Claire Keane

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@semsaberexplicar
queria que tivéssemos sido alguma coisa além de incerteza. teu coração machucado não reconheceu no meu coração machucado um ponto de paz, lugar pra ficar. meu medo gritou mais alto do que a vontade de te ter e eu simplesmente corri, mesmo querendo desesperadamente ficar. não me permiti durar mais um par de horas segurando tuas mãos porque senti que tu podia esmagar meu peito com os mesmos dedos que passeavam pelos meus cabelos. te quis ao ponto de ter vontade de gritar teu nome na avenida principal, e sei que o mesmo sentimento correu nas tuas veias. mesmo quando tu virou as costas e foi embora, eu senti que queria permanecer em nós. mas tu tá machucada demais. e meu peito também sangra. antes do nosso nós tropeçamos em braços demais que não souberam nos segurar. que o nosso nós seria épico se não tivéssemos explodido e estilhaçado por dentro.
queria ter tido a oportunidade de te amar bonito e ser amado de volta, mas nos amaram tão errado que a gente não sabe mais amar certo.
e que pena.
voarias
“Antes de julgar a minha vida ou o meu caráter, calce os meus sapatos e percorra o caminho que eu percorri, viva as minhas tristezas, as minhas dúvidas e as minhas alegrias. Percorra os anos que eu percorri, tropece onde eu tropecei e levante-se assim como eu fiz. E então, só aí poderás julgar. Cada um tem a sua própria história. Não compare a sua vida com a dos outros. Você não sabe como foi o caminho que eles tiveram que trilhar na vida.”
— Clarice Lispector.
Acredito que um dia terei o amor sobre o qual tenho lido todos esses anos.
— Monalisa.
um olhar cansado e o coração mais ainda
queria ter coragem de te contar, que apesar de nós dois sermos um caos completo, eu ainda nos escolheria. que teu sorriso ainda ilumina meus dias mesmo nos momentos sombrios, e que tua mão na minha faz falta nas horas vazias. descobri na distância de nossos corpos que minha melhor versão é contigo, quando minha risada se tornava mais alta que os problemas
nós éramos bons em rir juntos.
existe muito de ti nas manias que eu tenho e nas músicas que eu ouço, e meus sonhos que realizo hoje são os mesmos que te contei no passado. ainda que soe controverso, nós éramos boas companhias um para o outro, mas amantes ruins. éramos bons nas coisas simples, no abraço apertado, no fone compartilhado, na colher de sorvete dividida… mas tudo se complicava quando o peito falava mais alto, quando meu coração gritava palavras que o teu não compreendia, quando o entendimento não se fazia presente. parecia que tínhamos sidos feitos para durar, mas não soubemos fazer isso acontecer.
ainda acredito que somos almas gêmeas, mas somos péssimos em nos amar.
voarias.
"you dont tell me things, Joel. I'm an open book, I tell you everything. every damn embarrassing thing. you don't trust me"
o tempo foi passando e eu fui aprendendo que amor é muito sobre ouvir, mas só agora eu entendo que também é sobre falar
em muitas das minhas relações eu deixei de falar sobre mim. de me apresentar, de me colocar presente e externalizar quem eu sou
ainda faço isso, mesmo hoje, dez anos depois
eu perdi pessoas porque elas foram embora e quiseram ir, mas também as perdi por que elas pouco sabiam de mim, eu pouco deixava elas entrarem e se fazerem presentes
eu tive amigos que não sabiam quem eu realmente era - dos meus gostos por arte, da minha comida mais boba, de um livro que acabei de ler, do quanto sou péssima em matemática e sei muito de história, dos medos, aflições, sonhos. eu era nova demais pra saber que laços se formam em meio a esses compartilhamentos que parecem bobos, mas que não são
amor também é sobre deixar os outros saberem o quanto você está triste, o quanto a vida tá uma bagunça, o quanto a fragilidade te atinge - nesse tom de fragilidade é quando a gente toca os outros e os outros tocam a gente, sabe? é nesses momentos que nasce o conforto de uma pessoa que diz "ei, eu até que entendo você"
eu nunca soube falar então sempre fui de escrever
tenho escrito cada vez menos
é como se eu não tivesse muito pra mostrar ao mundo ou o mundo não tivesse interessado no que tenho pra mostrar.
eu assisti a parte mais bonita de mim morrer. depois de tanto lutar contra o precipício, você para para observar, e encarar. talvez essa sempre foi a única saída possível, e resistir nada evitaria o fim. você sabe que eu tentei. travei inúmeras batalhas internas, chorei rios e tempestades por míseros segundos de sol estendi a mão e não tive ninguém para me segurar de volta. encarei noites e noites o monstro que consumia meu peito por dentro no fundo do meu quarto escuro. você sabe que eu lutei pela angústia que engolia meu coração, pela falta de fé, pelo medo de existir, pela falta de vontade de existir. você sabe que eu tentei até onde pude e não pude, que insisti até sem forças mas você também sabe, que quando se convive muito com a escuridão, uma hora ela te abraça.
voarias
nada me toca a alma como antes.
voarias
eu sou um mar de receio
a.
às vezes eu choro por me esforçar ao máximo e mesmo assim achar que não fui o suficiente
-es.
todo dia um caos para apaziguar dentro do peito. todo dia tenho que fingir não sentir dor, embora eu sangre constantemente. todo dia busco de não sei onde, forças para permanecer intacto. todo dia sobrevivo na medida do possível.
— colapsointerno