˓ 🌙. ‛ ━━ a noite de comemoração para alguns, se tornara um grande tormento para si, tornando um peso estar ali, doendo o peito ver a felicidade que não conseguia sentir. mais do que ninguém, ursula conhecia seus sentimentos e intenções, porém terceiros não acompanharem tal linha e a verem na pele de lobo a machucava imensamente. algo que também era sua responsabilidade esconder. afoita, procurou entre as faces um rosto conhecido em especial, ofegante de alívio quando o encontrou entre os traços turvos e bêbados a rondando. —— kyesang. —— chamou, mais parecendo uma súplica. —— e-eu preciso.. daquilo. daquilo que você tem, sabe? você tem aí? por favor, diga que sim, estou me sentindo muito mal e.. e bem, eu preciso, preciso mesmo daquilo.
foi com um arrepio que reconheceu a voz feminina. repentinamente preferia não mais usar a porra da bandana ou qualquer que fosse peça de roupa que o identificasse como líder dos escorpiões, porém a merda é que já era tarde para esse tipo de desejo. “eu não trouxe”, mentiu descaradamente antes de até mesmo pensar suas ações — nos últimos dias sentia-se extremamente culpado de repassar drogas para aquela lhe suplicava. maldito o momento em que resolveu encará-la. “porra...”, suspirou. “o que eu faço com você?”, enfiou as mãos no bolso — invólucro plástico pareceu muito mais frio ao seu toque, ainda assim resistiu a vontade de dar a ela. que merda...
❛ ― eu posso ter vinte e quatro anos, mas minha mentalidade é de no máximo doze… você sabe que vou te morder. ❜comentou antes de avançar sua boca aberta para o indicador do outro, fechando os dentes violentamente antes de alcançar a extremidade da mão de kyesang para não machucá-lo. forçou uma cara brava, mas cedeu um espaço para uma feição teatralmente decepcionada ao escutar o comentário seguinte. ❛ ― não irei gastar todas minhas armas para um lugar com bebidas. você me cede um sorrisinho ou te faço encher a cara como se coma alcoólico não fosse algo real. ❜ mais uma vez se viu empurrando o amigo, dessa vez com mais força sabendo que não o machucaria. ❛ ― eu ainda vou te vencer sem precisar dos outros. e ainda vou jogar na cara de todo mundo que o líder dos escorpiões é um docinho. ❜ passar um tempo, curto que fosse, com kyesang já mostrava efeito no humor da jovem. forçava inconscientemente esquecer os acontecimentos da manhã anterior com seu pai. ❛ ― eu não sei o que está fedendo mais, você ou o banheiro… ❜ disse com um riso antes de bater de volta na porta ao ouvir alguém de fora fazendo o mesmo, pedindo sem educação alguma para saírem do cômodo. ❛ ― sei que é estranho te puxar para cá, mas queria te abraçar. ❜ confessou, olhando para baixo com medo de ser implicada por sua sensibilidade. ❛ ― sinto saudades de você com os crocodiles, mas você está muito bem com os outros! parabéns por hoje, kyesang. ❜
“vai precisar de muita bebida para me deixar em coma alcoólico”, afinal era literalmente um viciado em álcool, mas isso era assunto para outra hora. foi a cara brava que ela lhe fizera que ganhou o sorrisinho discreto e dava aquilo por suficiente; talvez a expressão tenha sido somente uma forma de satisfazê-la momentaneamente, mas quem era ele para negar algo a raeyi quando ela agia daquela forma bem a sua frente? e era verdade que, ao menos perto dela, o líder dos scorpions era um, de certa forma, docinho e não sabia se seria capaz negar quase ela lhe acusasse disso fora daquelas paredes, mas isso não significava que podiam se meter com ele como se não fosse capaz de matá-los com suas próprias mãos. “um dia eu deixo você vencer de mim, quem sabe. e fique à vontade para tentar convencê-los disto raeyi”, riu divertido, previamente ao olhar sério, se dando ao trabalho de prestar ainda mais atenção na mais nova com certa seriedade; algo lhe dizia que nem tudo estava tão bem com aquele comportamento repentino, ainda assim a envolveu em seus braços. “assim está bom?”, perguntou baixinho o que acabou engrossando ainda mais sua voz. “o que aconteceu com você, hm?”, apesar de questionar em um tom leve, estava genuinamente curioso sobre a situação atual da mulher. ouviu novamente as batidas na porta e o sangue subiu para a cabeça rapidamente, então ele se separou. “que é, porra?”, o volume usado denunciava sua impaciência para com o sujeito do lado de fora; certamente tal pessoa se arrependeria ao ver sua figura saindo pela porta ― era senso comum que não deviam se meter com o líder dos escorpiões. “vocês jacarézinhos estão se saindo muito bem sem mim...”, provocou-a com uma sobrancelha arqueada. “valeu raeyi, você foi bem para caralho também...”
