Qual é o seu pesadelo mais recorrente?
Nunca tive um pesadelo que se repetiu. Na realidade, meus sonhos em geral são bem calmos e sensíveis.

shark vs the universe
Show & Tell
we're not kids anymore.
he wasn't even looking at me and he found me
Monterey Bay Aquarium
No title available

izzy's playlists!
YOU ARE THE REASON
NASA
Cosimo Galluzzi
TVSTRANGERTHINGS
will byers stan first human second
macklin celebrini has autism
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year

titsay
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
Cosmic Funnies

Janaina Medeiros

No title available
KIROKAZE

seen from United States

seen from United States
seen from Türkiye
seen from Australia

seen from Poland
seen from Türkiye

seen from United States

seen from United States
seen from United Kingdom

seen from United Kingdom
seen from Sweden

seen from United Kingdom
seen from United States

seen from India

seen from Germany
seen from T1

seen from Türkiye
seen from United States

seen from Germany

seen from Malaysia
@sethjacobss-blog
Qual é o seu pesadelo mais recorrente?
Nunca tive um pesadelo que se repetiu. Na realidade, meus sonhos em geral são bem calmos e sensíveis.
Se aventuraria na magia sexual?
Certamente e sem pensar duas vezes.
Se você quiser tentar, por favor, faça de mim sua cobaia.
No que consistiria o dia perfeito?
Uns baseados, umas risadas divertidas, talvez sexo. Uma comida gostosa pra comer na hora que a fome apertar. Uma meditação esclarecedora, um pensar diferente, uma percepção nova acerca do mundo. O céu estrelado durante a noite e uma boa companhia pra compartilhar do vinho e comer à luz das estrelas.
Qual a sua memória mais querida?
Essa é segredo.
Uma fantasia sexual?
Sexo na água.
E sexo tântrico.
Já cometeu algum crime?
Fumo maconha desde meus dezesseis anos.
Sim, eu já cometi alguns crimes a mais.
Quais os seus planos para o futuro?
Planos?
Planos são chatos demais. Não gosto de planos e não gosto de gente que faz planos.
onde almas coloridas tinham 10% de desconto | kseniya x seth
A vida contemporânea absorvia cada vez mais a essência pacífica de Kseniya. Enquanto caminhava pelas calçadas lotadas de Nova York, tentando passar no meio das multidões concentradas, notou que já estava começando a se irritar com toda aquela agitação da cidade. Provavelmente precisaria refugiar-se na natureza daqui pouco tempo. Suspirou, abaixando a cabeça para olhar para o pingente de Kolovrat pendurado em seu pescoço. Ele a ajudava a manter-se mais confiante e serena. Tentou não se concentrar na dor latejante que se espalhava dos pés até os joelhos - havia percorrido mais da metade do caminho de ônibus e decidiu que caminharia pela distância que faltava até o ponto de encontro com Seth. Precisava muito de um livro que não possuía e também não encontrara na biblioteca da faculdade, então a única solução que pôde cogitar foi perguntar numa publicação no grupo de antropologia no Facebook se algum deles tinha o volume que necessitava. Felizmente, Seth respondeu e dispôs-se a emprestá-la, combinando depois com Kseniya um horário no Central Park para entregá-la.
Na tentativa de que a caminhada até seu destino passasse mais rápido - e também com as intenções de se desconcentrar de todos os fatores negativos que rondavam sua mente no momento - começou a reparar no cenário ao seu redor. O céu estava nublado, borrifado por uma camada de nuvens cinzentas. Naquela parte do ano, o clima costumava a ser consideravelmente frio e por isso ela optara por colocar um casaco. Já havia passado por temperaturas menores, então não se preocupara muito em agasalhar-se devidamente.
