Blackout || Scott, Britt, Rick, Hector, Licy, Theo, Suzie e Ben
A loira acreditava que definitivamente, tinha exagerado nas bebidas. Quando o apagão aconteceu, não sabia o que fazer. Gritou e agarrou-se em Ben. Não por medo, mas por surpresa. Manteve-se próxima dele, e foi quando uma dor pequena iniciando nas profundezas de seu cérebro se alastrou como se tivessem fazendo-lhe uma cirurgia cerebral. Mesmo que soubesse que no cérebro não haviam nervos para doer, era como se houvessem. Não duvidava caso sua massa cerebral começasse a escorrer pelos ouvidos. Cerrou os dentes enquanto aquela dor a consumia, e levou as mão na cabeça, não aguentando ficar em pé por muito tempo e depois, simplesmente parou. Como se não houvesse acontecido nada. Ela sentia seu coração bater com força contra o peito, enquanto os olhos esverdeados tentavam se ajustar na escuridão sem muito sucesso. Odiava o escuro. Nunca gostou de ficar em um ambiente sem luz. Esperava que ao menos conseguisse ver a lua, mas estava tudo cerrado. Não via nem os próprios pés. Um arrepio percorreu sua espinha tentando ligar o que havia acontecido, mas não fazia ideia. - Você também…? - Perguntou a ele referindo-se a dor repentina na cabeça, mas a resposta era óbvia.
Ao seu redor, conseguia sentir presenças e logo uma luz estalou em sua mente. Brittany. Onde sua melhor amiga estava? Sentiu o desespero cresceu por seu corpo, até que ouviu a voz de Scott em um canto da casa. - Scott? O que… Só estamos nós aqui? Isso é uma maldita pegadinha. - Reclamou, soltando-se dele e cruzando os braços, mas com um pé atrás. - Eu disse para Brittany que não era uma boa ideia vir nesse lugar. - A frase não era totalmente verdade. Ela estava se adaptando. Poderia até mesmo gostar de algumas coisas dali, mas o que acontecera naquele momento fora demais para a loira que possuía uma pressentimento ridículo que algo extremamente ruim iria lhe afligir, e não só a si, como também aos outros. Então a voz da amiga foi ouvida, e ela segurou na mão de Ben, não deixando que ele lhe escapasse enquanto corria até o local de onde o som pareceu surgir, encostando em alguém. - Brittany! Pelo amo de Deus. Nunca mais fique longe de mim. - Disse ficando próxima do corpo da ruiva enquanto segurava a mão de Ben, sem realmente, saber porque ainda o fazia e lentamente, soltou os dedos dele de maneira sutil. - Certo, então temos que achar um jeito de sair logo daqui. Mas eu duvido que as portas estejam abertas. Isso é igualzinho um filme de terror. - Murmurou de maneira teatral, mas manteve-se estática, respirando fundo. As janelas escuras deixavam imperceptível a passagem de luz, e mais uma vez, aquilo a deixava ainda mais tensa porque Suzie simplesmente sentia que não havia nada de bom dentro da escuridão, e não era um medo bobo.
Ben se sentia sem peso, como se todas as suas preocupações tivessem sumido, e todas as suas memórias ruins tivessem evaporado. Ele dançava com Suzie, e podia sentir o cheiro do perfume dela, devido à proximidade entre eles. Um sorriso estava estampado em seu rosto. Ben estava se inclinando para a frente -querendo roubar um beijo da loira- quando o apagão aconteceu. O chão estava molhado de Whiskey e com inúmeros cacos de vidro aos seus pés, apesar de ninguém parecer ter notado. A dor de cabeça começou de uma hora para a outra e de uma vez só, em casos normais, ele imaginaria se foi isso que a mãe sentiu quando se suicidou, agora ele só pensava em Suzannah, que gritava ao seu lado. Sabendo que não aguentariam ficar em pé, visto que se contorciam todos, Ben se jogou no chão, evitando que a moça se machucasse. A dor foi em dobro, e ele não conseguia saber se o que molhava sua camisa -o terno havia sido jogado em um canto assim que chegou, por causa do calor- era a bebida ou o próprio sangue. Ele preferia nem saber.
Suas costas ardiam como brasa, e ele imaginou se isso era por causa do álcool ou se a dor de cabeça o fez hipersensitivo. Assim que a dor diminui ele pulou para cima, se jogou no ar e se manteve perto de Suzie, lembrando-se de checar se ela estava bem, pelo menos à quase nenhuma luz que o recinto recebia, ela não tinha maiores danos. Foi aí que se tocou de que a única luz vinha da lua e estava bloqueada por madeiras, e que a música tinha parado, e que quase todos tinha sumido. Ben olhou para os lados, procurando pelo irmão, ele parecia bem, então perguntou: - O que diabos aconteceu? Cadê todo mundo? - Ele olhava confuso para todos no recinto, e principalmente para a loira, que ainda segurava sua mão, não era algo que podia deixar de fazer. O moreno respirou fundo e fechou os olhos por menos de um segundo, tentando se acostumar a falta de luz do local. Não adiantou muita coisa.