“Yo.” Joaquin aproximou-se sem mistérios, os olhos pequenos aliados ao sorriso ladino denunciavam o tom de brincadeira na voz. “Aproveitando muito a festa, Kye?” Perguntou como se a expressão do outro já não respondesse-lhe tudo e já não mais restasse dúvida alguma sobre suas opiniões quanto ao que os rodeava. Joaquin procurou-o incansavelmente na multidão por alguns minutos, e era óbvio para si, ou para qualquer outro que o conhecesse bem que o faria em qualquer cenário. Embora as brigas com Kyesang ocorressem com tamanha frequência naqueles dias, o líder jamais deixaria de ser a sua companhia e pessoa favorita, aquela cujo peso dos ombros de Joaquin sumiam ao estar em sua presença. “Ou dar uma volta por aí comigo te parece mais animador?” Riu despreocupado, porque honestamente Joaquin faria qualquer coisa de Kyesang desejasse.
tendo em mente o quão estressado ele vinha se sentindo nos últimos dias e mesmo com o aumento da frequência as brigas se tornavam nessas situações, joaquin, naquele momento, era o seu único alívio. falando assim, até diminui a forma como todo o peso do seu corpo sumiu no momento em que ouviu a o tom zombeteiro e sua risadinha características. “o que tem em mente, hm?”, perguntou com um sorriso até malicioso e, em seguida, desencostou-se da bancada que usava como apoio. a garrafa de cerveja foi levada aos lábios e dali ele sorveu um gole diretamente do gargalo, isso antes de estendê-la para seu braço-direito. “quer?”
❛ ― temos que conversar. ❜ tentou parecer séria ao se aproximar do antigo membro dos crocodilos. reconhecer o kyesang no meio das pessoas, com a cara completamente desgostosa fez com que raeyi não pensasse duas vezes em empurrar delicadamente o homem para um cômodo vazio ( o banheiro ) do estabelecimento. trancou a porta atrás deles, sabendo que o mais velho não agradava de demonstrações de afeto em público. ❛ ― 오빠 ! ~ eu vou te abraçar aqui, agora, e não vou te largar nem se me bater. ❜ e então realizou a ação rapidamente sem dar mais chances para ele correr. por mais que usasse para si mesma o abraço como uma desculpa de irritar o outro, ela estava precisando daquele depois da situação que havia passado com seu pai. demonstrava a necessidade daquele momento de afeto no aperto de seu corpo contra o outro, mas logo se afastou evitando deixar com que as lágrimas enchessem os seus olhos. ❛ ― eu vou ter que te morder ou irá sorrir para mim? prometo que na próxima competição irá perder só para os crocodilos. ❜
óbvio que kyesang não estava feliz; quando estava, para ser sincero? além disso, beirava o tédio naquela festa, pelo menos até ser abordado por raeyi. as expressões tão sempre impassíveis logo se modificaram em surpresa e ele não foi capaz de escondê-la por trás dos olhos esbugalhados. “—quê?”, a voz saiu esganiçada e ele quase derrubou a bebida no chão no meio do caminho, mas nada o espantava mais do que ser socado para o banheiro minúsculo do lugar. tentou conter seu abraço desesperadamente, mas não tinha coragem de empurrá-la, mesmo porque considerava a menor ali tal como sua verdadeira irmã. “eu não tenho medo de mordidas”, empurrou sua testa com seu indicador, mesmo que com certa delicadeza, procurando provocá-la. “vai precisar mais que isso para me fazer sorrir”, pontuou, mas os lábios beiravam um sorrisinho irônico. “como se algum dia os crocodilos fossem capazes de ganhar de mim, baixinha.”
