Alma fumê
Porque todos me olham Mas ninguém me vê?!
.

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@seu-nome
Alma fumê
Porque todos me olham Mas ninguém me vê?!
.
Nome
Como queria que fosse dependência emocional
Ou algum tipo de vício doentio
Mas pelo visto é algo bem pior que isso
Autor
Às vezes eu também queria ter as mesmas esperanças
A mesma ansiedade no estômago por acreditar
Que talvez tal dia, apareça
Que talvez seja aquela pessoa de blazer de costas
Que talvez aquela seja aquela silhueta na escada me esperando chegar
Que talvez sem aviso a campainha toca enquanto tomo banho
Que talvez receba um convite inesperado
Que talvez não seja eu a oferecer algo além da presença
Só tenho memória de palavras
Não tenho imagens
Não tenho momentos
Não tenho esperanças
Dessa vez
desvisto seu sorriso desvisto essa casa me despido de você e costuro em mim uma mascara .
Forjado
Eu era tudo o que você decidia
sem aspas, sem analogias, sem empatia
cada palavra proferida me definia
E não tinha ninguém para dizer o contrário
para mostrar o que era real e o imaginado
toda palavra então se tornava mandamento, sólido.
A perfeição era obrigatória
mas nunca consegui chegar nem perto.
Punição.
Mas sou grato!
quando se aprende algo no difícil
todo resto fica fácil
Forjado no teu fogo insaciável
Qualquer chama agora é brisa
E consigo pousar levemente em águas calmas.
Estranho
me descobrindo por estranhos
nao tão estranhos assim e outros sim
por ter me perdido pra tão longe de mim
e ao que parece
não sou tão ruim assim
sou mais do que um dia fui definido
mas sem meus fantasmas
é como se nada que fizesse fosse meu
como se nada fosse eu
talvez...
para se encontrar
é preciso primeiro
desaparecer um pouco
Efêmero-04
-Estranho
Mais um em um começo de dia após dias de pensamentos acumulados.
Para os estranhos, estranho. E que permaneça assim, apenas estranhos. Quem sabe...
-É estranho entender quem é você pelas vozes de outros estranhos. Ver por gestos de outros que você não é aquilo que alguém falou de você um dia e mais estranho ainda ver que você não é aquilo que você acreditou que era.
-E pela primeira vez, me descobrindo quem sou por estranhos não tão estranhos assim e outros sim.
Pois dessa vez me perdi pra bem longe de mim.
-Ainda é estranho querer colocar um fantasma nos lugares novos, nas pessoas novas, nas coisas novas, na vida nova. Como se tudo isso não fosse só meu, ou melhor, como se não fosse eu.
-Mas acho que é assim mesmo parte desse estranho processo de quem se perde por alguém, não se sente mais dono de si.
-Seja lá qual seja sua fé, é estranho como as coisas tem se encaixado, como as sortes se voltaram ao seu favor e o universo finalmente aponta seu caminho. E mesmo assim, inevitavelmente, coloco um fantasma lá, por enquanto.
-Sobre fantasmas.
-Fantasmas nunca foram pessoas reais, sempre é uma entidade que criamos com aquilo que nos foi dado, com aquilo que um dia esteve vivo para nós mesmos. E "isso" não necessariamente esteve vivo ou existiu para quem os deu origem.
-Fantasmas não voltam a vida mesmo que ressuscitasse, seria outra criatura. Fantasmas assombram. E na verdade os fantasmas somos nós mesmos no final das contas.
-Quando você aprende a gostar dos seus fantasmas, mais cedo ou mais tarde você também aprende a gostar mais de si, das suas outras versões e da versão de si que fantasmas ajudaram a criar. Desde que não esteja se perdendo ainda mais.
-Tudo vira fuga.
-Trabalho vira fuga. Sair de casa vira fuga. Conversar vira fuga. Organizações vira fuga. Música vira fuga. Aprender vira fuga. Procrastinar vira fuga. Lembrar vira fuga.
-É preciso muita coragem e força para não fugir mais. Se olhar no espelho todos os dias, eu comigo mesmo e apenas eu e ver a vida agora como ela realmente é e como vai ser. Quem eu fui, quem eu sou e que eu serei. O que eu não quero e oque ainda quero.
-E o mais difícil, agir e tomar decisões de acordo sem mais fugas. Transformando a tudo que era fuga em algo como "não fuga", é estranho.
Aprendendo a usar mais pontos finais e menos vírgulas.
Estranhamente, sou mais quem acreditei que era.
Pseudônimo
Como reduzimos tudo a isso
Chamamos de vício a saudade
E surto o pequeno ato de coragem que ainda nos une
Elo inquebrável,
Mas frágil demais
Resiliente ao tempo
Mas vulnerável ao toque
Resignificamos o que sentimos
Na tentativa de amenizar a dor
Logo nós dois que dissemos
Que era injusto demais ter que resignificar tudo isso
Nos embalamos no medo
Na carência e na dor
E resignificando
Chamamos de Pseudônimo Amor
Desvio
Hoje me encontrei com meu Eu mais novo
para tomar um café
Sentei, acendi um cigarro...
e ele se levantou da mesa.
Disse que não suportava o cheiro
das coisas que eu aprendi a tolerar.
Que meus silêncios eram pesados,
e minhas desculpas, velhas demais
pra alguém que ainda acreditava em começo.
