet nunca pediria pra que aquilo acontecesse de novo, e muito menos, pediria para não estar por perto. Respirou fundo, olhando para baixo, não conseguindo olhar muito tempo para o menino. Ele a fazia se sentir tão absolutamente fraca a cada vez que abria a boca, mas sabia, dentro de si, que aquilo não era verdade. Era era forte, e sabia disso, mas ele era a única pessoa em todo o mundo que conseguia fazer com que ela se sentisse minimamente - e, acredite, minimamente mesmo - culpada por estar certa. Mas ela demonstrava isso? Claro que não. Ele não merecia nada que viesse de piedoso dela. Pelo menos não mais -- Eu vou ficar -- disse, em relação a estar feliz com o pedido dele se afastar completamente dela, sentindo agora, definitivamente, um grande bolo se formando em sua garganta, de forma que ela não poderia mais abrir a boca para falar, sem simplesmente desabar. Quando ele abriu a porta par sair, ela apenas continuou ali, parada, olhando para onde ele estava, como se continuasse ali. Violet nunca havia se sentido mais burra do que naquele momento, por pensar que ele poderia ter se tornado a pessoa que a protegeu um dia. Ela deu um passo a frente e pegou um dos pequenos vasos que enfeitavam um pequeno móvel que ficava no corredor, jogando o mesmo aonde ele estava antes de sair pela porta, como se de certa forma, aquilo pudesse atingí-lo. Mas não podia. Ela não estava mais ali, e nunca mais ia voltar, e a única reação que a garota pode ter com aquilo foi jogar suas costas contra a parede e ir escorregando até sentar no chão, deixando com que aquele bolo simplesmente fosse liberado de dentro de si.