A princípio, tão somente gargalhou. “Quem não te conhece, diria que a bebida está fazendo efeito, Dokgo.”, o mecânico se referia à atitude tipicamente colérica do líder dos escorpiões, bem como o uso de palavras de baixo calão. Não dava importância, no fim. Como já havia se adaptado ao temperamento forte do moreno, mesmo que nunca o tratasse pelo primeiro nome — hábito que comumente demonstrava com todos —, o enxergava como um amigo, acima de tudo. “Se precisar de ajuda, sabe que posso entregá-los em casa…”, a destra repousou sobre o ombro do motociclista, em um ato amigável. O sereno olhar de Changkyun passava uma sensação tão familiar quanto, procurando não aborrecê-lo ainda mais. “Não faz muita diferença, para mim. E você, está conseguindo se divertir? Vi que os Scorpions quase levaram o troféu.”, deu um último gole na própria bebida, amassando o copo descartável e acertando em cheio na lixeira ao lado. “Engraçado. Pensei que fossem vencer.”, o comentário soou mais para si mesmo, que para qualquer outro, devido ao quão distante o olhar se tornou.
“conto com você para entregá-los a salvo então”, era impossível manter a segurança de todos seus conhecidos que se encontravam completamente embriagados contando com apenas sua moto como veículo. “quase”, havia, com certeza, desgosto na forma como havia repetido a palavra ingênua e repentinamente sentiu vontade de socar a cara de changkyun. “engraçado", dessa vez, entretanto, não havia o quê azougado no tom usado, era muito mais amargo. “por um momento, eu também pensei...”, tão distante quanto o outro, kyesang calculou motivos para aquilo ter acontecido. “acho que não era minha vez, hm? gae-sae-kki¹”, tão mergulhado em pensamentos, não percebeu o xingamento escapando de sua boca. ao voltar ao mundo real, ergueu a cabeça e suspirou. “não vai querer uma cerveja mesmo? a minha acabou”
como sempre, kyesang não estava com uma cara cheia de felicidade, rindo a toa, divertindo-se para cacete, com a maioria dos outros. isso por força do hábito. ainda assim, lá estava ele, com uma cerveja na mão. “sinceramente...”, suspirou, após estalar a língua no céu da boca e mexer nos fios de cabelo. “bando de animais”, apesar do tom pejorativo, era a primeira vez que exibia um sorrisinho durante o dia.
”Se você está pensando que te darei um gole do meu café, desista.”, Changkyun o repreendeu, antes mesmo de obter uma resposta. Apesar da entonação reservada, estava claro que o comentário não passava de uma das suas peculiares travessuras, o modo que havia encontrado para preservar relações íntimas e muito além de qualquer trabalho. “Fui obrigado à invadir a cozinha dos águias atrás da jarra, e diferente de você e do restante, tenho trabalho durante o período noturno.”, ele comentou, justificando o suposto egoísmo quanto ao café e apreciando mais um gole do caloroso líquido em seu copo de papel biodegradável. “Digo, hoje é dia de comemorar, não?”
“eu lá tenho cara de quem bebe café? pode ficar com essa porra”, kyesang praticamente rosnou, ainda assim não estava verdadeiramente irritado com a situação. conhecia changkyun o suficiente para saber que não passava de uma provocação em busca de uma brincadeira. “fala como se não desse trabalho o suficiente cuidar deles...”, indicou com o queixo os seus colegas e até mesmo aqueles pelos quais não tinha muito apreço; virou o copo que estava em suas mãos, não era nada forte, apenas cerveja. “café com certeza não é sinônimo de diversão.”
uma coisa sobre um escorpião é que você nunca está preparado para o que ele é capaz de fazer.