Assim que visualizou as árvores do Central Park, ainda meio longe de onde queria chegar, soltou um suspiro de alívio. Aumentou o tamanho e velocidade de seus passos, visando alcançar seu ponto de destino mais rapidamente. Quando suas botas pisaram no gramado, deu uma olhada abrangente ao seu redor. O parque não estava muito lotado, o que deveria ser algo inédito e que tornaria a busca por Seth mais fácil. Precisou procurar mais um pouco antes de finalmente encontrá-lo sentado embaixo de uma árvore, descansando em sua sombra com um livro nos braços - deduziu que era o volume que desejava. Kseniya aproximou-se dele, discreta como todos os seus movimentos costumavam ser e quando estava perto do homem o suficiente para que ele a ouvisse, chamou-o. — Com licença — limpou a garganta. — Você é o Seth, certo? — Perguntou para certificar-se de que não havia confundido-o com a pessoa errada, o que não deixava de ser provável, já que não o conhecia muito bem.
Seus olhos estavam fechados, enquanto silenciosamente Seth absorvia o caos do ambiente ao seu redor: o cantar dos pássaros e farfalhar das árvores, o zummm interminável provocado por insetos. As vozes distantes, uma risada infantil, uma buzina de carro muito distante. Até mesmo o borbulhar do rio o rapaz ouviu, perdido em seu torpor efêmero.
Apenas dois anseios o haviam conduzido até ali: o primeiro, é claro, era ajudar uma estudante desesperada; já o outro era mais complexo: esperava conhecer uma pessoa que, além de atraente, fosse também interessante.
Despertou imediatamente ao primeiro som da voz feminina próxima. Os olhos verdes piscina abriram-se, confusos e curiosos, e alcançaram o olhar da outra. Ergueu-se um meio sorriso nos lábios masculinos e Seth observou, tentando não ser invasivo, os traços da mulher. Era bela. Desviou os olhos rapidamente. - De fato, eu. - Levantou-se então. - Não sei muito bem pronunciar seu nome e me desculpo previamente por isso, Kseniya. - E, fazendo um gesto em direção ao chão, disse: - Me acompanha? - Sentou-se, então, acomodando-se sob a árvore e esperando a decisão da outra.
Olhou-a novamente, um pouco desajeitado. Algumas mexas do cabelo escuro haviam se despredido do penteado, caindo ante ao rosto feminino e contrastando com a tez clara. Os olhos da outra flagraram o observador, e Seth logo pigarreou, continuando a conversação para se livrar do embaraço. - Por favor, me conte de onde você vem. Seu nome me deixou curioso. É da Ucrânia? Rússia talvez? Certamente origem eslava, imagino. - Sorriu e, levantando uma das mãos, organizou os dedos de forma com que parecerem uma arma. Piscou um olho para a mulher e, com um estalo provocado pela boca, apertou o gatilho imaginário. - Ainda presumo que você é uma boa nadadora e ouvinte. - E, com os olhos invadidos por uma curiosidade infantil, deu de ombros. - Estou certo?
Miles McMillan at Richard Chai F/W 2014 by Anna Webber (via)
sereníssima {seth+madison}
Madison realmente pensou em declinar ao convite para ter uma pintura sua exposta. Ela não aceitava, ela não era como aquelas outras pobres almas que sofriam. Ela não sofria. Nunca sofreu. Madison amava a sua amiga-voz e sabia que ela nunca a faria mal e também nunca a faria sofrer. Apenas aceitou e de fato enviou um quadro para a galeria quando Margot, sua irmã mais velha, a convenceu de que poderia ser uma boa ideia e que se ela fizesse questão ninguém precisaria saber que era ela a artista, ela poderia usar um pseudônimo como muitos faziam. E foi o que jovem fez. No lugar de assiná-lo como Madison Huntington, o quadro trazia Hecate como pessoa geradora.
Na data da exposição a jovem sentia-se mal, algo dentro de si não estava muito bem, seu estomago talvez. Sentiu que podia vomitar por vezes durante a tarde e quando Margot resolveu arrumá-la para vernissage Madison sabia que algo aconteceria naquela noite, algo muito além de expor um quadro seu.
