The one that got away - POV
Used to steal your parents' liquor and climb to the roof
Talk about our future like we had a clue
Never planned that one day I'd be losing you
Amor. Para Lucius o amor não passada de um fluxo de substâncias químicas fabricadas pelo corpo. Substâncias como: Adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, oxitocina, serotonina, endorfinas e todo o resto de “inas” possíveis. Era química pura. Mas ainda assim conseguia despertar sensações e fazer o mais sensatos dos homens tornar-se um idiota.
Durante anos ele guardou esse sentimentos em seu peito o mais fundo que conseguia. Não que não sentisse, apenas não acreditava que era capaz de possuir. Foi criado em um lar onde seus pais não se amavam, o casamento havia sido arranjado e no máximo eles se suportavam. Claro que ele tinha conhecimento do amor em sua forma familiar, na sua forma paternal. Mas não era inocente a ponto de acreditar que poderia viver um romance dos filmes e conhece-lo em sua forma romântica. Pelo menos foi a isso que se apegou até perceber que Narcisa Black o cativara.
Talvez sempre a tivesse amado, desde a infância. Ela era a sua melhor amiga e, talvez, a única que o compreendia sem que tivesse de dizer uma única palavra, o compreendia melhor do que Rabastan. Ela era uma verdadeira dama, encantadora, cordial e cheia de mistérios. O que mais lhe atraia a atenção era o sorriso, não era sempre que ela dava para o mundo o prazer de vê-lo, mas quando estavam sozinhos aquele que julgava ser o melhor sorriso aparecia estampado na face, sempre vindo após um comentário ácido. Narcisa era uma mulher única. Era.
Lembrar dela era doloroso, mais do que Lucius poderia imaginar. Havia um buraco em seu peito, nos ombros carregava o peso amargo do arrependimento e no coração o das palavras não ditas. Sua morte fora injusta. Ela se fora tão cedo e de modo tão brutal que Lucius não teve tempo de abrir o coração e revelar o que por muitos anos vinha guardando.
Ele tentou. Ele realmente tentou. Fingiu que o pensamento de tê-la perdido não estava perturbando sua cabeça. Fingiu que sua morte não estava lhe tirando o sono, que não estava roubando-lhe a atenção dos seus objetivos e não estava fazendo o seu coração doer.
Havia um resto de sanidade em sua mente da qual tentava se agarrar, utilizava dela para manter-se focado e permanecer com a postura séria e intangível. Afinal, ele ainda tinha uma reputação. Não que isso tivesse grande importância num momento como aquele, mas precisava seguir em frente. Existiam pessoas que acreditavam que Lucius saberia o que era certo a fazer. Mas, no final do dia, ele era alguém tão perdido quanto os outros e a sua dor complicava a mente já exausta de lutar.
Não conseguia pensar em outra coisa que não fosse “E se”. “E” e “Se” duas palavras que, por si só, não apresentam nenhuma ameaça. Mas, se colocadas juntas, lado a lado, elas tem o poder de nos assombrar a vida toda. E se... E se... E se...
Agora ele estava sendo assombrado por uma quantidade infinita de possibilidades de um futuro diferente, um futuro que Narcisa estaria ao seu lado, um futuro em que ela estaria viva. Tudo poderia ter sido diferente se ele tivesse ousado, se ele tivesse aberto o seu coração e dito todas as palavras que guardava, até mesmo as mais clichês. Talvez ela estivesse com ele agora, talvez ele a estivesse segurando em seus braços ao invés de perpetuar o luto, talvez eles tivessem tido a oportunidade de serem felizes juntos, formado uma família e seguido adiante. Infelizmente, agora tudo não passava de infinitos “E se...”. Apenas hipóteses de um futuro com ela ao seu lado.
Os segundos se alongavam a cada instante que imaginava um futuro ao lado dela, um final diferente para aquela história. Ele, que sempre fora um homem de certezas, não tinha mais noção de como sua vida terminaria. Mas foi com a perda que teve a primeira certeza sobre seus sentimentos, ele amava Narcisa Black. Um amor verdadeiro, profundo e que, infelizmente, ela jamais teria conhecimento. Tudo o que ele precisava ter tido era coragem de seguir o coração, mas agora era tarde demais.