ENTÃO... guess what?
quando o pequeno kyesang de cerca de quinze anos, com notas péssimas, comportamento pior ainda e marcas no corpo de tanto apanhar dentro de casa, escutou que poderia viver a vida apenas pilotando uma fucking moto, foi impossível simplesmente não largar tudo e fugir de casa, então ele fez uma coisa de cada vez.
conheça 𝗗𝗢𝗞𝗚𝗢 ‘𝗙𝗨𝗖𝗞𝗜𝗡𝗚’ 𝗞𝗬𝗘𝗦𝗔𝗡𝗚 , o líder dos 𝒔𝒐𝒖𝒕𝒉𝒔𝒊𝒅𝒆 𝒔𝒄𝒐𝒓𝒑𝒊𝒐𝒏𝒔 » perfil, ideias de conexões e sua história.
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guess what? quando o pequeno kyesang de cerca de quinze anos, com notas péssimas, comportamento pior ainda e marcas no corpo de tanto apanhar dentro de casa, escutou que poderia viver a vida apenas pilotando uma fucking moto, foi impossível simplesmente não largar tudo e fugir de casa, então ele fez uma coisa de cada vez.
lentamente, suas faltas na escola foram se tornando mais frequentes até o momento em que nenhum professor o vira por meses em sequência; depois lentamente passou a faltar no trabalho meia boca naquela lojinha de conveniência longe de casa até o momento em que o chefe, amigo da família, estourou e lhe mandou embora de seu emprego de meio período.
chegara, então, a vez de sua casa. ambiente asqueroso, por sinal. levou junto de si, sua irmã mais nova. além disso, já era hora, antes que acabasse matando seu pai nos socos, retribuindo todo o carinho que recebia do velho. a atitude não era nova, porém. assim que nascera e completara idade o suficiente para responder às ordens recebidas, kyesang começou a ter que lidar com uma onda de espancamento em massa. tinha sorte se eram apenas palmadas, pois o velho parecia gostar de chutá-lo e queimá-lo com aquelas bitucas de cigarro.
por outro lado, tudo o que fazia era permanecer parado, prometendo a morte ao babaca do outro lado. com catorze anos completos e tamanho o suficiente para revidar, a história era diferente. dificilmente fazia pouco uso da força nos braços, o que lhe rendeu brigas feias em casa que envolviam os mais variados objetos como armas e as palavras de mais baixo calão enquanto sua mãe e irmã permaneciam como telespectadores.
o conflito familiar era papo da vizinhança e na escola que atendiam, mas outra coisa que chocava aqueles que sabiam do que acontecia no interior da residência nº 267 era a negligência. dentro de casa, com a palavra do pai como ordem, pouco encontravam para comer e ambos os irmãos eram obrigados a dividir uma cama de solteiro — isso quando não recorriam ao banheiro e sua porta com chave devido ao medo de morrer enquanto dormiam.
por isso, por mais ruins que fossem as condições em que se encontravam, quando fugiram, os irmãos dogko encontravam-se agradecidos por estarem longe de tal ambiente. é claro, não foi fácil lidar com a fome, o frio e a mau caráter dos outros, mas não era muito diferente do que no lugar onde deveriam chamar de casa. foi obrigado a fazer algumas coisas das quais não se orgulha em nada e outra pelas quais não podia se importar menos, ainda assim sabe que foi essa a forma que conseguiu garantir a segurança de seu bem mais precioso.
logo kyesang encontrou membros do westside crocodiles que lhe ofereceram espaço o suficiente para crescer dentro do grupo, mas sua presença ali não durou muito e com vinte anos ele já havia encontrado seu lugar com os southside scorpions; sua saída foi amigável, afinal, apesar do comportamento errôneo e explosivo, havia conquistado os membros de ambos os clubes.
the thing is quando ele ficou sabendo desse modo de vida, jamais imaginou-se líder de um clube de rachas. com vinte e dois anos, contudo, estava desafiando e vencendo em pista o mandachuva dos escorpiões.
o passado ficou para trás. dele, kyesang só carrega sua irmã, seus traços de personalidade e características físicas (sim, leia com ironia). é por natureza alguém inquieto e competitivo, a impaciência e franqueza correm em seu sangue por genética, assim como sua capacidade de se meter em problemas, ainda assim faria de tudo para defender mesmo os membros mais novos do clube.
aí é que ‘tá o maldito problema: alguns diriam que sua fidelidade somado a sua impulsividade e arrogância não resultam em nada bom, mas ninguém pode negar que ele é um puta líder para os escorpiões.