Já na vernissage, recusou várias taças de champagne graças ao olhar enviesado que Margot lhe direcionava a cada vez que um garçom se aproximava. Ora, Margot era a irmã mais velha e faria o que estivesse a seu alcance para manter o bem estar de sua irmãzinha mais nova, e ela sabia muito bem que bebidas alcoólicas não combinavam em nada com a medicação que era ministrada à Madison diariamente. Quando enfim conseguiu se livrar da mais velha, a jovem pegou a primeira taça que viu em uma bandeja e passeou pela galeria, observando as obras. “A sua é a mais bonita daqui.” A sua voz-amiga sussurrou para ela e, mesmo sem querer, Madison concordou com o que ela dizia. Parou a frente de seu quadro e fitou as linhas confusas e coloridas que havia feito na tela com veracidade. Estava tão entretida que nem notou o rapaz que também estava ali parado, observando a sua obra.
"Se aquele maldito não tivesse furado comigo..." pensava Seth, enquanto, acomodado sobre a guia da calçada, apertava um baseado. Os poucos minutos dedicados a arte de bolar eram cruciais para uma experiência otimizada e pastéis só eram bem-vindos se carburassem. Havia combinado com um amigo de comparecer em uma exposição de telas feitas por esquizofrênicos. Certamente, fumar um baseado era importante antes de se expôr a qualquer tipo de arte: além de ficar menos atento e focado em pensamentos 'racionais', Seth sentia a criatividade correr livremente através de sua teia mental. Lambeu a seda e fechou o cigarro de maconha - ou, como diria Tim Maia, "o baurete" -, colocando-o rapidamente entre os lábios e acendendo a ponta. Vários tragos mais tarde e pronto, um terço do baseado mediano já estava na mente. Apagou e guardou a pontinha dentro da carteira.
Vestia uma calça jeans preta e coturnos. Por cima da camiseta azul (onde lia-se "conheça a cultura nativo americana"), usava um terno barato. Ao chegar na vernissage, aceitou uma taça de champanhe para esconder o cheiro que a cannabis havia deixado em seu hálito. Tinha pouco hábito de beber alcoólicos e, quando o fazia, bebia apenas os derivados da uva.
Quando já estava na terceira taça de espumante, uma obra atraiu sua atenção. Mais bela do que as outras, aquela peça abstrata certamente acarretava sentimentos profundos e inusitados. Seth, então, passou um tempo observando-a, sem conseguir decifrá-la ou concluir quaisquer pensamentos acerca dela. Desejou conhecer a autora, que usava o pseudônimo de Hécate. Notou, então, a aproximação de uma desconhecida, que também parecia interessada na obra em questão. - Você acha que se eu disser que me interesso em comprar esta obra, consigo conhecer a autora? - A voz saiu de seus lábios rouca, porém segura, e se dirigia a desconhecida. - O que quero dizer é, - Deu de ombros - a pessoa que fez isso certamente tem uma versão bem mais excêntrica e bela da realidade do que a minha.
frio nas fronteiras de topázio {amethyst + seth}
O ar parecia estava rarefeito, mas razão por não conseguir respirar não era a falta de oxigênio, e sim um nervoso incontrolável que crescia dentro de si. Seu lábios já estavam em carne-viva de tanto que os mordia, mais uma vez culpa da inquietude. Mal conseguia distinguir o que se passava no meio das luzes turvas que saiam de todos os cantos e apareciam nas mais diversas cores. Pessoas andavam de um lugar para o outro, mas não era possível enxergar seus rostos. A música não seria ruim se conseguisse entendê-la como mais do que um simples ruído de fundo. Charlotte não queria estar ali, era mais que óbvio. Qualquer um perceberia que aquela mulher tremendo e com um olhar assustado não combinava com o resto do público que parecia relaxado. Ou talvez ninguém percebesse, mas essa possibilidade era inconcebível na mente dela. A verdade é que achava que não combinava com ninguém, como se não fosse nem humana, como uma criatura extraterrestre. No entanto, pior do que ficar perdida em uma festa com seus nervos à flor da pele, era a ideia de ficar sozinha no seu quarto e perpetuar erros antigos. Precisava tentar coisas novas. Ela se conhecia muito bem, ou acreditava que sim, e sabia que do tédio e isolamento floresceria a dor.
