ele ouviu a explicação sem sentido que saiu pelos lábios da ruiva, não havia entendido nada, mas precisou forçar seu cérebro para compreender a mensagem. explicava os policiais a briga, mas ainda não fazia sentido o motivo, brigas aconteciam toda hora, inclusive muitas vezes ele já fora um dos focos das brigas. o grito ao longe o fez desviar por alguns segundos sua atenção do rosto confuso de savannah para qualquer direção aleatória que parecia certa, tentando enxergar o que estava acontecendo, obviamente em vão. “qu'est-ce enfer qui se passe ici?” sussurrou mais para si que para a garota, afinal, ainda estava falando em sua língua materna, retornando finalmente sua atenção para a outra ao perceber que não obteria nenhuma resposta tentando ver sobre a multidão de pessoas. oh no. savannah estava encolhida, como se estivesse em profunda… dor? ele não sabia ao certo qual emoção ela sentia, mas os olhos fechados denunciavam que ela não estava bem. cain ainda estava duvidoso sobre o que estava acontecendo, mas sabia que aquilo não poderia continuar, desvencilhou seus braços da garota apenas para ter mais contato enquanto a segurava o rosto alheio com firmeza, a maior parte de seus dedos entrelaçados nos fios avermelhados. “little red, keep your eyes on me.” ele sussurrou para ela, com um leve desespero disfarçado em sua voz, não queria admitir, mas a ruiva estava o deixando nervoso e apreensivo, ele não sabia o que estava acontecendo com ela e estava a cada segundo que passava mais desesperado para entender. “tem certeza que não está machucada?” ele avaliou rapidamente todos os pedaços da garota, vistoriando-a de cima a baixo. “consegue andar?” bem, ela estava andando quando ele a encontrou, talvez conseguisse, mas ele não esperou que ela dissesse qualquer coisa, ela precisava respirar e naquela situação ela nunca encontraria ar suficiente, soltou o rosto alheio apenas para se abaixar e passar seu antebraço na parte de trás dos seus joelhos e a outra pela coluna, erguendo-a em seus braços e começando a caminhar para um lugar mais tranquilo. “estou levando você para longe daqui, coloque os braços ao redor do meu pescoço.” explicou rapidamente, ajustando-a em seus braços, enquanto seguia seu caminho em busca de algum lugar mais viável. “consegue abrir os olhos e olhar para mim? já nos afastamos da multidão.” perguntou suavemente, baixando seu olhar para encontrar os olhos alheios, atentando-se para onde estava andando: zeta zeta rho, sua fraternidade. entrou no salão comum da mesma, vazio e escuro, primeiro por ser o lugar mais próximo de onde estavam, segundo por motivos básicos de: ’atletas nunca perderiam uma calourada’, logo mais pessoas entrariam naquele lugar, eles tiveram sorte de terem sido os primeiros, soltou-a e a colocou gentilmente em um banco alto próximo à bancada da cozinha, afastou-se o suficiente para pegar uma garrafa de água na geladeira, abrindo-a e estirando para a outra. “beba.” instruiu e cruzou os braços junto ao peito, avaliando o que estava acontecendo, já tivera visto ataques de pânico antes, ela estava tendo um desses? por quê? “como se sente?” perguntou, andando até onde ela estava sentada, descruzando seus braços e colocando suas duas mãos apoiadas no balcão, com a garota dentro de seus braços, baixando seu rosto o suficiente para estar na mesma altura, ele precisava verificar os olhos azuis alheios, eles sempre expressavam claramente suas emoções, quase se certificasse que tudo estava bem, afastaria-se.
* ♡ • — Sem que se desse conta do que fazia, a ruiva guiou ambas mãos aos ouvidos, buscando abafar os sons que tomavam sua mente. Não, não, não. Os olhos foram apertados com mais força, todavia, seus intentos não eram capazes de livrá-la daquela angústia. O zumbido voltou a ecoar por sua cabeça, arrancando um choramingo da menor. Não estava em Manchester, sua racionalidade gritava, mas ela não parecia ouvir. Nada era tão alto quanto aquele zumbido — exceto a voz de Cain. Um suspiro profundo deixou seus lábios ao encontrar as íris masculinas, suas orbes marejadas com o desespero que a preenchia. E não era preciso que ela externasse em palavras aquilo que estava evidente em seu semblante: precisava sair dali. Uma mensagem que o outro pareceu captar, considerando como a aninhara em seu colo. Savannah enlaçou as pernas ao redor do quadril do moreno com firmeza, os braços tensionados ao seu redor ao repousar o rosto na curvatura de seu pescoço. A necessidade de sumir a fazia encolher-se tanto quanto possível e os soluços mal podiam ser contidos em sua garganta quando obrigou-se a recobrar os exercícios de respiração. 10, 9, 8, 7... A pressão exercida pelo mais velho ao seu redor trazia-lhe certo conforto. 6, 5, 4... O odor por ele emanado era estranhamente familiar, era possível que fosse o mesmo que ela sempre gostara? 3, 2, 1... O ligeiro movimentar causado pela respiração masculina era tranquilizante. Por fim, o aperto da Atterberry se afrouxou ao perceber-se mais calma, mesmo que ainda não ousasse erguer o olhar para seu entorno. E teria permanecido ali, caso a afirmação alheia não tivesse atraído sua atenção. Com certa hesitação ela endireitou a postura e, lentamente, abriu os olhos, fixando-se nos dele. Nana expirou. Tudo ficaria bem. Ao chegarem à zeta zeta rho, Savannah pareceu começar a recobrar os sentidos, identificando a fraternidade não muito mais tarde. As mãos trêmulas alcançaram a garrafa que lhe foi estendida e alguns segundos foram necessários antes que se visse capaz de levá-la aos lábios sem provocar um desastre. Goles curtos, apenas para sentir a gelidez descer por sua garganta — um toque frio que parecia minimizar sua inquietação, se é que podia ser chamada assim. “Melhor... Acho.” Se forçou a dizer. “Desculpa... Eu não sei direito o que aconteceu.”