Meu eu mais novo tinha pressa,
não de chegar,
mas de não ficar.
Olhava para mim como quem olha
um mapa rabiscado demais
pra ainda confiar no caminho.
Perguntei se ele voltaria.
Ele sorriu com a arrogância sagrada
de quem ainda não foi quebrado
o suficiente para chamar isso de sabedoria.
Pagou o café e foi embora.
Deixou na mesa
um resto de coragem,
um sonho mal dobrado
e uma pergunta que não coube no bolso:
— em que momento você começou
a negociar com aquilo que jurou ser?
Fiquei ali.
Apaguei o cigarro.
E pela primeira vez,
o silêncio não pediu resposta.
As doces e confortantes palavras de um assassino
Do que adianta
Roupas bonitas se elas fedem
Adornos brilhantes de bijuterias
Vocabulário vasto e atitudes vis
Grandes verdades rodeadas de pequenas mentiras
?
O passado precede o futuro
E assim sucessivamente
Mesmo que o presente seja um pouco diferente
Até o cego pode enxergar
Se ele quiser ver
.
Palavras
Engraçado como simples mensagens mudam tudo
Muda o dia, sentimentos, vontades
Os passos que antes pareciam pesar toneladas
Agora são leves como pena, como se o chão fosse nuvem
Medos e traumas transpiram pela pele
O primeiro sorriso de dias
Será remédio? Será anestesia? Será vacina? Será droga?
Não sei, só sei que preciso de você
.
Espelho
Péssimas ideias mas sem arrependimentos
Trouxe um fio de esperança mais fino que seus fios de cabelo
Cada segundo querendo chamar seu nome
Mas esperando que o tempo faça passar a vontade
Uma luta que sei que perderei
Sei que sempre perco
Pois sei que sou mais fraco que aquilo que sinto
Revolta
Dizem que amor não destrói nada, falácia
Esse destruiu tudo que eu tinha e poderia ter
Mas não sei não te amar
Não sei como fazer passar
Ao me olhar no espelho
Não consigo não ver você lá
Não consigo não ver amor
Não consigo não ver dor
Chega ser cômico repetir os mesmos erros
E esperar resultados diferentes
Queria poder entregar o mais puro de mim
Como já fiz a muito tempo
Mas não acreditamos mais no amor do outro
Só no nosso próprio
O que eu faço com todo esse amor que restou em mim?
Resignificar é algo tão vago, vazio e ilusório
Como resignifica um amor único?
Um de nós precisa ir
Encerrar esse ciclo que sempre volta
Eu não consigo
.
Luz Roubada
Você desordena tudo que toca Reduz luz a pó E do pó faz uma ínfima faísca efêmera Que logo some sem se fazer perceber Quem enxerga nada no escuro Qualquer claridade é tudo
De tanto permanecer sem luz Quem não enxerga se acostuma E de repente outra faísca Mas que cega Eliminando tudo que foi conquistado até ali Até se acostumar com isso também
Faíscas que ora cegava e ora trazia luz Que ora era destruição e ora era esperança Com o tempo viraram vício induzido Aguardado em angústia de quando e onde Torpor no breve relampejo e destruído na eternidade escura
Totalmente intoxicado, viciado, dependente Como uma droga querida Até às vísceras não aguentarem mais
Até a única opção ser abstinência E decidir selar os olhos dali em diante Para não enxergar luz alguma
O corpo e mente colapsam Por não saber qual dói mais A droga ou a falta dela Apesar da lógica óbvia A morte agora galopa mais depressa
Um raio, trovão, relâmpago Nomeie como sabe seja lá como for Um clarão como nunca antes visto Traz calor mesmo de olhos fechados E sons desconhecidos
O progresso novamente foi regredido O vício volta com mais poder A felicidade se transforma em anestesia desesperada A tristeza em um buraco onde não existe mais nada E as horas viram facas
Esqueço meu nome Renuncio quem fui, quem sou e quem seria Viro você, viro a droga que me vicia Deixo de existir Só existe você em mim
Completamente invadido, infestado e devastado por você Não existe mais sentido, lógica, razão ou leis da física Movido puramente por tudo que deixou em mim Que até eu não ser mais quem sou A ponto de não saber o que é luz e o que é escuridão
É preciso enxergar É preciso de luz Mas mesmo que volte a ter Qual o sentido quando se perde a visão E ainda sim quero você?
.
Não carrego mais lágrimas suas
Me permito uma última vez lembrar seu nome Queimo as últimas memórias postemas Exorcizando de mim
Cuspa em meu nome para limpar o seu Um erro esperar vida de quem nunca viveu Há muito de nós naquilo que odiamos
Tive que partir mesmo amando Romantismo não é ruim A falta de amor próprio, sim
E se eu não for por mim Me ensinou que ninguém será
O véu caiu
.
Como?
O que foi que não aprendi? O que eu não entendi? O que eu perdi?
Aqui dentro é tudo tão claro Mas as palavras que saem Saem tão confusas .
Breves momentos de sobriedade embriagada de coragem
Surtos momentâneos de inspirações de coragem Onde se resgata mesmo que por um momento um pouco de si Ideias, mudanças, a prontidão para serem postas a realidade
Mas que como um sopro entre as folhas de uma árvore Se esvai Como se nunca tivesse acontecido
Retornando de novo pela ânsia do mesmo Perdido no futuro O passado que nunca teve .