Uma amiga da terapia a convidou para a festa à fantasia em questão, disse que seria uma chance de esquecer os seus problemas se agisse no papel de qualquer ser imaginário por algumas horas. Só que quando já estava no metrô, quase na estação de destino, essa amiga enviou uma mensagem comunicando que não poderia mais ir. Charlotte viu seu reflexo na janela escura do vagão e se lembrou que estava fantasiada, a roupa não estava perfeita, mas tinha se esforçado tanto para conseguir algo interessante que ela não jogaria fora horas de trabalho. Iria naquela festa de qualquer jeito. Vestia um manto preto enrolado ao corpo em uma espécie de túnica grega, uma coroa de flores vermelhas, não eram exatamente papoulas mas foi o mais perto que conseguiu chegar, e por último, na sua testa tinha um desenho de uma lua minguante. A intenção era representar Nyx, a figura mitológica que além de de ser deusa da noite é a patrona das bruxas.
Já estava a ponto de desistir de tudo e ir para a casa, afinal ninguém tinha dado a mínima para a sua roupa e a ansiedade estava forte demais para aguentar mais alguns minutos, quando sentiu alguém encostar em sua cintura. Virou-se para identificar o responsável e, por acaso, sua vista foi diretamente ao encontro com a de um rapaz, este era alto e de cabelos longos. Os olhos dele eram claros mas não conseguia discernir a cor, o que mais chamava a atenção é que eram tão brilhantes. Sua reação inicial seria sair correndo dali, mas o que aconteceu foi o contrário disso. Ouviu alguma coisa sobre o cajado que segurava e só conseguiu concordar com a cabeça, ainda assim continuou a escutar o que ele falava. Suas sobrancelhas se ergueram naturalmente quando se deu conta do significado da fantasia dele. Onde mais encontraria alguém falando sobre assuntos que só conversa com as meninas do coven? De repente, sentiu os lábios dele tocarem no seu pescoço a caminho de seus ouvidos, uma onda de arrepios desceu pela espinha dorsal fez com que suas extremidades vibrassem involuntariamente. Aquilo já era demais. "É que eu estou fantasiada de uma deusa" As palavras saíram em um tom baixo, porém rápido, e tentou se afastar o quanto antes. Podia ter respondido algo melhor, mas essa frase foi a única coisa que saiu.
Não convencido pela resposta da desconhecida, Seth ergueu em seus lábios um meio sorriso de pouca fé, enquanto piscava para ela com um só olho, como se dissesse "você não me convence". Porém, se a linguagem de sinais estava funcionando, ele não pôde afirmar. Desviou sua atenção para uma discussão que acontecia a alguns metros deles, entre um rapaz e uma moça. Os poucos segundos de silêncio que se estabeleceram foram tempo suficiente para que Seth retornasse a atenção para a conversa, já com alguma coisa a dizer. As sobrancelhas se arquearam e as feições ganharam tom surpreso, mesmo que brincalhão. - Quer dizer então que você não usa esse tipo de roupa todos os dias? - A voz saiu divertida e livre de quaisquer tons sarcásticos. - Você acabou de destruir meus sonhos. - E, como se tirasse uma conclusão quieta, os olhos perderam o foco e o cenho se franziu. - Na real, se você pensar bem, tudo seria mais interessante se as pessoas usassem fantasia ao invés de roupas comuns no cotidiano. - Deu de ombros e voltou seus olhos à mulher. - A realidade se tornaria mais abstrata. Mais agradável.
Falava demais, principalmente quando fumava muita maconha. Em geral, fosse entre amigos ou não, sempre tentava puxar assunto e parecer interessado em alguma coisa ou alguém. Chegava até mesmo a interromper falas, desculpando-se imediatamente e permitindo ao outro a conclusão da ideia. Expressava-se bem, porém por vezes de forma incompreensível aos olhos das pessoas comuns, menos artísticas, mais exatas. E, naquele momento, evitava expor muito os pensamentos que vinham à sua mente, controlando-se. -
