UM POUCO DE FESTA NÃO FARIA MAL, CERTO? se mingi não estivesse na mira da arma de ursula, talvez concordaria. a irmã mais velha deixou claro o fato de sua presença ser obrigatória para que pudessem manter a boa imagem da família dentro dos tigers e mingi sentia-se como uma presa prestes a ser caçada. os olhares pesados em suas costas lhe davam calafrios e a sufocante urgência de correr sem olhar para trás na mesma velocidade de seu coração apavorado. porém antes que realmente escolhesse fugir ao invés de lutar, lembrou-se que trouxe sua máquina fotográfica descartável no bolso, parte essencial de seu kit de emergências sociais. a noite fria guardava em si infinitas possibilidades a serem descobertas através de sua lente, e mingi mergulhou completamente em sua nova missão sem delongas. só percebeu que havia esbarrando em uma pessoa e não em um poste quando abaixou a câmera e sentiu a temperatura despencar ao seu redor e o familiar movimento de sua boca se movendo inutilmente enquanto tentava desenrolar as palavras de sua garganta. “ eu não te vi- não te vi aí… você se mach-machucou? ” mingi agradeceu aos deuses por não ter se prolongado demais e prosseguiu rezando para que não tivesse acabado de comprar uma briga.
Lá estava Joaquin, mais uma vez em busca de companhias confortáveis em meio as festas. Era um cara mudado, certamente. Após a adolescência, tornou-se mais sociável do que era costumeiro seu ser. Uma nova pessoa, de fato. Contudo, algumas coisas são intrinsecamente suas e incapazes de mudar, tal era o fato de Joaquin não se sentir muito bem ao redor de multidões. Preferia um local mais calmo, longe de tanta gente no qual pudesse desfrutar de tranquilidade com alguém que conhecesse. Lamentavelmente, via-se sozinho visto que chegara atrasado na festa. Tirou a tarde para agilizar os trabalhos nas motos, uma vez que haviam muitas pendências. Dado o transtorno que possuía, nem sempre as coisas saíam como planejadas e sua vida acabava por tornar-se imprevisível, como uma montanha-russa sem freios. O choque de corpos - que para si fora mesmo que nada, dada a altura e os músculos - liberou-lhe dos pensamentos que o afastavam do local, trazendo-o de volta a realidade. “Oh.” Ele deixou escapar ao perceber de quem tratava-se. O riso breve que saiu foi inevitável visto que Mingi parecia tão nervoso ao ponto de não reconhecê-lo de imediato. “Mingi-ah, está perdido?” Ao perceber o tom de voz nervoso do menor, as sobrancelhas logo juntaram-se. “Alguém mexeu com você? Eu posso dar uma porrada nele se você quiser.” Assegurou-lhe amigavelmente.











