“Comovo-me em excesso, por natureza, e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões.”
— Graciliano Ramos, no livro “Memórias do cárcere”. Record, 2013
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@sem-discernimento
“Comovo-me em excesso, por natureza, e por ofício, acho medonho alguém viver sem paixões.”
— Graciliano Ramos, no livro “Memórias do cárcere”. Record, 2013
família, compaixão, escolhas.
Antes de começar preciso deixar bem claro que ultimamente não há pensamento mais recorrente em mim que o de desapego. Tenho uma linha tênue separando meus problemas dentro de casa com meus problemas comigo mesmo, e pior que isso é não saber por onde começar, nem como. Minha família nunca me pareceu tão distante de mim, e por mais que eu queira muito continuar do lado deles e ser a pessoa que queriam que eu fosse, eu estou esgotado e cansado de tentar incontáveis vezes me sentir abraçado e confortável no ambiente da minha casa.
Minha experiência de vida foi o suficiente para chegar em um resultado que, pensando agora, vem a ser confortável de imaginar: por mais que nós como pessoas queiramos manter laços com quem gostamos, se não é algo produtivo e saudável, não existe motivo para se deixar destruir. Existem pessoas no mundo que querem nosso bem, e aprendendo isso, hoje me cerco de pessoas positivas e compartilho do mesmo sentimento com elas. Meu caso com meus familiares é uma relação unilateral de atenção e paciência da minha parte, enquanto de descaso e indiferença da outra.
Já escutei coisas horríveis de todos eles, que pesam muito mais que as coisas boas, e o motivo de começar a escrever hoje foi o gatilho que precisava para refletir e colocar tudo no lugar dentro de mim. Não iria me arrepender de deixá-los e me distanciar, não mais. E isso não significa que eu não os ame ou não queira mais o bem deles, é apenas reflexo de um desgasto emocional que vem me consumindo aos poucos, fazendo que eu questione se meu amor próprio é maior que meu amor por aqueles que me criaram e conviveram comigo durante toda a minha vida até o momento.
O fato é que se não nos faz bem, é melhor deixar ir sem remorsos. A vida é curta demais para ficarmos sofrendo amargura de outras pessoas simplesmente por existir, e como eu sinto que tenho em minhas mãos a escolha, não irei deixar que a negatividade e toda arrogância sobressaia pela minha ambição de ser feliz.
Eu escolhi. Escolhi partir, escolhi a distância, escolhi não deixar a influência deles me transformar em algo que não sou e não quero ser.
me leu mas não soube me interpretar céu de júpiter
eu só queria que você estivesse aqui
nada dói mais
do que você não se importar
“As vezes 1 minuto destrói 23 horas e 59 minutos.”
— Desconhecido
Shiro Kuramata, Miss Blanche Chair 1988.