- Eu tenho uma forte convicção de que as nossas fantasias dizem mais sobre nós mesmos do que nossos nomes. - Felizmente, a altura da música estava moderada e a voz se fazia bem sonora. - Um nome é uma palavra, mas uma fantasia? É uma alma. - Deu de ombros. - Pelo menos em geral. - E, dito isso, inclinou-se suavemente para frente, como se fizesse uma mesura ao se apresentar. - Eu sou Dionísio, o deus Louco que transcende através da música e do vinho. E você é?
ponto de equilíbrio || Bethany e Seth
Bethany caminhou pelos corredores silenciosos de seu prédio. Fora um longo dia na biblioteca, e apesar dela realmente gostar de seu trabalho, não podia não ansiar pela confortável cama. Bethany parou em frente a porta de seu apartamento e começou a procurar na bolsa pelas chaves. Estranho, ela pensou consigo mesma, franzindo a testa. Elas não estavam onde normalmente costumavam estar. Bethany passou pelo menos cinco minutos vasculhando a bolsa antes de desistir, frustada consigo mesma. As chaves definitivamente não estavam ali. Deveriam ter ficado na biblioteca, ou na lanchonete onde ela almoçara. Ótimo. Ela pegou o celular e começou a analisar sua lista de contatos. Descobriu que não conhecia ninguém útil. Acabou por pesquisar por um chaveiro na internet, mesmo não gostando da idéia de um desconhecido mexendo com suas chaves. Ligou para um número e se encostou a sua porta, a espera do chaveiro. Em dez minutos o chaveiro ainda não havia aparecido, ao contrário do que ele prometera no telefone. Ela estava ficando cansada. Sua única vista era o corredor vazio e a porta a frente da sua. A porta. Ela teve uma idéia e, antes que pudesse pensar sobre isso, cruzou o corredor e bateu na porta da frente. Ela esperou, e franziu a testa quando ninguém atendeu. Bateu novamente. E novamente. Ela suspirou, decidindo que ninguém deveria estar em casa. Ela estava fazendo uma anotação mental sobre como seguir impulsos insensatos nunca levavam a nada quando, finalmente, ela foi atendida.
A água quente caía sobre seus ombros, relaxando toda a extensão da musculatura que se alastrava sob a pele pálida e um tanto sardenta do rapaz. Seth lavava os cabelos compridos, tirando deles a pouca oleosidade que juntavam de um dia para o outro. Suspirou profundamente e preparou-se para retirar a espuma espalhada por seu corpo. A campainha então tocou, uma, duas, três vezes. Tentou gritar um "peraí", mas a voz foi engolida pelo som do cair da água. Saiu do chuveiro com a toalha amarrada na cintura e, como um gato ensopado, foi atender a porta. Os cabelos pingavam nos ombros e no assoalho de madeira do apartamento.
- Quantas vezes preciso te dizer que a maldita porta sempre está aberta, Raf? - Perguntou, enquanto abria passagem e fitava o visitante. Para sua surpresa, porém, quem pairava na soleira não era um rapaz alto, de cabelos escuros e olhos penetrantes. Muito contrário. A moça possuía feições delicadas e era bons centímetros mais baixa que Seth, tinha olhos azuis gentis e lábios bem definidos. Ele sorriu para a vizinha, ele já a havia visto algumas vezes, porém sem nunca ser notado. - Ei, desculpe, confundi você com um babaca. - Uma risada rouca escapou divertida por seus lábios e ele se afastou da entrada, permitindo que ela passasse. - Venha, entre. Tenho que trocar de roupa. - E, com isso, deu as costas à visita, sem se importar com os padrões sociais acerca de "educação". - Feche a porta quando passar e sinta-se em casa.
Sumiu por alguns minutos dentro do quarto e logo voltou, vestido com calças escuras e sem nada no tórax. Os cabelos ainda pingavam em sua pele e roupas, porém o rapaz não parecia se importar muito. - E aí? Sou o Seth, Seth Jacobs. - Enquanto pronunciava as palavras, dirigiu-se até um armário que ficava na sala/cozinha. Tirou de lá varetas de incenso artesanal e acendeu um dos palitos, sentido o cheiro de Mirra invadir o cômodo. A decoração de seu apartamento, ele bem sabia, era um tanto alternativa com todos aqueles desenhos psicodélicos, fotos impressas e poesias colados na parede. Porém a companhia não pareceu assustada. - Quer beber alguma coisa? Tem limonada na geladeira, pode pegar se quiser.
frio nas fronteiras de topázio {amethyst + seth}
Caos. Caos e o mundo todo se derretia vagarosamente, enquanto a sensação de torpor invadia seu corpo como uma maré que cresce e encontra a areia mais seca aos primeiros raios lunares. As luzes coloridas não se limitavam: eram violetas, azuis, verdes, rosas, laranjas e tantas outras cores. Tudo piscava, até mesmo as árvores que, sob o reflexo da iluminação, coloriam-se e mudavam de forma. As pessoas da festa estavam em sua maioria fantasiadas de coisas místicas: variavam de fadas até deuses de mitologias esquecidas. Seth podia jurar que havia visto a Sekmet e até mesmo Buddha. Porém ele mesmo não gastara muito tempo em sua fantasia: era Dionísio, portanto usava uma toga que lhe cobria parcialmente o corpo, exibindo parte do tórax e das pernas. Na mão carregava um cajado adornado por uma pinha em sua extremidade. Sentia-se bem vestido com aquela fantasia, sentia-se quase um Deus.
Os olhos claros e tormentosos fitaram a multidão que se instalava ante si. Para sua felicidade, porém, o local da festa era suficientemente amplo para que as pessoas pudessem caminhar sem tocar umas nas outras. Um rock psicodélico era a música que regia a confraternização e o pessoal da banda parecia completamente chapado. Entre o bosque, as folhagens abrigavam desde casais flamejantes à pessoas bêbadas. E Seth caminhou entre toda aquela gente, chapado após alguns baseados, até que os olhos captaram uma imagem.
Ela não era propriamente baixa, mas tampouco era alta demais. Tinha a pele num tom dourado e, quando passou ao seu lado, pôde sentir o suave perfume que suas roupas carregavam. Interessou-se imediatamente e a seguiu até os pufes que brilhavam no escuro. Aproximou-se, então, deixando que a mão roçasse suavemente na cintura da mulher, chamando sua atenção. Quando os olhos negros encontraram os seus, Seth quase perdeu o fôlego. Eram impactantes e sofridos, intensos e ao mesmo tempo tão carentes de alguma coisa, tão ansiosos, tão sedentos... - Você vê esse cajado? - Perguntou, enquanto exibia o objeto que carregava em mãos. - Nas religiões pagãs e principalmente no culto à Dionísio, a pinha era usada para simbolizar o início da vida. - Deu de ombros e sorriu. - O mais engraçado é que nós temos uma glândula no nosso cérebro chamada pineal, que tem a exata forma de uma pinha. Ela nos conecta com o que é divino. - Deu de ombros novamente e ergueu nas esquinas dos lábios um sorriso libertino e pretensioso, carregado com diversão. Aproximando-se, então, se inclinou sobre a mulher. Os lábios roçaram suavemente no pescoço feminino, em direção ao ouvido da desconhecida. - Mas hoje seus olhos me fizeram questionar o que é realmente divino. - Sussurrou roucamente, afastando-se alguns passos.
no soul is being sold here {marion + seth}
Os dedos de suas mãos eram demasiado longos e pálidos, as unhas, mesmo compridas, tinham um aspecto salubre ocasionado pela cor rosada que as cobriam. Tamborilavam e percorriam agilmente os títulos dos livros que pairavam ante si. Seth encontrava-se na sessão de Esoterismo da grande biblioteca que sua universidade comportava. Os olhos claros e ávidos acompanhavam as mãos, lendo os títulos rapidamente. Por vez ou outra retirava um livro, manuseava-o, lia brevemente as orelhas e logo o abandonava novamente na estante, vencido.
As vezes fitava de soslaio a figura esguia e bela que postava-se ali consigo, parecendo também buscar por um livro. Tinha longos cabelos escuros e um rosto memorável de feições marcantes e bem definidas. Não conseguia evitar olhar a mulher vez ou outra, com cuidado para não ser flagrado. Possuía uma beleza quase macabra, capaz de devorar corações inteiros, disto Seth não duvidava. Porém, sua curiosidade provinha não da beleza que a mulher portava, mas sim de seu ar altivo, de sua postura, de seu modo de ler os livros, sempre quieta e concentrada. Algo naquela figura, mesmo que ele não soubesse explicar muito bem o que, o atraía quase magneticamente.
Então, quando por fim retornou ao seu objetivo, os olhos flagraram o livro que tanto procurava. As mãos pálidas dirigiram-se à capa de couro vermelha. Porém, assim que tocou o livro, notou que a mulher também o fizera. E ambos agora se encaravam, enquanto uma tensão instalava-se no ar. Seth puxou o livro com força, desvencilhando-o do toque feminino. - Desculpe, preciso disso pra minha tese. - Deu de ombros, sem virar as costas à mulher. Os curiosos olhos do Jacobs continuavam a fitá-la, esperando por uma resposta, uma exclamação indignada. Estava certamente divertido e, mais que isso, livre do usual tédio.
me faça conciso e coerente entre quatro paredes
É um elogio? Vou levar como elogio.
(E eu preferiria muito mais fazer de você menos coerente e conciso, e mais selvagem e humano)
Seth Jacobs ☾ 24 anos ☾ Peixes ☾ Miles McMillan ☾ Open
☾ Background ☾
Cresceu entre o cassino de seus pais e as escapadas para a casa de seu avô. Não teve uma infância propriamente difícil, ainda se lembra bem das tardes que se estendiam andando de bicicleta pelo deserto e das noites acordado até tarde vendo idosos apostarem o dinheiro de sua aposentadoria no blackjack. Porém, tudo começou a mudar quando passou a entender a realidade das coisas. A compreender porque o eu pai raramente aparecia para dar boa noite ou porque sua mãe sempre andava com outros homens mal-encarados. A verdade é que o sr. e sra. Jacobs nunca deram muita atenção para ele, estavam mais preocupados em esconder o negócio multimilionário de metanfetamina que ministravam do que ajudar o filho no dever de casa. A única pessoa que sempre esteve ao seu lado foi seu avô John, mais conhecido como Red Horse. Ele contava histórias sobre os homens que falavam com a natureza e podiam se transformar nos animais, dizia que um dia Seth seria grande o suficiente para participar da cerimônia do Peyote e tomar consciência do seu espírito imortal. Só que esse dia nunca chegou. Seth perdeu seu único avô aos 12 anos e sua vida desandou a partir daí.
Sem muita perspectiva para o futuro, os anos da adolescência foram praticamente perdidos enquanto bebia ilegalmente nos estacionamentos de lojas de conveniência. Percebeu que estava na hora de sair da pequena cidade quando recebeu seu presente de formatura: uma pistola automática sem rastreamento. Ele até sabia como usá-la, mas não queria se imaginar tendo que atirar em alguém para perpetuar os negócios da família. Quando a sua então namorada decidiu se mudar para Nova York ele a acompanhou, tinha que sair de Las Cruces e não importava para onde iria. Alguns anos depois o relacionamento com ela já tinha fracassado, mas Seth continuou em Manhattan.
☾ Present ☾
Estava andando no Central Park quando uma tela exposta em uma das barracas de arte de rua chamou sua atenção. Era um lobo uivando para a lua, muito similar a um quadro que tinha pendurado na parede de seu quarto quando era criança. A artista, Saskia Van Alteren, fez questão de explicar que foi uma visão que teve quando participou ritual indígena assim que chegou à América. Em muitas noites seguintes Seth sonhou que era um lobo. A fim de entender o significado daquilo, voltou a encontrar a pintora. Desenvolveu uma boa relação com ela e seu irmão Raf, mas apesar deles se interessarem profundamente no assunto não eram experientes em decifrar o inconsciente. Criado em uma casa multicultural, ele não teve nenhuma outra ligação com a cultura nativo-americana após a morte do avô, no entanto, os constante sonhos cheio de simbolismo fizeram com que ele buscasse mais conhecimento sobre essa herança em livros e encontros.
☾ Mirror, mirror on the wall ☾
intuitivo ☽ espontâneo ☾ audaz
orgulhoso ☽ tempestuoso ☾ inquieto
☾ What's in your pocket ☾
shuffle on ipod: Ben Howard - The Wolves